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Entrevista: Os impactos do Open Finance no sistema financeiro brasileiro

por | nov 6, 2020 | Blog

Thiago Saldanha, Sinqia

Em entrevista exclusiva ao Blog Abrapp em Foco, Thiago Saldanha, CTO (Chief Technology Officer) da Sinqia, explica os impactos e profundas mudanças que o Open Finance está produzindo no sistema financeiro no Brasil. Iniciativas do Banco Central como o PIX e o Open Banking devem incentivar maior competitividade e agilidade para os serviços bancários. Na área de Previdência Privada, as novidades afetam imediatamente as entidades abertas e seguradoras.  

Apesar de não impactar diretamente as entidades fechadas (EFPC), as mudanças do Open Finance e novidades tecnológicas do sistema financeiro devem começar a afetar a gestão de investimentos. Confira a seguir a entrevista na íntegra:

Poderia explicar o conceito de Open Finance?

O Open Finance é uma das iniciativas de inovação do Banco Central que busca melhorar a competitividade no sistema financeiro brasileiro. Também conhecido como Open Banking ou Sistema Financeiro Aberto, dará aos brasileiros o direito de poder decidir sobre seus dados dentro das instituições financeiras, com isso o cliente de uma instituição passa a ser dono de todos seus dados, podendo decidir quem terá acesso e, assim, compartilhar as informações com várias instituições. Diferente de outros países, o Open Banking no Brasil não está restrito somente a instituições bancárias, aqui no Brasil o movimento irá expandir para outros setores, como previdência, investimento e seguros, por isso o nome utilizado no Brasil será Open Finance. 

Poderia explicar os impactos do Open Finance no Brasil? 

Com as movimentações que estão acontecendo no sistema financeiro, várias empresas começam a ver possibilidade de concorrer diretamente com grandes bancos nos principais produtos que os sustentam. Várias regulamentações e iniciativas estão aquecendo o mercado financeiro, possibilitando a criação de novas instituições que poderão oferecer crédito, contas digitais, vendas de produtos financeiro, etc. É de se imaginar que essa movimentação irá atrair muitas pessoas que ainda não estão bancarizadas e começar a girar dinheiro eletrônico através de aplicativos de mensagens, delivery, e-commerce ou até mesmo nas operadoras de telefonia. Quem ganha com toda essa abertura e inovação que está acontecendo e também as que estão por vir são os brasileiros que deixarão de ser reféns de instituições que prestam um serviço ruim e poderão escolher por melhores experiências com melhores retornos.

Quais são as iniciativas do Banco Central nesta área? 

Aqui no Brasil temos o PIX e o Open Banking. O PIX trará agilidade para pagamentos e transferência, além de eliminar intermediários da cadeia de transação que complicam e encarecem o sistema financeiro. Além disso o Open Banking/Finance dará ao cliente o poder de conseguir melhores taxas e serviços utilizando seu próprio histórico de uso e que com apenas alguns cliques poderá mudar de instituição.              

Quem são os beneficiados e quais as principais vantagens?

A maior vantagem de todas é a abertura para novos modelos de negócios e maior competitividade, que irá alavancar o sistema financeiro brasileiro e quem ganha são os brasileiros. Com mais competitividade e menos intermediários, os custos irão reduzir muito, e com uma legislação atualizada, moderna e tecnológica trará mais segurança, mais agilidade e mais opções. Outras vantagens que devem ser citadas são: modernização da legislação, maior eficiência, crédito mais barato, maior competitividade, maior bancarização, inovação tecnológica, redução de custos, maior segurança, etc. Isso tudo irá facilitar e dar mais opções para os brasileiros que poderão decidir trocar de instituições muito facilmente, e ainda atrair pessoas que que possam digitalizar seu dia a dia financeiro.             

Em quais países esse conceito é mais desenvolvido? Poderia comentar os benefícios nesses lugares?

A iniciativa já ocorre em diversos países como Canadá, EUA, México, Índia, Japão, Austrália, Rússia, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Cingapura e na UE, onde foi criado o padrão PSD2 que já está em funcionamento há 2 anos. Pode-se notar que várias inovações surgiram a partir do PSD2, muitas num âmbito tecnológico que usufruem das famosas APIs que são as viabilizadoras para que os sistemas se comuniquem e deem aos clientes acesso às suas informações. Aplicativos auxílio financeiro com acesso a taxas e produtos do sistema financeiro agora não só mostram a posição de cada conta para seus clientes como também atuam como indicação utilizando-se da Inteligência Artificial e do Big Data para que cada cliente tenha melhores rentabilidades e menos custos.

Poderia dar alguns exemplos de como esses serviços impactam o dia a dia das pessoas?

Por exemplo, clientes que possuem vários bancos agora podem acessar tudo em um único aplicativo. As pessoas podem cancelar contas apenas deletando seus aplicativos, reduzindo muito a burocracia. A contratação de produtos financeiros passam a ser totalmente digitalizado, com troca de informações e validações de segurança cada vez mais avançadas, com uso de reconhecimento facial, biometria, GPS, Machine Learning, blockchain, etc.             

Tem algum impacto sobre o sistema de EFPC? Quais? Poderia explicar citando o impacto positivo sobre entidades, participantes e patrocinadores?                      

Em relação a EFPC, a regulamentação existente até o momento não cita obrigatoriedade da participação, porém é possível entender os benefícios que a abertura de dados irá trazer. Em um mundo financeiro onde a competitividade por taxas, melhores retornos e principalmente, num mundo onde a experiência de consumo de um serviço virou o principal diferença na concorrência digital, não podemos deixar de lado a inovação e ignorar o movimento do mercado, é preciso preparar-se e entrar de cabeça para não morrer. A inovação trará muitos benefícios caso a tecnologia seja usada a favor do negócio. 

Haverá mudanças na gestão dos investimentos das EFPC?

Podemos imaginar uma evolução tecnológica que irá acelerar muito o setor com a automatização de gestão de fundos, inteligência artificial nas tomadas de decisões de aplicações, simuladores de previdência com comparadores em tempo real que poderão dar maior assertividade para os clientes e tomadores de decisão, consolidação de investimentos numa única visão, a união de carteiras de investimentos, gestão facilitada da vida financeira dos clientes, tudo isso e muito mais, na palma de sua mão. 

Por favor, comente o impacto do Open Finance sobre as entidades abertas e seguradoras?

Aqui no Brasil, sabe-se até o momento que o Open Finance irá impactar as Entidade Abertas, que irão precisar abrir algumas informações, ainda pendente de definição qual será o formato. Muitas vezes essas informações, principalmente de histórico dos cliente, são muito extensas, devido ao longo período que de existência de uma previdência, isso será um grande desafio tecnológico para as entidades, porém nada impossível visto toda a evolução que estamos vivenciando.

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