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PGA é imprescindível para o fomento de novos planos de benefícios

PGA é imprescindível para o fomento de novos planos de benefícios

O Plano de Gestão Administrativa – PGA, responsável por registrar contabilmente as atividades referentes à gestão administrativa das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), pode se tornar um grande aliado das entidades para o fomento de novos planos de benefícios. Mas para isso, é preciso ter regras mais flexíveis no que diz respeito à administração de recursos, principalmente no lançamento de novos planos.

É essa flexibilização que as EFPC pleiteiam atualmente, em especial para impulsionar o crescimento de planos instituídos, setoriais e família. “A utilização de recursos do PGA é imprescindível para o fomento de novos planos de benefícios no segmento das EFPC. Para alavancar esses planos, são necessários investimentos consistentes em tecnologia e estratégias comerciais e de marketing”, diz a Diretora de Investimentos e Controles Atuariais da Mais Previdência, Letícia Ataíde (foto acima), em entrevista ao Blog Abrapp em Foco.

Em sua visão, a Resolução CNPC nº 29 restringe a utilização dos recursos em algumas rubricas, limitando estratégias que possibilitariam um avanço mais rápido no fomento aos novos planos. Além disso, o prazo de 60 meses para utilização dos recursos para fomento a um novo plano de benefícios não é suficiente, avalia Letícia. “A flexibilização do PGA facilitaria muito o fomento, trazendo um novo ‘gás’ aos planos instituídos que começaram, mas ainda não decolaram, e também incentivaria outras EFPC a constituírem novos planos”, destaca.

Para o Diretor Administrativo da Vivest, Washington Salles (foto ao lado), o PGA deve ser gerido como todos os demais planos de benefícios da entidade, visando garantir que receitas, despesas, resultados de investimentos e demais fontes e usos dos recursos administrativos estejam alinhados com a sustentabilidade da EFPC. “A regulamentação estabelece as regras gerais de gestão do PGA e do fundo administrativo, mas compete aos órgãos de governança das entidades, por meio do regulamento próprio do PGA, detalhar os principais aspectos relativos à forma de destinação ou utilização do fundo administrativo registrado no PGA”, diz.

“Isso inclui o detalhamento, dentre outros, das formas de utilização/destinação tanto para os projetos de melhoria nos processos de gestão, quanto para a cobertura de gastos com fomento, prospecção e demais ações para a implantação de novos planos de benefícios e para a preparação da infraestrutura da EFPC”, avalia Salles. “Com isso, torna-se fundamental que as EFPC passem a administrar o PGA utilizando os mesmos conceitos utilizados na administração dos planos de benefícios”, destaca o Diretor da Vivest.

Ele diz ainda que uma possível flexibilização do PGA poderia dar mais celeridade ao fomento do sistema por meio do detalhamento das formas de utilização no seu regulamento próprio, mas também através da transparência na gestão administrativa, da formalização de obrigações da administração da EFPC quanto ao alcance de metas relativas ao PGA, do acompanhamento dos indicadores e da conexão das metas do PGA com os limites de utilização no fomento de novos planos, que devem ser definidos pelos órgãos de governança das entidades.

Histórico da utilização do fundo administrativo – Até 2009, o fundo administrativo dos planos da EFPC era coletivo e consolidado, sem ter parcelas vinculadas a cada plano que a entidade administrativa. A partir de 2010, contudo, com a Resolução CGPC nº 28 e a Instrução SPC nº 34, passou-se a ter essa obrigatoriedade das entidades contabilizarem a participação do fundo administrativo dentro do plano previdencial e controlarem as despesas específicas de cada plano. Assim, as EFPC foram obrigadas a controlar os saldos dos fundos individualizados por planos, engessando a administração de recursos principalmente no lançamento de novos planos.

Geraldo de Assis Souza JrO Secretário Executivo da Comissão Técnica de Contabilidade da Abrapp, Geraldo de Assis Souza Jr. (foto ao lado), explica que o sistema se posiciona a respeito desse engessamento desde então, abrindo diálogo com a Previc para maior flexibilização das regras. “Em 2018, a autarquia deu uma pequena abertura para que entidades que tivessem com receitas maiores que as despesas e sobras administrativas as utilizassem para fins de fomento naquele exercício”, explica, dizendo que ainda assim, essa foi uma abertura tímida frente ao que se vê hoje como necessidade para alavancar o crescimento de novos planos dentro das EFPC.

Geraldo avalia que com o CNPJ por plano em vias de ser aprovado, há uma janela de oportunidade para se rediscutir a questão, principalmente sobre o reforço comercial que as entidades precisam. “O nosso segmento está crescendo a partir de planos de Contribuição Definida (CD) que não têm recurso para investimento no marketing de vendas. Esses planos constituídos agora vão gerar receita no futuro para suportar as despesas administrativas dos planos de Benefício Definido (BD) mais envelhecidos”, destaca.

Ele ressalta que a utilização desses recursos deve ser controlada pelos gestores a partir de definições de regras da própria Previc. “A CT de Contabilidade da Abrapp está trabalhando nesse tema internamente. Estamos em um momento em que planos BD têm patrimônio, mas estão sendo extintos, e o segmento vai crescer suportado pelos planos CD. Se não houver essa flexibilização, vamos inibir a criação de novos planos, e os planos BD sem fundo administrativo constituído em seu nome vão onerar o custeio dos participantes”, diz.

A expectativa é que o PGA passe a ter também um CNPJ, ficando claro que ele é o administrador dos recursos da entidade, dando maior abertura para fomento. “Enxergamos uma janela de oportunidade para que o fundo administrativo volte a ser coletivo, e não mais carimbado com a parcela de participação de cada plano de benefícios”, pontua Geraldo de Assis.

Artigo do Financial Times defende modelo de fundos de previdência corporativos

Em artigo do Financial Times (FT) publicado no Valor Econômico desta quinta-feira, 7 de janeiro, o editor Robin Harding defende um novo modelo para os fundos de previdência no mundo. O novo modelo seria baseado no licenciamento de planos de previdência que estariam abertos à adesão de trabalhadores de quaisquer empresas.

O modelo apresentado pelo editor é bastante próximo ao que é defendido pela Abrapp. “Defendemos a ideia do Plano Instituído Corporativo. Através dele, os setores empresariais teriam planos, no modelo CD, que viabilizariam as adesões individualmente . As empresas não seriam patrocinadoras, mas poderiam fazer aportes esporádicos. Vislumbro um grande potencial para o fomento da previdência complementar fechada”, diz Devanir Silva, Superintendente Geral da Abrapp.

O artigo do FT aponta que os planos atuais de aposentadoria baseados no empregador estão desatualizados. Cada vez que as pessoas mudam de emprego, entram em novos planos de previdência; planos pequenos têm custos fixos elevados. Existem economias de escala: quanto menores e mais numerosos os esquemas, mais se desperdiça e mais difícil é fazer investimentos sofisticados”, diz trecho do artigo.

O autor defende a seguinte estrutura: o governo autorizaria o funcionamento de um número pequeno de planos de previdência sem fins lucrativos, nos quais, os empregadores podem decidir o valor de suas contribuições. “O plano decidiria como investir o dinheiro, sujeito às regulamentações, e os funcionários não poderiam sacar os recursos até se aposentar”, aponta o texto.

No modelo de contribuição definida (CD), os planos se tornariam grandes rapidamente e, com isso, ganhariam economia de escala, custos mais baixos e recursos para lidar com investimentos sofisticados. Trata-se de uma estrutura de investimento de baixo custo e longo prazo.

Crescimento, recuperação e ações para o 41º CBPP foram foco de coletiva de imprensa da Abrapp

Crescimento, recuperação e ações para o 41º CBPP foram foco de coletiva de imprensa da Abrapp

O crescimento dos planos instituídos, a recuperação sistema de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) após o primeiro impacto da pandemia, e as ações para o 41º Congresso Brasilero da Previdência Privada (CBPP) foram temas abordados em coletiva de imprensa concedida pela Abrapp nesta quinta-feira, 12 de novembro, reunindo cerca de 14 jornalistas de diversos veículos de comunicação. Estiveram presentes o Diretor Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Martins; o Diretor Vice-Presidente da Abrapp e Diretor Presidente da UniAbrapp, Luiz Paulo Brasizza; o Superintendente Geral, Devanir Silva; e o Superintendente Adjunto, Ivan Corrêa Filho.

Na ocasião, foram apresentados números sobre crescimento dos fundos instituídos, que hoje contam com 572,8 mil participantes e R$ 12,9 bilhões em patrimônio, segundo levantamento da Abrapp. “Isso mostra uma evolução, que deve ser ainda maior com planos família. Temos uma prospecção para esses planos voltados aos familiares de que até 2022 tenhamos mais de 500 mil pessoas protegidas e mais de R$ 2 bilhões de reservas acumuladas. Isso mostra o quão acertada foi a nossa ideia de fazer crescer e ampliar esses planos família”, disse Luís Ricardo. Diante disso, esse novo produto levará ao sistema uma mudança de mindset, conforme explicou o Presidente. “As entidades devem pensar fora da caixa para não ficar restritas aos seus atuais participantes, pois isso pode colocar sua sustentabilidade em risco. É uma nova visão de negócio”, disse. “Agora o sistema parte para a venda”.

Os dados mostram ainda a recuperação de todo o sistema após o primeiro impacto da crise decorrente da pandemia de COVID-19. Em março, as entidades acumulavam deficit de R$ 74 bilhões. Em setembro, o resultado negativo foi reduzido para 38,5 bilhões, segundo balanço da Abrapp. No mesmo período, o superávit das entidades evoluiu de 15,5 bilhões para 18,2 bilhões. “Com a força, resiliência e recuperação do sistema, nós superaremos a casa de R$ 1 trilhão em patrimônio ainda este ano”, disse. Em setembro, os ativos das EFPC somaram R$ 974 bilhões, o que representa 13,6% do PIB.

Oportunidades – “O sistema vem há muito falando de disrupção, comunicação, que amenizam os efeitos da pandemia. Diante dos dados de recuperação do sistema, isso mostra resiliência e o quanto o longo prazo é fundamental”, disse Luís Ricardo. Segundo ele, há ainda mais força para que o segmento trabalhe com grandes janelas de oportunidades, como a da Reforma da Previdência. “Poderia ter sido mais avançada se fosse estrutural, mas ela foi paramétrica, profunda e necessária. A pandemia também é uma janela de oportunidades, as pessoas querem proteção para seus familiares, e a gente tem isso no nosso DNA. O sistema fechado nasce do coletivo e temos uma grande solução, podendo ser parceiros do governo brasileiro, e protegendo o maior número de pessoas”.

Outra grande janela de oportunidades citada pelo Presidente é a dos planos de entes federados. “A Emenda Constitucional nº 103 trouxe a obrigatoriedade dos entes federativos implementarem o regime de previdência complementar em 2 anos. Isso já deu certo, o segmento de previdência complementar fechada sabe fazer”, disse, citando as entidades de servidores públicos que já estão consolidadas, sendo que, até setembro, 10 EFPC associadas à Abrapp já fazem a gestão de 20 planos de previdência dessa categoria. “Isso trará um fomento muito grande e apostamos muito nesse segmento nos próximos anos”. Luís Ricardo destacou que haverá uma Lei Complementar para harmonização entre entidades abertas e fechadas para que o segmento aberto de previdência possa fazer também a administração desses planos, conforme prevê a Emenda Constitucional. “Esse arcabouço regulatório e legal trará uma blindagem completa ao sistema”.

Outro tópico abordado por Luís Ricardo ainda com o viés de fomento do sistema foi a proposta de Lei de Proteção ao Poupador Previdenciário (LPPP), elaborada pelo pesquisador e professor do IDP José Roberto Afonso em parceria com a Abrapp. “Hoje existe uma mensagem do governo brasileiro de que o Estado deixará de ser o grande provedor da previdência pública, e o regime de repartição simples não se sustenta. O indivíduo cada vez mais terá que se preocupar em formar sua poupança previdenciária. Queremos trazer essa garantia, ampliar a previdência complementar para toda sociedade brasileira e trazer uma rede de proteção”, disse Luís Ricardo. O projeto de lei foi apresentado em reunião das diretorias e equipes executivas da Abrapp e da Fenaprevi nesta quarta-feira, 11 de novembro (saiba mais).

Para mostrar ainda mais a força do sistema, o Superintendente Geral Devanir Silva destacou que as EFPC possuem os melhores produtos, com pagamento de benefícios, com uma folha de pagamentos de benefícios de R$ 30 bilhões no primeiro semestre deste ano, podendo chegar a R$ 60 bilhões ao final do ano. “Isso é significativo. O sistema é dos trabalhadores, dos participantes”, disse. “Temos produto, temos entrega e qualidade, temos todos os ingredientes para o crescimento”, ressaltou.

Diversificação dos investimentos – Luís Ricardo destacou que a recuperação das EFPC em meio à crise se deu principalmente pelo fato que de que em suas políticas de investimentos as entidades já contemplavam maior risco e diversificação. “A diversificação está no seio do debate do Conselho Monetário Nacional sobre a Resolução nº 4.661. Temos falado em aumento de limites dos investimentos no exterior, sobre a questão imobiliária, temos uma proposta da Previc para investimentos em empresas de capital fechado. A diversificação é o segredo de sucesso, e a profissionalização e os debates que estamos fazendo neste momento pedem investimento com responsabilidade social”.

Devanir ressaltou que para uma visão de longo prazo é preciso investir na economia real, e o sistema está preparado para isso. “Vejo um caminho muito promissor. Hoje temos uma poupança forçada pela adversidade, mas somos fomentadores e nosso trabalho será a realização de sonho das pessoas. Temos oportunidade de fomentar uma massa de jovens trabalhadores. Estamos preparados para isso”.

Luiz Paulo Brasizza destacou ainda a questão da sustentabilidade como um grande ponto de diversificação dos investimentos, sendo um tema relevante no mercado financeiro. “A  Abrapp tem participado de grupo multidisciplinares sobre o assunto. Os investimentos nessa área deverão ser feitos pelos investidores institucionais”, disse, citando que a Abrapp possui um comitê de sustentabilidade e já lançou um guia de melhores práticas em sustentabilidade para todas as entidades; um guia de elaboração do relatório anual de sustentabilidade; uma política de sustentabilidade; um guia prático de integração ASG de gestores, entre outros. “Criaremos ainda o relatório de sustentabilidade das EFPC. Essa nova geração vem buscando um ‘selo verde’ nos investimento como uma aprovação para aplicarem seus recursos. Estamos correndo nessa linha para abrir boas perspectivas para investimentos sustentáveis”.

Destacando que a questão de sustentabilidade deixou de ser um “modismo”, Luís Ricardo reforçou que o participante deve enxergar que seus investimentos estão sendo direcionados para um objetivo maior. “Estamos apostando nisso, esse é um tema que veio para ficar e deixou de ser moda, com exigência muito forte do nosso atual e futuro público”.

Rentabilidade – O levantamento da Abrapp mostrou também que a rentabilidade dos fundos de previdência alcançou 867% nos últimos 17 anos, acima da meta atuarial de 648% para o período. Luís Ricardo destacou que a conjuntura econômica atual já demonstra recuperação do sistema. “As oscilações não são novidade. Nossa relação com o participante é de 50 anos. Esse lado do longo prazo, onde se pode traçar estratégias e ter profissionais do mais alto nível de excelência, permitirá alcançar e bater as metas atuariais”, disse.

41º CBPP – Luís Ricardo ressaltou a programação do 41º Congresso Brasileiro da Previdência Privada, que ocorre de 16 a 19 de novembro. “Esse Congresso vai tratar de temas fundamentais para nós, mas mais do que isso, o que pensam as grandes referências na inovação”, disse. Além da programação das plenárias, o evento contará com palestras técnicas, programação no Espaço UniAbrapp e na Alameda Conecta, além de apresentações na Área de Exposições e no Espaço Institucional. Confira aqui a programação completa.

Buscando atrair ainda mais o público jovem para o tema da previdência privada, Luís Ricardo citou uma das ações que ocorrerão no 41º Congresso, o Previdência é Coisa de Jovem. A iniciativa da UniAbrapp contará com uma live realizada durante o Congresso no dia 17, às 15h30, em parceria com o CIEE, reunindo cerca de mil jovens. “Estamos trazendo a previdência para um novo mindset, para pessoas pensarem que quanto antes elas começarem a poupar, melhor”.

Além dessa iniciativa, a UniAbrapp, que tem um foco na educação financeira e previdenciária, fará o lançamento da primeira turma do MBA em Gestão de Previdência Complementar em formato 100% online durante o 41º CBPP. “Precisamos levar meios para educar esses jovens. Todo esse trabalho de estrutura da UniAbrapp ajuda nesse processos de entendimento e transferência de informações para essa juventude”, disse Brasizza. “O jovem deve entender que precisa começar cedo a sua previdência”.

Dentro desse movimento de inclusão de um público mais jovem, a Abrapp tem investido em tecnologia com projetos como o Hack’A’Prev e o Hupp. Devanir citou o mundo das startups, da tecnologia e da Conecta, empresa controlada pela Abrapp e UniAbrapp para oferecer soluções tecnológicas ao sistema de previdência complementar. “Temos 17 startups trabalhando no nosso hub de soluções previdenciárias e que deverão gerar soluções para o sistema nos próximos meses”. A Conecta também apresentará seus parceiros e os serviços desenvolvidos por eles em uma programação exclusiva em seu estande no 41º CBPP. Saiba mais.

MyNews aborda planejamento, educação previdenciária e diferença entre planos patrocinados e instituídos

MyNews aborda planejamento, educação previdenciária e diferença entre planos patrocinados e instituídos

Regidia Frantz, Diretora Superintendente da Previsc, foi entrevistada no quadro Previdência para Todos do Almoço do MyNews desta quarta-feira, 4 de novembro, pelas jornalistas Mara Luquet e Myrian Clark, e abordou a importância do planejamento para uma renda segura no futuro; educação previdenciária e a diferença entre planos patrocinados e instituídos.

No início da entrevista, foi apresentada uma pesquisa do IBGE referente a 44 milhões de aposentados pelo INSS no Brasil mostrando que apenas 1% se mantém com o saldo da aposentadoria, enquanto 25% continuam trabalhando, 28% dependem de caridade, e 46% dependem de parentes. “Muitas pessoas, quando acabam se aposentando, continuam a trabalhar de alguma forma. Apenas 1% consegue sobreviver somente com sua renda e tem pessoas que dependem de caridade. É um cenário muito preocupante. A pessoa pode fazer a opção de trabalhar, mas que ela faça porque quer uma qualidade de vida melhor ou porque quer dar continuidade à atividade laboral, mas não por necessidade. O grande desafio que temos é reverter isso”, disse Regidia.

Ela destacou que não cabe mais falar em aposentadoria, e sim em renda futuro. “A pessoa ter um investimento na poupança ou na bolsa, mas previdência tem outro objetivo: de gerar uma renda no futuro”, disse. Entre os desafios do sistema apontados por ela está o total de pessoas que têm uma previdência complementar e quantas, de fato, tem um olhar sobre qual a renda que isso vai gerar. “A pessoa pode até ver o montante que ela tem, mas esse montante vai gerar quanto de renda? Outro desafio é fazer uma relação dessa renda com os gastos futuros”, disse, explicando que não basta projetar a renda futura, é preciso calcular quais serão as despesas no futuro, que devem ser acompanhadas e ajustadas ao longo do tempo.

Educação previdenciária – Ela destacou ainda a importância da pessoa mais jovem passar a pensar na previdência para o futuro. “A pessoa mais jovem tem muitas prioridades, mas se desde o início as pessoas começarem a se dar conta que às vezes é importante economizar um pouco, isso cria uma cultura de previdência. Isso é um grande desafio. Se a pessoa começa mais cedo, ela tem uma rentabilidade dos investimentos que auxilia muito esse processo”, disse. Além disso, Regidia aponta que o cenário ideal seria que a educação previdenciária ocorresse nas nas escolas. “Esse seria o melhor cenário para começar a virar uma questão cultural. Mas temos um grande um desafio nesse sentido”.

Planos instituídos – Regidia explicou a diferença entre planos patrocinados e instituídos, dizendo que sua entidade, a Previsc, conta com os dois tipos de planos. “Os planos patrocinados são oferecidos por empresas aos seus funcionários, com contrapartida contributiva da empresa. Já os planos instituídos estão mais voltados a planos familiares ou através de uma associação. No nosso caso, os trabalhadores da indústria de Santa Catarina e empresas de tecnologia podem participar desses planos. A diferença básica entre o plano patrocinado e os instituídos é que o instituído vem no sentido de ampliar o potencial de pessoas que poderiam aderir a um plano de previdência fechado, pois no modelo patrocinado é mais restrito, somente para quem é empregado de uma determinada empresa”, disse, reforçando que o leque da previdência complementar abriu muito com os planos instituídos.

Regidia reforçou que no plano patrocinado, há ajuda da empresa, enquanto no instituído, as contribuições são somente do participante. “A questão da educação financeira e previdenciária talvez seja muito mais importante nos planos instituídos”, explicou. Ela ressaltou que o mercado de trabalho está mudando, e por isso a questão do plano individual deve ganhar cada vez mais relevância. “Quando a gente pensa em futuro, as pessoas devem ter clareza sobre isso. Não dá mais para transferir tanto esse papel para o Estado. Essa conscientização é um desafio e uma necessidade cada vez maior”, complementou.

O quadro mostrou ainda dois depoimentos sobre os benefícios de se fazer um plano de previdência privada não somente para a pessoa, mas podendo estender aos familiares, complementando ainda os valores recebidos pelo INSS, que não são o suficiente para ter uma renda segura no futuro. “Ficou claro o quanto a previdência complementar dá respaldo necessário para aposentadoria”, disse Regidia. “Esses depoimentos são importantes para a gente disseminar a questão da previdência complementar”.

Sempre é tempo para começar – Regidia destacou que sempre é tempo para começar a formar a previdência, e os ajustes podem ser feitos no valor da contribuição de acordo com a proximidade de cada pessoa da aposentadoria. Ela reforçou que o setor de previdência complementar é extremamente regulamentado. “O risco é mais de acompanhamento sobre as reservas, e a pessoa deve ter claro qual expectativa que ela tem, o quanto precisa contribuir, olhando uma instituição que seja sólida, e fazendo o acompanhamento dos investimentos. Os planos instituídos também dão flexibilidade de definir qual perfil de investimentos ela quer, se é mais conservador ou mais arrojado”.

Assista à entrevista completa aqui (a partir do minuto 35:00). O quadro Previdência para Todos é fruto da parceria entre Abrapp e MyNews. A iniciativa tem por objetivo difundir o conhecimento sobre a previdência complementar fechada para o grande público e é transmitido semanalmente, sempre às quartas-feiras.

Giro das Associadas: Prevcom, Cibrius e Sebrae Previdência

Rentabilidade de planos da Prevcom sofre leve retração – A rentabilidade da carteira administrada pela Fundação de Previdência Complementar do Estado de São Paulo (Prevcom) registrou, em setembro, leve retração de – 0,39% provocada, entre outros fatores de curto prazo, pela instabilidade do mercados devido aos ajustes fiscais nas economias norte-americana e brasileira. O Índice Bovespa também fechou em baixa refletindo a instabilidade das bolsas globais gerada pela sinalização de uma segunda onda de contágio do coronavírus em países europeus.

Apesar da oscilação, os investimentos no exterior foram protegidos pela alta do dólar, gerando resultados praticamente neutros sobre o capital investido. O recuo mensal ocorre após cinco meses consecutivos de retornos positivos iniciados em abril, de 1,80%, seguidos por 1,09% em maio, 1,75% em junho, 1,62% em julho, até o percentual de 0,87% de agosto. A sequência de alta permitiu aos planos da Prevcom acumularem 3,88% de rendimento no ano. Em 12 meses, os investimentos totalizaram ganho de 8,69%.

 

Cibrius estuda oferta de novos produtos – Com o propósito de fortalecimento da entidade e a promoção das transformações estruturais necessárias, o Cibrius tem estudado a viabilidade de oferecer novos produtos a diferentes públicos, além dos empregados da Conab. A estratégia visa consolidar o fundo de previdência complementar.

A primeira iniciativa implementada nesse sentido foi a criação de um grupo de trabalho com o objetivo de elaborar um plano de ação visando traçar ações estratégicas que abrangem a prospecção de outros produtos e aumento da massa de novos participantes para o ConabPrev por meio de planos instituídos.

 

Sebrae Previdência lança Painel de Investimentos – O Sebrae Previdência lançou o Painel de Investimentos, uma ferramenta de divulgação de resultados que compartilha informações geradas por meio de business intelligence. O painel disponibiliza a evolução patrimonial dos planos, a distribuição de recursos por gestor, os limites da Política de Investimento aprovada para cada perfil, a rentabilidade líquida dos perfis no mês, ano e nos últimos 12 meses, com o comparativo de indicadores de mercado, entre outra coisas. De acordo com o Diretor de Administração e Investimentos, Victor Hohl, o resultado do trabalho torna as informações mais acessíveis, aumentando a transparência, e facilita a comparação de desempenho de cada perfil, auxiliando o participante no processo de escolha do perfil mais adequado às suas expectativas.

Nas próximas etapas de desenvolvimento da ferramenta, a ideia é inserir também dados que facilitarão a análise e entendimento de risco de cada perfil. Serão consideradas informações como volatilidade, sharpe e retornos máximo e mínimo em um período pré-determinado. Segundo Vico Diretor, o Painel de Investimentos será atualizado mensalmente, após a divulgação de todos os indicadores de mercado. Alguns desses indicadores possuem datas específicas de divulgação. O participante poderá ainda comparar os resultados com outros meses.

A proposta é que a ferramenta de BI seja utilizada, também, nos próximos meses, para disponibilizar outras informações, tais como crescimento do número de participantes, dados sobre os benefícios pagos mensalmente, volume de contribuições e portabilidade, além de informações sobre a carteira de empréstimo.

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