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Relatório GRI: Workshop reforça papel importante das EFPC no investimento de um futuro sustentável

Relatório GRI: Workshop reforça papel importante das EFPC no investimento de um futuro sustentável

A importância do engajamento das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) aos Princípios e Indicadores GRI, seu poder de influenciar as investidas e gestoras de recursos nessa direção e o grande passo que a Abrapp está dando com a realização do Relatório de Sustentabilidade Abrapp – 2020 – GRI foram temas abordados em Workshop realizado nesta terça-feira, 23 de março, orientando as entidades que aderiram ao Relatório no preenchimento do questionário.

A iniciativa é do Comitê de Sustentabilidade da Abrapp, e a elaboração da publicação é coordenada em parceria técnica com a SITAWI – Finanças do Bem e apoio do GRI – Global Reporting Initiative.

O Relatório GRI tem como objetivo garantir transparência na prestação de contas e melhorar a comunicação, instigando uma gestão orientada para a sustentabilidade robusta, de risco e com olhar de longo prazo. “As EFPC que estão participando já são vitoriosas e terão bastante retorno, além de dar insumos para a Abrapp elaborar esse Relatório”, disse Raquel Castelpoggi, Coordenadora do Comitê de Sustentabilidade. “O Relatório também ajudará a garantir melhorias nas entidades, que conseguirão saber onde estão e o caminho que devem trilhar para o aprimoramento dos princípios ASG”, destacou.

Sustentabilidade é um tema cada vez mais importante mundialmente, e para tratar do tema é preciso acelerar a transparência e medir o impacto da economia sobre o planeta. Assim, Marco Van der Ree, Chief Development Officer (CDO) do GRI, elogiou a iniciativa da Abrapp de trabalhar dentro desse viés e reforçou a importância de investidores como entidades de previdência participarem desse tipo de ação. “Não encontrei outro grupo de associações de fundos de pensão que fazem uma iniciativa parecida”, disse.

Princípios ASG – Van der Ree destacou que em 2019 houve muitas atividades e iniciativas relacionadas aos princípios ambientais, sociais e de governança (ASG), pois a crise climática já estava muito aparente, com questões globais e problemas decorrentes da mudança climática.

Posteriormente, a pandemia alertou para uma questão muito grande, criando uma crise global. “A crise da mudança climática pode ser ainda maior”, alertou. “Bancos, investidores e fundos de pensão, que devem pensar no longo prazo, precisam pensar nesse tipo de risco, que é muito grande. E a pandemia ajudou a repensar os riscos”, destacou.

Segundo ele, fundos que já tinham um índice ASG estão, na maioria das vezes, com performances melhores que outros, reforçando que a tendência de tratar questões ASG nos investimentos está cada vez maior. Para auxiliar nesse sentido, o Relatório de Sustentabilidade GRI é uma ferramenta que as empresas usam para desenvolver uma estratégia de gestão voltada para os indicadores socioambientais e econômicos.

A questão climática, de desigualdade, de diversidade e de direitos humanos são apenas alguns temas abordados pelas mais de 34 normas elaboradas pelo GRI, que representam as melhores práticas globais para o relato público de diferentes impactos econômicos, ambientais e sociais. “O GRI auxilia a medir os impactos que as empresas têm no mundo, analisando riscos relacionados à sociedade e a questões ambientais, podendo ter materialidade financeira no futuro. Precisamos viver em uma sociedade sustentável para ter investimentos sustentáveis”, disse Van der Ree.

Investidores institucionais – Marco Van der Ree citou a importância das EFPC gerirem riscos atrelados a esses fatores, que são considerados problemas sistêmicos. “Os fundos de pensão da Abrapp representam cerca de 13% do PIB brasileiro, o que lhes dá um poder fortíssimo para trabalhar com as empresas investidas, promovendo um impacto fundamental para uma economia mais sustentável, desinvestindo em áreas não sustentáveis e ajudando setores com impacto positivo a crescerem”, destacou.

Ele reiterou que para se ter um Relatório de Sustentabilidade completo, é preciso voltar o olhar para os impactos não somente dentro das empresas, mas para fora também. “Pensando no longo prazo, esses impactos podem levar mais de 13 anos. Mas se quisermos ter um mundo sustentável, precisamos pensar no longo prazo”, reforçou.

Van der Ree destacou ainda a importância das empresas terem conselheiros que pensem em sustentabilidade, reforçando que as EFPC devem indicar pessoas qualificadas e de setores diferentes dentro dos Conselhos de empresas. “Muitas vezes vemos que os conselheiros não necessariamente têm uma relação com esse tema, e quando têm, há um trabalho muito mais forte sobre sustentabilidade. Então, pensar no longo prazo indica o risco sistêmico que vivemos com crises múltiplas de pandemia, crise climática, desigualdades, problemas sociais”, disse, reforçando que o relatório GRI ajuda no melhor entendimento da gestão de risco. “Os fundos de pensão têm um papel forte de investir nesse futuro sustentável”, acrescentou.

Preenchimento do questionário – Ainda durante o Workshop, Felipe Nestrovsky, Gerente Sênior de Finanças Sustentáveis da SITAWI e Gláucia Terreo, Diretora GRI no Brasil, fizeram uma apresentação técnica com explicação sobre o preenchimento do questionário.

“O principal objetivo desse projeto é mostrar o que a empresa ou setor está fazendo para trabalhar desafios e impactos e também quais são as ações positivas realizadas para a sociedade”, disse Glaucia. “Vemos que há uma dificuldade dentro das empresas por conta da falta de transparência. Para que a gente consiga fazer um Relatório, precisamos olhar para a transparência de processos de relato como um ecossistema”, reiterou, reforçando que é papel da alta gestão utilizar essas informações para corrigir estratégias e cuidar de desvios. “O relatório GRi funciona dessa forma”.

Ela explicou que o Relatório de Sustentabilidade é um mecanismo de transparência das práticas da empresa em termos ASG. “Esse processo traz um ganho para as entidades Associadas da Abrapp, pois além de ser importante ter uma foto do setor, é também importante que cada entidade faça seu próprio exercício”, disse Glaucia.

Além disso, o Relatório dará aos participantes das EFPC informações sobre como seus recursos estão sendo geridos. “É preciso saber mostrar como aquilo está protegendo e criando valor ao conjunto de participantes”, disse Glaucia. “No processo de fazer o Relatório, é importante que os objetivos sejam atendidos”, reforçou.

Entre os ganhos do processo de relato está a experiência prática e de aprendizagem sobre relato ESG/GRI, comparabilidade, disseminação de práticas de investimentos responsáveis no setor, e fortalecimento do setor. “Esse é um instrumento de gestão e também dá transparência sobre o que o setor faz e como ele está endereçando seus desafios”, disse Glaucia.

Ela explicou ainda que o GRI transforma valores que são mais intangíveis em indicadores, permitindo o acompanhamento da gestão desses aspectos na empresa, saindo apenas dos valores tangíveis contabilizados no balanço patrimonial e demonstração de resultado. “Aquilo que a gente não mede, a gente não gerencia”, disse. Entre esses valores intangíveis estão respeito aos direitos humanos e cuidado com meio ambiente, entre outros.

Relatório – Para a definição de temas relevantes para o Relatório de Sustentabilidade da Abrapp, foi realizada uma análise documental de estudos setoriais e relatórios das EFPC. “Para uma boa comunicação é preciso ter foco”, disse Felipe Nestrovsky.

Assim, os temas foram divididos entre as informações institucionais da Abrapp, reforçando o posicionamento institucional, o relacionamento com regulador e poder público, e as iniciativas de educação financeira e previdenciária; e as informações de maturidade de gestão das EFPC, abordando investimento e gestão responsável, integração ASG na gestão de investimentos, gestão de riscos, capacidade de impulsionar a transição para a economia verde, gestão de pessoas, diversidade, qualidade das informações, cibersegurança, ética, prevenção e combate à corrupção e gestão interna.

A partir da materialidade foi desenvolvida uma série de indicadores a serem respondidos pela Abrapp e pelas EFPC a partir de um formulário. Após o preenchimento desses indicadores, Felipe explicou que os dados serão consolidados, mostrando, assim, um panorama sobre essas práticas dentro do sistema. Após a consolidação, será publicado o Relatório de Sustentabilidade Abrapp – 2020 – GRI. O resultado será apresentado em seminário do Comitê de Sustentabilidade da Abrapp.

Artigo: O papel dos investidores no protagonismo do ESG – por Marcelo Mello, da SulAmérica Investimentos

Artigo: O papel dos investidores no protagonismo do ESG – por Marcelo Mello, da SulAmérica Investimentos

Após o fim de um ano emblemático, que colocou o tema ESG (do inglês environmental, social & governance) em destaque, vemos esta agenda ganhar protagonismo e tornar-se imprescindível. Vemos empresas trabalhando para ampliar sua atuação e envolvimento com essas questões, e muito desse movimento vem da exigência de investidores que, cada vez mais, consideram o ESG na hora de realizarem suas alocações.

Apesar de muito forte nos últimos tempos, a pauta ESG existe há mais de duas décadas abrindo espaço para o desenvolvimento de estudos e cases que suportam a principal tese de investimentos ESG: empresas que integram esta agenda na sua estratégia têm um desempenho acima de seus pares de mercado.

A explicação por trás da tese estaria, em primeiro lugar, na relação entre a preservação do valor das companhias a partir de uma maior diligência na gestão de riscos. Probabilidades mais baixas de acidentes, mitigação de conflitos com stakeholders e menor exposição a conflitos de interesse são exemplos de aspectos considerados na análise dos investidores a respeito de controvérsias ESG.

A Anbima reforça essa constatação ao apresentar em seu Guia ESG, o estudo de Friede, Bush, & Bassen (2015), que analisou mais de 2 mil trabalhos publicados sobre a correlação entre a adoção de políticas ESG e o desempenho financeiro. A conclusão foi que quase 90% dos trabalhos mostraram correlação neutra ou positiva entre empresas que adotam boas práticas ESG e desempenho, sendo que 63% evidencia que existe correlação positiva.

Outro ponto é que, por estarem alinhadas às novas demandas do mercado e preparadas para mudanças regulatórias, essas empresas mostram-se mais inovadoras, gerando valor e apresentando um diferencial competitivo, o que garante resultados acima da média e um maior sucesso no longo prazo.

Também podemos perceber uma ligação entre políticas ESG e a resiliência de grandes empresas em tempos de crise, como com a pandemia da Covid-19. Essa afirmação se reforça no estudo publicado pela Refinitiv em julho de 2020. Ao observar as perdas, durante a pandemia, de empresas americanas que estão entre as 10% com melhor pontuação ESG e as 10% com pior pontuação, vemos um resultado notável. Entre janeiro e maio de 2020, empresas com melhor ESG perderam apenas 2/3 do que as empresas com baixa pontuação ESG.

Pandemia e fortalecimento do ESG

As discussões a partir da pandemia trouxeram à luz os riscos da vulnerabilidade social e os potenciais impactos do atual modelo de negócios sobre o meio ambiente, convocando lideranças do setor público e privado para uma participação ativa. Passamos a falar em capitalismo de stakeholders, redução das desigualdades sociais como caminho para a resiliência econômica, mercado de carbono, preservação do capital natural, entre outros.

Com isso, vimos questões ESG passarem a nortear as principais decisões de empresas. A agenda saiu das áreas técnicas de meio ambiente e sustentabilidade para a mesa dos Conselhos de Administração e Comitês Executivos, pautados pela necessidade de revisitar a sua atuação em uma sociedade e em um mundo em mudança.

O que antes era uma agenda voluntária, torna-se cada vez mais exigida pelo investidor que, mais rigoroso, busca portfólios que incluam empresas com alto grau de qualidade, comprometidas com a sustentabilidade, e que tenham histórico de crescimento e consistência de rentabilidade, tornando o ESG cada vez mais natural no funcionamento das companhias e movimentando empresas para que estejam cada vez mais em conformidade com essas questões.

A necessidade de novos produtos

Com essa constatação, analistas e gestores passaram a considerar as questões ESG como uma proxy de qualidade de gestão. Inicialmente pela via da governança corporativa, já plenamente incorporada pelo mercado, mas cada vez mais trazendo os aspectos ambientais e sociais para a pauta dos diálogos e questionamentos com as companhias, apresentando opções de ativos que atendam à expectativa dos clientes e, ao mesmo tempo, beneficiem a sociedade.

O lançamento de fundos ESG pelos gestores, antes voltados quase exclusivamente para o mercado de ações, invadiu o terreno dos ativos de crédito privado, previdência e investimentos alternativos. O aumento da oferta é importante para acompanhar o interesse do mercado em todos os segmentos, do varejo aos institucionais, mas temos que atentar para alguns pontos chave. A existência de critérios claros de diferenciação dos produtos mainstream, uma metodologia consistente de análise e composição de portfólio e o monitoramento dos ativos em carteira são imprescindíveis para garantir que os produtos não se tratem apenas de uma estratégia de comunicação, conhecida no mercado como greenwashing.

Mais importante do que o produto específico é o grau de profundidade com que as gestoras de investimentos estão incluindo em seus processos de decisão os fatores ESG. Na SulAmérica Investimentos, por exemplo, buscamos critérios objetivos para organizar ativos ESG, assim evitamos que o conceito de sustentabilidade fique muito subjetivo. Logo de início, decidimos aplicar apenas em ações que integram o Ibovespa e nos baseamos nos índices ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), ICO2 (Índice Carbono Eficiente), Índice Dow Jones de Sustentabilidade e IGC (Índice de Governança Corporativa).

Não por acaso, os estudos de mercado apontam que boa parte dos índices de sustentabilidade e fundos ESG apresentam desempenho acima da média de mercado em 2020, considerando tanto a queda como a retomada do mercado. Segundo dados da BlackRock, no primeiro trimestre de 2020, 94% dos índices de sustentabilidade globais tiveram um desempenho acima dos seus pares que não consideram esses fatores na composição das carteiras teóricas.

Já em dados apresentados pela Bloomberg, vemos que fundos globais que investem ou adotam estratégias relacionadas à energia limpa, mudança climáticas e ESG aumentaram seus ativos sob gestão em cerca de 32% na comparação anual, para um novo recorde de US $1,82 trilhão em 2020. A expectativa é de que esse movimento, fortalecido ao longo de 2020, continue em voga em 2021 e pela próxima década.

Esse fortalecimento da pauta ESG, que aconteceu em grande parte durante a pandemia, gerou grandes e novos produtos relacionados a questões sociais, de sustentabilidade e governança. O que antes era uma agenda voluntária, aproxima-se cada vez mais das áreas de compliance com o aumento e aprofundamento da regulação de companhias e instituições financeiras. Ainda há um longo caminho a ser percorrido para que esta agenda esteja integrada de forma natural nas companhias no Brasil, mas ele já teve início e é um caminho sem volta. Seja pela demanda, pela performance ou pela regulação, a evolução do mercado seguirá de mãos dadas com as necessidades do meio ambiente e da sociedade.

*Vice-Presidente de Investimentos, Vida e Previdência da SulAmérica. O executivo está na companhia desde 1997, com passagens por diversas áreas da asset. Em 2005, assumiu o comando da SulAmérica Investimentos. Em 2015, passou a liderar também as operações de Vida e Previdência.

Perspectiva para 2021: ações globais e temáticas – por Alex Tedder*, da Schroders

Perspectiva para 2021: ações globais e temáticas – por Alex Tedder*, da Schroders

As ações globais podem continuar a ter um bom desempenho em 2021, mas a tecnologia pode ter que dividir os holofotes com algumas áreas menos adoradas pelos investidores. Enquanto isso, uma série de megatendências continuarão ganhando força. As ações globais não estão de forma alguma baratas, mas os preços estão razoáveis. Considerando a escala da pandemia, o mercado de ações teve um desempenho surpreendentemente forte em 2020 e acreditamos que o bom desempenho continuará em 2021. No entanto, esperamos que a recuperação do mercado se estenda a uma gama mais ampla de setores em comparação com os últimos 12 meses.

Ações de tecnologia: nenhum sinal de bolha

A recuperação do mercado em 2020 foi liderada por uma gama bastante restrita de ações de tecnologia, em particular Amazon, Apple, Microsoft, Facebook e Alphabet. Isso se deveu principalmente à percepção justificável de que essas empresas são dominantes em seus respectivos campos, têm altas taxas de crescimento de receita e lucro de longo prazo e foram beneficiadas por mudanças forçadas nas práticas de trabalho, sociais e comerciais durante o lockdown da pandemia. Com efeito, essas empresas foram as “líderes do lockdown” (ver gráfico abaixo).

As gigantes da tecnologia agora respondem por um quarto de toda a capitalização de mercado do S&P 500. Inevitavelmente, esse grau de concentração atraiu comparações com a “bolha da internet” de 1999. No entanto, acreditamos que essa visão está errada. Em primeiro lugar, a bolha de tecnologia em 1999 foi impulsionada pela exuberância dos investidores em torno de qualquer coisa relacionada à tecnologia, independentemente dos lucros ou mesmo das receitas. Enquanto isso, o setor de tecnologia em 2020 – particularmente as maiores plataformas – proporcionou um crescimento excepcional de receita e lucro, que acreditamos que provavelmente continuará em 2021 e além.

Em segundo lugar, olhando para trás na história, o atual grau de concentração no mercado de ações não é incomum. Nas décadas de 1960 e 70, o S&P 500 era dominado por um número igualmente pequeno de empresas muito grandes, como AT&T, Exxon, GE e GM.

A Covid-19 claramente acelerou a adoção de novas tecnologias, como e-commerce e trabalho remoto. Essas mudanças no comportamento corporativo e do consumidor provavelmente continuarão após a pandemia. As empresas já mudaram suas práticas de trabalho, e mudanças “aceleradas” que já estavam em andamento – como a transição para a nuvem ou a rápida adoção da automação – provavelmente irão acelerar ainda mais esses planos conforme os seus benefícios se tornem aparentes. O e-commerce provou sua eficácia durante a pandemia em uma ampla gama de áreas. Em muitas partes do mundo, os níveis de penetração do comércio eletrônico ainda são relativamente baixos, oferecendo potencial para um crescimento contínuo e substancial.

Resumindo, a “transformação tecnológica” já em andamento bem antes da pandemia foi simplesmente acelerada pela Covid-19. A tecnologia continuará a fornecer um terreno fértil para os investidores nos próximos anos. O maior risco para o setor provavelmente virá da regulamentação (veja abaixo), em vez de qualquer diminuição rápida na taxa de crescimento subjacente.

Recuperação do mercado deve se ampliar

Em 2020, os investidores correram para a segurança em meio à incerteza global, com crescimento e defensividade sendo uma parte importante da equação (assim como as ações de tecnologia). No entanto, em novembro, os anúncios sobre o desenvolvimento de várias vacinas eficazes contra a Covid-19 deram aos investidores um incentivo para pensar sobre a “normalização” e a recuperação econômica em 2021 e 2022. O gráfico abaixo mostra os retornos dos mercados de ações globais nos 11 meses até novembro 30.

Os investidores começaram a olhar para o potencial de crescimento da receita e dos lucros em muitas áreas “desfavorecidas”, que sofreram durante a pandemia. Os mais óbvios são aqueles que foram efetivamente fechados, como hotéis, restaurantes, empreendimentos de lazer e agências de viagens. Parece altamente plausível que, quando a recuperação ocorrer, muitas dessas empresas terão uma recuperação acentuada.

Além disso, as expectativas para setores cíclicos como energia, materiais ou industriais estão baixas e merecem atenção. É claro que existem grandes desafios estruturais (como a transição energética) que continuarão a afetar significativamente muitas empresas desses setores no futuro.

No entanto, acreditamos que algumas empresas continuarão a se adaptar e prosperar, e que uma retomada sustentada da demanda global em 2021 gerará um crescimento significativo da receita e do lucro.

Certamente será o caso em muitas partes do setor industrial, em nossa visão, pois a alavancagem operacional (a sensibilidade da lucratividade a uma melhora nas vendas, com um determinado nível de custo fixo) será substancial em muitos casos ao redor do mundo.

Esperamos ver uma expansão significativa do mercado em 2021. A tecnologia ainda pode ter um bom desempenho, mas alguns setores menos adorados pelos investidores podem se sair melhor ainda. Não vemos isso sendo tão simples quanto comprar os setores baratos e vender os caros.

Nem todas as empresas de petróleo, commodities ou industriais com ações baratas oferecem um bom valor, e nem todos os bancos ou seguradoras. Provavelmente haverá uma dispersão substancial em todos os setores com a transição da economia global em 2021. Como tal, a seleção de ações continua altamente relevante, em nossa opinião.

Preços das ações globais permanecem (relativamente) atraentes, especialmente fora dos EUA

As ações globais estão, em geral, com preços razoáveis e em linha com suas médias de longo prazo em uma base futura. O rendimento de dividendos global também permanece substancialmente acima do rendimento de títulos de dívida, apoiando a primazia das ações sobre estes.

Como classe de ativos, acreditamos que as ações continuarão a ter um bom desempenho em 2021, conforme a recuperação se amplie. Vale a pena notar, porém, que após um período de desempenho superior das ações dos EUA em relação ao resto do mundo (cerca de 8% anualizado nos últimos 10 anos), agora elas estão sendo negociadas com um prêmio em relação à sua avaliação de lucros normalizados de longo prazo. Enquanto isso, o resto do mundo agora está negociando com um desconto substancial.

Previsão de nossos economistas para o crescimento das economias desenvolvidas

Fonte: Schroders Economics Group, dezembro de 2020

Os lucros das ações europeias e japonesas devem se recuperar mais em 2021 e, possivelmente, em 2022 também. A economia chinesa já está se recuperando, impulsionando uma dinâmica de recuperação poderosa na Ásia como um todo. Os EUA continuarão a ser um mercado de ações defensivo de alta qualidade, com de longe a maior profundidade e liquidez de qualquer mercado global. No entanto, embora a fuga para a segurança tenha criado um fluxo em direção aos EUA, à medida que a recuperação se firma, acreditamos que isso possa se reverter parcialmente e o capital começará a fluir para outro lugar.

Novo presidente, nova agenda

No momento em que escrevo, está claro que haverá um presidente democrata e um Congresso democrata nos EUA. É importante notar que, ao contrário da opinião popular, nas administrações democratas, os retornos do mercado de ações são geralmente mais elevados do que nos governos republicanos. Mas não há dúvida de que a agenda democrata será marcadamente diferente da do governo anterior.

Com Joe Biden, esperamos mudanças em direção a maior igualdade, salários mínimos mais altos, melhor suporte social (especialmente cobertura de saúde) e controles ambientais adequados. Várias dessas iniciativas governamentais podem, se implementadas, impactar materialmente as perspectivas para partes da economia dos EUA. Por exemplo, controles mais rígidos de preços de medicamentos poderiam afetar significativamente o setor de saúde dos EUA, enquanto a introdução de um salário mínimo obrigatório de US$15 por hora teria um grande impacto em todas as áreas do setor de serviços.

A investigação do Departamento de Justiça sobre o Google, anunciada no final do verão, indica que o escrutínio sobre as grandes plataformas da Internet está aumentando. Os democratas provavelmente acelerarão esse processo assim que chegarem ao poder. No entanto, a falha do democrata em garantir o controle do Senado dos EUA limitará a capacidade de Biden de aumentar os impostos, especificamente a taxa de imposto sobre as empresas, que aumentaria para 28% e tiraria 8-12% dos ganhos da S&P se aprovada. Outras iniciativas do governo, como a reforma da saúde, também podem ter dificuldade em passar pelo Senado.

Do ponto de vista da política externa, o governo Biden provavelmente manterá uma postura dura nas negociações com a China, mas restaurará as relações com a Europa e a Ásia. Em geral, podemos esperar que o pano de fundo político sob os democratas seja menos conflituoso, mais construtivo e, em última análise, mais alinhado com a maioria dos principais parceiros comerciais.

O investimento temático será ainda mais relevante após a Covid

Além dos desafios trazidos pela Covid-19, das questões políticas e das incertezas em torno da trajetória da recuperação econômica, a maioria de nós concordaria que há um pequeno número de tendências inegáveis e substanciais, que têm o potencial de afetar substancialmente a forma como vivemos, trabalhamos, socializamos e interagimos no futuro.

Algumas dessas tendências (frequentemente chamadas de “megatendências”) não são novas: as mudanças climáticas, a inovação em saúde, a urbanização, a automação e a digitalização são temas relevantes há muitos anos.

Outras, como sustentabilidade, abastecimento de alimentos e de água, e mudanças no estilo de vida, estão emergindo como áreas importantes e urgentes de mudança, impulsionadas pelo crescimento populacional e aumento do consumismo nos mercados emergentes.

Os denominadores comuns em todas as megatendências são duplos. Em primeiro lugar, todos eles estão se tornando rapidamente mais relevantes à medida que a humanidade consome uma proporção cada vez maior dos recursos da Terra. Em segundo lugar, o desafio dessas tendências está sendo enfrentado pela rápida aceleração da inovação, que está impulsionando uma transformação tecnológica em praticamente todos os setores e grupos industriais.

É essa dinâmica de inovação que acreditamos criar uma base lógica forte para uma abordagem temática de investimentos. Se estivermos certos sobre os temas e formos consistentes em nossa abordagem para avaliá-los, é muito provável que a exposição a pelo menos um deles seja altamente incremental para uma carteira de ações mais tradicional, baseada em índices. Dado que muitos dos temas abrangem diferentes setores e indústrias, também existe uma grande probabilidade de que a investimento neles possa melhorar o perfil geral de risco-retorno de uma carteira ao longo do tempo.

Olhando para a nova revolução industrial verde

Como exemplo da importância cada vez maior de certos temas-chave, temos a mudança climática global. A fim de estabilizar as temperaturas globais dentro do limite de +2 graus Celsius, definido como “seguro” pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), os gastos com mitigação de gases de efeito estufa terão que aumentar para pelo menos US$ 2 trilhões por ano nos próximos 10 anos. Esse custo terá de ser arcado por governos, consumidores e, claro, empresas.

O ímpeto da política verde está agora crescendo rapidamente, liderado pela União Europeia, com metas ambiciosas de redução de emissões até 2030, e o Acordo Verde da UE canalizando pelo menos um quarto do pacote de recuperação de € 750 bilhões para iniciativas de descarbonização. A UE se comprometeu a se tornar uma economia de carbono líquido zero até 2050, e a China também se comprometeu a atingir essa meta até 2060.

O governo do Reino Unido se comprometeu com a meta de gerar energia eólica offshore suficiente para abastecer todas as residências do Reino Unido. Também foi anunciada a proibição de novos carros e vans a gasolina e diesel a partir de 2030, cinco anos antes das metas anteriores.

Sob Biden, é provável que os EUA reverterão dramaticamente seu curso recente e iniciarão um Acordo Verde semelhante ao modelo europeu. Biden já se comprometeu o submeter novamente o país ao Acordo de Paris e com uma meta de redução de emissões líquidas zero até 2050.

A oportunidade de crescimento é vasta e ainda subestimada em nossa opinião. A força por trás da transição para uma economia de baixo carbono está aumentando rapidamente agora. O impulsionador mais importante tem sido a melhoria dramática na competitividade das tecnologias de energia limpa, a ponto de exigirem pouco ou nenhum subsídio para competir com os combustíveis fósseis. Os investimentos para descontinuar veículos com motor de combustão e a geração de energia a combustível fóssil estão agora aumentando rapidamente e esperamos que os próximos cinco anos sejam um ponto de inflexão crítico nessa transição.

Continuamos a acreditar que o setor automotivo está marcado para uma mudança muito rápida e fundamental, com uma adoção acelerada de veículos elétricos, levando a uma penetração por estes até 50% das vendas globais de carros novos em 10 anos e, eventualmente, perto de 100%.

De maneira mais ampla, a transição para uma economia verde oferecerá enormes oportunidades para os investidores, à medida que o investimento aumenta e as taxas de adoção surpreendem positivamente. O mesmo se aplica a outras tendências importantes, nas quais a inovação está aumentando.

*Head and CIO of Global and US Equities

Adesão ao Relatório de Sustentabilidade GRI Abrapp é prorrogada até 15/03

Adesão ao Relatório de Sustentabilidade GRI Abrapp é prorrogada até 15/03

Com o objetivo de abrir a oportunidade para que mais Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) se beneficiem, o Comitê de Sustentabilidade da Abrapp prorrogou o prazo para o processo de adesão ao Relatório de Sustentabilidade 2020 – GRI para 15 de março. A elaboração da publicação é coordenada pelo Comitê de Sustentabilidade da Abrapp em parceria técnica com a SITAWI – Finanças do Bem e apoio do GRI – Global Reporting Initiative.

Em vídeo, a Coordenadora do Comitê de Sustentabilidade da Abrapp, Raquel Castelpoggi, destaca que a adesão ao relatório é uma oportunidade ímpar para se ter o retrato ambiental, social e de governança do setor. “As entidades respondentes conseguirão saber onde estão e o caminho que devem trilhar para o aprimoramento dos princípios ASG”, diz. Nos próximos dias, haverá ainda um workshop para esclarecimentos de dúvidas.

Toda e qualquer entidade associada, independentemente do porte, poderá participar desse projeto, através do preenchimento de questionário com informações quantitativas e de maturidade de gestão: “Investimento Responsável” e “Gestão Responsável”.

Como incentivo à participação, será encaminhado em primeira mão o Relatório de Sustentabilidade com mapeamento completo do setor, embasado no resultado agregado da coleta de informações, respeitando a segmentação por porte de entidade. O documento possibilitará, ainda, a realização de comparativo com os dados gerais para efeito de benchmarking (onde estou e como chegar), conhecimento do nível de maturidade ASG e diretrizes para desenvolvimento de seus próprios relatórios.

Mais informações pelo canal Abrapp Atende, por meio dos telefones (11) 3043.8783/84/85/87 ou pelo e-mail abrappatende@abrapp.org.br

Prazo para adesão ao Relatório de Sustentabilidade GRI Abrapp termina na próxima quarta-feira

A Abrapp está recebendo as inscrições das associadas que estejam interessadas em participar do Relatório de Sustentabilidade 2020 – GRI somente até a próxima quarta-feira, 10 de março. A elaboração da publicação é coordenada pelo Comitê de Sustentabilidade da Abrapp em parceria técnica com a SITAWI – Finanças do Bem e apoio do GRI – Global Reporting Initiative.

“O desenvolvimento sustentável é uma preocupação inerente à sociedade. Organizações em todo o mundo sabem que inserir a Sustentabilidade em sua gestão, na tomada de decisões e em suas atitudes é fundamental para o sucesso dos negócios”, diz a circular enviada para as associadas da Abrapp. E continua destacando que “o reconhecimento de que aspectos sociais, ambientais e de governança trazem oportunidades e riscos aos investimentos do setor fez com que a Abrapp se tornasse importante facilitadora das entidades nesse tema”.

Toda e qualquer entidade associada, independentemente do porte, poderá participar desse projeto, através do preenchimento de questionário com informações quantitativas e de maturidade de gestão: “Investimento Responsável” e “Gestão Responsável”. A Abrapp destaca que é fundamental que a entidade disponibilize representante que possa atuar nos momentos de interação, como preenchimento de dados e participação no workshop para esclarecimentos de dúvidas..

Como incentivo à participação, será encaminhado em primeira mão o Relatório de Sustentabilidade com mapeamento completo do setor, embasado no resultado agregado da coleta de informações, respeitando a segmentação por porte de entidade. O documento possibilitará, ainda, a realização de comparativo com os dados gerais para efeito de benchmarking (onde estou e como chegar), conhecimento do nível de maturidade ASG e diretrizes para desenvolvimento de seus próprios relatórios.

Mais informações pelo canal Abrapp Atende, por meio dos telefones (11) 3043.8783/84/85/87 ou pelo e-mail abrappatende@abrapp.org.br

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