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Giro das Associadas: Prevcom, Cibrius e Sebrae Previdência

Rentabilidade de planos da Prevcom sofre leve retração – A rentabilidade da carteira administrada pela Fundação de Previdência Complementar do Estado de São Paulo (Prevcom) registrou, em setembro, leve retração de – 0,39% provocada, entre outros fatores de curto prazo, pela instabilidade do mercados devido aos ajustes fiscais nas economias norte-americana e brasileira. O Índice Bovespa também fechou em baixa refletindo a instabilidade das bolsas globais gerada pela sinalização de uma segunda onda de contágio do coronavírus em países europeus.

Apesar da oscilação, os investimentos no exterior foram protegidos pela alta do dólar, gerando resultados praticamente neutros sobre o capital investido. O recuo mensal ocorre após cinco meses consecutivos de retornos positivos iniciados em abril, de 1,80%, seguidos por 1,09% em maio, 1,75% em junho, 1,62% em julho, até o percentual de 0,87% de agosto. A sequência de alta permitiu aos planos da Prevcom acumularem 3,88% de rendimento no ano. Em 12 meses, os investimentos totalizaram ganho de 8,69%.

 

Cibrius estuda oferta de novos produtos – Com o propósito de fortalecimento da entidade e a promoção das transformações estruturais necessárias, o Cibrius tem estudado a viabilidade de oferecer novos produtos a diferentes públicos, além dos empregados da Conab. A estratégia visa consolidar o fundo de previdência complementar.

A primeira iniciativa implementada nesse sentido foi a criação de um grupo de trabalho com o objetivo de elaborar um plano de ação visando traçar ações estratégicas que abrangem a prospecção de outros produtos e aumento da massa de novos participantes para o ConabPrev por meio de planos instituídos.

 

Sebrae Previdência lança Painel de Investimentos – O Sebrae Previdência lançou o Painel de Investimentos, uma ferramenta de divulgação de resultados que compartilha informações geradas por meio de business intelligence. O painel disponibiliza a evolução patrimonial dos planos, a distribuição de recursos por gestor, os limites da Política de Investimento aprovada para cada perfil, a rentabilidade líquida dos perfis no mês, ano e nos últimos 12 meses, com o comparativo de indicadores de mercado, entre outra coisas. De acordo com o Diretor de Administração e Investimentos, Victor Hohl, o resultado do trabalho torna as informações mais acessíveis, aumentando a transparência, e facilita a comparação de desempenho de cada perfil, auxiliando o participante no processo de escolha do perfil mais adequado às suas expectativas.

Nas próximas etapas de desenvolvimento da ferramenta, a ideia é inserir também dados que facilitarão a análise e entendimento de risco de cada perfil. Serão consideradas informações como volatilidade, sharpe e retornos máximo e mínimo em um período pré-determinado. Segundo Vico Diretor, o Painel de Investimentos será atualizado mensalmente, após a divulgação de todos os indicadores de mercado. Alguns desses indicadores possuem datas específicas de divulgação. O participante poderá ainda comparar os resultados com outros meses.

A proposta é que a ferramenta de BI seja utilizada, também, nos próximos meses, para disponibilizar outras informações, tais como crescimento do número de participantes, dados sobre os benefícios pagos mensalmente, volume de contribuições e portabilidade, além de informações sobre a carteira de empréstimo.

Gestores buscam aspectos ASG ativamente em análises de investimentos

Gestores buscam aspectos ASG ativamente em análises de investimentos

Os investimentos em aspectos ambientais, sociais e de governança (ASG, ou ESG, na sigla em inglês) deixaram de ser uma escolha ou tendência e passaram a ser primordiais para garantir retornos de longo prazo. Esse foi o tema de painel do segundo dia do 9º Seminário Gestão de Investimentos, iniciado ontem e que continuou ao longo desta sexta-feira, 16 de outubro. Com um público de mais de 700 pessoas acompanhando o evento online e ao vivo, os primeiros painéis do dia trouxeram temas relacionados a investimentos no exterior e oportunidades no crédito privado.

Para tratar dos aspectos ASG, Rafael Soares Ribeiro de Castro, Gerente Executivo de Conformidade e Controles Internos da Previ, moderou um painel que mostrou que gestores estão cada vez mais especializados e ativos na busca por investimentos com impactos ambientais, sociais e de governança em suas carteiras. “Temos acompanhando cada vez mais esse tema na mídia, e isso se reflete na análise dos nossos investimentos. Esse tema cresceu bastante nos últimos anos no Brasil, e para engrandecer o debate, traremos uma perspectiva internacional e nacional”. ​

Rick Stathers, Analista & Estrategista de ESG e Climate Change na Aviva investors, atua com uma equipe de mais de 20 especialistas em ESG e traçou um panorama da situação de mudança climática no mundo atualmente, reforçando o Acordo de Paris, um tratado que rege medidas de redução de emissão de gases estufa a partir de 2020, a fim de conter o aquecimento global preferencialmente em 1,5 ºC. “Precisamos tomar as medidas necessárias para isso, pois as consequências para um aumento do aquecimento global serão graves”, disse. “Até o final da próximas década, temos que diminuir as nossas emissões de gás carbônico. Há uma falha de mercado em segurar o aumento de emissões, sobretudo em empresas de petróleo e gás”.

Ele citou motivos que fazem esse tema ser importante aos investidores. “Já estamos tendo um aumento a temperatura, no nível dos oceanos, enchentes e queimadas afetando as economias ao redor do mundo. É importante saber quais são as implicações disso para tomar as decisões de investimento de longo prazo”. Segundo Rick, gestoras e investidores ao redor do mundo já estão pressionando empresas para cobrar atuações nesse sentido. “A resposta precisa ser maciça e aumentar significativamente”, disse. “Há uma mudança na demanda dos clientes, com análises, campanhas de desinvestimentos de empresas responsáveis pelo aquecimento e, recentemente, na Europa houve mudanças nas regulações, com requisitos maiores que se alinhem à exigências do Acordo de Paris”, destacou.

Aspectos ambientais – Nos últimos 4 anos, a Aviva tem feito uma análise sobre as implicações desse cenário de aquecimento, medindo seus impactos. “É muito mais plausível que haja um impacto negativo com qualquer que seja o aumento de temperatura, mas o cenário de 1,5º é o menos negativo. Através dos nossos investimentos, podemos a chegar nesse resultado. Há muitas discussões internamente que devem ser replicadas entre empresas e gestoras para afinarem suas carteiras e fazem com que isso nos leve a esse futuro de aumento de 1,5º”, disse o analista.

Entre as medidas que as gestoras podem tomar, segundo Rick, está incluir o risco no processo de investimentos, identificando empresas com o modelo de negócios voltado para um mundo de baixo carbono, medindo como as empresas fazem a gestão de risco climático. Além disso, ele citou uma abordagem mais ativa, de contato com acionistas das empresas, podendo ser mais ativo nas decisões. “Temos uma abordagem forte de engajamento e oferecemos soluções aos investidores”.

Gestão – Para tomar essas decisões mais práticas, através de um processo de capacitação dos analistas, a Indie Capital conta com a Sitawi para construir políticas responsáveis para os investidores até chegar no próximo passo, que será abrir um fundo 100% ASG. “Temos um problema sério de sustentabilidade no mundo, e o mercado está caminhando para essa direção. Faz parte do desafio das gestores incorporar esses investimentos no seu dia a dia”, disse ​Daniel Reichstul, Fundador da Indie Capital. “Isso vai fazer preço, e a nossa motivação, nosso propósito está calcado na ideia de estar na ponta. Temos uma questão fiduciária, e para dar bons retorno é importante saber analisar aspectos ASG na hora de investir em uma empresa”.

Ele deu ainda uma visão para identificar os principais pontos programáticos, a subjetividade, olhando não somente os indicadores, mas entendendo a atitude da empresa e sua visão holística. “Já olhávamos com profundidade o aspecto de governança, e agora olhamos o score social e ambiental também”, destacou. “A gente tem tido bastante humildade intelectualmente para ir incorporando os temas no nosso dia a dia, melhorando de maneira gradual e cuidadosa para ter bastante certeza de que estamos fazendo algo sólido e novo, com cuidado na incorporação”, disse.

Daniel apresentou ainda algumas variáveis identificadas no processo de análise que pesam para determinados setores, cruzando o score com a atitude da empresa. “As empresas que têm um índice ASG alto são as que a gente quer investir, desde que elas tenham um retorno esperado alto. Em empresas que possuem nota baixa de ASG, mas tem uma atitude boa no sentido de mudanças, precisamos olhar com cuidado, pois é aqui que o engajamento vai fazer diferença e pode ser um turn-around. Se houve atitudes positivas dos executivos, apesar da nota baixa, mas com direção boa, e conseguirmos captar isso, essa empresa deve ter um bom retorno. A questão será, então, acompanhar e ver se a mudança, de fato, ocorre”.

Já no caso de empresas que têm boa nota, mas atitude não boa, Daniel avalia que devem ser evitadas. “Temos uma abordagem mais pragmática. Não necessariamente deixamos de investir, mas colocamos um peso pequeno”, explicou. “Buscamos retorno satisfatório para os nossos clientes, essa é a nossa abordagem”, ressaltou.

Sustentabilidade dentro de casa –​Marcelo Mello, Vice-Presidente de Investimentos, Vida e Previdência da Sulamérica, destacou que esse tema ganhou muita força nos últimos meses, o que serve de alerta para que ninguém deixe-o seguir em uma direção superficial. “Começamos a ver muita demanda por produtos ASG, fundos que tenham essa temática, e o investidor deve cada vez mais se preocupar com esse processo. Muito mais importante que um produto específico que vai impactar determinada demanda, mas como impactamos toda a indústria de fundos em um processo que leva em consideração esses aspectos, sendo isso parte da responsabilidade fiduciária dos gestores de recursos”, disse.

Ele destacou que o início da análise de processos de governança das empresas foi mais fácil dentro da Sulamérica, mas os aspectos sociais e, principalmente, ambientais, para o gestor de portfólio nunca eram a prioridade, por não conseguir gerar valor. “Na época, passamos a quase que forçar a análise desses aspectos, estimulando o gestor de portfólio a considerá-los nas suas análises”. Depois de um tempo, Marcelo Mello destacou que os aspectos sociais começaram a ficar mais palpáveis em termos de impacto dentro das companhias. “Começamos a perceber que isso tinha muito valor. Assim, a obrigação da avaliação diminuiu, e o tempo que o analista se dedicava a essas questões aumentou”.

Já o aspecto do meio-ambiente está vindo agora de maneira mais acelerada, principalmente após a pandemia de COVID-19, destacou Marcelo Mello. “A pandemia é um marco secular, e provavelmente no futuro, os portfolio managers avaliarão como as empresas se comportaram nesse período, quais atitudes foram tomadas. Será uma referência importante”, avaliou, ressaltando que, ainda assim, é preciso avançar nas questões de meio-ambiente. “O liability da empresa que não está em compliance com meio-ambiente é gigantesco. Essa questão não evoluiu ainda no Brasil e requer mais conhecimento e processos”, complementou.

Mello ressaltou a importância de que os próprios gestores incorporem ações sustentáveis dentro de casa. “Nós, como gestores, temos que ter cuidado não só de levar o produto correto e sustentável, com alfa, aos investidores, mas também temos a obrigação de, assim como da porta pra fora mostramos essa preocupação, da porta pra dentro temos que mostrar como isso impacta em nosso patrimônio. Não tem melhor ou pior, tem engajamento”.

Metodologias – Apresentando os métodos utilizados na construção de carteiras na hora de se montar um portfólio considerando aspectos ASG, ​Iain Snedden, Especialista em Investimentos da Aegon Asset Management, parceira da Mongeral e MAG Investimentos, ressaltou quatro grandes critérios: as exclusões, selecionando empresas que não se adequam aos aspectos e excluí-las do portfólio; os melhores do mercado, selecionando as empresas que tenham um rating bom de ASG; empresas com o tema de sustentabilidade, que podem gerar impacto robusto, como energia limpa, causas sociais, etc.; e investimentos de impacto, que podem ter retornos melhores se tiverem impacto tangível nas causas que os investidores querem apoiar.

Iain ressaltou como os investimentos sustentáveis podem gerar alfa às carteiras. “Os fatores ASG melhoram desempenho das empresas tanto em mercado desenvolvidos como em emergentes, incluindo bom desempenho em fatores ambientais e sociais, pois havia uma ideia de que esses fatores não tinham tanto peso quanto o da governança, o que não é verdade”. Segundo ele, apesar de haver poucas soluções perfeitas disponíveis, os investimentos nesses aspectos fazem diferença nos retornos. “Se você é uma empresa e está melhorando esses fatores, faz sentido que isso se traduza em melhorar eficiência, métricas financeiras, e a maneira que a empresa atua, o que reflete em uma valorização superior no mercado acionário”.

O especialista explicou ainda como a Aegon trata essas análises, com um modelo de três dimensões: produto, práticas e melhoria. É a combinação dessas três coisas que nos leva a avaliar uma empresa”. Nesse aspecto, há exclusão de alguns setores dentro dos investimentos, combinando também as práticas, ou seja, comportamento das empresas em relação aos seus funcionários e acionistas, e processo de melhorias. “Assim, classificamos empresas como líderes, melhoradores ou as que estão ficando para trás”. Ele ressaltou que ASG é subjetivo, mas há indícios de que incorporar esses fatores acrescenta valor. “É importante saber o que vai ao encontro da necessidade de cada cliente. No fim, tudo tem a ver com trabalho e encontrar as melhores ideias por meio de uma pesquisas própria, e incorporá-las”.

Tanto Iain quanto Rick, com uma visão internacional, destacaram que a busca por aspectos ASG nas empresas não deve ser específica em um país, e sim cada empresa deve ser avaliada dentro dos desempenhos ASG em todo o mundo, olhando casos individuais. Complementando o tema, Marcelo Mello ressaltou que é importante verificar se as empresas estão sendo autocríticas com suas ações relativas a esses princípios. Já Daniel Reichstul destacou que quanto mais informação a empresa fornecer, mais rico ficará esse debate.

EFPC – Apesar das exigências locais, Rafael de Castro questionou como é possível engajar ainda mais as EFPC nesses processo, e Marcelo Mello ressaltou que os investidores estão cada vez mais engajados, e esse tema já ganhou força. “Esses investidores estão mais atentos ao tema. Estamos tentando construir isso de forma acelerada nas fundações menores, sendo que nas maiores esse processo já é mais consolidado”, disse.

Sob a perspectiva europeia, Iain destacou interesse nos aspectos ASG por parte dos fundos de pensão. “Alguns dos pedidos de informação que eles fazem são quase que exclusivamente ligados a fatores ASG, solicitando para que a gente incorpore esses fatores aos nossos processos de investimento. Estados Unidos também cerca esse tema em termos de demanda”.

A Comissão Técnica de sustentabilidade da Abrapp possui um guia que auxilia as EFPC no processo de seleção de gestores. “Esse é um tema muito palpitante, e no futuro os investimentos responsáveis estarão inseridos nas outras discussões de investimento como uma coisa só. Os fundos de pensão devem inserir esse debate em seus processos em relação a riscos e oportunidades, e cada vez mais veremos evolução desse tema no nosso setor”, complementou Rafael de Castro.

Acompanhe mais notícias do evento no blog Abrapp em Foco.

O 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com apoio institucional de Sindapp, ICSS, UniAbrapp e Conecta. O evento conta com patrocínio Black da XP Investimentos; Ouro da Aditus, Aviva Investors, BNP Paribas Asset Management, Indosuez Wealth Management, Captalys, ClearBridge Investments, Hancock Asset Management Brasil, Indie Capital, J.P. Morgan Asset Management, Kadima Asset Management, MAG Investimentos, Perfin Asset Management, Schroders, Sparta Fundos de Investimento, Sulamérica Investimentos, TAG Investimentos, Vinci Partners; Bronze da Franklin Templeton, i9Advisory Consultoria Financeira, Mauá Capital, StepStone; e apoio da ARX.

Evento Internacional: Fórum BlackRock America Virtual contará pontos para PEC do ICSS

Evento Internacional: Fórum BlackRock America Virtual contará pontos para PEC do ICSS

A BlackRock realizará nos próximos dias 20 e 21 de outubro o evento “More: Big Questions, More Answers” através de plataforma online. A inscrição é gratuita e contará 6 pontos para o Programa de Educação Continuada do ICSS.

O evento faz parte do Fórum BlackRock America Virtual e contará com apresentações do Fundador e CEO da gestora Larry Fink que falará sobre o tema “Today’s Changing World” (As Mudanças Atuais no Mundo) ao lado de Dominik Rohe, Head para América Latina.

Outros gestores e executivo da BlackRock abordarão os seguintes temas: “Eleições nos EUA e América Latina”; “ESG e o Futuro do Investimento”, “Navegando com Propósito”; e “Mudanças no Cenário Atual de Investimentos”. O evento terá tradução (audio streams) em inglês, espanhol e português.

Clique aqui para inscrições e programação completa.

Artigo: Crédito Privado, por que não um novo indicador? – *Por Ulisses Nehmi

Artigo: Crédito Privado, por que não um novo indicador? – *Por Ulisses Nehmi

Volatilidade em investimentos sempre foi encarada de forma diferente, a depender da classe de ativos. Na bolsa, a volatilidade é esperada, faz parte. Nos títulos públicos, é sinônimo de oportunidade, com taxas mais elevadas. Mas no crédito privado, é sinal de perigo. Faz sentido? Como chegamos aqui?

Os investidores institucionais sempre foram os candidatos naturais a comprar ativos de crédito privado de longo prazo. Demandavam ativos indexados à inflação, em linha com suas metas atuariais. Historicamente, as práticas contábeis preconizavam que as operações de crédito fossem carregadas na curva, pela taxa da operação. Sem referências de um mercado secundário ativo, as alternativas eram limitadas. Assim, a eventual volatilidade gerada por remarcações geralmente indicava más notícias, refletindo comprometimento na qualidade de crédito do emissor.

Já os fundos de renda fixa, com marcação a mercado obrigatória, sempre tiveram demanda por ativos mais curtos e com perfil pós-fixado. A ausência de volatilidade tipicamente era entendida pelos investidores como um sinal de que estava tudo sob controle. Além disso, o CDI sempre embutiu retornos reais polpudos, que se somavam ao spread de crédito. Consequentemente, os fundos de renda fixa estavam sempre crescendo, demandando mais ativos de crédito privado pós-fixados.

Em 2015, um novo instrumento passou a substituir instrumentos de balcão menos eficientes, como os swaps. O futuro de cupom de IPCA, negociado na B3 com o código DAP, começou a ganhar liquidez e se tornar uma alternativa viável para sintetizar a troca de indexador. Passou a ser possível transformar um ativo de crédito privado com rendimento de NTNB+spread em um ativo do tipo CDI+spread com baixo custo. Esse tipo de operação fez crescer substancialmente a liquidez dos ativos de crédito privado indexados ao IPCA.

Uma aplicação deste instrumento foi emblemática. Os fundos de debêntures de infraestrutura, com os incentivos da Lei 12.431, tinham captação limitada, pois oscilavam. De fato, suas carteiras eram compostas integralmente por ativos indexados ao IPCA, com marcação a mercado. Após um ou dois meses com retorno negativo, os resgates subiam consideravelmente. Tão logo alguns fundos desta categoria passaram a fazer a troca de indexador de 100% da carteira para o CDI, tirando a volatilidade do indexador, a captação na classe explodiu.

Como pode ser visto, os fundos de crédito privado atendiam muito bem todos os tipos de investidores, com bons retornos e baixo risco. No entanto, o cenário mudou.

A queda da Selic já estava em curso quando a pandemia acelerou o movimento. Com isso, a demanda pela classe de pós-fixados diminuiu. Essa situação, aliada à incerteza dos impactos nos emissores, culminou na abertura dos spreads de crédito. Na média, spreads que antes não chegavam a 1,0% a.a. superaram 4,0% a.a. em abril e ainda agora seguem acima de 2,0% a.a.

A divulgação do resultado das empresas no 2º trimestre também trouxe alívio. O impacto do distanciamento social em cada emissor ficou mais claro. No entanto, os spreads seguem elevados. As perspectivas para investir em crédito privado nunca foram tão boas, com uma remuneração pelo risco de crédito excepcional.

Por outro lado, ainda que o CDI possa voltar a ficar atrativo como indexador, como indica a curva de juros futuros, no nível atual da Selic o carrego dos fundos de crédito privado fica muito aquém das metas atuariais. Assim, em que pese o nível convidativo dos spreads de crédito, as alocações estruturais dos investidores institucionais nesta classe ficam prejudicadas.

O amadurecimento do mercado e os desafios do cenário nos trazem oportunidades de reflexão, de quebrar paradigmas. Será que o foco dos investidores institucionais para o crédito privado tem que ser a redução da volatilidade? Ou será que no crédito a solução é o alongamento dos prazos, embora com riscos significativamente maiores? A solução mais ponderada para o dilema pode estar justamente na adequação do indexador, passando a tolerar alguma volatilidade.

Um forte candidato a indexador para as estratégias de crédito privado é o IMA-B 5. Esse índice é calculado pela Anbima e é composto pelas NTN-B com vencimento em até cinco anos. Ele é caracterizado por ser indexado ao IPCA, assim como as metas atuariais, e ter um prazo médio curto, pouco superior a dois anos. O IMA-B 5 é o componente de curto prazo do mais conhecido IMA-B, que tem um prazo médio significativamente maior, na casa de oito anos, e uma volatilidade quase três vezes maior que o IMA-B 5.

Seu desempenho histórico também impressiona. Nos últimos dez anos, o IMA-B 5 rendeu em média +2,3% a.a. acima do CDI. Em apenas um dos dez anos, ele não superou o CDI: em 2013. Ao explorar a volatilidade de forma mais detalhada, observamos a recuperação das quedas nos eventos de estresse dos últimos anos, como Joesley Day, greve dos caminhoneiros e pandemia. A recuperação é significativamente mais rápida que o IMA-B.

A boa notícia: é possível implementar esse indexador numa estratégia de crédito privado. Basta fazer justamente o oposto do que vinha sendo feito nos últimos anos com o DAP. Ao invés de comprar uma carteira de ativos de crédito privado indexado ao IPCA e trocar o indexador para o CDI, é possível comprar uma carteira de ativos indexados ao CDI, aproveitando a ampla gama de ativos disponíveis e com spreads de crédito elevados, e trocar o indexador para o IMA-B 5. Considerando que atualmente o IMA-B 5 equivale a cerca de IPCA+1,0%, se somarmos um spread de 2,0% a.a., teremos uma perspectiva de IPCA+3,0%, com baixo risco de crédito e com um prazo médio na casa de dois anos. Numa carteira apenas com títulos públicos, uma expectativa de retorno como essa só seria possível com um prazo médio na casa de dez anos.

Diante destas reflexões, a questão que fica é: por que não utilizamos esse indexador antes?

*CEO da Sparta Fundos de Investimento

(As opiniões e conceitos emitidos no artigo acima não refletem, necessariamente, o posicionamento do Grupo Abrapp a respeito do tema)

Entrevista: A nova realidade dos ativos de crédito no Brasil

Entrevista: A nova realidade dos ativos de crédito no Brasil

Em entrevista exclusiva para o Blog Abrapp em Foco, o Diretor de Renda Fixa da Franklin Templeton, Renato Pascon aponta as mudanças e oportunidades de investimentos em ativos de crédito privado no Brasil no cenário atual. O gestor explica que após o advento da pandemia de Covid-19, houve uma mudança estrutural na forma como os ativos de crédito são vistos.

“O que eu pude observar de perto nesse momento, foi que as fintechs têm muito mais agilidade e informação em mãos para alterar o perfil de suas carteiras, conseguindo assim se proteger sem a necessidade de interromper suas operações”, diz Pascon em trecho da entrevista. Ele compara a maior agilidade e capacidade de análise da fintechs em comparação com os grandes bancos. O especialista aponta oportunidades em investimentos em FIDCs, debêntures, CRIs e CRAs. Leia a seguir:

Blog Abrapp em Foco – Qual é a sua visão sobre os ativos de crédito no Brasil?

Renato Pascon – No Brasil, sempre houve uma enorme dificuldade para empresas de pequeno e médio porte acessarem crédito. Como resultado, temos o mercado de ativos de crédito divididos em duas categorias: a primeira é de ativos com altíssima nota de crédito (rating) e baixo prêmio sobre o CDI, e a segunda é o crédito estruturado, que possui maior complexidade, mas oferece retornos altos. O mercado financeiro sempre direcionou os ativos de menor risco para o varejo, enquanto limitava a distribuição dos ativos de retorno mais alto para setores de nicho. Em 2019, com o corte da taxa Selic, os fundos de crédito de varejo sofreram com resgates, e houve forte reprecificação dos ativos, mostrando que é um tipo de produto que não deve ser usado para investimentos de curto prazo.

Blog Abrapp – O mercado brasileiro tem sido invadido por fintechs de crédito, com aval e regulação do Banco Central. O que isso trouxe de novo para o setor?

Pascon – As fintechs tem atuado em nichos que antes eram muito pouco explorados pelos tradicionais canais de crédito. Historicamente, os bancos disputam ferozmente o mercado de grandes empresas, enquanto as pequenas e médias têm pouco ou nenhum acesso ao crédito. As pessoas físicas também tinham poucas opções, principalmente as que não tinham bens imóveis para usar como garantia. As fintechs entraram onde haviam essas lacunas e trouxeram inovação ao processo de crédito, tornando a análise muito mais robusta e automatizada. Como consequência, oferecem crédito a taxas muito mais atrativas para o tomador, e conseguem manter os níveis de inadimplência muito mais controlados do que os métodos tradicionais. Suas carteiras de crédito são mais lucrativas e seu atendimento é mais agradável e ágil para o cliente.

Blog Abrapp – Como a indústria de fundos de investimentos pode contribuir com a revolução do crédito no Brasil?

Pascon – Nos últimos 5 anos, surgiram mais empresas especializadas em crédito do que em toda história anterior. Essas empresas cobrem vários nichos, desde empréstimos para pessoas físicas sem garantia, até modalidades mais seguras, como o desconto de recebíveis de grandes empresas. Independente do setor escolhido pela empresa, ela precisará de recursos para seus empréstimos, e é aí que vejo grandes oportunidades para a indústria de fundos. A securitização de ativos de créditos cria ativos como debêntures, FIDCs, CRIs, CRAs, entre outros, que podem ser comprados por fundos de investimentos. Com uma equipe especializada em análise desses ativos, os gestores podem varrer esse universo de ativos e selecionar os que apresentam a melhor relação de risco e retorno. Adicionalmente, os gestores podem ter voz ativa na maneira como a securitização é feita, e assim exigir camadas adicionais de proteção para os ativos. O resultado é uma carteira com relação risco-retorno muito superior ao que se consegue com crédito tradicional.

Blog Abrapp – O que a pandemia da Covid-19 causou no mercado de crédito?

Pascon – Houve uma mudança estrutural na forma como crédito é vista. Historicamente no Brasil, ativos de alta qualidade de crédito ofereciam pouco prêmio para o investidor, e tinham volatilidade baixíssima. Com a turbulência causada pela pandemia, houve forte reprecificação até mesmo de ativos vistos como ultra-seguros, como é o caso de CDBs de grandes bancos. Na minha opinião, essa reprecificação foi saudável, pois mostra que não é possível ter bons retornos sem correr algum risco e o segredo do sucesso está em selecionar ativos com a relação risco-retorno certa. A pandemia também teve reflexo nas carteiras de crédito de bancos e fintechs, com aumento da inadimplência em alguns casos. O que eu pude observar de perto nesse momento, foi que as fintechs tem muito mais agilidade e informação em mãos para alterar o perfil de suas carteiras, conseguindo assim se proteger sem a necessidade de interromper suas operações. Os bancos, por outro lado, em sua grande maioria, apenas aumentaram as taxas e elevaram suas exigências para concessão de crédito, resultando em uma carteira de qualidade pior, já que o tomador “bom” não aceita taxas abusivas, enquanto o tomador “ruim” está desesperado e acaba aceitando, mas com uma chance muito alta de dar calote.

Blog Abrapp – Como os clientes institucionais podem participar e investir em ativos de crédito de fintechs?

Pascon – Eu recomendo que investidores institucionais analisem ativos de fintechs, que estão cada vez mais presentes no mercado de capitais. Uma assessoria especializada em crédito pode ajudar na análise para a compra direta de FIDCs, debêntures, CRIs e CRAs. Uma alternativa interessante é sondar fundos de investimentos focados nas novas modalidades de crédito. Por exemplo, nós na Franklin Templeton já estamos utilizando o expertise internacional da empresa em big data e machine learning para avaliar, selecionar e investir em crédito de fintechs brasileiras. Acreditamos ser uma alternativa interessante de geração de alpha nas carteiras de crédito.

(As opiniões e conceitos emitidos na entrevista acima não refletem, necessariamente, o posicionamento do Grupo Abrapp a respeito do tema)

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