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Entrevista: A opção dos fundos quantitativos para alcançar maior diversificação

Entrevista: A opção dos fundos quantitativos para alcançar maior diversificação

Em entrevista exclusiva ao Blog Abrapp em Foco, Tomás Leme, da área de Relação com Investidores da Pandhora Investimentos, fala sobre as vantagens de se utilizar os fundos quantitativos na gestão de recursos das entidades fechadas (EFPC) e para os investidores em geral. O executivo comenta a questão da diversificação das carteiras e dos ativos que permitem melhor descorrelação com os fundos tradicionais e classes de ativos do mercado doméstico.

Ele comenta ainda o cenário mais desafiador do patamar atual das taxas de juros para as EFPC. “Sabemos que as metas atuariais não diminuíram e que a expectativa do participante também não. O desafio é fazer isso de forma inteligente, com foco no longo prazo e sem correr riscos desnecessários”, diz em trecho da entrevista. Confira a seguir na íntegra:  

Blog Abrapp em Foco – Poderia comentar o atual estágio do segmento de fundos quantitativos nos EUA em outros mercados?

Tomás Leme – O mercado de fundos quantitativos nos EUA corresponde a algo entre 25% e 30% de todo o mercado de hedge funds, pelo que já encontramos em algumas pesquisas. Na Europa existem também várias gestoras que utilizam de tecnologia para fazer gestão. Um exemplo interessante é a Leda Braga, brasileira e fundadora da Systematica, que iniciou seus trabalhos em Londres e hoje tem escritórios pelo mundo todo. Os quants passaram a ocupar esse espaço nos mercados desenvolvidos pelo benefício de diversificação que trazem para a carteira, dada a descorrelação com o restante da indústria, endowments e fundos de previdência são alguns de seus principais clientes. 

Blog – Quais os principais investidores (clientes) desse tipo de fundo, que utiliza tecnologia na seleção e controle de riscos dos ativos?

Tomás – Qualquer investidor que esteja procurando retornos descorrelacionados e que esteja olhando os seus investimentos em um horizonte de médio e longo prazo. Hoje na Pandhora estamos chegando a cerca de 9 mil investidores pessoa física (através de plataformas digitais), family offices de diferentes tamanhos e também já temos fundações, como clientes. Apesar de no Brasil as pessoas ainda estarem aprendendo sobre a classe, os fundos que usam tecnologia existem há mais de 50 anos no exterior e têm investidores de todos os tipos.  

Blog – Qual é a situação do segmento no Brasil? Por que os fundos quantitativos ainda representam pequena parcela do mercado doméstico da indústria de fundos? 

Tomás – Quando comparamos o tamanho dos fundos que usam tecnologia na tomada de decisão e o tamanho da indústria como um todo no Brasil chegamos a algo em torno de 1-2%. Ainda existe muito espaço para crescer. Acreditamos que isso irá acontecer quando os investidores entenderem a importância e o benefício de ter gestores diferentes, que fazem coisas diferentes, dentre a sua seleção de assets para alocação. Vemos inúmeros mercados, no Brasil, que já foram revolucionados pelo uso de tecnologia. As pessoas estão se familiarizando com esse movimento e entendendo seus benefícios. Acreditamos que esse movimento será mais confortável no mercado de fundos quando as pessoas entenderem como os fundos quantitativos funcionam. Por isso, na Pandhora, nós fazemos questão de dar muita transparência aos nossos investidores em relação aos fundos e às estratégias. 

Blog – Vocês acreditam que a redução das taxas de juros (Selic) contribuem para o maior acesso e crescimento dos fundos quantitativos? Justifique.

Tomás – Sim! Com a redução da taxa básica de juros, os investidores terão que tomar mais risco para manter seus retornos. Sabemos que as metas atuariais não diminuíram e que a expectativa do participante também não. O desafio é fazer isso de forma inteligente, com foco no longo prazo e sem correr riscos desnecessários. Na nossa visão, a diversificação é o que torna isso possível. Construir um portfólio em que cada produto seja escolhido pensando numa composição orientada a mitigação de risco e a aumento de retorno esperado ao longo do tempo. 

Blog – Quais as principais classes de ativos que os fundos quantitativos realizam a gestão (renda variável, renda fixa, outros)?

Tomás – Apesar de o uso de tecnologia ser uma similaridade entre os fundos quantitativos, as estratégias e ativos utilizados não são necessariamente os mesmos. No caso da Pandhora, olhamos majoritariamente para ativos de renda fixa, câmbio, juros e ações no mercado local e para uma gama maior no exterior. Na parte offshore, temos diversificação através de inúmeros ativos e geografias. São, por exemplo, índices de bolsas globais, moedas, commodities, ouro e títulos do governo americano. Essa capacidade de ter muitos ativos compondo nossos fundos é um benefício direto da forma como fazemos a gestão. Nossos algoritmos nos tornam capazes de cobrir um universo de dados e informações enorme, que resultam em diversos investimentos, para trazer retorno, consistente aos nossos investidores. 

Blog – Quais as principais vantagens dos fundos quantitativos em comparação com os fundos tradicionais?  

Tomás – Uma das principais vantagens é a diversificação por diferentes prêmios de risco. Ter estratégias em prêmios de risco diferentes é essencial para trazer resultados consistentes e descorrelacionados ao longo do tempo. Além disso, temos uma gestão de risco também sistematizada. Isso significa que nossos fundos seguem à risca todas a métricas de risco previamente definidas em comitê e embutidas no dia a dia dos fundos através de tecnologia. Acreditamos que isso seja um diferencial importante para investidores institucionais. Como nossa gestão elimina os vieses e não ter influência de emoções dos gestores, temos também a tendência a passar bem por momentos de estresse do mercado, além de termos estratégias defensivas que estão sempre “ligadas”. Existe também uma vantagem de custos, ao comparar as nossas taxas (1,5% de administração + 20% de performance) com a tradicional média da indústria de multimercados (2,0% + 20%).

Blog – Qual a relação das entidades fechadas (EFPC) com esse tipo de instrumento de gestão de ativos?  

Tomás – A participação dos Encontros Regionais promovidos pela Abrapp é uma das iniciativas que temos para aproximar a Pandhora das EFPC. Temos também contato com muitas entidades de previdência através da SulAmérica Investimentos, que é parceira da Pandhora na distribuição de fundos de investimento para esse público. Como comentei anteriormente, nos EUA um dos principais clientes dos fundos que utilizam tecnologia são os fundos de previdência, então acreditamos que esse tipo de alocador tem muito a se beneficiar da diversificação e da redução de risco que fundos como os nossos podem trazer aos seus portfólios. 

Blog – Como funcionam os softwares que auxiliam na gestão dos fundos quantitativos? Como dar transparência para os critérios utilizados pelos softwares?

Tomás – Imagine uma gestora tradicional, onde o gestor e analistas passam o dia lendo notícias, colhendo dados de preços de ativos, para passar isso para planilhas, gerar material para discussões e tomar decisões de investimentos. Na Pandhora temos um processo muito similar, passamos por um longo trabalho de mapear toda nossa análise de mercado para nossos investimentos, quais variáveis que vão influenciar nossas decisões e quando é o momento de comprar ou vender um ativo. Estruturamos isso de uma forma que conseguimos programar o computador a colher os dados, executar as análises e tomar as decisões que nós préviamente o ensinamos. Nesse processo colhemos informações de muitas variáveis ao mesmo tempo e a todo momento, coisa que não seria possível para um humano fazer. Além de eliminarmos vieses no momento de tomada dessa decisão, o que é muito importante para gestores, principalmente em momentos de euforia e pânico do mercado. Após todo esse trabalho, estamos sempre revisitando todos os modelos, para garantir que tudo continua funcionando bem. Na Pandhora, todas as nossas estratégias, tem fundamentos econômicos e estamos lendo dados de preços dos ativos ou balanço das empresas, além de não termos estratégias de alta frequência. Devido a isso é possível dar muita transparência aos investidores sobre os critérios utilizados.

 

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