A evolução da Inteligência Artificial está impactando diversos setores, e o mercado previdenciário não é diferente. Mas essa ferramenta pode aumentar a produtividade nas análises e auxiliar estratégias de investimentos, conforme foi discutido no painel “Investimentos na Era Digital: Inteligência Artificial e o Impacto no Mercado Previdenciário”, durante o Encontro Regional Sudoeste desta quarta-feira, 19 de março.
Como utilizar essas novas ferramentas dentro das gestoras de recursos foi o questionamento feito por Cleber Diniz Nicolav, Diretor Executivo do ICSS, no início do painel, convidando os palestrantes para exemplificar essa utilização na gestão de ativos.
Fernando Caio Galdi, Superintendente de Estratégia e Inovação da Bradesco Asset, destacou que a IA se difundiu e está cada vez mais parecida com um comportamento humano. “Hoje a gente já consegue entender os benefícios e as limitações da IA”, disse, enfatizando que seu uso depende de segurança da informação e conformidade regulamentar em relação ao uso dos dados.
“Na gestão de recursos, temos que olhar para o que atende às necessidades específicas”, pontuou Galdi, citando exemplos como leitura documentos de maneira mais rápida, transcrição de conference calls, geração de base de dados a partir de determinada triagem, ferramentas de ganho de produtividade, coleta de informações sobre comunicados e atas, geração de indicadores, etc.
Apresentando um exemplo prático do uso da IA, Ana Luísa Rodela Blanco, Diretora de Investimentos da Bradesco Asset, demonstrou como a ferramenta auxilia, por exemplo, no monitoramento de ações, obtendo insights, notícias e métricas de sentimento e posicionamento dos modelos dos papéis acompanhados a partir de resumos.
“Utilizamos a análise do ponto de vista de fatores. Há dificuldade em saber qual fator é mais relevante para aquela ação naquele momento. Essa ferramenta, com base nos dados levantados, classifica as ações entre momentum, qualidade, valor, etc.”, explicou. “A IA também demonstra como o portfólio deve ser equilibrado em relação a cada um desses fatores”, disse Blanco.
Denison Martins Fernandes, especialista em investimentos da BB Asset, também apontou outras formas de utilização da ferramenta na gestão. “A IA pode ajustar estratégias de investimento de acordo com o perfil do investidor, sugerindo mudanças como ‘conservador com uma pitada de arrojado’”, disse.
Segundo ele, a IA democratiza o acesso a informações financeiras, permitindo que investidores obtenham dados sem precisar buscar ativamente. Mas, apesar dos avanços, a responsabilidade sobre as decisões ainda é humana. “A IA é uma ferramenta auxiliar, não substituta, e o papel dos assessores continua sendo fundamental”, ressaltou.
Ainda assim, a sua visão é que a ferramenta pode revolucionar o mercado previdenciário, oferecendo carteiras personalizadas e novas opções de investimento, mas traz desafios, como a necessidade de regulação e cuidado com os riscos associados à superinteligência. Por isso, a evolução da IA deve ser acompanhada pela capacitação dos profissionais do mercado financeiro. “Cuidado com os dados que ela entrega. A responsabilidade é nossa”, alertou, reforçando a importância da participação ativa dos profissionais do mercado financeiro na evolução da IA com responsabilidade, regulação e capacitação contínua.
Cenários de investimento – Fazendo uma análise de cenários, Ana Luísa Rodela Blanco destacou a volatilidade do mercado local, que pode também a oportunidade de movimentos mais ativos na carteira de investimentos. “Nisso, a gestão ativa consegue se diferenciar”.
Ela pontuou a atratividade da renda fixa, não somente da NTN-B, mas também dos juros prefixados. “Lembrando que a inflação segue em tendência de alta, sendo também um ativo interessante”. Em relação ao crédito privado, a gestão ativa se torna fundamental para entender quais ativos têm mais espaço na carteira. “Vai ser mais um ano em que a classe vai atrair bastante recurso”, pontuou Blanco.
Analisando a classe de ativos de ações, ela pontuou que os investimentos em fundos tiveram migração intensa para os Estados Unidos, enquanto no Brasil há muitos papéis depreciados. “Qualquer fluxo em investimentos locais pode ter um impacto importante”, completou Blanco.
Os Encontros Regionais são uma realização da Abrapp com o apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocínio ouro: Bradesco Asset Management. Patrocínio prata: Apoena, BB Asset e Itajubá Administração Previdenciária. Patrocínio bronze: HMC Capital, Opportunity e Trígono Capital. Apoio: Bahia Asset Management e BNP Paribas Asset Management.