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MyNews: Entidades fechadas estão cada vez mais abertas para a população, afirma Devanir Silva

por | dez 16, 2020 | Blog

Devanir Silva, Superintendente Geral da Abrapp, participa do quadro Previdência para Todo do canal MyNews

O Superintendente Geral da Abrapp, Devanir Silva, foi o entrevistado desta quarta-feira (16) no quadro “Previdência para Todos” no canal MyNews do Youtube.

O quadro é fruto da parceria entre a Abrapp e o canal de jornalismo e integra o programa Almoço de Quarentena, comandado pelas jornalistas Mara Luquet e Myrian Clark. Clique neste link para assistir.

Ao longo do programa, Devanir Silva destacou que as mudanças no mercado de trabalho e seu impacto sobre a previdência social abrem muitas oportunidades.

“A Previdência Social é a coisa mais engenhosa que a humanidade descobriu, pois todos precisarão dela um dia”, destacou Devanir Silva, ao citar o professor Celso Barroso Leite.

Devanir observou que mesmo com as mudanças no mercado de trabalho, que deverá ser cada vez mais centrado no indivíduo, a previdência continuará sendo uma necessidade básica.

“A previdência privada não deve substituir, mas complementar o Estado. É nesse sentido que devemos trabalhar”, destacou o Superintendente da Abrapp. Ele ressaltou que a Reforma da Previdência realizada em 2019 acertou em alguns pontos, mas foi paramétrica, o que trará a necessidade de uma nova revisão daqui a 5 ou 8 anos.

Brasil envelhece rapidamente – Devanir chamou atenção para o fato de que a população do País está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo dados do IBGE, divulgados em 2018, o número de pessoas com mais de 65 anos é de, aproximadamente, 1 a cada 10 brasileiros. Para 2060, a projeção é que 1 a cada 4 brasileiros estará nessa faixa etária.

O Brasil, assim como outras nações que realizaram reformas, deve buscar uma previdência estruturalmente organizada. Devanir explicou que trata-se de diminuir as transferências dos encargos entre gerações. É estabelecer condições para que as próximas gerações – em linha com o perfil do novo trabalhador – possam constituir seu patrimônio previdenciário, com a continuidade do Estado atuando na outra ponta.

Contudo, para que essa poupança aconteça é necessário que o Estado ofereça incentivos para as pessoas optarem por tirar uma parte do dinheiro do consumo para aplicar em um plano de previdência com horizonte de 30 anos.

Educação previdenciária é fundamental – A jornalista Mara Luquet observou o caso do Chile, que na visão de especialistas e autoridades, um dos grandes erros que culminaram nas falhas da sua reforma da previdência foi a falta de educação previdenciária para a população. Devanir Silva, profundo conhecedor do tema, acrescentou que outro erro nesse processo foi a retirada do Estado de bem-estar social da equação.

“Entendo que a estrutura da previdência deve ter um tripé: o papel do Estado, os planos coletivos e planos individuais. No Chile só ficaram os planos individuais”, observou Devanir. “A ideia, numa economia liberal, é que esse indivíduo teria condições, em um mercado organizado, de fazer a escolha das melhores opções. Mas os indivíduos não estavam preparados para fazer aquela escolha; foram induzidos”, acrescentou o Superintendente.

Como resultado da cultura previdenciária incipiente, os trabalhadores não conseguiram formar poupança apenas com suas contribuições e, 35 anos depois, o benefício médio de previdência no Chile é de 60% de um salário mínimo.

Devanir Silva destacou que o modelo de formação de poupança com participação da contribuição do indivíduo não deve ser demonizado, mas precisa ser bem estruturado, e esclarecer para a população informações fundamentais para que façam boas escolhas.

No sentido de disseminar a educação previdenciária para a população, a Abrapp tem trabalhado muito, tendo como exemplo as iniciativas da UniAbrapp e a parceria com o CIEE para incentivar a formação dessa cultura entre os jovens.

“Não podemos transferir esses encargos só para o Estado, o indivíduo precisa fazer algum esforço. Mas para isso ele precisa saber escolher, entender o que é uma taxa de administração, saber como e onde o dinheiro está sendo aplicado”, destacou Devanir.

O Superintendente ressaltou que também é importante a existência de mecanismos, a exemplo da Inglaterra, como a adesão automática aos planos, dado que no momento da decisão sobre entrar ou não em um plano nem sempre o jovem trabalhador está preparado ou devidamente informado sobre o benefício que alcançará no futuro.

Competição e abertura para novos participantes – Durante o bate-papo, a jornalista Mara Luquet ressaltou que a ampliação do alcance das entidades fechadas para novos públicos, para além dos participantes das empresas patrocinadoras dos planos, contribui para uma competição saudável no mercado e a redução das taxas de administração. Com isso, quem ganha é o consumidor, que tem mais opções à sua escolha.

“É uma concorrência muito bem-vinda porque traz alternativas e isso ajuda a pressionar as taxas. Alguns cálculos mostram que a diferença das taxas são muito grandes porque as entidades fechadas não buscam lucro, então distribuem isso para os participantes. E essa economia pode gerar uma diferença de até 20% no patrimônio final acumulado, um dado muito importante para investimentos de médio e longo prazo”.

Devanir Silva ressaltou que as entidades fechadas estão dando sua colaboração. “Costumo dizer que os fundos fechados nunca estiveram tão abertos; abertos a trazer essa população. Os planos família estão aí e estamos trabalhando em um projeto muito bacana, o “instituidor corporativo”, que é uma outra família de produtos. E isso para o mercado é muito bom. Vamos trazer concorrência, clareza, transparência e boa governança. As entidades fechadas estão abertas e ocuparão cada vez mais um espaço muito importante em nosso País, não tenha dúvida”.

O programa também destacou que previdência não é só para aposentadoria, e que existe vida ao final do ciclo laborativo. A edição também revelou uma curiosidade sobre o Superintendente Geral da Abrapp: o hobby de cavalgar com mulas. “A gente não se aposenta da vida, mas do trabalho”, completou Devanir, destacando a importância da formação de reserva para o futuro para que se possa ter uma vida pós-laborativa produtiva e prazerosa.

Clique aqui para assistir ao quadro Previdência para Todos (a partir do minuto 39:35).

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