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Encontro Leste: Queda da taxa de juros impele EFPCs para diversificação, tecnologia e mais risco

por | set 4, 2020 | Blog

O primeiro painel do Encontro Regional Leste foi dedicado à discussão sobre “Cenário Econômico e Desafios na Alocação”. Os convidados abordaram temas como o cenário pós-pandemia; diversificação e modelo de gestão de fundos imobiliários; investimentos no exterior; e tecnologia para trazer consistência ao portfólio. A mediação ficou a cargo do Vice-Presidente da Abrapp e Presidente da UniAbrapp, Luiz Paulo Brasizza.

Brasizza ressaltou a importância dessa discussão em duas vertentes. Nos planos de Contribuição Definida (CD), há demanda por participantes assistidos e ativos por maior rentabilidade, em cenário de queda de taxa de juros, o que pressiona as entidades a buscarem riscos maiores. E nos planos de Benefício Definido (BD), que respondem por 65% do R$ 1 trilhão dos ativos geridos pelas entidades fechadas, embora já fechados, demandam cumprimento de metas atuariais que impelirão as entidades a agregarem mais risco em seus portfólios de investimentos nos próximos anos.

Taxa de juros baixa veio para ficar – Em sua apresentação, Adilson Donisete Ferrarezi, Superintendente de Soluções de Investimento da Bradesco Asset Management, ressaltou que independente de se ter maior ou menor volatilidade no cenário político e econômico brasileiro, a única certeza que se tem é a convivência com taxas de juros menores. “E é essa certeza que teremos que manter daqui para a frente para a construção do portfólio de investimentos”, assinalou.

Nesse sentido, ele apresentou aprendizados da indústria de endowment funds frente à queda estrutural da taxa de juros nos Estados Unidos, hoje próxima de zero, que podem ser observados pelas entidades fechadas no Brasil. Quando a taxa básica de juros americana chegou a patamar inferior a 3%, os dois maiores fundos, de Harvard e Yale, que juntos representam R$ 60 bilhões sob gestão, já apresentavam em seu portfólio de 50 a 60% de alocação em produtos internacionais, alternativos e de maior relação risco-retorno.

Com a queda da taxa de juros estrutural no Brasil, será preciso caminhar para uma alocação estratégica com visão de extremo longo prazo. “90% do retorno dos portfólios de longo prazo vem de uma boa alocação estratégica. E isso vai muito em tentar não só diversificar gestores, ações, mas cada vez mais com essa evolução e revolução de abertura para o mercado internacional, buscar novas geografias e fontes de retorno”, destacou Ferrarezi.

Seleção de ativos – Bárbara Lombardi, Gestora de Fundo de Fundos da Rio Bravo Investimentos, destacou os critérios utilizados pela gestora na seleção dessa classe de ativos, que experimentou grande crescimento nos últimos anos e ainda tem espaço para se expandir.

Segundo Bárbara, desde 2018, os fundos imobiliários cresceram cerca de 500% em número de investidores. Hoje a classe tem perto de R$ 105 bilhões em patrimônio líquido. São 270 fundos listados em Bolsa e mais de 500 registrados na CVM. “Houve também crescimento da liquidez, saindo de R$ 45 milhões diários negociados em 2018 para mais de R$ 215 milhões em 2020”.

Para a escolha de um fundo imobiliário, ela destacou critérios fundamentais, como a tolerância a risco, seleção de ativos e gestores e a diversificação do portfólio investido. “É de extrema importância não colocar todos os ovos na mesma cesta para ativos imobiliários. E quando falamos em diversificação não é comprar prédios diferentes na av. Faria Lima, porque não estamos acessando fontes diferentes de retorno. Estamos falando de diversificação quando os prédios possuem características técnicas diferentes, composto em portfólio com prédios em outras localidades, com shoppings, galpões logísticos, ativos educacionais, residenciais. Aí sim estaremos acessando fontes diferentes de retorno e agregando diversificação para esse portfólio imobiliário”, destacou Bárbara, alertando ainda para análise dos diferentes riscos inerentes a cada classe.

Investimentos internacionais – Reforçando os aspectos da diversificação setorial e geográfica, ​Daniel Castro, Gestor de Portfólios da Santander Asset Management, destacou que o perfil do investidor brasileiro ainda é muito concentrado no mercado doméstico, que representa apenas 3% das oportunidades no mundo, ou seja, 97% de outras opções de investimentos ficam de fora.

Para efeito comparativo, sob o aspecto da diversificação setorial, o índice brasileiro Ibovespa está concentrado em bancos, empresas financeiras, commodities e empresas de consumo. Já o MSCI World, índice de ações de grandes empresas que atuam em países desenvolvidos, a maior concentração está nos setores de tecnologia, heatlhcare e também bancos. “Notem que esses setores são bastante diferentes entre si. E tecnologia e saúde, com essa pandemia, tiveram excelente performance e também perspectiva para o futuro nesse novo normal”, observou, acrescentando que o índice internacional também apresentou recuperação mais rápida à crise da COVID-19.

Castro ressaltou a importância da diversificação mirar o longo prazo, e não simplesmente se concentrar no tático sobre o melhor momento para se entrar em determinado mercado ou classe de ativos. “É difícil escolhermos o melhor cavalo sempre. Dentre os índices, não teremos um que fica sempre em primeiro lugar. Uma alocação diversificada, colocar os ovos em diversas cestas, traz mais ganhos no sentido de não se estar concentrado em apenas um cavalo e com ele sofrer a perda de oportunidades dos demais. Então, vale a pena diversificar, é difícil acertar no ano seguinte qual será o melhor cavalo”. Ele destacou ainda que em 2021 o Brasil terá um cenário inusitado, com projeção pela Santander Asset de inflação de 2,90% e taxa Selic em 2%. “De partida, teremos rendimento real negativo. Para superar nossa meta atuarial será preciso correr mais risco”.

Diversificação com tecnologia – Tomás Leme, RI da Pandhora Investimentos, gestora sistemática que utiliza inteligência artificial, destacou como a tecnologia pode ser complementar para a decisão de alocação de risco no portfólio. “O mundo está mudando. O Brasil mudou. O cenário de juros baixo vai fazer com que todos os investidores institucionais precisem tomar risco e o único almoço grátis que poderemos ver no mercado financeiro será tentar descorrelacionar os portfólios”.

Ele ressaltou que 7 dos 15 maiores fundos do mundo são sistemáticos, utilizando a tecnologia para a gestão, e que nos últimos anos esses fundos também vêm ganhando participação mais relevante dentro do capital alocado. “Isso significa que os investidores estão levando seus recursos para esse tipo de gestão por entenderem os benefícios da descorrelação (diversificação). Importante dizer que grande parte dos alocadores desses fundos são endowments e fundos de pensão que precisam diversificar seus investimentos. Gestores sistemáticos conseguem fazer muitas apostas em diversos ativos, tipos de estratégia e esse é um dos benefícios desse tipo de gestão. Conseguimos fazer muitas apostas ao mesmo tempo”, ressaltou Tomás. Ele acrescentou que o uso da IA também permite reduzir viezes, pois não se guia pelo calor das notícias e sim pela análise de dados gerados pelo mercado, possibilitando a captura de oportunidades fora do “efeito manada” e maior índice de sharpe nos investimentos.

Os estudos da gestora mostram que a pulverização em diferentes estratégias de investimento, com alta descorrelação, performa melhor do que uma maior concentração em poucos ativos. “Muito melhor do que alocar em poucos produtos ou ativos com uma correlação muito alta, é fazer uma alocação em muitos fundos diferentes totalmente descorrelacionados entre si”. Tomás acrescentou que além da descorrelação, o longo prazo tem papel fundamental para os resultados dos fundos, considerando pelo menos 36 meses de retorno. “Essas duas características, quando aliadas, geram produtos muito bons para a composição de portfólios e alocação de investidores institucionais como vocês”, concluiu.

Confira a cobertura completa do Encontro Regional Leste:

Os Encontros Regionais contam com o patrocínio de: Giant Steps Capital, Bradesco Asset Management, Pandhora, Rio Bravo, Santander Asset Management e Captalys. O evento tem o apoio da Mapfre Investimentos e da Franklin Templeton.

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