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Curso sobre sustentabilidade corporativa nas EFPC

Curso sobre sustentabilidade corporativa nas EFPC

A importância dos investimentos ESG e o que eles representam para o universo das Entidades Fechadas de Previdência Complementar é o foco principal do curso ‘Sustentabilidade Corporativa (ESG) nas EFPC‘, realizado pela UniAbrapp no dia 21 de maio, das 9h às 13h.

O curso abordará os deveres fiduciários dos investidores institucionais frente ao tema e a atuação da liderança construtiva, visto que sustentabilidade não é moda e não é só pensar no resultado do investimento, requerendo propósito e comprometimento, visão estratégica, alinhamento e preparo.

Na modalidade online e ao vivo, o curso será ministrado por Aparecida Ribeiro Garcia Pagliarini e a participação conta 2 créditos no programa de Educação continuada – PEC do ICSS. Inscreva-se.

Abrapp receberá adesões das associadas ao Relatório de Sustentabilidade até 10 de março

Com o objetivo de elaborar o Relatório de Sustentabilidade 2020 – GRI, a Abrapp está recebendo as inscrições das associadas que estejam interessadas em participar da iniciativa até o próximo dia 10 de março. A elaboração da publicação é coordenada pelo Comitê de Sustentabilidade da Abrapp em parceria técnica com a SITAWI – Finanças do Bem e apoio do GRI – Global Reporting Initiative.

“O desenvolvimento sustentável é uma preocupação inerente à sociedade. Organizações em todo o mundo sabem que inserir a Sustentabilidade em sua gestão, na tomada de decisões e em suas atitudes é fundamental para o sucesso dos negócios”, diz a circular enviada para as associadas da Abrapp. E continua destacando que “o reconhecimento de que aspectos sociais, ambientais e de governança trazem oportunidades e riscos aos investimentos do setor fez com que a Abrapp se tornasse importante facilitadora das entidades nesse tema”.

Toda e qualquer entidade associada, independentemente do porte, poderá participar desse projeto, através do preenchimento de questionário com informações quantitativas e de maturidade de gestão: “Investimento Responsável” e “Gestão Responsável”.

A Abrapp destaca que é fundamental que a entidade disponibilize representante que possa atuar nos momentos de interação, como preenchimento de dados e participação no workshop para esclarecimentos de dúvidas, os quais assegurarão a aderência da Pesquisa à realidade de cada EFPC.

Como incentivo à participação, será encaminhado, em primeira mão, o Relatório de Sustentabilidade com mapeamento completo do setor, embasado no resultado agregado da coleta de informações, respeitando a segmentação por porte de entidade. O documento possibilitará, ainda, a realização de comparativo com os dados gerais para efeito de benchmarking (onde estou e como chegar), conhecimento do nível de maturidade ASG e diretrizes para desenvolvimento de seus próprios relatórios. Não haverá exposição e comparativo dos dados individuais das entidades.

Mais informações pelo canal Abrapp Atende:

Telefones (11) 3043.8783/84/85/87 ou pelo e-mail abrappatende@abrapp.org.br

Palestras técnicas destacam ESG como gerador de alfa e abordagem com foco em diversidade de gênero

As Palestras Técnicas 13 e 14 do 41º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (41º CBPP) foram dedicadas a um tema de extrema relevância e que vem ganhando força nas decisões de investimentos no Brasil e no mundo: as práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês). A Palestra Técnica 13 com o tema “ESG: Um Gerador de Alfa para Portfólios de Alta Convicção”, teve como palestrantes especialistas da Aegon Asset Management que destacaram os diferentes métodos empregados na implementação das estratégias com ações ESG. 

Luiz Fernando Cruz, Especialista da Área de Distribuição da MAG Investimentos, destacou que esse tipo de investimento vem se tornando importante, e empresas que observam esses aspectos acabam entregando retornos melhores aos seus investidores, acionistas e credores, com maior performance no longo prazo. “Isso vai de encontro aos objetivos dos participantes do sistema de previdência complementar”, disse.

Segundo ele, o investimento sustentável no exterior é uma estratégia fundamental para enfrentar esse momento de alta volatilidade. “Estamos falando de preservar o capital e buscar, em movimentos táticos, obter algum alfa”, disse.

Iain Snedden, Investment Specialist da Aegon Asset Management, explicou a importância de se construir carteiras com esses princípios e por que os investimentos ASG pode gerar alfa para as carteiras. “ESG ajuda a gerar retornos mais altos, e isso está sendo percebido pelos investidores”. Segundo ele, o volume de ativos ESG sob gestão no mundo inteiro saiu de US$ 13 trilhões em 2012 para US$ 30 trilhões em 2018, tendendo a crescer ainda mais. Iain explicou que os princípios ESG estão diretamente correlacionados com desempenho financeiro corporativo, com associações positivas entre temas. “Temos muitos desafios ambientais e sociais, e as empresas que conseguem abordar isso tem um retorno maior”, disse.

Ele ressaltou que independente da empresa que esteja sendo avaliada, existem passos comuns e princípios aplicados para se ter certeza que sempre que uma empresa é avaliada ela seja pensadas de maneira uniforme, reconhecendo as diferenças, mas chegando a uma conclusão. “Mas não tratamos as empresas da mesma forma. A realidade é muito importante, e quando nos concentramos nos fatores de uma empresa, a relevância que avaliamos é crucial para obtermos os melhores retornos a partir dessa carteira”.

Análise ESG – Andrei Kiselev, Investment Manager da Aegon Asset Management, explicou qual é o arcabouço utilizado para avaliar as empresas em termos de sustentabilidade. E segundo ele, nessa avaliação, a cobertura não pode ser superficial. “Tentamos nos ater às empresas mais promissoras e interessantes”. Ele explicou que a abordagem é feita por meio de exclusões, ou seja, caso o produto ou serviço das empresas seja danoso para algum cliente, é excluído dos investimentos.

Acima disso, para cada empresa é considerada uma abordagem em três pilares, avaliando a natureza do produto ou serviço oferecido, respondendo à pergunta sobre o desafio de sustentabilidade que a empresa visa responder, e qual a eficácia em relação à natureza do desafio. Andrei ressaltou que empresas que talvez não sejam perfeitas hoje no ponto de vista ESG, mas que estão melhorando terão, possivelmente, uma forte demanda por seus produtos e serviços por conta de uma melhoria operacional no futuro. “Por causa dessa melhoria, elas podem ter melhor desempenho financeiro e um aumento no valor das ações, entregando alfa aos clientes”, disse.

Andrei explicou ainda que para cada empresa que a Aegon avalia, são identificados os fatores mais importantes, chamados materiais, ressaltando o fato de que cada empresa é diferente. “Não existe uma abordagem única. O que é relevante para uma empresa não necessariamente é para outra”.

No processo de investimento mais detalhado, que afunila as ideias em potencial até um número mais trabalhável, há uma conversa constante com o grupo de investidores. “Depois é feito um trabalho com equipe de investimento responsável, com base em uma análise ESG, desenvolvendo, assim, o argumento de investimento e chegando a uma conclusão conjunta, mantendo autonomia e independência e culminando em uma carteira sustentável com alta convicção”. 

Andrei citou também exemplos de investimentos que a empresa realiza, com teses de impactos reais. “São seis pilares da sustentabilidade que consideramos, subdivididos em dois grupos. Para cada empresa, tentamos responder qual os desafios de sustentabilidade que a empresa está tentando resolver e como ela está fazendo isso. São perguntas fundamentais com as quais precisamos nos sentir à vontade com a resposta”, disse.

Considerar a sustentabilidade pode ser algo muito útil para identificar oportunidade de crescimento estrutural e vantagens competitivas, disse, ressaltando que um investimento sustentável passivo pode ser um bom ponto de partida comparado a não fazer nada, mas é uma ferramenta que deveria considerar questões mais detalhadas de uma análise.  “Normalmente, dependemos de uma análise quantitativa apresentada pelas próprias empresas, e não fazemos somente uma análise com base na classificação de terceiros”. Andrei explicou ainda que investimentos passivos se concentram em empresas de large cap, mas há muito alfa sendo gerado em áreas menos exploradas do mundo, e é preciso buscar essas inovações. 

W-ESG – Apresentando um novo conceito de estratégia de investimento ESG, desenvolvida pelo time de Investment Solutions da Franklin Templeton, Berkeley Revenaugh, Senior Client Portfolio Manager da Franklin Templeton Investment Solutions, destcou que a gestora está presente em 160 países, apoiando totalmente o investimento responsável. O W-ESG consiste em uma nova abordagem focada no papel das mulheres na empresas e o seu impacto nos resultados.

Berkeley explicou que entre os investimentos de impacto que a Franklin Templeton faz estão ações que incentivam igualdade de gênero, demonstrando que há fortes evidências que corroboram com os casos de investimento que promovem maior diversidade de gênero. “Eu acho que com maior diversidade no conselho, há capacidade de ter mais discussão e mais diversidade de opiniões. Isso é muito importante para nós”, detascou.

Ela explicou, assim, o uso da estratégia W-ESG, que foca em mulheres líderes de negócios e em compromisso com iniciativas ESG. A estratégia está presente em um fundo da gestora lançado no Brasil e consiste em investir em um universo de companhias com maior representatividade de mulheres, com no mínimo três mulheres como membros de conselho, bem como em companhias que estão comprometidas com iniciativas ambientais, sociais e de governança. O fundo inclui de 40 a 45 empresas que atendem a esses critérios, segundo Berkeley. 

“A Franklin Templeton, como defensora de ESG, quer promover essa crenças em seus processos de investimento, seja avaliando ações e títulos no mundo todo, ou fundos mútuos. Há uma capacidade de entender os riscos e oportunidades entendendo os atributos de cada uma das empresas”, destacou. 

Análise – Na Franklin Templeton, a filosofia é que os fatores ESG podem ter um impacto real no desempenho de longo prazo dos investimentos feitos. “Nós analisamos os fatores ESG junto com medidas financeiras e econômicas para abranger uma medida de valor, risco e retorno dos investimentos”. Segundo Berkeley, o papel da Franklin Templeton na compra de ações é de sociedade ativa, com engajamento junto às empresas para discutir questões que podem impactar a perspectiva de longo prazo.

Além disso, há uma equipe de especialistas em ESG que ajuda o time de portfólio a entender o que está acontecendo no mundo e na indústria. “O papel deles é melhorar a análise da equipe de portfólio, incorporando uma visão e dados independentes e neutros de ESG”.

Berkeley explicou ainda que entre as estratégias responsáveis de investimento, há quatro que se destacam na Franklin Templeton. “Todos integram análise de fatores fundamentais de ESG, com técnicas voltadas para valor, que fazem a exclusão de alguns ativos. Há ainda uma propensão para ESG, ou seja, soluções de investimento que selecionam emissores com práticas líderes de ESG; e soluções temáticas, que se concentram em soluções de desafios relacionados a mudanças climáticas ou desafios sociais. Por fim, há o investimento com foco no impacto”.

Experiência internacional – Ela disse ainda que o crescimento dos investimentos responsáveis ao redor do mundo tem sido constante, mas na América Latina ainda é muito pequeno. “Em 2018, US$ 31 trilhões estavam alocados em investimentos sustentáveis ao redor do mundo, sendo que as novas gerações querem que seus investimentos entreguem retornos e resultados socioambientais”, disse.

Além de pressões por mais políticas e regulações voltadas a esses temas, Berkeley disse que há hoje desafios de sustentabilidade crescendo de maneira relevante, com maior pressão também sobre práticas corporativas. “Na Europa, esse tipo de investimento já está bem avançado, sendo que em 2021, os produtos serão caracterizados como normais ou com práticas sustentáveis ou não”. Ela explicou ainda que há fortes critérios de exclusão na Alemanha, e que isso deve se entender ao mundo inteiro.

Webinar discute avanço do tema ASG nos investimentos das EFPC

Webinar discute avanço do tema ASG nos investimentos das EFPC

O webinar “Avanços do ESG na visão dos Investidores Institucionais”, promovido pela gestora Integral Brei, realizado na última quarta-feira, 11 de novembro, contou com a participação de Luiz Paulo Brasizza, Vice-Presidente da Abrapp e Presidente da UniAbrapp, José Carlos Chedeak, Diretor de Normas da Previc, e Vitor Bidetti, CEO da Integral Brei, que abordaram a importância que esse tema vem ganhando diante do segmento de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). O webinar foi moderado por Renato Gama, sócio da Integral Brei, e transmitido pelo canal da gestora no YouTube.

Brasizza destacou que a sigla ESG, ou ASG, foca em questões ambientais, sociais e de governança, acrescentando ainda a questão da integridade, tomando uma vertente muito grande no desenvolvimento no mercado financeiro. “Internacionalmente, já temos percebido a relevância desse tema, com o mercado europeu mais avançado, o americano também, e na América do Sul começando com investimentos em florestas. A gente vê que é uma discussão que está tomando porte grande no país e vai chegar um momento em que não haverá investimentos financeiros que não tenha algum tipo de selo sustentável para o planeta”.

Ele ressaltou a baixa taxa de juros do país, que deve permanecer ao longo dos próximos anos, o que acaba gerando uma pressão sobre os investidores institucionais. “Temos em torno de R$ 1 trilhão na mão dos fundos de pensão no Brasil, e 65%, em média, desse montante são planos de Benefício Definido (BD), que têm metas atuariais. E a gente percebe que as metas atuariais ainda são altas. Não adianta mais ficar em título público, pois isso não paga a necessidade atuarial de um fundo de pensão”.

Diante desse cenário, Brasizza apontou que as entidades, naturalmente, terão que migrar para investimentos mais rentáveis e que tenham um pouco mais de risco, mas diferenciados em sua maioria. Ele ressaltou ainda a importância de se ter um parceiro adequado para dar suporte nesse tipo de investimento. “É uma verdadeira mudança cultural que deve tomar um caminho mais forte em 2021”.

Atuação da Abrapp – Brasizza ressaltou que a Abrapp possui um comitê de sustentabilidade e destaca alguns pontos relevantes de seu trabalho, como o lançamento de um guia de melhores práticas em sustentabilidade para todas as entidades; um guia de elaboração do relatório anual de sustentabilidade; uma política de sustentabilidade; um guia prático de integração ASG de gestores, entre outros. “Quando a gente fala em sustentabilidade, o empreendimento pode ser sustentável, mas ele só fica aderente à entidade de previdência se o patrocinador, a entidade de previdência e seus participantes também tiverem uma ideia de sustentabilidade e um apreço por esse tipo de investimento”.

Ele destacou que o grande projeto da Abrapp para 2021 é a elaboração de o relatório de sustentabilidade das Entidades Fechadas de Previdência Complementar utilizando a metodologia do PRI – Principle of Responsible Investment. “Junto a isso, temos diversos grupos atuando no mercado financeiro, multissetoriais, trabalhando para criar produtos ‘verdes'”.

Brasizza destacou a necessidade de ter na legislação um segmento voltado para a questão de sustentabilidade. “A relevância vai ser muito grande”, disse. “Isso não depende exclusivamente do governo, é cultural”, complementou. “Precisamos de grandes parceiros para também mostrar rentabilidade. Sustentabilidade é crescimento, é pé no chão, e tem muito trabalho ainda pela frente”, enfatizou.

Regulação – José Carlos Chedeak destacou que a Previc já atua com um engajamento ASG há algum tempo, mas em 2018, em conjunto com o Ministério da Economia, trouxe a primeira afirmação da necessidade dos fundos de pensão observarem realmente no processo de investimentos essa análise ASG. “Colocamos sempre que possível, pois o ASG começou a ganhar força de 3 anos pra cá, então no momento era a semente que a gente poderia plantar para que os fundos de pensão já olhassem para esses processos”. Ele disse ainda que a regulação da Previc já incentiva os investimento ASG, dividindo por setor econômico, com transparência.

Em 2019, a própria Previc, entendendo a importância do tema, elaborou uma sessão específica para tratar dessa questão dada a relevância e a importância de orientar as entidades e a população como um todo. “Hoje, para ter uma regulação mais assertiva, podemos criar algumas travas que não precisam existir. Esse processo tem que amadurecer com autorregulação e com iniciativa privada dando mais atenção”. Chedeak destacou que há desafios pela frente, entre eles o de saber como incentivar as emissões de modo geral, títulos, debêntures e fundos com uma questão mais focada para a sustentabilidade ASG. “Precisamos também trabalhar em uma taxonomia. Afinal, o que é uma taxonomia verde, o que é ser sustentável, e como integrar isso aos seus investimentos?”, questionou, ressaltando que esse é um ponto debatido em grupos de trabalho multidisciplinares.

Além disso, Chedeak disse que o que a Previc tenta fazer em ASG não é uma regulação específica, e sim uma indução a essa boa prática. “Se você pensar em termos de boas práticas, temos que induzir esse processo sem limitar a possibilidade dos investidores terem essa iniciativa, sem que isso vire uma obrigatoriedade quase que intransponível. Em alguns casos, nem sempre se consegue achar os produtos necessários sustentáveis para serem adquiridos”, enfatizou, destacando que ainda há poucos produtos ASG no mercado para atender a atual demanda. Ele destacou que a Previc começa a abordar esse assunto para oferecer informações aos investidores. “De modo geral, a regulação está aqui neste momento muito mais como um processo de indução”.

Selo sustentável – Vitor Bidetti, CEO da Integral Brei, deu um contexto sobre o cenário de investimentos ASG no Brasil e no mundo e destacou que para acompanhar a aderência de determinados ativos a um programa inicial há auxílio da certificação que algumas empresas fazem de maneira pontual. “Em relação à análise de determinada emissão, há companhias independentes que fazem um acompanhamento ao longo do tempo sobre a aderência do programa, do fundo, da debênture, do CRI ou CRA, em relação ao relatório inicial”, explicou, citando a Sitawi como uma das empresas que faz esse tipo de acompanhamento. Tanto Chedeak quanto Brasizza destacaram a importância desse tipo de análise mais ampliada para identificar se os pilares de sustentabilidade, de fato, são encontrados dentro do ativo.

Bidetti explicou ainda que 2 anos atrás, a Integral Brei começou a buscar ativos que pudessem ser desenvolvidos através dessa agenda ASG. “Temos dois fundos em fase de estruturação, sendo que um deles é para o desenvolvimento para uma smart city em Brasília”. Segundo ele, a estratégia deve ser voltada para investidores institucionais. “Eles estão em busca de bons projetos, bons ativos. A taxa de juros básica cria essa busca por diversificação e o mercado imobiliário está saindo primeiro”, disse. “A atitude ASG é uma atitude responsável dos investimentos”, complementou.

Oportunidades – Brasizza destacou que as oportunidades são muito amplas ainda, pois há um grande caminho para trabalhar. “O que falta agora é a decisão de seguir nessa linha e dar sequência nesses investimentos”. Chedeak disse que a regulação não pode ser uma barreira, e hoje o que falta é ter produtos de qualidade nessa área e a cobrança dos próprios investidores. “O investidor deve cobrar que o produto seja melhor”.

Vitor ressaltou a questão das baixas taxas de juros e o fato do Brasil ter uma oportunidade histórica de resolver a questão fiscal. “Se isso acontecer, a gente deve ter um ciclo longo de condições macroeconômicas favorecendo investimentos de longo prazo, imobiliários, em infraestrutura. O que não falta é oportunidade. Com a agenda ASG sendo impulsionada, devemos ir para um ciclo positivo”.

Entrevista: A ascensão do ESG e a atuação do CDP

Entrevista: A ascensão do ESG e a atuação do CDP

Em entrevista exclusiva ao Blog Abrapp em Foco, o Diretor CDP América Latina Lauro Marins analisa o fenômeno da ascensão dos temas ESG (Ambientais, Sociais e de Governança) na análise dos investidores e no engajamento de empresas. O tema já vinha ganhando força nos últimos anos, ainda que lentamente, mas teve forte impulso em 2020 devido a uma série de eventos e fatos globais, que foram alavancados ainda mais com o advento da pandemia de COVID-19.

O executivo analisa os avanços e a atuação das entidades fechadas (EFPC) em relação aos temas ESG no Brasil. “É importante avaliar os procedimentos ESG porque as grandes fundações sentam nos Conselhos de Administração dessas empresas. Têm um poder muito grande de levar essa agenda como prioridade da organização”, diz em trecho da entrevista.

Ele explica que a atuação do CDP tem o objetivo de impulsionar forças de mercado, incluindo acionistas, clientes e governos, a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, preservar recursos hídricos e proteger florestas. Anteriormente denominado Carbon Disclosure Project, o CDP (ver site) é uma organização internacional sem fins lucrativos. Leia a entrevista a seguir na íntegra:

Ascensão do ESG
Finalmente ficamos felizes em constatar que o assunto saiu da última página do caderno de finanças para a capa do jornal. O tema ESG não é um tema novo, pois já vem sendo discutido há muito tempo pelos investidores. Mas o Brasil como um todo levou bastante tempo para avançar nessas questões. Tivemos alguns avanços regulatórios, principalmente, com as entidades fechadas que colocam que devem avaliar o risco para as questões ESG dos investimentos. Ainda é um tema incipiente na economia, mas por tudo o que passamos nos últimos meses na pandemia e outros sinais do mercado impulsionaram a ascensão das questões socioambientais.

Fórum Econômico Mundial
Um marco importante foi que o Fórum Econômico colocou as questões ambientais no cerne das decisões de investimentos. Tiveram acordos comerciais multilaterais mundiais como o assinado entre Mercosul e Comunidade Europeia que colocou a agenda ambiental como condicionante. Teve a carta do CEO da BlackRock, do Larry Fink, que colocou no início do ano que o ESG não é mais uma questão secundária. Ele colocou como o mainstream do investimento, que não terá alocação de não for ESG. Isso tudo criou uma nuvem, que virou um tsunami que está trazendo todas essas questões para a tona.

Impacto no Brasil
Tudo isso está fazendo com que o Brasil se mova muito rápido nessa agenda, que não considere mais como secundário. Essas questões estão se tornando o mainstream também aqui no país. A XP lançou um grande fundo para investir em outros fundos ESG. É um momento muito bom, porque também estamos vendo as empresas terem de se posicionar muito mais sobre as questões socioambientais.

Entidades fechadas
Então, é um momento também muito importante para os fundos também se reposicionarem, para avaliarem se efetivamente as assets que realizam a gestão de seus ativos, se elas têm políticas e práticas implementadas ESG. Para verificar qual é o tipo de política e se realmente a utiliza na prática. É hora de olhar para a carteira existente para reavaliar essas questões. É um bom momento para virar essa chave.

Regras de investimentos das EFPC
A Resolução CMN 4.661/2018 representa um avanço importante, mas considero que ainda seja incipiente, porque diz que a avaliação ESG deve ser realizada quando possível. Na verdade, hoje em dia com os bancos de dados e as informações disponíveis das organizações já é amplamente possível realizar a avaliação ESG no impacto de um investimento. E as fundações têm uma papel fundamental pelo volume de ativos e pelo dever fiduciário pela alocação de recursos nessas organizações.

Representação nos Conselhos
É importante avaliar os procedimentos ESG porque grandes fundos sentam nos Conselhos de Administração dessas empresas. Têm um poder muito grande de levar essa agenda como prioridade da organização. E tem várias maneiras que as fundações têm para fazer isso. Seja através do engajamento direto ou através da gestão do portfólio. A fundação pode pressionar para que a asset adote uma análise ESG robusta e transparente, para exigir uma gestão alinhada com esses princípios dentro dos fundos e dos investimentos. Ou através dos índices que compõem esses investimentos.

Agenda ESG internacional
De fato, a agenda lá fora está mais avançada até porque começou mais cedo. Aqui tem muita coisa para fazer. Mas tem muitas fundações no Brasil já colocando o tom de como querem que as coisas se encaminhem, incentivando o desenvolvimento da agenda ESG. Tem o exemplo de um signatário nosso, a Previ. O maior fundo da América Latina já adota essas práticas e leva a agenda para as empresas investidas. É o dever fiduciário da Previ. Mas sem dúvida, tem muito trabalho a ser feito.

Mercado de carbono
Já é realidade em alguns países. O Acordo de Kyoto foi a primeira tentativa de criar um mercado de carbono global. Temos várias iniciativas, há várias oportunidades. Acho que o PMR, que é uma iniciativa do Ministério da Economia, com participação do Banco Mundial, está ajudando o Brasil a entender quais são os caminhos do mercado de carbono. Há várias possibilidades, pode ser desde o estabelecimento de uma taxação até a criação de um mercado de trade, de compra e venda.

Oportunidades para o Brasil
O Brasil tem muita oportunidade dentro do mercado de carbono. Temos diversos ativos nesse mercado, como energia renovável, florestas, agricultura sustentável. Há muitas oportunidades. Tem uma regulação prévia, a Política Nacional de Mudança do Clima, que já estipula o que pode ter no mercado de carbono. O Brasil precisa definir se esse mercado é uma prioridade neste momento ou não. E isso é uma questão política. E isso é uma grande dificuldade. Estamos passando por uma reforma Tributária, O CDP está adotando uma postura em defesa de várias iniciativas que estão surgindo em favor de uma reforma Tributária verde.

Questão estratégica
É uma questão estratégica para o país porque nossos vizinhos, o Chile, Colômbia, México, Peru, Argentina, todos eles já têm um sistema de mercado de carbono. O Brasil se encontra em desvantagem competitiva nesta questão.

Trajetória
Nascemos no ano 2000 com um grupo de investidores, de fundações e assets, que queriam avaliar o que os donos dos ativos que eles detinham estava fazendo em relação à mudança do clima. Ou seja, nascemos dentro do mercado financeiro com atuação voltada para esse mercado. E ali começou o engajamento ativo desses investidores de perguntar através de um questionário o que as organizações estavam fazendo em relação a isso. Hoje temos 540 investidores signatários com ativos de US$ 87 trilhões que motivam as empresas a divulgar e gerenciar seus impactos ambientais.

Atuação do CDP
O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos que mede o impacto Ambiental de empresas e governos de todo o mundo, colocando essas informações no centro das decisões de negócios, investimentos e políticas. Alavancamos o poder do investidor e do comprador para realizarem reports ambientais. Em 2019, mais de 8,4 mil empresas com mais de 50% da capitalização de mercado global divulgaram dados ambientais por meio do CDP. Além das mais de 950 cidades, estados e regiões que também divulgaram suas ações de mitigação e adaptação climática, a plataforma do CDP é uma das fontes de informações mais ricas do mundo sobre como empresas e governos estão promovendo mudanças ambientais.

Temas principais
Atualmente o CDP atua sobre três temas principais: mudança do clima, segurança hídrica e desmatamento. E esses três temas são fundamentais para o Brasil. O CDP e nossos signatários estamos engajando as empresas em Bolsa para ver o que elas estão fazendo nessas questões. Atuamos para contar aos investidores o que as organizações estão fazendo com o objetivo de dar ferramentas para a ampliação do engajamento.

Ferramentas
Nossas ferramentas permitem desde a avaliação do portfólio das organizações e das fundações, para avaliar o alinhamento, por exemplo, com as metas do Acordo de Paris, com a aderência com iniciativas e compromissos, sempre com o objetivo de ampliar o engajamento.

Formas de associação
Tem duas formas de acessar os dados do CDP. Uma delas é ser signatária, para apoiar as iniciativas, o que dá acesso ao banco de dados e ferramentas. A outra é participar de outras categoria de associação que chamamos de investor club. Neste caso, tem acesso a uma série de outras ferramentas que permitem análises dentro do portfólio das fundações para realizar a gestão ambiental.

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