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Vídeo: Luís Ricardo Martins aborda desafios enfrentados pelo sistema em 2020 e propostas de fomento para este ano

Vídeo: Luís Ricardo Martins aborda desafios enfrentados pelo sistema em 2020 e propostas de fomento para este ano

Os desafios enfrentados pelo sistema em 2020, os resultados positivos conquistados e as perspectivas para este ano de 2021 foram temas abordados pelo Diretor Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Martins, em entrevista ao Tamer 360. Entre os desafios, Luís Ricardo destacou na entrevista que o sistema administrou bem a crise enfrentada em 2020, decorrente da pandemia de coronavírus. “Tudo foi muito rápido e muito bem feito pelo nosso segmento”, disse, ressaltando a solidez do sistema.

Ele lembrou que nesse período, as entidades revisitaram ou examinaram a necessidade de revistar as políticas de investimento, sendo que não foi necessário modificá-las pelo perfil de longo prazo, ressaltando uma gestão extremamente profissional. Luís Ricardo destacou ainda a importância de se ter dirigentes certificados e capacitados no sistema para a administrar os efeitos da pandemia.

O Diretor Presidente da Abrapp reforçou que, passado esse desafio, o sistema está pronto para retomar uma agenda estratégica. “É um momento em que o sistema exerce seu protagonismo e pauta o governo brasileiro dos grandes temas, pois precisamos de políticas públicas para incentivar ainda mais o incremento da poupança de longo prazo”, disse, contando o desafio de transformar a “poupança do medo”, que foi formada neste período de crise, na “poupança da esperança” – a poupança previdenciária.

Planos Família – Luís Ricardo destacou ainda o sucesso dos planos família, que segundo ele é um projeto audacioso que deu certo. “A gente precisa proteger uma maior número de pessoas e à luz do nosso perfil de participante, com o esgotamento da relação tradicional empregado-empregador, com um novo trabalhador, o nativo digital, o sistema precisava se flexibilizar, se reinventar, se modernizar para oferecer para esse jovem alternativas de proteção”, disse.

Hoje, os planos família acumulam R$ 210 milhões e quase 30 mil participantes, e Luís Ricardo citou a perspectiva que esses planos alcancem um patrimônio de R$ 2 bilhões, protegendo 500 mil pessoas em dois anos. “Estamos oferecendo aos familiares dos participantes a possibilidade de ter uma proteção adicional”, disse na entrevista.

Regulamentação – O sistema está ainda fortemente engajado em discutir com o governo projetos que deem mais incentivo à poupança previdenciária. Luís Ricardo reforçou que com o Estado saindo da condição de grande provedor da previdência pública, transfere para o indivíduo a responsabilidade de formar sua reserva previdenciária. “Dentro dessa mensagem que é passada pelo Estado brasileiro, precisamos criar mecanismos para que esse trabalhador seja incentivado a poupar e a formar uma reserva de longo prazo. E aí os incentivos são fiscais”, disse, citando que a Abrapp defende dentro do Parlamento sete projetos de lei de cunho tributário de incentivo à poupança.

Ele citou ainda que a Emenda Constitucional nº 103 estabelece que os estados e municípios obrigatoriamente devem criar a previdência complementar do servidor público, o que será uma grande janela de oportunidade de crescimento do sistema. “A Constituição estabelece que deve ser editada uma lei para que as entidades abertas também possam fazer essa gestão”, disse Luís Ricardo. Diante disso, está em debate esse projeto de lei que visa harmonizar as entidades fechadas e abertas para que essa gestão possa ser feita.

Luís Ricardo destacou ainda seu otimismo com 2021 à luz dos desafios enfrentados pelo sistema no ano passado. Assista ao vídeo na íntegra:

41º CBPP: Ricardo Amorim ressalta desafios da baixa taxa de juros e importância da educação financeira

41º CBPP: Ricardo Amorim ressalta desafios da baixa taxa de juros e importância da educação financeira

No Eixo Temático 1 – Impacto do Presente no Futuro do 41º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP), que iniciou nesta segunda-feira, 16 de novembro, o economista Ricardo Amorim participou de Insight Session com o tema “O Day After da Crise que Ninguém Esperava”, abordando os impactos da pandemia de COVID-19 no cenário macroeconômico brasileiro e mundial, e os desafios daqui pra frente.

Ricardo Amorim destacou que 2020 tem sido um ano diferente, mas cheio de lições, destacando que o Brasil vive um momento de queda da taxa de juros que foi acelerado pela pandemia, com Selic se aproximando de zero. “Isso torna o Brasil se um país ‘normal’ em tempos anormais, porque a taxa de juros perto do zero ou até negativa tem sido comum em outras países. A gente vinha caminhando nessa direção, mas faltou a pandemia para dar o último passo”. Segundo ele, esse cenário macroeconômico atual muda tudo do ponto de vista de quem aloca recursos, de quem precisa poupar e de quem precisa de crédito. “Isso é uma transformação gigantesca”. 

Amorim citou alguns aspectos relacionados a essa transformação, ressaltando que o cenário requer uma revolução na indústria de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). Ele ressaltou o impacto expressivo que essa redução da taxa Selic tem nos planos de Benefício Definido (BD). “Quando olhamos para a estrutura de equipes da parte de alocação de investimentos no geral, em um país em que a taxa de juros sempre foi elevada, a maior dessas equipes eram especializadas em renda fixa, e essa estrutura não faz mais sentido. Esse talvez seja o desafio estrutural mais importante e complicado”. 

Apetite ao risco – Segundo Amorim, há dois caminhos para resolver esse desafio: um é uma readequação da equipe, com pessoas treinadas para lidar com risco de crédito e passar a entender outros riscos. Ele citou ainda que as equipes devem ser montadas de formas diferentes dentro das instituições, com expertises e níveis distintos de tolerância ao risco, destacando que uma grande transformação que os investidores devem enfrentar é a questão da visão curto prazista, que deve ser mudada a partir de agora, diante desse novo cenário. “No momento, a gente tem investidores experientes moldados em um ambiente que não é mais o visto, e isso pode levar a uma visão de mercado deturpada”, disse, ressaltando que as EFPCs devem olhar para isso mais do que qualquer outra classe dos investidores.

A busca por alfa também se tornou importante, citou o economista, com a questão de apetite a risco relacionada ao prazo de investimento. “O que a gente vê é que quanto mais se amplia o horizonte, melhor a possibilidade de retorno. Para ter apetite a um risco maior, a solução é ter horizontes mais longos”. Segundo Amorim, usar o benchmark com base no CDI leva a decisões erradas e reforçou a importância de diversificar investimentos, inclusive, internacionalmente. “Ainda que eu acredite que hoje, no geral, as oportunidades de investimentos dentro do Brasil são muito melhores do que as que tem fora do país, não acho razoável que tenhamos os atuais limites para investimentos externos, e muito menos que os investidores tenham alocações muito inferiores a esses limites”. 

Ele ressaltou que se essas alocações fossem maiores, os investidores não teriam as dificuldades que tem hoje, pois os investimentos no Brasil ficaram muito aquém dos investimentos fora do país em uma análise de movimentos em horizontes longos. Amorim exemplificou que os investimentos das últimas décadas que tiveram melhor retorno fora país normalmente foram em setores que não estão presentes no Brasil, enquanto a bolsa brasileira não apresenta retornos tão positivos na mesma base comparativa. 

Educação financeira – Por conta das necessidades das pessoas terem que trabalhar de casa por um período longo, com o home office instalada na maior parte da empresas devido à pandemia, há hoje um novo impacto nos formatos de trabalho que até então as pessoas estavam acostumadas. “Com as relações de trabalho mudando, isso vai mudar também as relações com os fundos de pensão. É uma transformação gigantesca que não sabemos se será permanente”, disse Amorim. 

Ele citou que junto a esse fator, há a expansão recente dos planos de previdência complementar para familiares dos atuais participantes, sendo essa é uma das transformações importantes do sistema, que passa a ter um papel maior. Nesse sentido, Amorim ressaltou o papel da educação financeira, enfatizando que o Brasil precisa enfrentar essa questão e que é preciso o incentivo à formação de uma poupança de longo prazo para que se tenha uma qualidade de vida maior. “A própria pandemia talvez tenha acelerado isso”, pontuou, ressaltando que a indústria de previdência tem um papel forte em relação a esse tema. 

Segundo ele, juntar juros mais baixos com uma estrutura de emprego informal e falta de educação financeira pode gerar impactos negativos para a sociedade. “Educação financeira transforma um país em todos os aspectos”, destacou. 

Desafios – Ricardo Amorim disse ainda que daqui pra frente o Brasil enfrenta desafios com a necessidade das reformas para realização de um ajuste fiscal no país. Ele ressaltou também os impactos que a situação da política americana pode ter mundialmente, com um cenário de retorno da batalha comercial entre Estados Unidos e China. 

Para ele, as oportunidades do futuro estão pautadas na capacidade de resposta em momentos muito difíceis. “Acredito que a indústria de previdência complementar está passando, e passará pelos próximos anos, por uma grande transformação que pode vir a ser uma oportunidade dependendo da atitude pró-ativa que o sistema tiver”, complementou Amorim.

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