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Oportunidades no mercado de ações brasileiro foram exploradas em Palestra Técnica

A Palestra Técnica 10, realizada na última terça-feira, dia 17 de novembro, durante o 41º Congresso Brasilerio de Previdência Privada (41º CBPP), Alexandre Paixão Silvério, CIO da AZ Quest, abordou o cenário macroeconômico no Brasil e no mundo e a perspectiva do mercado de ações brasileiro, identificando os principais temas de investimento nesse mercado. Nesse contexto, Alexandre analisou os impactos nos diferentes setores e como as empresas estão se adaptando para se beneficiar desse ambiente de negócios desafiador.

Ele citou a eclosão de pandemia, que gerou uma queda abrupta na economia global. “Ao longo do mês de março, nós vivemos uma parada praticamente em todas as regiões, e tanto para efeitos de produção como também para consumo, a economia mundial se estagnou”, disse, destacando a ação das autoridades ao redor do mundo de criar estímulos para suas economias. “O Brasil não ficou alheio a isso e também partiu para uma redução da taxa de juros, algo que em crises anteriores nunca tinha acontecido. E juntamente a esse estímulo monetário, houve um estímulo fiscal”, destacou.

Ele ressaltou que o que também trouxe um grande alívio para os mercados foi a capacidade das empresas, principalmente das listadas em bolsa, se adaptarem a esse cenário tão desafiador. “Essa empresas normalmente são consolidadas e tiveram uma vantagem ainda maior em 2020”, disse Alexandre, ressaltando que as pequenas e médias empresas, que são grandes motores das economias globais, acabaram saindo prejudicadas da crise.

Alexandre Paixão destacou os índices das bolsas mundiais, com empresas listadas acelerando seus negócios e penetração no mercado. “Desta maneira, o cenário macro se coloca de forma prospectiva para 2021 tanto no mercado externo quanto no Brasil, com elementos de otimismo. No Brasil, há um desafio da estabilização fiscal”, reforçou.

Assim, a bolsa se torna um bom investimento não somente pela queda da taxa de juros, mas os investimentos devem ser justificados pelo lucro que as empresas darão no futuro. “Esse é o grande debate que a gente vê hoje entre empresas de value e growth. Quando há uma taxa de juros baixa, o que interessa é a capacidade de retorno para o acionista ao longo do tempo”, disse Alexandre.

Mudança na gestão – Com a Selic em patamares tão baixos, os gestores e as EFPC precisam adotar uma mudança na visão sobre os investimentos, mas Alexandre ressaltou que essa visão deve ser corroborada por fundamentos. “Acreditamos que as condições para um mercado acionário performando bem em 2021 estão colocadas, seja em função do cenário macro, bem como do cenário micro”.

Entre as teses de investimento exploradas nos portfólios da AZ Quest está a tese de planejamento financeiro. “A gente acredita que essa taxa de juros veio para ficar no Brasil, e ela tem a possibilidade de subir ao longo dos anos”. Segundo ele, haverá ainda um aprofundamento financeiro, onde basicamente os investidores vão procurar se especializar mais, buscando alternativas para ativos e passivos. “Dessa forma, as chamadas fintechs ou empresas mais ligadas aos serviços financeiros tendem a se beneficiar”, disse.

Desigualdade corporativa – As empresas que melhor performam em termos de retorno sobre o capital investido tem um retorno muito superior da média de seu setor ou das companhias como um todo e, segundo Alexandre, isso é observado do ponto de vista de produtividade, com empresas que estão crescendo mais tendo um gap de produtividade, o que resulta em maior variabilidade dos lucros. “Esse tema é uma tendência que ocorre há bastante tempo, e a maior concentração de lucro nas companhias listadas não é um fenômeno de agora; ele já vem acontecendo ao longo do tempo”.

Alexandre ressaltou que o gap entre as grandes empresas e as não listadas vem crescendo no mundo inteiro ao longo da últimas décadas, e isso não é diferente no Brasi. Em sua análise, ele destacou que há dois setores em que isso é mais evidente. “Um deles é o das operadoras saúde, onde operadoras verticalizadas possuem sinistralidade menor do que a média e, consequentemente, margens maiores que o restante do setor”.

Ao atingir um determinado patamar de capitalização e capacidade de atração de investimentos, essas empresas começaram a fazer uma expansão de seus negócios, podendo ser este um crescimento orgânico ou através de M&A.

Outro caso é o de locadoras de veículos, que é um setor de baixa penetração de aluguéis de carros. Ao longo dos anos, esse mercado foi consolidado por crescimento orgânico e pela maior concentração de negócios das companhias. 

Ele ressaltou que o mercado financeiro e as companhias listadas têm conseguido passar por este ano de 2020 de forma melhor do que a grande média das empresas, e isso ficou estampado no desempenho dos índices das bolsas, nos índices setoriais, e nos casos de desigualdade corporativa.

Diversificação: Previc dialoga com Ministério da Economia sobre aumento de limite para EFPC investir no exterior

A Previc realizou estudos e tem conversado com o Ministério da Economia sobre o aumento do limite de 10% para as entidades fechadas realizarem investimentos no exterior. A informação foi dada por José Carlos Chedeak, Diretor de Orientação Técnica e Normas do órgão de fiscalização, nesta terça-feira (17), no 41º Congresso Brasileiro de Previdência Privada.

Chedeak participou da palestra técnica “Por que diversificar recursos globalmente?”. O painel contou também com a participação de Alexandre Mathias, Diretor de Investimentos da Petros; Carlos Massaru Takahashi, Presidente da BlackRock Brasil; e Walter Mendes, Presidente da Vivest.

Regulação e cenário econômico – O Diretor da Previc esclareceu que o primeiro movimento de abertura da carteira de investimentos das EFPC para outros países ocorreu por meio da Resolução CMN 3.792/2009. “Até 2009 era impossível investir no exterior, então isso tem evoluído há 11 anos. A Resolução 4.661/2018 fez um aperfeiçoamento em relação à forma de acessar esse mercado”.

Chedeak contextualizou que a limitação de 10% para as EFPC na exposição a ativos internacionais, considerada baixa pelo mercado, tem relação com o histórico econômico do País, que no passado apresentava taxa de juros que já garantiam a meta atuarial e rentabilidade suficiente para os planos. “Então, o apetite e a disposição para investir no exterior eram menores. Isso passa muito pela questão do nosso processo de taxa de juros, o que pode explicar em parte (o baixo limite)”.

Outro fator que influenciava o menor apetite das EFPC é que a própria Resolução CMN 3.792 trazia restrições e certa dificuldade para acesso ao exterior. “Com a Resolução 4.661, talvez com a flexibilização do acesso a mercados globais via fundos, tem estimulado essa procura pelos produtos. Que, combinada com a redução da taxa de juros nesse processo, culmina com necessidade de maior diversificação”.

Aumento gradual – Chedeak salientou que países latinos que hoje possuem limites altos a exposição internacional, a exemplo do Chile que possibilita 80%, iniciaram esse processo há muito mais tempo e ampliaram esse percentual de forma gradativa.

“Acho que o Brasil está seguindo esse caminho também: o aumento gradual. Tanto é que em estudos internos feitos pela Previc, entendemos que talvez seja a hora de entrar no processo de alteração do limite. Os estudos foram feitos, estamos apresentando e pleiteando isso, e acredito que é possível, que em um futuro próximo tenhamos sucesso nessa possibilidade de ter um aumento no limite para investimento no exterior”, afirmou Chedeak.

Em sua participação, o Diretor ressaltou também que o órgão de fiscalização está atento ao cumprimento dos processos de governança de investimentos nesse tipo de alocação.

EFPC estão prontas – Walter Mendes, da Vivest, ressaltou que o investimento no exterior aumenta o contato das EFPC com melhores práticas de governança e abordagens mais avançadas de gestão, o que só vem a contribuir para a evolução do mercado. Ele avaliou que o atual limite do Brasil para investimento no exterior é baixo. Em outros países da América Latina, por exemplo, no México esse teto está em torno de 20%, na Colômbia 40%, no Peru 46% e no Chile 80%.

“Tudo bem, pode-se argumentar que os mercados no Chile, Peru, Colômbia, são muito pequenos, tem uma liquidez estreita, então se você permitir que os fundos de pensão só invistam no mercado interno, pode-se ter preços irrealistas”, ponderou Mendes. “Mas o México é uma economia grande, tem um mercado muito maior, e lá o limite é 20%, com todas as restrições e dificuldades dessa economia, que possui porte semelhante à do Brasil. Assim, não vejo razão para o Brasil ainda estar (limitado) em 10%”, observou o Presidente da Vivest.

Com relação ao argumento de que, no quadro geral, a maioria dos planos dos benefícios está longe de atingir o percentual de 10%, Mendes destacou a diversidade do sistema e que as EFPC têm realidades, planos e estratégias distintos.

“Há fundos de pensão que se prepararam e se adaptaram para fazer esses investimentos fora do País. A Vivest é um desses casos. Desde 2013 fazemos isso, temos consultorias para realizar esse acompanhamento, de forma técnica e responsável, como várias outras EFPC também o fazem. E para essas não consigo ver razão, nem macroeconômica e nem de mercado, por que esse limite ainda continua em 10%. Deveríamos acompanhar o que está acontecendo em outros países, mesmo em mercados mais próximos da América Latina, que possuem problemas muito parecidos com os nossos”, completou Mendes.

Processo de aprendizado – Alexandre Mathias, da Petros, destacou que existe um processo de aprendizado. Ele contextualizou que o Brasil era historicamente uma economia fechada, o foco de investimento estava voltado para juros que em média e em geral superavam as metas atuariais e a necessidade de montar uma alocação de ativos mais diversificada não era tão premente.

O Diretor de Investimentos da Petros acrescentou que, a partir da Resolução CMN 4.661/2018 foi ampliado espaço para esses investimentos. E o limite inicial de 10% foi uma oportunidade de aprendizado tanto para as fundações quanto para os reguladores.

“Eu vejo como um processo de desenvolvimento. As EFPC vêm se profissionalizando, a oferta de produtos que atendem a esse perfil de diversificação vem melhorando, nos últimos dois anos cresceu muito. Acho que agora estamos prestes a dar o próximo passo”, destacou Mathias.

O Diretor da Petros ressaltou os benefícios da diversificação internacional para reduzir o risco total da carteira e também contribuir para a performance. “Por exemplo, no ano passado a Petros teve um resultado muito bom, superamos 20%, bem acima da meta atuarial. Este ano não temos ainda investimento no exterior, e estamos batalhando para melhor retorno. Na composição dos dois anos, o resultado é muito bom. Mas se tivéssemos uma alocação no exterior, ela estaria compensando parte do desempenho deste ano, acrescentando alguns pontos de rentabilidade”.

Mathias acrescentou ainda que a construção de carteiras otimizadas exige tecnologia e compreensão de modelagem. “É um processo de aprendizado para todos, o sistema está se desenvolvendo”.

Papel dos gestores e novos instrumentos – Carlos Takahashi, Presidente da BlackRock, maior gestora de investimentos do mundo, acrescentou a importância de os gestores estarem cada vez mais preparados, prontos para atender a demanda das EFPC por maior alocação internacional e com veículos diversificados.

Nesse sentido, Takahashi chamou atenção para o crescente debate sobre investimentos sustentáveis, com a incorporação dos critérios ESG nos portfólios. “Essa discussão é muito maior nos países desenvolvidos e está chegando ao Brasil. A grande contribuição que players internacionais, como nós, podem dar é trazer esses veículos já utilizados e experimentados para o mercado brasileiro, disponibilizá-los. E também trazer tecnologia, conhecimento e informação sobre mercados que já tiveram essas experiências. Isso pode nos ajudar a encontrar o tempo certo para fazer essa caminhada com segurança, com base no que já está acontecendo”.

O Presidente da Black Rock destacou ainda o grande avanço regulatório recente com a possibilidade aberta pela CVM aos investidores de negociar ETFs (fundos de índices internacionais), juntamente com a liberação de BDRs (Brazilian Depositary Receipts), listados na bolsa brasileira, o que diminui custos para os gestores trazerem ETFs para o Brasil.

A mudança permite aos investidores institucionais ir para essas estratégias diretamente, mas também desenvolver os seus portfólios, ou seja incorporar e usar os ETFs internacionais no formato de gestão ativa, observou Takahashi. “Então, nós estamos vivendo um momento muito favorável. A discussão desse painel retrata e traduz bem isso”, completou o Presidente da BlackRock.

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