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Gestão de riscos é essencial diante de busca por maior rentabilidade

Gestão de riscos é essencial diante de busca por maior rentabilidade

Reunindo dirigentes de grandes fundações em um debate junto ao regulador do sistema, a Previc, o 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC encerrou na última sexta-feira, 16 de outubro, com o painel “Discussões Atuais na Gestão de Riscos e Governança de Investimentos”. Renato Augusto Zagallo Villela dos Santos, Diretor Presidente da Funcef e Membro do Conselho Deliberativo da Abrapp, moderou o painel e destacou que a questão de governança de risco é particularmente importante diante do momento em que as variáveis econômicas estimulam a procura por mais rentabilidade. “Isso ocorre no mundo inteiro, e o Brasil era um ponto fora da curva e está, agora, entrando na curva com desafios de gestão de investimento e risco que devem ser alinhados às melhores práticas”, destacou.

A gestão de risco deve ser o pilar principal detentor dos investimentos das entidades, segundo Alexandre da Cunha Mathias, Diretor de Investimentos da Petros. Para ele, gestão é sempre de riscos e deve ficar à frente das análises sobre retorno. “Essa conversa cai em uma narrativa do que se espera que vai acontecer em termos de retorno, bolsa, ajuste fiscal, NTN-B, etc. Isso acaba ocultando o fato de que nossa capacidade de prever tudo isso é muito pequena. A gente se esmera, mas fatalmente vamos errar. Criar cenários que admitem riscos é algo que precisa ser feito”, reforçou.

Ele destacou que riscos significam que mais coisas vão acontecer além do previsto. “Isso requer uma abordagem diferente, às vezes, do que uma narrativa focada no resultado dos produtos”. Para Mathias, um bom resultado está ligado a um bom processo. “Normalmente se faz um ranking dos gestores que ganharam mais dinheiro, ou seja, os que tiveram maior retorno, sem ajustes para a gestão de risco. Essas são algumas lembranças que precisamos ter, pois precisamos separar o resultado que se colhe do processo que se faz. Errar faz parte do jogo. A arte da boa gestão está justamente em escolher os riscos”.

Diversificação – Diante desse panorama, Mathias destacou a importância da diversificação. “Por que é importante eu ter investimentos no exterior, e eventualmente, não protegido pela moeda? Faz sentido eu ter um percentual alocado nisso, e é contraintuitivo”, destacou. “A ideia de montar um portfólio que diversifique o risco está associada ao fato que nossa capacidade de prever não é tão boa. Esse portfólio, no desfecho dos cenários, se o retorno não for o esperado ou o cenário-base não se concretizar, garante que se tenha perdas minimizadas. E isso, no geral, acontece se houver estratégias que não estejam necessariamente no cenário-base”, disse.

Ele falou ainda sobre valuation, incluindo um viés contábil na avaliação de investimento, sendo essa uma etapa fundamental de qualquer processo de investimento, na sua visão. “Particularmente vejo o valuation como um processo de aprendizado do ativo ou empresa investida do que em chegar num preço justo”, destacou. Ele falou ainda que a gestão baseada no valuation não parece ser uma estratégia vencedora, e isso é particularmente grave no caso dos FIPs, que é um tipo de investimento sujeito a uma certa dose de controvérsia, ao mesmo tempo que é uma classe de investimento muito importante no mundo inteiro.

Análise de risco – Mathias fez uma análise sobre a mensuração do risco e dimensão no tempo, destacando que normalmente essa mensuração está muito voltada para a volatilidade. “Tenho dúvida se essa é a melhor medida para qualquer investidor, mas no caso dos fundos de pensão, com certeza não, pois o passivo é mais estável, com horizonte mais longo”.

Ele ressaltou que o nível de conhecimento específico na maior parte dos conselhos a respeito desse tipo de análise ainda é abaixo do necessário, o que indica uma necessidade de se investir em qualificação desse profissional para que as decisões não sejam sempre conservadoras. “Quando se tem pessoas que não dominam o assunto e estão acauteladas, a tendência é um nível de conservadorismo muito alto, o que pode não levar às melhores decisões. Temos feito progressos em termos de qualificação, mas ainda está no meio do caminho”.

Diante da conjuntura particularmente desafiadora em termos de gestão devido às altas metas atuariais frente a uma perspectiva de um CDI baixo, Mathias avalia que há uma pressão de risco que não é usual aos fundos de pensão. “As fundações vão ter que render, tanto em 2020 quanto em 2021, mais que os melhores multimercados”. De acordo com projeções feitas pelo dirigente, a condição do CDI estar muito abaixo da meta atuarial faz com que não se tenha, no sistema, um porto seguro que não gere perdas, e para cumprir metas, não dá pra não correr risco. “Mas a política monetária expansionista cria um dilema complexo para as EFPC, que devem correr risco, mas sem poder perder,”, destacou.

Desafio – Jorge Simino, Diretor de Investimentos da Vivest disse em sua apresentação que os tempos atuais são tremendamente desafiadores para a superação das metas atuariais dos planos. Considerada uma taxa atuarial de 4,5% e uma inflação de 3,5%, a meta atuarial para 2021 deve girar ao redor de 8%. Isso representa quatro vezes a Selic atual, de 2% ao ano. “É preciso verificar o nível de risco que é aceitável”.

Ele citou que, em setembro do ano passado, a direção da Vivest conversou com os membros do Conselho Deliberativo sobre o tema. “Para tentar buscar uma meta em 2020, seria necessário alocar 40% do patrimônio em bolsa, considerando que a renda variável doméstica teve retorno médio de IPCA mais 10% ao ano nos últimos 26 anos. E nos perguntamos se o nível de risco era aceitável”, comentou Simino. Em caso de um cenário desfavorável, as perdas poderiam ser grandes. “É importante manter uma comunicação aberta com os órgãos de governança. Decidimos que não estávamos dispostos a correr um risco tão alto de alocação em renda variável. Acabamos abdicando de perseguir a meta atuarial, pois o nível de risco seria muito elevado”, explicou o Diretor de Investimentos da Vivest.

Tomar risco no Brasil não é tão simples, pontuou Simino, e não existe uma ampla diversidade de ativos para montar uma carteira com boa diversificação, em sua visão. “São poucas as classes de ativos que possuem baixa correlação entre si. Poucos papéis e ativos de empresas que as EFPC podem acessar no mercado doméstico. Então, a saída para o investimento no exterior é inevitável”, afirmou.

Investimento no exterior – Há duas propostas urgentes para que o limite de investimentos estrangeiros sejam alterados para os investidores no Brasil, segundo Simino. Uma delas é ampliar de imediato o limite de 10% para 20% do patrimônio permitido pela Resolução CMN nº 4.661/2018. “A média do setor de EFPC ainda não utiliza todo o limite de 10%, mas já existem muitos planos que estão próximos disso. É o caso de dois planos de Contribuição Definida (CD) da Vivest, que estão com 9% do patrimônio alocado no exterior. O segundo ponto é que em um prazo de 2 a 3 anos, o limite deveria ser ampliado novamente para cerca de 30%”.

Os investimentos no exterior oferecem possibilidade de ampla diversificação setorial e geográfica, avaliou Simino, sendo possível acessar ações de empresas de tecnologia, saúde, biotecnologia, entre outras, que não estão listadas na bolsa doméstica. “É possível diversificar as regiões, por exemplo, investindo em bolsas de países asiáticos, além de ativos em outras moedas. Tudo isso, abre possibilidade para alocações com baixa correlação com as classes de ativos tradicionais domésticos”, explicou o Diretor da Vivest.

Melhores práticas – Abordando as melhores práticas de gestão de riscos, Marcelo Otávio Wagner, Secretário do Colégio de Coordenadores de Investimentos da Abrapp e Diretor de Investimentos da Previ, dividiu essas práticas em quatro pilares. O primeiro deles é o de cultura e responsabilidade da alta gerência. “Deve haver nas entidades a definição de responsabilidades e segregação de funções; uma estrutura de gestão de riscos; e a disseminação da cultura de controles. Se a alta administração não compra a ideia, ninguém vai comprar”, explicou.

O segundo pilar apresentado por Marcelo Wagner é o da estratégia de gestão de riscos e de investimentos. “É muito importante que se tenha identificação, mensuração, controle e reporte de todos os riscos. Precisa haver uma discussão, na entidade, sobre a definição do apetite e tolerância a riscos. Aí começa a conexão da gestão de riscos com governança de investimentos. A partir disso, se inicia o processo de montagem e monitoramento dos portfólios”. Ele ressaltou que a estratégia de riscos deve ser a base da estratégia de investimentos das entidades. “Primeiro se faz a definição da análise de estrutura e apetite ao risco para, daí, começar a montar portfólios. É de suma importância que a entidade, seja do tamanho que for, tenha isso em mente”.

Já o terceiro pilar diz respeito ao ecossistema de controle. Marcelo Wagner destacou a importância, nesse pilar, de que seja definido o gestor de primeiro nível, ou seja, o dono do risco. “Os controles internos e compliance atuam considerando que o gestor de primeiro nível está atuando com riscos, e a auditoria interna e externa funciona na terceira camada”, explicou. No quarto pilar, Wagner incluiu informação, reporte e comunicação. “É preciso que o reporte dos riscos seja feito aos órgãos de governança, que seja contínuo aos órgãos de supervisão, além de comunicação com associados e outros stakeholders, e transparência. Eu reforço que deve haver uma comunicação franca”, disse.

Ele citou ainda exemplos de como a Previ aprecia essas melhores práticas dentro de suas atividades. “Nossos processos já estão alinhados às melhores práticas preconizados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), contemplando os quatro pilares”, destacou, ressaltando que na entidade, a gestão de riscos possui uma estrutura normativa de regras, com processo mapeados, políticas, metodologias aprovadas, limites e diretrizes de risco.

Wagner discorreu ainda sobre como funcionam os processos de gestão, com comitês de risco e ALM, segregação de funções, simulações prévias, e definição de apetite a risco por planos e perfis. “Na questão da cultura, a Previ possui um incentivo à produção intelectual dos funcionários da entidade, com desenvolvimento ainda de cursos internos. Temos análises, súmulas e relatórios padronizados e dashboards sobre esses processos”.

A entidade também conta com uma Política de Gestão de Riscos Corporativos, que categoriza os riscos, segregar funções, prevê quais riscos pode ser assumidos de acordo com apetite e tolerância, além de contar com ferramentas de monitoramento. “Disso deriva as nossas Políticas de Investimento, com declarações de apetite e tolerância a riscos formalizadas, sendo que os riscos assumidos devem estar de acordo com apetite e tolerância a riscos definidos para os planos”. Além disso, há a Política de Governança de Investimentos da Previ possui diretrizes que devem ser observadas no processo de análise e assessoramento, entre outros; e a Política de Controles Internos e Conformidade. Wagner destaca que essas atribuições englobam todos os funcionários da entidade, em diferentes níveis hierárquicos.

Regulador – Para tratar do tema relevante e complexo, além do papel das áreas de investimentos das fundações, Carlos Marne Alves, Diretor de Fiscalização e Monitoramento da Previc, disse que as entidades deverão rever os compromissos e premissas atuariais presentes nos regulamentos dos planos de benefícios nos próximos anos. “As revisões são necessárias por causa da mudança do nível mais reduzido dos juros dos ativos da economia”, disse.

O Diretor da Previc enfatizou a importância de uma gestão dos recursos com base no controle e monitoramento dos riscos e citou diversas regulações, como a Resolução CGPC nº 13/2004 e a Resolução CMN nº 4.661/2018, que apontam a exigência do controle de riscos na gestão dos investimentos. “Os riscos devem ser controlados e monitorados de acordo com a complexidade da entidade e dos planos administrados”, ressaltou Marne.

Ele citou também o papel do administrador de risco ou de um comitê que exerça essa função, que por sua vez, deve estar segregada do AETQ, e indicou que as entidades devem adotar linhas de defesa compatíveis com o tipo e complexidade da gestão dos ativos e dos planos. Como principais linhas de defesa, Marne ressaltou a Política de Investimentos, o Comitê de Investimentos, o Comitê de Riscos e a função de comunicação com os participantes e assistidos, já alinhada com a nova Resolução CNPC nº 32/2019, cujas exigências deverão ser cumpridas a partir de 31 de dezembro deste ano.

Carlos Marne falou ainda sobre o novo sistema de fiscalização e monitoramento que será adotado pela Previc a partir de 2021. “Será um novo sistema de controle e monitoramento de riscos aplicado sobre todas as mais de 300 EFPC do sistema. O novo sistema será baseado com avaliação e classificação das entidades com um score”, complementou.

O 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC ocorreu nos dias 15 e 16 de outubro. Confira a cobertura completa dos temas abordados nos dois dias de evento:

 

O 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com apoio institucional de Sindapp, ICSS, UniAbrapp e Conecta. O evento conta com patrocínio Black da XP Investimentos; Ouro da Aditus, Aviva Investors, BNP Paribas Asset Management, Indosuez Wealth Management, Captalys, ClearBridge Investments, Hancock Asset Management Brasil, Indie Capital, J.P. Morgan Asset Management, Kadima Asset Management, MAG Investimentos, Perfin Asset Management, Schroders, Sparta Fundos de Investimento, Sulamérica Investimentos, TAG Investimentos, Vinci Partners; Bronze da Franklin Templeton, i9Advisory Consultoria Financeira, Mauá Capital, StepStone; e apoio da ARX.

Gestores buscam aspectos ASG ativamente em análises de investimentos

Gestores buscam aspectos ASG ativamente em análises de investimentos

Os investimentos em aspectos ambientais, sociais e de governança (ASG, ou ESG, na sigla em inglês) deixaram de ser uma escolha ou tendência e passaram a ser primordiais para garantir retornos de longo prazo. Esse foi o tema de painel do segundo dia do 9º Seminário Gestão de Investimentos, iniciado ontem e que continuou ao longo desta sexta-feira, 16 de outubro. Com um público de mais de 700 pessoas acompanhando o evento online e ao vivo, os primeiros painéis do dia trouxeram temas relacionados a investimentos no exterior e oportunidades no crédito privado.

Para tratar dos aspectos ASG, Rafael Soares Ribeiro de Castro, Gerente Executivo de Conformidade e Controles Internos da Previ, moderou um painel que mostrou que gestores estão cada vez mais especializados e ativos na busca por investimentos com impactos ambientais, sociais e de governança em suas carteiras. “Temos acompanhando cada vez mais esse tema na mídia, e isso se reflete na análise dos nossos investimentos. Esse tema cresceu bastante nos últimos anos no Brasil, e para engrandecer o debate, traremos uma perspectiva internacional e nacional”. ​

Rick Stathers, Analista & Estrategista de ESG e Climate Change na Aviva investors, atua com uma equipe de mais de 20 especialistas em ESG e traçou um panorama da situação de mudança climática no mundo atualmente, reforçando o Acordo de Paris, um tratado que rege medidas de redução de emissão de gases estufa a partir de 2020, a fim de conter o aquecimento global preferencialmente em 1,5 ºC. “Precisamos tomar as medidas necessárias para isso, pois as consequências para um aumento do aquecimento global serão graves”, disse. “Até o final da próximas década, temos que diminuir as nossas emissões de gás carbônico. Há uma falha de mercado em segurar o aumento de emissões, sobretudo em empresas de petróleo e gás”.

Ele citou motivos que fazem esse tema ser importante aos investidores. “Já estamos tendo um aumento a temperatura, no nível dos oceanos, enchentes e queimadas afetando as economias ao redor do mundo. É importante saber quais são as implicações disso para tomar as decisões de investimento de longo prazo”. Segundo Rick, gestoras e investidores ao redor do mundo já estão pressionando empresas para cobrar atuações nesse sentido. “A resposta precisa ser maciça e aumentar significativamente”, disse. “Há uma mudança na demanda dos clientes, com análises, campanhas de desinvestimentos de empresas responsáveis pelo aquecimento e, recentemente, na Europa houve mudanças nas regulações, com requisitos maiores que se alinhem à exigências do Acordo de Paris”, destacou.

Aspectos ambientais – Nos últimos 4 anos, a Aviva tem feito uma análise sobre as implicações desse cenário de aquecimento, medindo seus impactos. “É muito mais plausível que haja um impacto negativo com qualquer que seja o aumento de temperatura, mas o cenário de 1,5º é o menos negativo. Através dos nossos investimentos, podemos a chegar nesse resultado. Há muitas discussões internamente que devem ser replicadas entre empresas e gestoras para afinarem suas carteiras e fazem com que isso nos leve a esse futuro de aumento de 1,5º”, disse o analista.

Entre as medidas que as gestoras podem tomar, segundo Rick, está incluir o risco no processo de investimentos, identificando empresas com o modelo de negócios voltado para um mundo de baixo carbono, medindo como as empresas fazem a gestão de risco climático. Além disso, ele citou uma abordagem mais ativa, de contato com acionistas das empresas, podendo ser mais ativo nas decisões. “Temos uma abordagem forte de engajamento e oferecemos soluções aos investidores”.

Gestão – Para tomar essas decisões mais práticas, através de um processo de capacitação dos analistas, a Indie Capital conta com a Sitawi para construir políticas responsáveis para os investidores até chegar no próximo passo, que será abrir um fundo 100% ASG. “Temos um problema sério de sustentabilidade no mundo, e o mercado está caminhando para essa direção. Faz parte do desafio das gestores incorporar esses investimentos no seu dia a dia”, disse ​Daniel Reichstul, Fundador da Indie Capital. “Isso vai fazer preço, e a nossa motivação, nosso propósito está calcado na ideia de estar na ponta. Temos uma questão fiduciária, e para dar bons retorno é importante saber analisar aspectos ASG na hora de investir em uma empresa”.

Ele deu ainda uma visão para identificar os principais pontos programáticos, a subjetividade, olhando não somente os indicadores, mas entendendo a atitude da empresa e sua visão holística. “Já olhávamos com profundidade o aspecto de governança, e agora olhamos o score social e ambiental também”, destacou. “A gente tem tido bastante humildade intelectualmente para ir incorporando os temas no nosso dia a dia, melhorando de maneira gradual e cuidadosa para ter bastante certeza de que estamos fazendo algo sólido e novo, com cuidado na incorporação”, disse.

Daniel apresentou ainda algumas variáveis identificadas no processo de análise que pesam para determinados setores, cruzando o score com a atitude da empresa. “As empresas que têm um índice ASG alto são as que a gente quer investir, desde que elas tenham um retorno esperado alto. Em empresas que possuem nota baixa de ASG, mas tem uma atitude boa no sentido de mudanças, precisamos olhar com cuidado, pois é aqui que o engajamento vai fazer diferença e pode ser um turn-around. Se houve atitudes positivas dos executivos, apesar da nota baixa, mas com direção boa, e conseguirmos captar isso, essa empresa deve ter um bom retorno. A questão será, então, acompanhar e ver se a mudança, de fato, ocorre”.

Já no caso de empresas que têm boa nota, mas atitude não boa, Daniel avalia que devem ser evitadas. “Temos uma abordagem mais pragmática. Não necessariamente deixamos de investir, mas colocamos um peso pequeno”, explicou. “Buscamos retorno satisfatório para os nossos clientes, essa é a nossa abordagem”, ressaltou.

Sustentabilidade dentro de casa –​Marcelo Mello, Vice-Presidente de Investimentos, Vida e Previdência da Sulamérica, destacou que esse tema ganhou muita força nos últimos meses, o que serve de alerta para que ninguém deixe-o seguir em uma direção superficial. “Começamos a ver muita demanda por produtos ASG, fundos que tenham essa temática, e o investidor deve cada vez mais se preocupar com esse processo. Muito mais importante que um produto específico que vai impactar determinada demanda, mas como impactamos toda a indústria de fundos em um processo que leva em consideração esses aspectos, sendo isso parte da responsabilidade fiduciária dos gestores de recursos”, disse.

Ele destacou que o início da análise de processos de governança das empresas foi mais fácil dentro da Sulamérica, mas os aspectos sociais e, principalmente, ambientais, para o gestor de portfólio nunca eram a prioridade, por não conseguir gerar valor. “Na época, passamos a quase que forçar a análise desses aspectos, estimulando o gestor de portfólio a considerá-los nas suas análises”. Depois de um tempo, Marcelo Mello destacou que os aspectos sociais começaram a ficar mais palpáveis em termos de impacto dentro das companhias. “Começamos a perceber que isso tinha muito valor. Assim, a obrigação da avaliação diminuiu, e o tempo que o analista se dedicava a essas questões aumentou”.

Já o aspecto do meio-ambiente está vindo agora de maneira mais acelerada, principalmente após a pandemia de COVID-19, destacou Marcelo Mello. “A pandemia é um marco secular, e provavelmente no futuro, os portfolio managers avaliarão como as empresas se comportaram nesse período, quais atitudes foram tomadas. Será uma referência importante”, avaliou, ressaltando que, ainda assim, é preciso avançar nas questões de meio-ambiente. “O liability da empresa que não está em compliance com meio-ambiente é gigantesco. Essa questão não evoluiu ainda no Brasil e requer mais conhecimento e processos”, complementou.

Mello ressaltou a importância de que os próprios gestores incorporem ações sustentáveis dentro de casa. “Nós, como gestores, temos que ter cuidado não só de levar o produto correto e sustentável, com alfa, aos investidores, mas também temos a obrigação de, assim como da porta pra fora mostramos essa preocupação, da porta pra dentro temos que mostrar como isso impacta em nosso patrimônio. Não tem melhor ou pior, tem engajamento”.

Metodologias – Apresentando os métodos utilizados na construção de carteiras na hora de se montar um portfólio considerando aspectos ASG, ​Iain Snedden, Especialista em Investimentos da Aegon Asset Management, parceira da Mongeral e MAG Investimentos, ressaltou quatro grandes critérios: as exclusões, selecionando empresas que não se adequam aos aspectos e excluí-las do portfólio; os melhores do mercado, selecionando as empresas que tenham um rating bom de ASG; empresas com o tema de sustentabilidade, que podem gerar impacto robusto, como energia limpa, causas sociais, etc.; e investimentos de impacto, que podem ter retornos melhores se tiverem impacto tangível nas causas que os investidores querem apoiar.

Iain ressaltou como os investimentos sustentáveis podem gerar alfa às carteiras. “Os fatores ASG melhoram desempenho das empresas tanto em mercado desenvolvidos como em emergentes, incluindo bom desempenho em fatores ambientais e sociais, pois havia uma ideia de que esses fatores não tinham tanto peso quanto o da governança, o que não é verdade”. Segundo ele, apesar de haver poucas soluções perfeitas disponíveis, os investimentos nesses aspectos fazem diferença nos retornos. “Se você é uma empresa e está melhorando esses fatores, faz sentido que isso se traduza em melhorar eficiência, métricas financeiras, e a maneira que a empresa atua, o que reflete em uma valorização superior no mercado acionário”.

O especialista explicou ainda como a Aegon trata essas análises, com um modelo de três dimensões: produto, práticas e melhoria. É a combinação dessas três coisas que nos leva a avaliar uma empresa”. Nesse aspecto, há exclusão de alguns setores dentro dos investimentos, combinando também as práticas, ou seja, comportamento das empresas em relação aos seus funcionários e acionistas, e processo de melhorias. “Assim, classificamos empresas como líderes, melhoradores ou as que estão ficando para trás”. Ele ressaltou que ASG é subjetivo, mas há indícios de que incorporar esses fatores acrescenta valor. “É importante saber o que vai ao encontro da necessidade de cada cliente. No fim, tudo tem a ver com trabalho e encontrar as melhores ideias por meio de uma pesquisas própria, e incorporá-las”.

Tanto Iain quanto Rick, com uma visão internacional, destacaram que a busca por aspectos ASG nas empresas não deve ser específica em um país, e sim cada empresa deve ser avaliada dentro dos desempenhos ASG em todo o mundo, olhando casos individuais. Complementando o tema, Marcelo Mello ressaltou que é importante verificar se as empresas estão sendo autocríticas com suas ações relativas a esses princípios. Já Daniel Reichstul destacou que quanto mais informação a empresa fornecer, mais rico ficará esse debate.

EFPC – Apesar das exigências locais, Rafael de Castro questionou como é possível engajar ainda mais as EFPC nesses processo, e Marcelo Mello ressaltou que os investidores estão cada vez mais engajados, e esse tema já ganhou força. “Esses investidores estão mais atentos ao tema. Estamos tentando construir isso de forma acelerada nas fundações menores, sendo que nas maiores esse processo já é mais consolidado”, disse.

Sob a perspectiva europeia, Iain destacou interesse nos aspectos ASG por parte dos fundos de pensão. “Alguns dos pedidos de informação que eles fazem são quase que exclusivamente ligados a fatores ASG, solicitando para que a gente incorpore esses fatores aos nossos processos de investimento. Estados Unidos também cerca esse tema em termos de demanda”.

A Comissão Técnica de sustentabilidade da Abrapp possui um guia que auxilia as EFPC no processo de seleção de gestores. “Esse é um tema muito palpitante, e no futuro os investimentos responsáveis estarão inseridos nas outras discussões de investimento como uma coisa só. Os fundos de pensão devem inserir esse debate em seus processos em relação a riscos e oportunidades, e cada vez mais veremos evolução desse tema no nosso setor”, complementou Rafael de Castro.

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O 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com apoio institucional de Sindapp, ICSS, UniAbrapp e Conecta. O evento conta com patrocínio Black da XP Investimentos; Ouro da Aditus, Aviva Investors, BNP Paribas Asset Management, Indosuez Wealth Management, Captalys, ClearBridge Investments, Hancock Asset Management Brasil, Indie Capital, J.P. Morgan Asset Management, Kadima Asset Management, MAG Investimentos, Perfin Asset Management, Schroders, Sparta Fundos de Investimento, Sulamérica Investimentos, TAG Investimentos, Vinci Partners; Bronze da Franklin Templeton, i9Advisory Consultoria Financeira, Mauá Capital, StepStone; e apoio da ARX.

Investimento no exterior precisa ser visto como instrumento e não apenas classe de ativos

Investimento no exterior precisa ser visto como instrumento e não apenas classe de ativos

As oportunidades de diversificação de investimentos no exterior para as entidades fechadas de previdência complementar (EFPC) foram tratadas no Painel 6 do 9º Seminário Gestão de Investimentos. O evento, iniciado ontem, continua nesta sexta-feira (16).

O Seminário reúne mais de 700 participantes no centro digital de eventos do Grupo Abrapp. Leia sobre a abertura e Painel 1 (Análise do Cenário Econômico), Painéis 2 e 3 (Desafios para as EFPCs) e Painéis 4 e 5 (Diversificação em Renda Variável e Pix).

O painel sobre investimentos no exterior foi moderado por Carlos Henrique Flory, Diretor-Presidente da Prevcom e Diretor Executivo da Abrapp. Participaram como debatedores Giuliano De Marchi, Responsável pela J.P. Morgan Asset Management na América Latina, Roberto Teperman, Head of sales da LeggMason, e Tiago Bellodi Cesar, Head de Fundo de Fundos da BNP Paribas Asset Management.

Vantagens da diversificação global – Iniciando o debate, Carlos Henrique Flory ponderou que no primeiro dia do Seminário muito se viu sobre aplicações no mercado brasileiro, mas as oportunidades estão ficando escassas. “Está difícil achar nichos de investimentos que atendam às necessidades das EFPCs”. Nesse sentido, Flory lançou aos debatedores a pergunta sobre as vantagens da diversificação global para os fundos de pensão.

Três principais benefícios da diversificação no exterior foram destacados por Giuliano De Marchi, Responsável pela operação da J.P. Morgan Asset Management na América Latina. São eles: adição de retorno para a carteira aproveitando oportunidades em mercados desenvolvidos e emergentes; acesso a produtos com custos mais interessantes; e a diversificação que traz descorrelação com ativos locais.

Além das possibilidades em renda variável, De Marchi chamou atenção para o “mar de oportunidades” em renda fixa no mercado internacional. Apesar de dominar as alocações das EFPCs no Brasil, o mercado doméstico é aprox. 2% da renda fixa global. Ou seja, 98% das oportunidades dessa indústria estão no exterior. Além disso, há os investimentos alternativos, como setor imobiliário, private equity e mercado de moedas além do dólar, como euro, renminbi (chinesa) e outras asiáticas, que precisam estar no radar.

“A nossa recomendação não é comprar somente renda variável. É comprar um portfólio diversificado, ter todos esses ativos num único portfólio em que você consiga equilibrar e combinar com seus ativos locais. Justamente pelos três motivos que citei: performance, preço e diversificação”, completou De Marchi. Ele acrescentou que a diversificação global também possibilita acessar diferentes setores econômicos.

Limites para investimentos internacionais – A necessidade de ampliar os limites de investimentos das EFPC no exterior foi enfatizada no debate. Carlos Flory trouxe uma questão do público que traduz esse sentimento: o investimento no exterior não deveria ser visto como classe de ativos, mas instrumento para a diversificação e proteção das carteiras.

Dados da OCDE mostram o quanto a regulação do País está atrasada nesse quesito. Segundo Roberto Teperman, Head of sales da LeggMason, o Brasil é de longe, dentre os 37 países da organização internacional (dados de 2018), o com menor limite de alocação no exterior. Ele acrescentou que durante a crise gerada pela pandemia de COVID-19 esse limite se provou baixo para as EFPCs, principalmente quando esse instrumento (investimento no exterior) é utilizado para diversificação, proteção e rentabilidade da carteira.

Teperman citou o caso da EFPC que possui o maior fundo da indústria no exterior, com cerca de R$ 1,5 bilhão, e estava perto do limite máximo de 10%. Com a pandemia, o câmbio disparou e o ativos locais desvalorizaram, o que a fez estourar esse limite passivamente. “Eles tiveram a proteção que queriam, gostariam que fosse maior, mas infelizmente, devido à regulação, tiveram que resgatar um pedaço da carteira para ficar abaixo do limite de 10%. E essa proteção funcionou muito bem. Tanto é que os planos dessa entidade estão positivos no ano, com boa performance”.

O único país com limite próximo ao do Brasil para investimentos no exterior, para fundos de pensão, é o México com limitação de 20%. Vizinhos latinos estão acima dessa métrica: Colômbia (40%), Peru (46%) e Chile (80%). O executivo da LeggMason acrescentou que a maioria dos países sequer tem essa limitação – Austrália, Bélgica, França, Irlanda, Itália, Japão, entre outros -, pois essa decisão cabe ao Comitê de Investimentos. Teperman defendeu que tal deliberação, além de caber aos colegiados das EFPCs, não deveria ser por limite de exposição e sim por ativos (ex: limite para alocação em títulos públicos de determinado país).

Impacto do câmbio nos resultados – Outra questão destacada é se a volatilidade do câmbio não poderia destruir os resultados dos investimentos internacionais. Os especialistas lembraram que investir no exterior requer estratégia de longo prazo, e sob essa visão, o histórico de resultados comprova que tendem a ser mais positivos.

Tiago Bellodi Cesar, Head de Fundo de Fundos da BNP Paribas Asset Management, ressaltou que ao montar um portfólio internacional é preciso separar a discussão cambial em dois momentos: a decisão sobre a exposição cambial desejada pela EFPC, dentro da política de investimentos; e a diversificação da carteira com os ativos escolhidos, que podem contar ou não com hedge e outras estratégias para suavizar esses riscos.

Tiago ressaltou a importância do câmbio como um grande amortecedor das carteiras em momentos de stress do mercado brasileiro. Muitos deles curiosamente ocorreram no mês de maio, como lembrou Teperman, maio de 2015 (abertura de impeachment Dilma Roussef), maio de 2017 (Joesley Day), maio de 2018 (greve dos caminhoneiros) e maio deste ano (ápice da COVID-19). Tiago ressaltou que o investidor brasileiro não é machucado apenas pelos grandes choques, mas também por eventos discretos que geram volatilidade no mercado doméstico, como ruídos e desentendimentos no campo político, que não são previsíveis e captáveis nos modelos econométricos.

Ele disse ter a convicção cada vez maior de que o investimento no exterior, visto não como classe, mas como instrumento – assim como a tecnologia é um meio e não um fim em si – será cada vez mais predominante nas carteiras de fundos de pensão. “Tem muita coisa boa acontecendo no mundo, muita gente fazendo bom trabalho. E isso tem que estar disponível para o investidor brasileiro, porque equilibra o nosso portfólio do ponto de vista de discussões políticas, econômicas (no país e região latina)… O mundo tem outras agendas e elas têm papel fundamental para a otimização dos portfólios”.

Rodada de Negócios – Com apresentações de cases e produtos, os participantes do evento também tiveram oportunidade, nesta sexta-feira, de ver pitches de gestores e empresas especializadas em 20 estandes virtuais da área de exposições do centro de eventos online.

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O 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com apoio institucional de Sindapp, ICSS, UniAbrapp e Conecta. O evento conta com patrocínio Black da XP Investimentos; Ouro da Aditus, Aviva Investors, BNP Paribas Asset Management, Indosuez Wealth Management, Captalys, ClearBridge Investments, Hancock Asset Management Brasil, Indie Capital, J.P. Morgan Asset Management, Kadima Asset Management, MAG Investimentos, Perfin Asset Management, Schroders, Sparta Fundos de Investimento, Sulamérica Investimentos, TAG Investimentos, Vinci Partners; Bronze da Franklin Templeton, i9Advisory Consultoria Financeira, Mauá Capital, StepStone; e apoio da ARX.

Diversificação em renda variável e vantagens do Pix pautam discussões do primeiro dia de Seminário

Diversificação em renda variável e vantagens do Pix pautam discussões do primeiro dia de Seminário

A parte da tarde do primeiro dia do 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC trouxe uma discussão de extrema relevância diante do momento atual de busca por maior diversificação dos portfólios das fundações. Com 700 participantes, o evento online e ao vivo iniciou nesta quinta-feira 15 de outubro. Confira a palestra de abertura e os primeiros painéis do dia.

Diversificação em Renda Variável

Lucas Ferraz Nóbrega, Diretor Presidente da Fundação Libertas, moderou o painel que tratou Estratégias para Diversificação em Renda Variável, composto por gestores especializados que destacaram diferentes estratégias de alocação de investimentos no segmento. No painel, Alexandre Sabanai, Gestor dos Fundos de Ações da Perfin Asset Management, abordou as as perspectivas para o índice Bovespa, destacando o período de crise devido à pandemia de COVID-19 e já as perspectivas de recuperação. “Passamos meses atípicos este ano, entre março e abril, mas tivemos um retorno surpreendente nessa retomada devido a um processo de injeção de liquidez global e de expansão monetária ao longo da principais economias desenvolvidas”.

No Brasil, Sabanai citou o processo de endividamento para que se pudesse dispor de liquidez e propiciar, tanto às pessoas físicas quanto jurídicas uma espécie de expansão monetária vinda de um lado de maior endividamento do governo. “De certa forma, temos o lado negativo, que é o fiscal, mas tem o lado positivo, que trouxe um colchão de liquidez para que muitas das pequenas e médias empresas não quebrassem. Essa liquidez é um pilar importante”.

A expectativa de normalização da atividade, conforme se tenha a disponibilidade de uma vacina, levou ao mercado um ponto relevante que precifica os ativos, destacou Sabanai. “Além disso, temos as eleições americanas e, passando as eleições, o grande pilar de importância se dará em relação à guerra comercial entre Estados Unidos e China, que deixou de ficar no radar devido à pandemia, mas deve voltar a ser discutido”. Ele destacou que houve uma perspectiva de um cenário mais conservador para a bolsa brasileira nesse período, e esse cenário permanece em torno dos 120 mil pontos, e não mais do que isso. “Vemos dois setores com peso grande no índice Bovespa, com riscos razoáveis: o setor de bancos, que representa praticamente 30% do índice; e o de commodities, que tem um peso de 25% no índice. Os demais setores compõem um bloco mais otimista”, destacou.

Segundo Sabanai, há ainda dois novos fatores de análise de risco na bolsa, incorporados no final de 2018, ligados aos aspectos sociais e ambientais, compondo o índice ASG e se tornando mais explicitados junto à governança. “Passamos a dar notas relacionadas a esses itens”, disse. “Temos um bom processo de screening desses critérios incorporados”. Ele salientou que os aspetos ASG devem ser olhados de forma mais ampla, incluindo iniciativas nas gestoras, destacando as ações que a Perfin realiza dentro desses aspectos. “O ASG deve fugir um pouco do óbvio, olhando as iniciativas que as próprias gestoras estão tomando”.

Fatores – Em seguida, Rodrigo Pereira Maranhão, Sócio e Gestor da Kadima Asset Management, abordou o investimento em fatores, ou factor investing. “Fatores são características que, no longo prazo, explicam, pelo menos parcialmente, a diferença de retornos entre ativos, no caso, ações, de longo prazo. Assim, você pode gerar retornos acima do benchmark no longo prazo. São comuns as evidências que os fatores funcionam no mundo inteiro”, destacou.

Segundo ele, há uma série de fatores tendendo a remunerar o investidor no longo prazo, e no factor investing o papel do gestor é gerar essa exposição de forma sistemática. “É possível dividir as ações em grupos sob a métrica de fatores e medir o resultado no longo prazo. Os quatro grandes tipos de fatores são momento, valor, risco e qualidade”, disse Rodrigo, ressaltando que é importante tomar cuidado com a sobreposição de fatores. “Temos muitas possibilidade de combinar fatores, avaliando qual momento do ciclo econômico se deve entrar, tentando mapear qual fator vai performar melhor no futuro e tentando encontrar uma asset allocation efetiva entre os fatores”.

Em alguns momentos, Rodrigo explicou que um fator que tem o melhor retorno pode ter um risco muito grande. “Quando temos uma exposição alvo, tentamos minimizar os riscos colocando pesos entre fatores. Tendo calculada a exposição de cada fator, podemos otimizar a carteira de forma a minimizar os riscos que no longo prazo não vão gerar retorno extra, mas ao mesmo tempo, ter uma exposição-alvo a riscos que me remuneram no longo prazo”, destacou.

Nova economia – Iniciando uma abordagem sobe nova economia, Pablo Riveroll, Head de Gestão de Renda Variável Brasil e Latam da Schroders, falou sobre a velha e a nova bolsa brasileira dentro de um viés ASG e quantitativo. “Falarei de três pontos são parte dos nossos processos de investimentos e essenciais. O primeiro deles é a nova economia”. Segundo ele, a nova economia gera crescimento, impacto, lucratividade e sustentabilidade, empresas inovadoras estão mudando a forma de consumo no Brasil.

“Dentro desse grupo de nova economia, temos ainda saúde a custos mais acessíveis, acesso a internet a saneamento, e muitas empresas estão retirando barreiras de entrada de novos negócios para diminuir preços. Muitos modelos de negócios no Brasil tem um dinamismo forte, mas é importante saber selecioná-los e investir”, destacou Riveroll. Ele ressaltou que na bolsa brasileira há uma exposição pequena a essa nova economia.

Segundo ele, com o uso big data, ou análise de dados, há maior convicção em relação às teses de investimento. “O acesso a dados é fundamental competitivamente entre os gestores”. No modelo quantitativo de alocação e controle de risco, Riveroll demonstrou como são selecionados países, por exemplo, na composição do portfólio de um fundo de investimento. “Em vez de otimização, é usada uma abordagem de alocação simples, do pior para o melhor”.

Na abordagem ASG em escala global, a visão de Riveroll sobre sustentabilidade está direcionada a retornos. “Buscamos boa gestão e bons fundamentos do negócio usando duas ferramentas principais: a primeira incorpora todos os dados em termos de relatórios e mede controvérsias; e a outra faz uma análise de portfólios que incorpora custos e benefícios gerados para a economia”, complementou.

Pix e Revolução nos Meios de Pagamento

O último painel do dia contou com uma apresentação sobre um tema que está em pauta no momento, diante da avalanche de inovações nos meios de pagamento do Brasil: o Pix. “O processo de pagamentos faz parte do dia a dia das entidades e dos participantes, e isso impacta diretamente nosso sistema”, disse Luiz Paulo Brasizza, Diretor de Investimentos da Volkswagen Previdência Privada e Diretor Vice-Presidente da Abrapp, moderador o painel. “Temos que tratar isso inclusive pensando na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), pois trataremos de dados extremamente importantes”, destacou. “Certamente teremos que adequar nosso sistemas à essa nova realidade”, ressaltou Brasizza.

Angelo J. Mont’alverne Duarte, Chefe do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central, destacou todo o processo de mudança do sistema financeiro até se chegar no Pix, que é um projeto do BC junto ao setor privado. “O Banco Central iniciou, recentemente uma série de projetos que estão ficando maduros nesses últimos anos para se ter um sistema financeiro mais eficiente. O Pix é um dos principais, mas há outros, como open banking, que está em andamento”, disse. “O objetivo é trazer mais eficiência e mais competição também, viabilizando que instituições financeiras consigam competir em escala menor”.

Ele explicou qual é o contexto do novo ecossistema de meios de pagamento. “Apesar da digitalização ser forte, com transferências bancárias e cartões, havia lacunas, e uma delas era o tempo em que as transações se dão. Em vários desses meios de pagamento, com cartões, boletos e transferências, há uma demora para que recursos sejam transferidos do pagador ao recebedor”, citou, falando ainda sobre o desenho mais enxuto do Pix em que instituições se conectam a essa plataforma sem intermediários. “Por fim, o papel moeda, ainda muito utilizado no Brasil, é um meio de pagamento ineficiente e muito caro. Qualquer redução do papel moeda trará um retorno à sociedade muito grande”.

Angelo citou as sete características que tornam o Pix único: velocidade, disponibilidade, segurança, conveniência, multiplicidade de casos de uso, informações agregadas, e ambiente aberto. “No Pix, os recursos transitam de uma conta para outra em poucos segundos”, disse. “Além disso, o Pix é um sistema construído do zero, sem legado, e traz uma série de características de segurança modernas”. Os casos de uso abrangem tanto pagamentos de governo quanto outros tipos de pagamento. O ambiente aberto permite ainda que um leque maior de instituições possam operar nesse novo meio de pagamento. “Já temos 980 instituições em processos de adesão ao Pix”.

O Banco Central vê a questão tecnológica como indutor de inovação, bancarização e competição, sem perder de vista a estabilidade do sistema, gestão prudencial e sigilo bancário, ressaltou Angelo. “A LGPD é mais uma camada que se põe à respeito dos dados pessoais”, complementou. O Pix estará em funcionamento pleno a partir do dia 16 de novembro.

Inovação – Em seguida, dois representantes do Hupp, hub da previdência privada organizado pela Abrapp e Conecta em parceria com a LM Ventures, fizeram apresentações sobre suas soluções em meios de pagamento: Piero Contezini, CEO e Fundador da Asaas, e Lucca Freire, Sócio da Trampolin.

A Asaas atua como instituição financeira com um atendimento que permite o pequeno cliente consiga acessar serviços financeiros que antes não teria acesso. O principal objetivo da Asaas é simplificar a cobrança de empresas por meio de automatização e disponibilização links, além de personalizar faturas de cobrança e oferecer meios de pagamento, que será facilitado com Pix, dando maior acesso a população que não é bancarizada. “O Asaas tem uma visão de tornar o recebimento de dinheiro algo muito fácil, de forma automática”, explicou Piero Contezini.

Já a Trampolin, plataforma de banking que fornece infraestrutura tecnológica para empresas que querem oferecer serviços financeiros aos seus usuários finais, oferece suporte técnico para quem quer construir e escalar experiências financeiras aos seus clientes, de APIs ao regulatório, oferecendo estruturas white label. “O banking é um complemento para a previdência. É uma grande oportunidade de abrir portfólio de produtos e serviços para os clientes da previdência privada”, disse Lucca Freire.

Rodada de Negócios – Com apresentações de cases e produtos, durante uma hora, os participantes do evento tiveram oportunidade de ver pitches de gestores e empresas especializadas em 20 estandes virtuais da área de exposições do centro de eventos online. Os pitches comerciais ocorreram simultaneamente, com duração de 15 minutos cada. Veja o tema de cada pitch:

 

  • XP INVESTIMENTOS » Como proteger capital em um ambiente que exige maior alocação em risco?
  • CAPTALYS ASSET MANAGEMENT » Fundos de Investimento da CAPTALYS em PRIVATE DEBT
  • CA INDOSUEZ WEALTH MANAGEMENT » Crédito Privado e suas oportunidades
  • KADIMA ASSET MANAGEMENT » Conhecendo os pioneiros da gestão quantitativa no Brasil
  • SULAMÉRICA INVESTIMENTOS » ESG e oportunidades que transformam: Fundo Total Impacto
  • VINCI PARTNERS » A Construção de Fofs Utilizando um FIA como Consolidador
  • AVIVA INVESTORS » AVIVA – ESG na Gestão Ativa de Crédito
  • SCHRODERS » ESG na gestão de Investimentos em Ações
  • PERFIN INVESTIMENTOS » A euforia dos IPOs
  • SPARTA INVESTIMENTOS » Renda Fixa pós fixada ou atrelada à Inflação? Na Sparta temos ambas soluções, venha conhecer.
  • CLEARBRIDGE » Como escolher a estratégia de Renda Variável Global mais adequada a entidade de Previdência Complementar
  • J.P. MORGAN ASSET MANAGEMENT » Diversificação global: essencial para seus resultados
  • TAG INVESTIMENTOS » O que você tem feito com a gestão estratégica da sua carteira?
  • BNP PARIBAS ASSET MANAGEMENT » Importando soluções de investimentos ao redor do mundo
  • MAG INVESTIMENTOS » Estratégias Globais Sustentáveis em Ações da Aegon Asset – O Portfólio Sustentável de Alta Convicção!
  • INDIE CAPITAL » Filosofia Indie de Investimentos
  • I9 ADVISORY » Outsourced Chief Investment Officer: gestão de recursos alinhada ao passivo atuarial e objetivos de retorno
  • FRANKLIN TEMPLETON » Investindo em inovação no exterior e em crédito no Brasil
  • MAUA CAPITAL » Geração de Alpha em Mandatos Enquadrados
  • STEP STONE GROUP » Por quê Private Equity?

Ainda dá tempo de participar da Rodada de Negócios que acontecerá nesta sexta-feira, dia 16 de outubro, programada para iniciar a partir das 10h20. Cada pitch tem lotação máxima; se programe com antecedência.

Acompanhe a cobertura do evento no Blog Abrapp em Foco.

O 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. O evento conta com patrocínio Black da XP Investimentos; Ouro da Aditus, Aviva Investors, BNP Paribas Asset Management, Indosuez Wealth Management, Captalys, ClearBridge Investments, Hancock Asset Management Brasil, Indie Capital, J.P. Morgan Asset Management, Kadima Asset Management, MAG Investimentos, Perfin Asset Management, Schroders, Sparta Fundos de Investimento, Sulamérica Investimentos, TAG Investimentos, Vinci Partners; Bronze da Franklin Templeton, i9Advisory Consultoria Financeira, Mauá Capital, StepStone; e apoio da ARX.

Patamares de juros baixos ou negativos impõem desafios para gestão de ativos e passivos

Patamares de juros baixos ou negativos impõem desafios para gestão de ativos e passivos

O ambiente desafiador para as políticas de investimentos das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) em um cenário de juros baixos foi o tema tratado no Painel 2 do 9º Seminário Gestão de Investimentos realizado nesta quinta-feira, 15 de outubro. 

Keite Bianconi, Diretora Suplente da Abrapp e Diretora de Investimentos do Metrus realizou a moderação do painel que levou o título de “Política e gestão de investimentos em ambiente de juros baixos”. “É muito importante definirmos onde estamos e para onde vamos para enfrentar os enormes desafios dos cenários futuros”, disse. 

O evento reúne mais de 700 participantes no centro digital de eventos do Grupo Abrapp (leia mais sobre abertura e Painel 1). Na sequência, o Painel 3 abordou o “Mercado de títulos públicos e solvência dos planos”, que também analisou o impacto do cenário de juros baixos ou negativos sobre a gestão dos passivos (leia mais abaixo). 

Guilherme Benites, Sócio Diretor da Aditus Consultoria, admitiu que muito daquilo que os consultores e gestores tinham pensado para 2020, saiu totalmente diferente. “Foi um ano meio torto, ninguém previa a chegada da pandemia. Houve aceleração do movimento de muita coisa que vinha antes, com a forte redução dos juros e um cenário de crescimento baixo a moderado”, comentou. 

O consultor mostrou que ainda persiste uma alocação em renda variável tímida, com uma média de 10% do patrimônio das EFPC – no caso dos clientes da consultoria. Contou que o que está surpreendendo positivamente é a ampliação dos investimentos no exterior. Antes a parcela dos ativos internacionais nas carteiras das fundações eram mínimos, entre 0,4% e 0,6%, quase um traço, e agora saltaram para 1,8% na média. 

“Houve a triplicação da alocação no exterior. Está certo que houve impacto positivo do câmbio na valorização das carteiras, mas não foi só isso. Houve também ampliação da alocação”, explicou Benites. Ele indica que o movimento traz uma posição mais confortável para ampliar a Bolsa doméstica, pois existe uma correlação negativa entre as duas classes de ativos.

Impactos da pandemia – Segundo Benites, há quatro pontos de destaque no novo cenário: a forte redução dos juros nominais e reais; a migração dos investidores institucionais e pessoas física para classes de maior risco; a maior diversificação e maior complexidade das carteiras; e a necessidade de revisão de fatores como custeio e metas atuariais.

Diante do cenário, o consultor recomenda a maior utilização de gestão ativa de renda fixa e de Bolsa, com vistas à maior diversificação das carteiras. “O nome do jogo agora é a diversificação. Porém, é interessante trazer maior proteção para as carteiras, com a a realização de seguros, para acompanhar a ampliação dos riscos”, indicou Benites. Ele apontou que o uso de derivativos e COEs (Certificados de Operações Estruturadas) são dois ativos que podem ajudar na proteção das carteiras.

Tolerância ao risco – Em sua apresentação, Francisca Brasileiro, Estrategista do time de Investidores Institucionais da TAG Investimentos, indicou que o grau de tolerância ao risco deve ser um dos parâmetros principais da construção e implementação da política de investimentos. “É preciso assumir limites de risco adequados para buscar um nível compatível. É importante olhar para a ponta de baixo do nível de risco e perguntar se está aderente às metas dos planos”, disse a especialista.

Na discussão das políticas, Francisca ressaltou o olhar voltado para o orçamento de VOL e defendeu a importância de estressar os modelos considerando os cenários mais pessimistas. Explicou que não basta apenas considerar o modelo de fronteira eficiente. Segundo esse modelo, com certeza haverá a indicação para o aumento da exposição às classes de maior risco. Disse ainda que é fundamental definir o plano de implementação com maior foco no timing para a alocação em classes de maior risco.

Para fechar sua apresentação, citou a inspiração da surfista brasileira Maya Gabeira, recordista mundial em ondas grandes. A surfista diz que além da coragem para correr riscos, o segredo é o preparo prévio. Francisca disse que para “surfar em tsunamis” que aparecem no caminho dos gestores de recursos de EFPC, também é fundamental a preparação anterior privilegiando a análise de risco. 

Juros negativos – Fernando Lovisotto, CIO da Vinci Partners mostrou que, nos próximos 12 meses, teremos provavelmente juros reais negativos pela frente. “O juro não será apenas baixo, mas negativo na curva curta. Na curva longa será positiva, mas ainda baixo”, disse o especialista. 

Com o advento da pandemia e a deterioração da relação Dívida-PIB, se os juros voltarem a subir, isso não deve ocorrer em uma amplitude muito grande para evitar o aumento do risco de insolvência. Então, o cenário futuro será ainda mais desafiador devido à perspectiva de retorno da pressão inflacionária. Segundo Lovisotto, o segredo para enfrentar os desafios será navegar muito bem nas classes de ativos com maior diversificação. De acordo ao gestor, a classe mais recomendada neste momento é a de ativos no exterior com a realização de proteções adequadas. 

“As fundações ainda têm uma baixa alocação nesta classe. Os investimentos no exterior permitem o acesso a maior amplitude de opções de setores e empresas, como por exemplo, de tecnologia. A pandemia acentuou a valorização destacada das empresas de tecnologia que ainda são escassas na Bolsa doméstica’, comentou. Com os investimentos no exterior é possível acessar uma ampla gama de empresas de tecnologia. Outra vantagem é o acesso à exposição cambial. 

Marcelo Rabbat, Sócio Responsável da área de Investidores Institucionais da Vinci Partners, disse que o caminho mais trivial para o aumento da alocação em maior risco é a renda variável doméstica. “A Bolsa doméstica é o mais trivial, é o que o investidor conhece melhor”, comentou Rabbat. Ele também indicou a importância para a utilização de ferramentas de proteção dos ativos.

O gestor da Vinci falou sobre as vantagens da utilização do veículo FIA – Fundo de Investimentos em Ações – como consolidador da renda variável. Para ele, o FIA é mais adequado que o veículo FIC – Fundo de Investimentos em Cotas. O FIA permite a utilização de um nível de caixa de até 33% do patrimônio, além da compra de determinadas proteções. Já o FIC não permite a utilização de nível maior de caixa. “A utilização de caixa é uma das proteções mais eficientes que conhecemos e o FIA oferece essa possibilidade”, explicou Rabbat. 

Seminário de Investimentos Painel 3

Tesouro Nacional – O Presidente do Conselho Gestor do ICSS, Guilherme Velloso Leão, abriu o Painel 3, introduzindo a questão que os prêmios dos juros dos títulos públicos já não remuneram a carteira das EFPC com o retorno suficiente para superação das metas atuariais. E informou sobre os estudos de Grupo de Trabalho da Abrapp que se debruça para analisar e propor mudanças na Resolução CNPC nº 30/2018. 

O painel contou com apresentação de Helano Borges Dias, Gerente de Estratégia da Dívida Pública do Tesouro Nacional, que alertou para a aceleração do endividamento ocorrido neste ano atípico do advento da pandemia de Covid-19. Disse que os acontecimentos do período recente de crise e de aumento dos gastos públicos gerou dificuldades para a manutenção das metas de alongamento do prazo da dívida pública. 

Apesar disso, o Tesouro realiza um processo de monitoramento de risco de vencimento dos títulos, segundo o técnico da instituição. O processo de alongamento do vencimento da dívida tinha indicadores positivos até 2015, mas passou a se desacelerar nos últimos anos. O encurtamento dos prazos da dívida sofreu forte pressão, segundo Helano, durante o ano de 2020 com a pressão dos investidores em busca de maior liquidez. “Teremos um grande trabalho para recolocar a dívida dentro dos parâmetros almejados”, comentou.

Um fator positivo para o risco de insolvência foi a própria redução da taxa Selic acentuada neste ano. “Houve forte redução do custo de carregamento da dívida”, disse. Ele mostrou dados que apontam que as EFPC possuem atualmente 11% do total da dívida pública federal (R4 449 bilhões) – segundo dados de agosto de 2020. Ficam atrás apenas das instituições financeiras (27%) e dos fundos de investimentos (27%). 

Ele apontou que um dado importante é que os títulos públicos das EFPC são 87% indexados à inflação, com perfil predominante de prazos mais longos. Diferente é a posição das EAPC (entidades abertas) cujas carteiras são formadas predominantemente por títulos de prazos mais curtos. 

Regras do passivo e solvência – Sílvio Rangel, Consultor da Mercer Brasil e membro do GT da Abrapp de Revisão da Resolução CNPC nº 30/2018, disse que apesar da melhoria das premissas conjunturais da crise da pandemia, um outro fator que já vinha pressionando anteriormente as entidades e seus planos de benefício definido (BD), acabou se agravando. Trata-se das taxas de juros do mercado que vêm atingindo os menores níveis históricos.

Ele mostrou gráficos que apontam a tendência de queda global dos juros nos mercados internacionais no período de 1985 até hoje. A queda dos juros no Brasil é mais recente, começou em 2009, mas foi acentuada no período dos últimos 5 anos. Neste sentido, a Abrapp formou um Grupo de Trabalho para estudar e propor mudanças na Resolução CNPC nº 30. O grupo foi constituído inicialmente para avaliar o impacto da crise e da pandemia sobre a solvência dos planos. Mas com a forte recuperação verificada entre os mesmos de maio a setembro, o grupo mudou o foco para a revisão das premissas atuariais. 

“O risco de solvência dos planos passa agora a ter outra origem, que é justamente o patamar muito baixo dos juros do mercado. Já estamos considerando a possibilidade de juros reais negativos também para o Brasil, seguindo a tendência verificada em diversos países”, comentou Sílvio. O consultor explicou que a queda brusca e persistente dos juros torna iminente o risco de reduções importantes e estruturais das taxas dos planos. O problema é que ocorre um descolamento expressivo das taxas parâmetros dos planos em relação às taxas praticadas pelo mercado. 

Neste sentido, o GT da Abrapp adota agora um enfoque com uma abordagem estrutural da queda dos juros. Diante dessa perspectiva, o grupo prevê que será necessário realizar mudanças nas regras de solvência. Para isso, está realizando simulações e estudos que estão em fase final de desenvolvimento. “É um cenário bastante desafiador e teremos de propor mudanças. Temos a necessidade de construir consenso”, comentou Sílvio. 

As mudanças nos parâmetros das regras atuariais têm o objetivo de rever critérios de fixação do teto e piso em um cenário que se precisa tomar mais risco. Uma das propostas visam permitir maior descolamento do teto do corredor. Também será proposta a modificação do limite de solvência tanto em relação ao duration quanto à taxa de mercado. Outro ponto analisado é a proposta de mudança nos prazos de equacionamento de déficits entre outras questões. 

Resiliência – O Diretor de Orientação Técnica e Normas da Previc, José Carlos Chedeak, retomou a apresentação sobre os impactos da pandemia e da crise sobre as EFPCs. Com base em dados do Relatório de Estabilidade Previdenciária (REP) da autarquia mostrou que, apesar do forte impacto nos meses de março e abril, o sistema conseguiu se recuperar rapidamente nos meses seguintes. 

“As EFPC passaram de forma tranquila pela pandemia, com medidas adequadas de mitigação de riscos. Isso denota melhoria na governança das entidades”, disse Chedeak. O Diretor da Previc disse que o sistema demonstrou forte resiliência para passar praticamente ileso na crise. Apesar disso, ressaltou a dificuldades que estão por vir pela frente na gestão dos recursos e a necessidade de ajustes dos planos. 

“A virada da chave é que não existe mais ativos que conciliam rentabilidade, liquidez e segurança. Será necessário buscar maior diversificação das carteiras com maiores alocações de risco. Isso exige maiores controles e procedimentos mais robustos”, apontou Chedeak. Ele disse que já percebe maior apetite das fundações por investimentos no exterior, renda variável e multimercados.

Indicou também que a Previc espera mudanças nas políticas de investimentos e ajustes nas premissas atuariais dos planos. E ressaltou as recentes mudanças regulatórias, com destaque para a Resolução CNPC nº 37/2020, que trouxe novas regras para a marcação dos títulos de renda fixa e a CNPC nº 32, de comunicação e transparência.

Acompanhe a cobertura do evento no Blog Abrapp em Foco.

O 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. O evento conta com patrocínio Black da XP Investimentos; Ouro da Aditus, Aviva Investors, BNP Paribas Asset Management, Indosuez Wealth Management, Captalys, ClearBridge Investments, Hancock Asset Management Brasil, Indie Capital, J.P. Morgan Asset Management, Kadima Asset Management, MAG Investimentos, Perfin Asset Management, Schroders, Sparta Fundos de Investimento, Sulamérica Investimentos, TAG Investimentos, Vinci Partners; Bronze da Franklin Templeton, i9Advisory Consultoria Financeira, Mauá Capital, StepStone; e apoio da ARX.

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