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Palestra sobre abertura para novas possibilidades marca encerramento de Encontro de Estratégias

Palestra sobre abertura para novas possibilidades marca encerramento de Encontro de Estratégias

A importância da abertura para novos conceitos e novas possibilidades nos negócios – e na vida – foi o tema que marcou a palestra de encerramento do 2º Encontro de Estratégias e Criação de Valor na última sexta-feira, 2 de outubro. ​Maurício Benvenutti, Sócio da StartSe, compartilhou sua visão e aprendizados tendo sua vida virada de cabeça para baixo ao decidir ir morar no Vale do Silício. Nascido em Vacaria, uma cidade de 66 mil habitantes no Rio Grande do Sul, ele é formado em sistema de informação e em Porto Alegre conseguiu um bom cargo e posição profissional, mas em certo momento da sua vida, aos 26 anos de idade, achou que sua vida estava conveniente demais. “Em meio a essa autoanálise, recebi o convite dos fundadores da XP para entrar no business, que estava iniciando, de expansão para o Brasil, passado a ser sócio da empresa”.

A história da XP deu certo, e Maurício atribui o sucesso da empresa ao fato de que os sócios não tinham medo de errar, e sim medo de não tentar. “Eu agrego valor a ambientes bagunçados, eu fiz o que tinha que fazer na XP”. Em 2015, Maurício foi para o Vale do Silício, e lá ele percebeu que muitos negócios que nascem são criados e geridos com meios e métodos muito diferentes do que conhecia. “Foi muito representativo, pois me vi começando minha trajetória profissional, e ficou claro que o que havia me levado até ali foi ótimo, mas se eu não abrisse minha cabeça para conceitos novos, eu ficaria para trás”.

Novos conceitos – Assim, ele entrou no universo de aceleradoras e startups, se tornando sócio da StartSe. “Comecei a montar toda a estrutura no Vale do Silício e a conectar empresas no ambiente do Vale”. Quando ele chegou no Vale do Silício, ele diz que duas informações fizerem sua mente explodir. A primeira delas foi através de um estudo de 2016 da McKinsey sobre empregos. “Hoje, 53 bilhões das horas trabalhadas são em empregos que exigem habilidades cognitivas básicas, que são basicamente aprender, lembrar e executar. Essas hora devem diminuir 14 horas, bem como deve diminuir demanda de empregos que exigem habilidades físicas e manuais, enquanto a demanda por empregos que envolvem habilidades sociais, emocionais e tecnológicas vai aumentar. Esse estudo serve como instrumento para precificar o que se apresenta quando falamos em futuro do trabalho”.

Segundo ele, haverá cada vez mais demanda maior por competências cada vez mais humanas, emocionais, empatia, e na outra frente, o desenvolvimento da consciência tecnológica. Maurício ressalta como a tecnologia pode potencializar o que é feito hoje. “Se desenvolver tecnologicamente para ser um conhecedor desse mundo é fundamental nos dias de hoje”. Outra informação que chamou atenção é a que 65% das crianças do atual primário vão trabalhar em atividades que ainda não existem, segundo uma análise do Fórum Econômico Mundial. “O que fazer diante desse cenário que tende a se tornar cada vez mais realidade no mundo?”, questionou. “Tudo isso está chegando e faz com que o emprego dos sonhos de muitos jovens não existam mais em 10 anos. Para eu me manter um profissional relevante no que eu faço, terei que ser um eterno aprendiz, ou seja, estudar pra sempre”, destacou.

Habilidades – Diante dessas mudanças, Maurício separou cinco habilidades que ele observa em pessoas e profissionais, em pesquisa feita no Vale do Silício durante três anos para verificar se, além do ramo de atuação, havia traços em comum que os profissionais de lá possuíam, e as cinco competências em comum que ele verificou são:

1) Causar impacto – “Para causar impacto nos dias de hoje, nunca foi tão importante e necessário ter propósito. Qual a razão que faz você levantar todo dia para fazer alguma coisa?”, questionou. “Quando você tem um propósito vivo, fresco, e trabalha com esse propósito, você o compartilha com as pessoas. Para causar impacto, você precisa melhorar a qualidade de vida das pessoas em algum aspecto. Tem que ser relevante; corrigir o errado, ou seja, melhorar o produto, corrigir a própria falha rapidamente; e prolongar o certo”. Maurício reforçou que para chegar nisso, é preciso se cercar de talentos. “Eu construo um time e o time que eu tenho dita a empresa que eu sou”. Ele disse ainda que tecnologia é apenas um commodity, e o maior valor da empresas está nas pessoas.

2) Olhar a próxima curva – Ele contou a história de colheita de gelo, que evoluiu para a fábrica de gelo, e mais de 50 anos depois, foi inventado o refrigerador. “Nenhum colhedor de gelo se transformou numa fábrica de gelo, e nenhuma fábrica de gelo se transformou numa fábrica de refrigeradores, pois as pessoas se apegam ao produto”. Portanto, Maurício indiciou sempre saber criar um produto melhor em cima de seu próprio produto para continuar em um bom posicionamento no mercado.

3) Questionar – Maurício indicou ainda questionar o que se sabe, saindo do lugar comum para poder gerar mudanças. “O que cria memórias são novas experiências. O que faz sua marca ficar constantemente na cabeça das pessoas é constantemente oferece grandes experiências. O questionamento faz você criar novas soluções, que faz você criar novas experiências, o que faz com que sua marca fique na memória das pessoas”.

4) Fazer com as pessoas – “Não se faz mais algo para as pessoas, se faz com as pessoas, e isso nunca foi tão possível como nos dias de hoje”, disse. Segundo ele, se as pessoas passarem a acreditar no que você acredita e a amar o que você ama, elas passam a compartilhar mesma visão que você.

5) Ser diverso – Maurício alertou que ao conversarmos e convivermos todo dias com as mesmas pessoas, provavelmente teremos as mesmas ideias. “No Vale do Silício, metade da população nasceu fora dos Estados Unidos, ou seja, é muita nacionalidade, pessoas, valores e princípios diferentes. O Vale, enquanto sociedade, tinha tudo para dar errado, pois tem muita diversidade em todos os sentidos. Mas dá certo, porque a sociedade entende o valor dessa diversidade, abraça suas diferenças e a usa a seu favor”, disse. Ele falou ainda que seus dias são dedicados a conhecer pessoas diferentes. “É impressionante como a gente evolui quando se permite conservar e conviver com uma pessoa independente de qualquer condição. Conhecer pessoas é uma escola”.

Ele reiterou que a tecnologia não está nessa lista, pois o que faz um negócio são as competências e as atitudes. “A grande onda de inovação que vamos viver nos próximos anos é a inovação de pessoas”, complementou.

Encerramento – Enquete realizada durante o Encontro perguntou aos mais de 450 participantes on-line do evento qual o sentimento, após esses dois dias de verdadeira imersão neste mundo novo, para o futuro da previdência complementar, e 80% responderam estarem otimistas e saírem empolgados do evento, com muitas ideias para executar, querendo ser um agente e fazer parte dessa mudança; 19% dizem sair neutros do evento, acreditado que os novos produtos e expansão dos planos família trazem oportunidade grande, mas ainda com dúvidas sobre o quanto a mudança será possível; e apenas 01% vê o cenário pessimista e a proposta de mudança como algo radical.

Diante do feedback, Marisa Santoro Bravi, Secretária Executiva da CT Estratégias e Criação de Valor, destacou o quanto foi assertiva a proposição de conteúdo do evento. “Estamos aqui para seguirmos juntos e na mesma direção. Nesse dia de imersão, com tantos conteúdos importantes e aos aprender com esse time de palestrantes e feras em conhecimento, é possível constatar que temos muito a realizar”, disse. Segundo ela, o evento proporcionou verdadeiras aulas sobre o que é preciso ser feito e como se adaptar e dar o primeiro passo.

Ela fez um resumo do segundo dia de evento. “As talks de valor proporcionaram aprendizados e deixaram um gostinho de quero mais”, destacou. Saiba mais sobre as talks que ocorreram na manhã da sexta-feira que abordaram fake news; desmistificação da maturidade; costumer e success experience; raio-x do investidor brasileiro; e Resolução CNPC nº 32; e ONG Meu Propósito.

Ela ressaltou ainda o painel ​”Da Live à Adesão Online: Gestão Digital da Comunicação e do Relacionamento”, com ​Claudia Janesko, Superintendente Executiva da Conecta; Rafael de Paula Souza, Co-Founder & CEO do Ubots; ​Marcelo Vital, Head of Sales da Asaas; André Coelho, Founder & CEO da Saffe; e ​Carla Pedroso Tassini, Coordenadora de Relacionamento e Comunicação da Visão Prev (leia mais).

Marisa ainda comentou a apresentação do painel “Muito Além do Atendimento: Consultoria Previdenciária e o Novo Olhar sobre Reserva de Emergência”, que mostrou a importância de implantação de estudos e abertura da mente para a cultura comercial dentro das EFPC. O painel teve como palestrantes ​Lúcio De Carli, Consultor, Professor MBA e Diretor do Instituto do Consumo; ​Rodrigo Sisnandes Pereira, Presidente da Fundação Família Previdência; e ​Nilton Cesar da Silva, Diretor de Seguridade do Sebrae Previdência (veja aqui).

Por fim, Marisa ressaltou a palestra de ​Maurício Benvenutti, Sócio da StartSe, que deu um overview de como é possível fazer essa inovação com foco no propósito acontecer, tendo impacto e conhecendo pessoas. “Nós podemos sair dessa zona de conforto que nós nos instalamos. O nosso papel nas nossas entidades é cuidar de pessoas e estar ao lado delas nas diversas fases da vida”. Após seus agradecimentos, Marisa encerrou o evento deixando uma mensagem. “Nossa missão é entregar, fazer com que os outros consigam encontrar, orientar, esclarecer, e assim, ao permitir que o outro consiga ter uma vida mais digna e mais feliz, nós estaremos promovendo nossa própria felicidade”, concluiu Marisa.

O 2º Encontro Nacional de Estratégias e Criação de Valor tem o Patrocínio Ouro de Base Viral, MAG, mLabs e Startse; e Patrocínio Prata da Maturi.

Participante do Hupp, Asaas é uma das semifinalistas do Startup Awards

Participante do Hupp, Asaas é uma das semifinalistas do Startup Awards

A Asaas, uma das startups selecionadas para o Hupp, hub de previdência complementar organizado pela Abrapp em parceria com a Conecta e a LM Ventures, é uma das semifinalistas do Startup Awards, principal prêmio de startups do país organizado pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups). O prêmio, que chega a sua oitava edição, tem como objetivo reconhecer os profissionais e empresas mais influentes do setor, com 10 indicados em 15 categorias, sendo que a Assas concorre na categoria Startup do Ano.

Após votação realizada por membros da Academia Abstartups, três finalistas de cada grupo serão divulgados no dia 15 de outubro, e a premiação que anunciará os vencedores será no dia 23 de outubro, durante o CASE Startup Summit 2020, maior evento da América Latina 100% focado no segmento de startups, realizado pela Abstartups, pela Associação Catarinense de Tecnologia, e pelo Sebrae Nacional.

A Asaas possui 140 pessoas em um time focado em desenvolvimento, inovação, tecnologia, e no cliente. “Apesar de sermos uma startup, temos uma operação bastante madura”, diz Marcelo Vital, Head de Vendas e Novos Negócios da Asaas. Marcelo participará nesta sexta-feira, 2 de outubro, de um dos painéis do 2º Encontro Nacional de Estratégias e Criação de Valor da Abrapp discutindo gestão digital da comunicação e do relacionamento junto a Claudia Janesko, Superintendente Executiva da Conecta; Rafael de Paula Souza, Co-Founder & CEO do Ubots e André Coelho, Founder & CEO da Saffe, startups participantes do Hupp; e Carla Pedroso Tassini, Coordenadora de Relacionamento e Comunicação da Visão Prev.

Marcelo conta que a Asaas está passando por um momento interessante, sendo indicada, além do Startups Awards, considerado o Oscar das Startups do Brasil, para o RA1000, selo criado com o objetivo de destacar as empresas que possuem excelentes índices de atendimento no Reclame Aqui. “O trabalho que estamos fazendo para atender o cliente mostra que estamos entregando a solução para a necessidade dele. Para estarmos concorrendo ao Startups Awards, estamos no caminho certo, entregando valor ao pequeno e microempreendedor”, destaca.

Asaas – A Asaas atua no segmento financeiro, sendo uma fintech homologada pelo Banco Central com 10 anos de atuação e mais de 30 mil clientes em todo o Brasil. “Somos uma plataforma de automação de cobrança em meios de pagamentos. Somos vistos como uma instituição de inclusão social, pois damos oportunidades ao não bancarizado de ter soluções financeiras não somente para ele, mas também para o microempreendedor”, explica Marcelo.

O principal core da Asaas é o micro e pequeno empreendedor, garantindo soluções para que, no momento que eles estiverem iniciando suas operações, não dependam de um banco. “Fizemos a plataforma pensando nisso, mas também para ajudá-los a receber. Hoje temos cobranças que podem ser feitas via boleto, cartão de crédito, depósito, e regras que ajudam de forma automatizada a pagar uma certa conta. Também trabalhamos com a negativação no Serasa”, conta.

Hupp – A Asaas está entre as 17 startups selecionadas para o Hupp, e Marcelo conta que a equipe está bastante animada em fazer parte dessa nova etapa da Abrapp. “Entendemos que as entidades estão com uma pegada forte em inovação, buscando soluções, abertos, com ideias novas, e com a experiência que eles possuem será uma troca bastante rica”, diz. “Pra gente é tudo muito novo, essa parte de previdência é algo que vamos aprender bastante, mas apesar de sermos uma plataforma de pagamentos, temos muitas categorias de negócios que atendemos. Estamos animados, porque vemos a aderência com as necessidades das entidades”.

2º Encontro de Estratégias e Criação de Valor: Últimos dias para se inscrever

2º Encontro de Estratégias e Criação de Valor: Últimos dias para se inscrever

Garanta sua vaga no 2º Encontro Nacional de Estratégias e Criação de Valor, que ocorre nos dias 1 e 2 de outubro, das 9h30 às 17h30. Com o tema “Novos Tempos: Caminhos Para Inovar #juntosnamesmadirecao”, o evento abordará um novo modelo de negócios das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) e seus reflexos na forma de vender, comunicar e se relacionar com os clientes e stakeholders. O Encontro abordará a inovação na construção de um novo posicionamento das entidades onde, além de provedoras de soluções previdenciárias, atuam no aconselhamento financeiro com foco no ciclo de vida e onde a cultura comercial é instalada por toda a organização, quebrando tabus de vendas e marketing digital.

Na abertura do evento, Luís Ricardo Martins, Diretor Presidente da Abrapp, e Rodrigo Sisnandes Pereira, Diretor Executivo e responsável pelo Colégio de Coordenadores de Estratégias e Criação de Valor da Abrap, falarão sobre esses novos tempos, e em seguida haverá um momento de reflexão sobre uma nova proposta de valor com ​Devanir Silva, Superintendente Geral da Abrapp, e ​Nilton Molina, Presidente do Conselho de Administração da MAG.

O Encontro terá ainda a presença de ​Andre Diamand, Ex-Presidente da ABStartups e Fundador da Sexy Canvas Academy; ​Rodrigo Noll, Especialista referência em marketing de indicação e Fundador da Base Viral; ​Alfredo Soares, Sócio da Vtex e Autor do Best Seller ‘Bora Vender’; ​Rafael Kiso, Fundador e CMO da mLabs; ​​Claudia Janesko, Superintendente Executiva da Conecta; Rafael de Paula Souza, Co-Founder & CEO do Ubots; Marcelo Vital, Head of Sales da Asaas; André Coelho, Founder & CEO da Saffe; Carla Pedroso Tassini, Coordenadora de Relacionamento e Comunicação da Visão Prev; Lúcio De Carli, Consultor, Professor MBA e Diretor do Instituto do Consumo; Nilton Cesar da Silva, Diretor de Seguridade do Sebrae Previdência; e ​Maurício Benvenutti, Sócio da StartSe.

Além disso, o evento terá momento insights/talks de valor, uma sequência de Pitchs de 20 minutos sobre os temas: O Fenômeno das Fake News, com Alline Jajah Franco, Estrategista de Marketing e Professora da ESPM e PUC-GO; ​desmistificando a Maturidade, com Mórris Litvak, Fundador e CEO da MaturiJobs; ​success Experience, com Roberto Madruga, CEO e Fundador do ConQuist Labs; ​Raio-X do Investidor Brasileiro, com Ana Leoni, Superintendente de Educação Financeira e Market Data da Anbima; ​resolução CNPC 32, com Carlos Marne Dias Alves, Diretor de Licenciamento da Previc; e ​ONG Meu Propósito, com Katharinny Bione, Presidente da ONG.

Veja aqui a programação completa do 2º Encontro Nacional de Estratégias e Criação de Valor e faça sua inscrição. O evento será realizado 100% on-line e ao vivo e a participação conta 13 créditos para o PEC. O 2º Encontro Nacional de Estratégias e Criação de Valor tem o patrocínio da Base Viral, MAG, mLabs, Maturi, e Startse.

LGPD e tecnologia como otimizadora do setor jurídico foram temas abordados no 15º ENAPC

LGPD e tecnologia como otimizadora do setor jurídico foram temas abordados no 15º ENAPC

A proteção de dados é parte integrante da configuração padrão para novos sistemas, se tornando um assunto de extrema importância. Além disso, tecnologia e inovação fazem parte fundamental do processo de mitigar riscos e reduzir custos jurídicos dentro das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). Para tratar do assunto, a Plenária 3 do 15º Encontro Nacional de Advogados das EFPC (ENAPC) ocorreu nesta terça-feira, 15 de setembro, com o tema “A Transformação Digital no Direito e LGPD”.

​Edécio Ribeiro Brasil, Vice-Presidente do Conselho Deliberativo da Abrapp e representante das EFPC no Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC), fez a abertura da Plenária e destacou que com o advento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que ainda gera muitas dúvidas, houve um olhar maior para como as entidades tratam das informações sensíveis sobre seus participantes e colaboradores. “Para a execução da sua atividade fim, que oferta benefícios de previdência, as EFPC precisam coletar, tratar e processar dados pessoais com segurança em nome da privacidade dos nossos participantes. Por isso é tão importante que identificar eventuais processos de risco e elaborar medidas que possam mitigá-los de forma a garantir a privacidade do participante”, destacou.

Em relação à transformação digital do Direito, Edécio ressaltou que a tecnologia já era algo vivido no campo jurídico. “Temos audiências e sessões de julgamentos virtuais que aconteciam anteriormente à pandemia de COVID-19 e tomam agora uma proporção enorme, dominando o judiciário em todas as instâncias, permitindo que, mesmo com distanciamento social, possa operar e continue atendendo à população”, disse.

Ele citou ainda o uso de robôs que auxiliam advogados em processos, ajudam na precisão da preparação das peças; além de assinaturas eletrônicas e documentos digitais já utilizados no setor. “A tecnologia está chegando rápido, agregando qualidade e velocidade ao setor. O que é especialmente importante em relação a esse tema é que sua evolução está ocorrendo de forma muito acelerada, e há uma falta de educação digital em todos os setores. As universidades não preparam os profissionais para isso”, destacou. Edécio ressaltou que é preciso o entendimento que essas são ferramentas imprescindíveis para garantir a qualidade do trabalho no Direito.

LGPD – ​Alan Campos Elias Thomaz, Advogado com atuação nas áreas de Tecnologia, Proteção de Dados e Cybersecurity, destacou a importância da observância da LGPD dentro das entidades apresentando alguns temas relevantes sobre a Lei que, segundo ele, é complexa e abrangente. “Todo uso da informação relacionada a um indivíduo por qualquer tipo de organização, inclusive o poder público, deve observar os requisitos da Lei Geral de Proteção de Dados. A Lei tem uma abrangência muito grande, e tratando de dados pessoais, toda a relação, seja com um participante quanto com um funcionário, está inclusa. Ela tem uma abrangência relativamente grande”, disse.

Entre os principais temas regulados pela LGPD está a transparência, a qual determina que é preciso colocar de forma clara como todos os dados sobre determinada pessoa são tratados dentro de uma organização. Alan explicou ainda que as bases legais. Precisam ser observadas. “Para cada dado que coleto e compartilho com um parceiro, eu preciso justificar uma hipótese legal”.  Outro direito assegurado é o dos titulares, no qual a LGPD consolida uma série de direitos que já existiam em relação ao uso de informação e colocam dentro da Lei.

Também é regulada pela LGPD a segurança da informação, sendo medida técnicas e administrativas, ou seja, tudo relacionado à tecnologia da informação ou treinamento de funcionários em relação a documentos confidenciais. Alan ressaltou que a legislação tem colocado sanções bastante severas pelo descumprimento da Lei, e dentro desse tema está a criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). “Teremos mais um órgão regulador que vai investigar se as organizações estão cumprindo com o que pede a LGPD para, eventualmente, aplicar penalidades. É mais uma entidade que vai atuar fazendo um enforcementdessa legislação junto a outras entidades relevantes”, destacou.

Histórico – Alan explicou no detalhe como foi o histórico da LGPD, que em agosto de 2018 foi aprovada depois de quase 4 anos de trâmite no Congresso Nacional. Inicialmente o vacatio legis, período em que a lei foi aprovada até entrar em vigor, era de 18 meses, ou seja, fevereiro de 2020. Em julho de 2019, foi proposta uma emenda criando a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, alterando também a vigência da LGPD para agosto de 2020. “No começo da pandemia, houve dois movimentos relevantes: uma Lei da COVID-19 que endereçava outras questões em relação ao novo coronavírus e determinava também que as sanções sobre a LGPD ocorressem somente em agosto de 2021, o que configura um tempo de vacatio legisde 3 anos”, disse Alan.

Ele explicou ainda que em seguida, a MP 959/20 propôs a alteração do prazo de vigência da LGPD para maio de 2021, mas no dia da votação essa data foi alterada para 31 de dezembro. “Contudo, a Medida Provisória perdeu a vigência, e voltamos para a vigência da LGPD para agosto de 2020, originalmente proposta”, destacou Alan, explicando que a vigência passou a ser retroativa em relação à aprovação da Lei, e foi dado o prazo de 15 dias para que ela entre em vigor. “Assim, a LGPD deve entrar em vigor 17 de setembro de 2020”.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados também foi aprovada e regulada, mas Alan destacou que os cargos ainda  precisam ser empossados, enfatizando que a autoridade não é operacional até o momento. “Um dos papéis mais relevantes dessa autoridade é editar normas e procedimentos sobre a proteção de dados pessoais”, disse Alan. Além disso, a ANPD pode conduzir investigações sobre o tratamento de dados pessoais, fazendo requisições sobre operações, além de interpretar, fiscalizar e aplicar sanções e zelar pela proteção de dados pessoais. “É importante que a ANPD converse com outras autoridades reguladoras de cada setor para não aplicar sanções sem entender como cada mercado funciona”, destacou.

Bases legais – Alan explicou ainda o dilema entre as bases legais e o consentimento sobre o uso de dados pessoais. “O consentimento, até então, tinha um papel central no tema de uso de dados. A LGPD muda esse paradigma e estabelece não só o consentimento como base legal, mas acrescenta outras nove hipóteses de tratamento”. Ele explicou que entre as bases está a execução de um contrato sem necessariamente ter o consentimento; cumprimento de obrigação legal; tutela da saúde; legítimo interesse, entre outras hipóteses. “O que se passa a fazer é saber se o comportamento se enquadra nas bases legais sem precisar pedir consentimento a todo tempo”, disse, ressaltando que, assim, o consentimento não é a única hipótese para tratamento de dados.

Ainda assim, ele observou a importância da transparência para que os titulares dos dados possam identificar como eles são tratados dentro das organizações, destacando a hipótese de legítimo interesse, que deve ser ponderada. “O risco de utilizar o interesse legítimo sempre vai existir. Se aquele tratamento é uma prática comum daquele negócio específico, é possível ter bons argumentos para o legítimo interesse do uso desses dados”, explicou Alan, destacando que o objetivo da LGPD é evitar excessos.

Inovação – ​O uso de ferramentas de automatização de processos por meio da tecnologia facilitam cada vez mais o trabalho dentro do setor jurídico, e para falar sobre o assunto, Adiel Rodrigues, Executivo de Customer Success da Projuris Sistemas apresentou o tema “Inovação, desafios e oportunidade no uso de tecnologias para a atividade jurídica”, explicando sobre o sistema do Projuris, que tem parceria com diversas universidade e atua como uma das startups selecionadas para buscar soluções ao sistema dentro do Hupp, hub da previdência privada organizado pela Abrapp e Conecta em parceria com a LM Ventures.

Adiel explicou que para empresas em fase inicial de aplicação da inovação, os principais desafios estão em, alguns casos, na implantação de tecnologia e sistemas, criação da cultura digital, enquanto outras empresas que para quem já tem algum sistema, o desafio é consolidar o que já conseguiu para que não se perca. “A tecnologia é para as pessoas”, ressaltou. Já para as empresas em estágio avançado, com sistemas de tecnologia implantados e operando, o desafio é dialogar com empresas e pessoas que têm dificuldades tecnológicas. Adiel ressaltou que há oportunidade para as EFPC no uso das tecnologias disponíveis para melhorar processos de atendimento, gestão, investimentos, operações administrativas e financeiras; enquanto para escritórios é possível usar tecnologias para melhorar processos internos e de atendimento às entidades.

Case – Levando um caso concreto de saneamento da base processual jurídica com uso de tecnologia,​Gabriela Paciello de Oliveira Bock, Gerente Jurídica da Petros, contou o histórico desse processo dentro da entidade, que iniciou com uma ressalva, em 2018, por limitação de escopo, focada em depósitos judiciais e recursais e exigível contingencial. “Isso foi muito sério e precisávamos atacar essa questão e recuperar um histórico dos últimos 20 anos da fundação”. Ela contou que, com a ressalva posta no balanço, foram mapeados os motivos principais andando 20 anos para trás.

Assim, Gabriela contou detalhes do mapeando dessa ressalva, que estava focada principalmente sobre a não atualização da base processual, sistemas subutilizados, ausência de padronização da classificação de risco, e falta de atualização da fase processual, entre outros motivos. “Esses foram os mais latentes que conseguimos identificar poucos dias após a ressalva, e com isso fomos a mercado buscar uma empresa de renome que utilizasse muita tecnologia para iniciar o processo de saneamento da base”, disse, enfatizando que o projeto foi multidisciplinar em parceria com o jurídico e outras áreas da Petros.

Na época, após uma seleção no mercado, a EY foi selecionada para fazer o gerenciamento do projeto. “Ela deveria sanear a base de 50 mil processos no período de 6 meses”, disse. O projeto da EY foi dividido em seis fases: planejamento e mapeamento; captura de processos jurídicos; saneamento, normalização e enriquecimento dos dados; interferência processual; revisão do modelo; e conciliação, com uma metodologia baseada em um tripé entre o contábil, jurídico e extratos. “O cronograma foi executado em 6 meses e um dos segredos de sucesso foi o envolvimento de toda a Petros, com 20 reuniões semanais durante o período, 9 reuniões executivas, 10 reuniões de Diretoria e 10 reuniões de conselhos e auditoria, 3 reuniões com a patrocinadora Petrobras e 4 alinhamentos com a auditoria”.

As frentes de trabalho que envolvem a tecnologia possibilitaram a análise de 161 tabelas de bancos de dados, 109 racionais de conciliação criados, seis lotes de conciliação contábil de 49.904 processos que foram escopo do projeto, e para cada deles foi levado um workpaper que foram imputados dentro do sistema jurídico, contou Gabriela. “Para fazer isso com grandes números, não seria possível sem ciência e engenharia de dados, estatística, desenvolvimento de software e machine learning aliados ao conhecimento jurídico”.

Gabriela contou ainda sobre a iniciativas implementadas após a execução do projeto, entre elas a integração entre os sistemas jurídicos e contábeis, sendo que a conciliação contábil passou a ser automatizada. Houve ainda a inclusão automática de andamentos e publicações no sistema jurídico e automatização, captura e cadastros de novos processos, além de redução da contingência de 2019 na ordem de mais de R$ 1 bilhão em relação a 2018. “Implementamos também a jurimetria; o business intelligence e a inteligência artificial com machine learning; além de redesenhar processos e fluxos internos e revisar procedimentos e normativos do Jurídico”, destacou.

Papel do gestor – Para Gabriela, falar de tecnologia é falar de gestão, e não necessariamente os gestores entendem da tecnologia na prática. “Eu não estudei tecnologia na faculdade de Direito. É um nicho muito específico. O diferencial é que, mesmo não tendo conhecimento aprofundado, é importante que nós, gestores, possamos abrir um leque e ver que é uma ferramenta que não substitui o advogado. Ela é complementar, otimiza e erra menos do que nós, mas é o humano que treina o computador para fazer as coisas”.

Ela destacou que é preciso uma mudança radical de cultura, mas a tecnologia visa redução de custos operacionais. “O gestor precisa se aproximar do negócio e o jurídico precisa se reaproximar da área estratégica da empresa, e para isso ele precisa de tempo. A tecnologia auxilia nesse sentido”. Gabriela ressaltou ainda os ganhos da previsibilidade, que possibilitam a arquitetura de melhores saídas. “Esse é outro benefício que a tecnologia traz para nós”, complementou.

Marlene de Fátima Ribeiro Silva, Representante dos Patrocinadores e Instituidores de Planos de Benefícios das EFPC na CRPC, destacou que os dados ganharam importante valor e evolução transversalmente. “Tudo que nós tratamos em termos de tecnologia demonstra que ser um gestor tem mais que um fator de investimento, mas inclui áreas jurídicas que tem que ser cuidadas com a mesma parcimônia”. Ela destacou o uso de ferramentas que são utilizadas para otimização não somente de uma tese, mas pelos custos e necessidade de dar uma resposta aos participantes sobre competência e austeridade para gerir o patrimônio das EFPC.

Marlene destacou que o business intelligence está transformando as empresas e é um fator fundamental dentro das organizações. “Essas ferramentas têm o propósito de nos tornar melhores. A inteligência artificial não é um inimigo ou temor da perda do nosso emprego. Temos que ver esse cenário de forma diferente, sem amadorismo”, destacou. “Devemos ter cautela, diligência e adotar os mecanismos que se fizerem necessários para deixar nosso setor em um patamar de equilíbrio, com segurança que a nova legislação traz e para que a reforma da previdência tenha um campo de aplicação, na qual temos que estar inseridos com todo esse ferramental tecnológico”.

Ministros STF, STJ e TST – Com público de mais de 400 pessoas e formato inédito 100% on-line e ao vivo, o 15º ENAPC teve início na segunda-feira, 14 de setembro, com a sessão de abertura que contou com participação do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, e do Diretor Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Marcondes Martins (leia a matéria completa). Ainda ontem, o evento contou com a Plenária 1 com participação dos Ministros do STJ, Ricardo Villas Bôas Cueva, e do TST, Alexandre Luiz Ramos (veja matéria).

Já na tarde desta terça-feira, o 15º ENAPC iniciou com a participação do Diretor Superintendente da Previc, Lúcio Capelletto; do Consultor Associado da Mercer Brasil e Consultor da Abrapp, Sílvio Renato Rangel; do Advogado e Professor da UFPR, Rodrigo Xavier Leonardo; do Sócio Sênior do Bocater, Camargo, Costa e Silva e Rodrigues Advogados, Flávio Martins Rodrigues; e foi comandada pelo Diretor Vice Presidente da Abrapp e membro da Câmara de Recursos da Previdência Complementar, Luiz Paulo Brasizza. Na Plenária, foram analisados impactos jurídicos e econômicos da COVID-19 sobre contratos e planos. Leia mais.

Com programação até o dia 16 de setembro, o evento é uma realização da Abrapp, com o apoio institucional de Sindapp, ICSS, UniAbrapp e Conecta. O ENAPC conta com patrocínio de Bocater; JCM; Linhares; ProJuris; Tôrres, Florêncio, Corrêa e Oliveira na cota ouro. Atlântida Perícias e MMLC na cota prata. E BTH e Santos Beviláqua na cota bronze.

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