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41º CBPP: Diversificação global e multimercados se tornam cada vez mais essenciais para gerar resultados 

Diante do atual cenário adverso, que já apresenta sinais de recuperação, há ainda muitas incertezas sobre o rumo da economia daqui para frente. No Brasil especificamente, a taxa de juros chegou a patamares extremamente baixos, o que coloca as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) cada vez mais diante da necessidade de diversificar seus portfólios. O tema foi amplamente debatido ao longo dos últimos dias no 41º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP) por gestores e especialistas do mercado, e foi tema também de palestras técnicas realizadas nesta quinta-feira, 19 de novembro, último dia de evento.

Na Palestra Técnica 9 “Diversificação Global: Essencial para seus Resultados”, Gabriela Santos, Estrategista de Mercados Globais do J.P. Morgan Asset Management detalhou ainda mais o atual cenário, destacando que 2020 passou pelo fim de um longo ciclo econômico global e de ascensão, se tornando um ano de um novo ciclo econômico e de mercados, passando ainda por uma recuperação econômica e de mercado. “Já 2021 deve ser um ano em que essa recuperação se fortalecerá ainda mais e ficará mais abrangente entre regiões e setores”, disse Gabriela, com otimismo sobre que está por vir.

Ela mostrou dados da economia afetados pela pandemia, com perspectiva de retomada, mas ainda com incertezas em relação à evolução da crise. “Será importante monitorar a evolução dos novos casos, do sistema de saúde e das fatalidades”. Gabriela destacou que o índice de maior estresse no momento está na Europa e nos Estados Unidos, onde a atividade está mais afetada. “No nosso dia a dia e no dia a dia da economia, a pandemia ainda vai ditar para onde vamos”.

A estrategista destacou que a questão da vacina ainda é muito importante nesse contexto para que a economia siga em recuperação de maneira mais abrangente em 2021 e adiante, e citou ainda a política monetária global com importante fator de auxílio à solidez e à saúde das pessoa e das companhias. “Tivemos muitos cortes de juros no mundo todo, com vários países chegando a níveis mínimos”, disse Gabriela, ressaltando que os patamares das taxas globais devem continuar baixos em 2021.

Mercado de capitais  – Gabriela apresentou dados que mostram uma queda forte no mercado ocorrida no início da pandemia, mas que já estão em recuperação. “Os mercados sempre olham para frente. Eles já ditam o que está vindo no futuro. E os mercados tiveram conforto com o apoio monetário e fiscal”. Ela citou ainda que a recuperação não tem sido completamente igual entre setores e regiões, sendo mais forte nos Estados Unidos e na Ásia com ajuda da composição dos índices das bolsas dessas regiões. “Os setores que têm sido mais fortes este ano estão relacionados à vida virtual, sendo que eles correspondem a quase ¼ do mercado americano e asiático”, disse. 

Gabriela ressaltou que tecnologia é uma alocação-chave para este ano e que vai continuar pelos próximos. “Esse tema não terminou”. Ela destacou ainda quais são as oportunidades em renda fixa, sendo que o segredo é manter a diversificação para combinar proteção e retorno, com oportunidades mundo afora. “Esperamos juros baixos para o ano que vem, mas retornos positivos para exposições de alto risco”.

Diversificação global – Nesse sentido, tanto em renda fixa quanto em renda variável, já oportunidades que podem ser capturadas globalmente em diferentes classes de ativos. Maria Rossi, Relacionamento com Investidores do J.P. Morgan Asset Management, defendeu que o percentual limite dos investimentos nos exterior pelas EFPC aumente de 10% para 20%, já que muitas entidades já estão próximas desse limite.

Ela destacou que o desafio para a diversificação global é o da correlação. “Faz sentido a gente incluir um portfólio de multiclasse de ativos para contribuir com o portfólio do cliente”, disse, colocando o fundo de multiclasse ativos Global Balanced do J.P. Morgan como uma solução para quem busca a valorização do capital no longo prazo. 

Maria disse ainda que a estratégia compõe renda fixa e renda variável global, moeda e crédito. Além disso, cada vez mais os clientes institucionais estão interessados e buscando soluções integradas aos aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), e o fundo oferece essa integração, ressaltou Maria. 

Maria lembrou ainda que o Brasil representa apenas 3% da economia global, e o mercado internacional potencializa as oportunidades de diversificação, diminuindo o risco das carteiras. “Vamos acessar o resto do mundo”, complementou.

Multimercado – Já a Palestra Técnica 20 “Perspectivas e Oportunidades dos Fundos Multimercado para as Fundações” mostrou oportunidades que podem ser capturadas a partir de fundos multimercados. Renata Cypreste, Head Comercial da BB DTVM, moderou a palestra e ressaltou que hoje há um cenário completamente diferente desde que a BB DTVM lançou seu o primeiro fundo multimercado, o que leva um desafio maior às fundações. 

Diante disso, é preciso ser feita constantemente uma revisão dos ativos que compõem esses fundos. Assim, Marcelo Arnosti, Head de Gestão de Fundos Multimercados, Ações e Offshore da BB DTVM, explicou o processo de seleção de ativos da gestora, iniciando o debate sempre com uma apresentação do cenário macroeconômico, com economistas apresentando temas relevantes que eles acreditam que impactarão os ativos. Também é debatido o desempenho recente dos ativos do mercado. Depois, os gestores fazem uma classificação de cada ativos a partir dessa revisão de cenário e perspectivas.

Nesse sentido, Marcelo Arnosti destacou que a busca é por uma carteira mais diversificada, mas segundo ele, a renda fixa continua tendo uma presença importante aos portfólios multimercados, pois confere liquidez, contribui para redução da volatilidade na carteira. “O universo de renda fixa é muito amplo. Ainda que tenha uma Selic em 2%, não significa que não há oportunidades potenciais. Em geral, há muitas oportunidades e estamos sempre atentos para buscar capturá-las”, disse, ressaltando que esse segmento continua demandando atenção e vai continuar compondo as carteiras dos mercados. “Precisamos ficar atentos, pois oportunidades importantes para agregar alfa também surgem na renda fixa”.

ESG – Arnosti destacou que há ainda um processo de seleção de investimento em ativos que contemplam as práticas ESG, e para isso é feito um acompanhamento, com contato frequente com as companhias, questionários e relatórios para obter um conjunto de informações à respeito das práticas dessas empresas investidas, e com base isso, é possível ranquear as companhias que mais têm atendido às práticas ESG e as que menos tem atendido, conforme um método de avaliação da gestora.

Exterior – O investimento no exterior ainda compõe um baixo volume na carteira dos investidores no Brasil, mas com a Selic reduzida, se fez necessária a busca por alfa tanto na geração de resultados, quanto na redução do risco. Nesse sentido, Marcelo Pacheco, Diretor de Gestão de Ativos da BB DTVM, destacou que investimento no exterior não é apenas um bloco de aplicações, e sim uma diversiverdidade de alternativas. 

Em relação ao risco, Pacheco destacou que na medida em que se adiciona ativos, se minimiza os riscos, e fazer isso adicionando ativos no exterior resulta em uma redução de risco muito mais eficiente. “Será mais eficiente na medida em que os ativos adicionados sejam menos correlacionados com o restante do portfólio”, disse. 

Ele destacou ainda a questão do câmbio. “Há algumas dúvidas no cliente em relação a se fazer ou não o hedge cambial. No segmento de fundos de pensão, que tem viés de longo prazo, entendemos que a efetiva redução do risco se dá através de um investimento sem hedge cambial, deixando que o câmbio amorteça a maior parte dos choques da carteira”.

Equilíbrio da carteira – Pacheco destacou que em uma estratégia multimercado, o investidor deve separar as estratégias por faixas de volatilidade para montar seu portfólio. “Na faixa de volatilidade mais baixa, algo com 1% a 3%, podem entrar estratégias mais conservadoras, com moedas e multimercado dinâmico. Já nas faixas de média e alta volatilidade, entram os fundos macro e multiestratégias que implementam estratégias, incluindo ativos no exterior, para gerar alfa”. 

Aroldo Medeiros, Diretor Comercial e de Produtos da BB DTVM, destacou que a gestora conta com diversos tipos de fundos para as EFPC, sendo que a prateleira de fundos multimercados contam com seis estratégias com diferentes faixas de volatilidade. Ele destacou que o mais importante para formar uma carteira é entender o passivo de cada fundação, podendo assim ser estruturado um fundo exclusivo para atender às especificidades de cada uma.

41º CBPP: Ricardo Amorim ressalta desafios da baixa taxa de juros e importância da educação financeira

41º CBPP: Ricardo Amorim ressalta desafios da baixa taxa de juros e importância da educação financeira

No Eixo Temático 1 – Impacto do Presente no Futuro do 41º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP), que iniciou nesta segunda-feira, 16 de novembro, o economista Ricardo Amorim participou de Insight Session com o tema “O Day After da Crise que Ninguém Esperava”, abordando os impactos da pandemia de COVID-19 no cenário macroeconômico brasileiro e mundial, e os desafios daqui pra frente.

Ricardo Amorim destacou que 2020 tem sido um ano diferente, mas cheio de lições, destacando que o Brasil vive um momento de queda da taxa de juros que foi acelerado pela pandemia, com Selic se aproximando de zero. “Isso torna o Brasil se um país ‘normal’ em tempos anormais, porque a taxa de juros perto do zero ou até negativa tem sido comum em outras países. A gente vinha caminhando nessa direção, mas faltou a pandemia para dar o último passo”. Segundo ele, esse cenário macroeconômico atual muda tudo do ponto de vista de quem aloca recursos, de quem precisa poupar e de quem precisa de crédito. “Isso é uma transformação gigantesca”. 

Amorim citou alguns aspectos relacionados a essa transformação, ressaltando que o cenário requer uma revolução na indústria de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). Ele ressaltou o impacto expressivo que essa redução da taxa Selic tem nos planos de Benefício Definido (BD). “Quando olhamos para a estrutura de equipes da parte de alocação de investimentos no geral, em um país em que a taxa de juros sempre foi elevada, a maior dessas equipes eram especializadas em renda fixa, e essa estrutura não faz mais sentido. Esse talvez seja o desafio estrutural mais importante e complicado”. 

Apetite ao risco – Segundo Amorim, há dois caminhos para resolver esse desafio: um é uma readequação da equipe, com pessoas treinadas para lidar com risco de crédito e passar a entender outros riscos. Ele citou ainda que as equipes devem ser montadas de formas diferentes dentro das instituições, com expertises e níveis distintos de tolerância ao risco, destacando que uma grande transformação que os investidores devem enfrentar é a questão da visão curto prazista, que deve ser mudada a partir de agora, diante desse novo cenário. “No momento, a gente tem investidores experientes moldados em um ambiente que não é mais o visto, e isso pode levar a uma visão de mercado deturpada”, disse, ressaltando que as EFPCs devem olhar para isso mais do que qualquer outra classe dos investidores.

A busca por alfa também se tornou importante, citou o economista, com a questão de apetite a risco relacionada ao prazo de investimento. “O que a gente vê é que quanto mais se amplia o horizonte, melhor a possibilidade de retorno. Para ter apetite a um risco maior, a solução é ter horizontes mais longos”. Segundo Amorim, usar o benchmark com base no CDI leva a decisões erradas e reforçou a importância de diversificar investimentos, inclusive, internacionalmente. “Ainda que eu acredite que hoje, no geral, as oportunidades de investimentos dentro do Brasil são muito melhores do que as que tem fora do país, não acho razoável que tenhamos os atuais limites para investimentos externos, e muito menos que os investidores tenham alocações muito inferiores a esses limites”. 

Ele ressaltou que se essas alocações fossem maiores, os investidores não teriam as dificuldades que tem hoje, pois os investimentos no Brasil ficaram muito aquém dos investimentos fora do país em uma análise de movimentos em horizontes longos. Amorim exemplificou que os investimentos das últimas décadas que tiveram melhor retorno fora país normalmente foram em setores que não estão presentes no Brasil, enquanto a bolsa brasileira não apresenta retornos tão positivos na mesma base comparativa. 

Educação financeira – Por conta das necessidades das pessoas terem que trabalhar de casa por um período longo, com o home office instalada na maior parte da empresas devido à pandemia, há hoje um novo impacto nos formatos de trabalho que até então as pessoas estavam acostumadas. “Com as relações de trabalho mudando, isso vai mudar também as relações com os fundos de pensão. É uma transformação gigantesca que não sabemos se será permanente”, disse Amorim. 

Ele citou que junto a esse fator, há a expansão recente dos planos de previdência complementar para familiares dos atuais participantes, sendo essa é uma das transformações importantes do sistema, que passa a ter um papel maior. Nesse sentido, Amorim ressaltou o papel da educação financeira, enfatizando que o Brasil precisa enfrentar essa questão e que é preciso o incentivo à formação de uma poupança de longo prazo para que se tenha uma qualidade de vida maior. “A própria pandemia talvez tenha acelerado isso”, pontuou, ressaltando que a indústria de previdência tem um papel forte em relação a esse tema. 

Segundo ele, juntar juros mais baixos com uma estrutura de emprego informal e falta de educação financeira pode gerar impactos negativos para a sociedade. “Educação financeira transforma um país em todos os aspectos”, destacou. 

Desafios – Ricardo Amorim disse ainda que daqui pra frente o Brasil enfrenta desafios com a necessidade das reformas para realização de um ajuste fiscal no país. Ele ressaltou também os impactos que a situação da política americana pode ter mundialmente, com um cenário de retorno da batalha comercial entre Estados Unidos e China. 

Para ele, as oportunidades do futuro estão pautadas na capacidade de resposta em momentos muito difíceis. “Acredito que a indústria de previdência complementar está passando, e passará pelos próximos anos, por uma grande transformação que pode vir a ser uma oportunidade dependendo da atitude pró-ativa que o sistema tiver”, complementou Amorim.

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