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Aumenta o interesse das fundações em investimentos de Private Equity

Aumenta o interesse das fundações em investimentos de Private Equity

Com a queda das taxas de juros e a necessidade de buscar maior diversificação nas carteiras, o interesse das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) em analisar e investir em ativos de Private Equity (PE) está se ampliando. Um dos indicadores desse interesse crescente é a participação no Comitê de Investidores da Abvcap (Associação Brasileira de Venture Capital e Private Equity) que conta com a presença de uma dúzia de fundações. São elas: Petros, Fapes, Previ. Celos, Funcef, Elos, Promon, Fundação Copel, Previ Ericsson, Fundação Itaipu, Economus e Fachesf.

Até há 3 anos, apenas as grandes fundações e o BNDES participavam regularmente desse âmbito. Desde o ano passado e principalmente em 2020, a participação de entidades de menores portes tem sido algo cada vez mais frequente. “Discutimos as boas práticas no processo de investimento em Private Equity, alinhamos as expectativas, falamos sobre as motivações de cada fundação relacionadas ao cenário atual, entre outros assuntos”, diz Arlete Nese (foto acima), Sócia da ON Valor consultoria e representante da Abrapp no Comitê de Investidores da Abvcap.

Ela reforça a percepção que a quedas das taxas de juros tem incentivado o aumento do interesse em conhecer e buscar maior qualificação das equipes de entidades fechadas de todos os tamanhos. Arlete comenta que as fundações acumularam muita experiência e aprendizado nos últimos anos e estão preparadas para ampliar a participação no segmento. Mas para isso, é importante buscar qualificação adequada e troca de experiências. Neste sentido, o âmbito da Abvcap cumpre um papel importante.

Luiz Barbosa Medeiros, Responsável pelos Investimentos em Private Equity da Fapes e membro do Comitê da Abvcap lembra que no início participavam apenas as grandes fundações desse âmbito. “Agora, todos os meses aparecem novas instituições, sejam fundações menores, fundos de fundos ou gestores internacionais”, comenta. O profissional diz que o Comitê tem grande importância para promover a troca de experiências quanto aos principais temas da indústria relacionados aos investimentos, gestores e arcabouço jurídico.

Ele afirma que a indústria de PE tem vivenciado forte desenvolvimento recente e que atualmente há maior quantidade de gestores, com teses mais experimentadas e cardápio maior. “Hoje temos melhores condições na indústria. Antes eram poucos gestores com opções não provadas”, diz Medeiros.

César Avidos, Gerente Executivo de Ativos Ilíquidos da Fapes diz que a entidade promoveu a consolidação de experiência com Private Equity nos últimos 3 anos, com grande avanço no aprendizado e qualificação da equipe. “Hoje contamos com um processo de análise bem estruturado e uma equipe altamente qualificada”, comenta o gerente. (leia mais em matéria sobre a Fapes que será publicada nos próximos dias).

Abrapp e Abvcap – José Carlos Lakoski, Diretor Financeiro da Fundação Copel, também considera que o Comitê de Investidores da Abvcap é um âmbito muito propício para permitir o intercâmbio de informações e experiências entre investidores, fundações e gestores. Neste momento de maior interesse das EFPC por investimentos estruturados, associações como a Abvcap e também a Abrapp cumprem um papel fundamental para o nivelamento de experiências e busca de maior capacitação dos profissionais. Ele inclui também o envolvimento da Previc e de suas áreas de fiscalização como outro ponto importante para incentivar uma postura adequada para o avanço dos investimentos em Private Equity pelas entidades.

“É muito importante promover a aproximação entre Previc, Abrapp e Abvcap nesta questão dos estruturados. Temos de realizar um trabalho forte junto aos órgãos de fiscalização e regulação para que todos possam compreender melhor as características dessa classe de ativos”, comenta Lakoski.

O Diretor da Fundação Copel lembra que desde o primeiro movimento de queda dos juros em 2012 e 2013, a entidade começou a trabalhar com uma perspectiva de juros decrescentes no médio e longo prazo. Foi então que se definiu um programa para investimentos estruturados em 2013. “O programa é uma importante ferramenta para entender como os estruturados podem agregar valor e diversificação à gestão de portfólio. Tivemos de estudar e qualificar profissionais”, diz.

Desde então, a entidade tem procurado montar uma carteira de fundos de participações (FIPs) com a diversificação de safras, gestores, ciclos econômicos e ativos estratégicos. “Não adotamos uma visão oportunística em relação aos ativos ilíquidos. Com essa classe, é necessário adotar uma visão de longo prazo”, conta Lakoski. Todo ano, a Fundação Copel trabalha com um target de aproximadamente R$ 110 milhões em novos investimentos em private Equity, tanto em fundos primários quanto secundários (fundo de fundos).

Hoje a entidade conta com 14 FIPs de 9 gestores diferentes. Tem atualmente R$ 300 milhões em ativos integralizados e R$ 473 milhões em compromissos, o que representa 4% do patrimônio. “Queremos chegar a 6% daqui a dois anos. Ainda temos espaço para crescer”, comenta. A carteira de FIPs da entidade registrou retorno de 23,20% no período de 12 meses encerrado em junho de 2020.

Alocação e monitoramento – Para quem deseja investir no segmento, Arlete Nese ressalta a importância de realização de um estudo de alocação estratégica em investimentos estruturados, com a utilização de métricas e fundamentos para balizar a política de investimentos. A consultora alerta para a necessidade de avaliar não apenas o processo de seleção, mas também o monitoramento de gestores.

Segundo seus estudos, a alocação em um nível abaixo de 5% do patrimônio de uma entidade não é vantajosa, pois gera muito trabalho e o custo acaba não compensando. Já um limite acima de 10%, pode gerar um problema de risco acima do nível adequado.

Seminário – Organizado pela Abrapp, o 9º Seminário Gestão de Investimentos traz uma programação abrangente com a participação de consultores, especialistas de assets, dirigentes de fundações e representantes da Previc. O evento ocorre entre os dias 15 e 16 de outubro. Um dos painéis será dedicado ao tema do Crédito Privado e Investimento Estruturado. Veja programação completa e inscrições.

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