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Presença de Paulo Guedes no encerramento do 41º CBPP destaca Previdência Complementar na prioridade da agenda do governo

Presença de Paulo Guedes no encerramento do 41º CBPP destaca Previdência Complementar na prioridade da agenda do governo

“A Previdência Complementar está na agenda prioritária do Estado e é parceira do governo”, disse o Diretor Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Martins, no final da tarde desta quinta-feira, 19 de novembro, ao receber o Ministro da Economia Paulo Guedes para a Palestra de Encerramento do 41º Congresso Brasileiro de Previdência Complementar (CBPP). 

Luís Ricardo destacou a honra de receber a maior autoridade da economia do país no maior Congresso de Previdência Privada do mundo, destacando ainda a presença de demais representantes do governo durante o evento, que enfatizaram, durante quatro dias de conteúdo, o processo de recuperação da economia. 

O Ministro Paulo Guedes ressaltou que o governo brasileiro trabalhou em altíssima velocidade em relação à crise, lembrando que o senso de compromisso com as reformas continua. “Há muita reforma pela frente. Vamos transformar essa recuperação cíclica numa retomada de crescimento sustentável”. 

O Ministro falou com otimismo sobre a potência do mercado brasilero, de capitais e financeiro, como a grande alavanca para a recuperação do país. “Estamos indo em direção à uma economia de mercado. São milhões de brasileiros espalhados pelo Brasil investindo”, disse, citando o público de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). “São investidores de longo prazo, vão comprar esses investimentos e fazer o choque da infraestrutura brasileira”. 

Para exemplificar as medidas do governo diante da crise e o que ainda está por vir, Paulo Guedes traçou uma linha do tempo abordando, inicialmente, a reflexão do diagnóstico que o governo atual fez no início do mandato, de que o Brasil está em uma transição incompleta, “O país fez sua Glasnost, seu processo de abertura política, saindo de um sistema fechado para uma democracia resiliente”, disse. “Mas o Brasil é uma grande sociedade aberta em construção, está aperfeiçoando seu sistema democrático, e se avançou politicamente em um ritmo mais rápido. Eu diria que a transição do ponto de vista econômica, a nossa Perestroika, andou muito devagar. É uma transição incompleta”, continuou, ressaltando, entre outros pontos, a dificuldade de privatizações que ocorre no país.

Guedes ressaltou que há hoje uma aliança de conservadores nos costumes e de liberais na economia. Em sua visão, o movimento atual da democracia é normal e o “som” que vinha de fora de que a democracia brasileira estava ameaçada e entraria em um risco, que os investimentos iam parar de vir ao Brasil, não se concretizou. “Não foi isso que aconteceu”, disse o Ministro.

Em sua fala, a China foi destacada como uma economia que está penetrando globalmente, aderindo ao mercado capitalista, e assim “tiraram seu povo da miséria”, destacou. “O novo eixo de crescimento está do outro lado do mundo”, disse Guedes, ressaltando que do lado de cá há crises. “Reafirmo minha convicção de que o Brasil é uma grande sociedade aberta, em construção, com economia de mercado”.

Dívida pública – Entre os primeiros grande problemas detectados pelo atual governo, que buscou endereçá-los, Guedes apontou o aumento dos gastos públicos, que ocorrem desde o governo militar, saindo de 18% do PIB, chegando a 45% no auge do governo passado. “Esse descontrole e expansão ininterrupta dos gastos públicos ao longo de 40 anos foi responsável pelas disfunções da economia brasileira”, disse Guedes.

O Ministro destacou ainda o constante aumento da dívida pública e aumento de impostos, mas em paralelo, houve tentativas de se fazer aperfeiçoamentos institucionais, como a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal, ressaltando que é preciso ainda manter a cultura desta Lei, pois estados e municípios “estão todos apertados”. 

Guedes pontuou também a necessidade de se desvincular os fundos e saber onde haverá corte de gastos. “A discussão do orçamento é a essência da atividade política. No Brasil, 96% do orçamento está carimbado, e há uma briga pelos outros 4%”. Segundo o Ministro, o diagnóstico de altos gastos levou o governo atual a atacar as trajetórias futuras, criticando mais uma vez o endividamento e ressaltando a necessidade de se reduzir a relação dívida-PIB.

Reforma da Previdência – A Reforma da Previdência, aprovada no ano passado, foi apontada por Paulo Guedes em seu discurso como a primeira grande quebra dos gastos. Ele destacou que não foi possível aprovar o modelo de uma previdência baseada em regime de capitalização. “Com o regime capitalizado, a previdência fechada teria um papel decisivo na alocação de capital, maior do que nesse sistema que temos hoje, de repartição. Não conseguimos fazer, mas pelo menos removemos os privilégios, e podemos mais pra frente buscar um regime mais eficiente, mas não é mais prioridade desse governo”, disse.

Outra despesa apontada por Guedes é o juros da dívida, que foi trocado pelo controle de gastos do governo, travando despesas e desalavancado os bancos públicos. A terceira grande fonte de despesa pública, segundo Guedes, também endereçada pelo governo, mesmo em meio a pandemia, foram os gastos com funcionalismo público, em cima dos quais foi adotado o congelamento do salário dos servidores.

Pandemia – O Ministro citou ainda programas emergenciais implantados pelo governo em meio à crise decorrente da pandemia do novo coronavírus, o que ajudou a segurar o desemprego em patamares menores do que os observados nos Estados Unidos, por exemplo, ou no Brasil em períodos de recessão anteriores. “Em ano de pandemia, perdemos 550 mil empregos”, disse. “O Brasil está reagindo de uma forma que eu considero bastante razoável, basta comparar com os demais países”, complementou. Ele citou ainda as projeções para o PIB, que no início da crise eram de queda de 10%, sendo revisadas para -4%. Para 2021, a projeção é de alta entre 3,5% e 4%.

Ele ressaltou ações do governo como mudança de preços-chave na economia e a combinação de juros bem mais baixos e câmbio mais alto, o que, segundo Guedes, ajuda no processo de estimular exportações e na proteção de mercados internos. “Essa mudança é importante. Ao mesmo tempo, nós desalavancamos os bancos públicos, expandimos o crédito privado, e o crédito público está sendo democratizado. Milhões de brasileiros estão tendo acesso ao crédito”.

O Ministro disse ainda que há uma dimensão tecnológica nesse crédito, com a agenda digital do Banco Central contemplando Pix, fintechs, open banking, e indo em direção à moeda digital. “Essa é a real competição”, disse. “Mais importante que a competição de milhares de empresas semelhantes é a competição entre alguns poucos que trazem a inovação”, complementou.

41 edições de uma grande história – Luís Ricardo Martins destacou que o 41º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP) chega ao final ressaltando 41 anos de muita história. “Este 41º totalmente online, enfrentamos o grande desafio de uso intensivo de tecnologia. No entanto oferecemos muito conteúdo e apresentações de elevado nível”, disse, colocando o evento com um verdadeiro MBA de previdência privada.

Com o tema central “Oportunidades para Avançar #vamosagir”, o objetivo do 41º CBPP foi mobilizar o setor na reinvenção do seu modelo de negócio e expansão através das inúmeras oportunidades, disse Luís Ricardo, destacando os 5 mil participantes e quase 100% das EFPC presentes durante os 4 dias de evento, que contou com aproximadamente 100 apresentações de conteúdos relevantes e atuais. “A audiência média nessas apresentações foi de 3 mil participantes na programação oficial. No encerramento, mais de 4 mil pessoas presentes”, disse. 

Ele citou ainda a presença de grandes especialistas nacionais e internacionais, estudiosos, além de ações como Previdência É Coisa de Jovem, em parceria UniAbrapp e CIEE que realizou uma live com a presença de mais 2,5 mil jovens e mais de 7,5 mil visualizações. “Através da Conecta, estamos com 17 startups que participam o 1º hub de inovação da previdência privada, o Hupp, e lançamos uma Central de Serviços exclusiva para o setor, reunindo tecnologia e marketing digital”, disse.

“Nesse processo de reinvenção, passamos uma visão do presente e do cumprimento irrestrito da nossa missão de dar proteção social, pagando R$ 70 bilhões por ano a quase 900 mil pessoas”, enfatizou o Diretor Presidente da Abrapp, ressaltando a visão de futuro e de fomento com os Planos Família, PrevSonho e a previdência dos entes federativos.

Citando a cultura previdenciária como tão necessária, Luís Ricardo lembrou que na próxima semana ocorrerá a Semana ENEF – Semana Nacional de Educação Financeira, ressaltando que a previdência deve ser empregada nos bancos escolares, no ensino fundamental. “Em sintonia com esse novo mundo, a Abrapp aceitou os desafios colocados para levar aos senhores muito conteúdo e debate e as inúmeras janelas de oportunidades. Realizamos o maior Congresso de Previdência Privada do mundo, agora digital. Agimos e realizamos esse Congresso com um conteúdo que nunca antes se viu”, disse, parabenizando a equipe da Abrapp pela entrega. “Que venha 2021 e nosso 42º Congresso”.

41º CBPP: Recuperação do sistema e agenda de fomento são destaques de Plenária 2 com representantes do governo

41º CBPP: Recuperação do sistema e agenda de fomento são destaques de Plenária 2 com representantes do governo

O desempenho economia brasileira e do sistema de previdência complementar está retornando aos patamares pré-crise, e isso se deve principalmente às medidas que foram rapidamente implementadas para mitigar os impactos da pandemia no setor. O tema foi debatido na Plenária 2 “Medidas Anticíclicas Para Segurança do Legado: Panorama Atual” do 41º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP) ocorrida na parte da tarde desta terça-feira, 17 de novembro, e mediada pela jornalista Mara Luquet.

Para exemplificar a boa recuperação do sistema, Lucio Rodrigues Capelletto, Diretor-Superintendente da Previc, apresentou o panorama atual das 288 Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), que hoje somam 1.099 planos e R$ 969 bilhões em ativos. “Ao final do ano passado, estávamos próximos de R$ 1 trilhão em ativos, mas em virtude da crise, com deterioração dos ativos, houve uma redução”. 

Olhando a evolução dentro do sistema, 2016 foi um período em que foram registrados altos déficits, o que veio a declinar posteriormente, com aumento dos superávits, que chegaram ao final de 2019 em R$ 400 milhões. Com a crise, o déficit voltou a se elevar, mas agora já está declinando novamente, apontou Lucio. Ele ressaltou a importância de olhar a estrutura do segmento, com três tipos de modalidades de planos: Benefício Definido (BD), Contribuição Variável (CV) e Contribuição Definida (CD).

A recuperação do sistema foi reflexo das medidas adotadas pelo governo para que a economia mantivesse o ciclo de crescimento antes da crise. Adolfo Sachsida, Secretário de Política Econômica, destacou que com a chegada da crise de 2020 devido à pandemia, foram adotadas medidas econômicas que resultaram em uma retomada em V em diversos setores, com retorno de muitos indicadores aos patamares pré-crise. Houve, assim, uma melhora nas expectativa de mercado, e a projeção é que a queda do PIB para este ano seja de 4%, percentual bem menor perto do que se projetava no início da crise.

Adolfo apontou que é fundamental que o país consolide seu lado fiscal para continuar protegendo a população brasileira. “O processo de consolidação fiscal é um sólido combustível para o crescimento econômico de longo prazo e o aumento de produtividade é um motor para esse crescimento”, complementou Adolfo, reforçando que na agenda do governo está a discussão de reformas e privatizações.

Metas atuariais e tábuas de mortalidade – Lúcio ressaltou que o panorama de recuperação das EFPC é importante no que diz respeito à questão dos ativos e passivos. Ele explicou que os planos BD têm a meta atuarial a ser perseguida, na média 4,7%, com determinadas bandas, e para o Superintendente da atuarial, o dever de casa das EFPC é reduzir as metas para que as entidades tenham em seus planos uma meta atuarial mais condizente com as atuais taxas de juros. “Não basta simplesmente pegar a meta atuarial sem observar o indexador, esse é um risco que deve ser observado”. 

Ele citou ainda as tábuas de mortalidade, que devem ser atualizadas, pois se há uma longevidade aquém da real, a entidade terá um passivo menor, e isso, no futuro, impactará no pagamento de benefícios. “A Instrução Normativa nº 33 veio para tentar solucionar esse problema”, disse Lúcio citando a IN que foi editada pela Previc no último dia 23 de outubro e que trouxe avanços para a modernização das regras atuariais para os planos de benefícios, como a proposta de utilização de tábuas de mortalidade de referência, no lugar das tábuas mínimas obrigatórias, da Instrução anterior – IN Previc nº 10/2018.

Diversificação – Lúcio destacou a evolução dos indicadores Selic, Dólar e Ibovespa, com a taxa de juros caindo desde 2016 de 14,25% e chegando em 4,5% em dezembro de 2019. “Com a crise, houve uma queda abrupta da bolsa e um aumento no dólar, mas a recuperação em V demonstra que a queda da taxa de juros continua, mas novamente há um crescimento da bolsa como aconteceu no período pré-crise. Há uma recuperação, e isso vem fortalecer a economia real”.

Ao olhar os ativos das EFPC, contudo, a distribuição dos investimentos está altamente concentrada em títulos públicos, mesmo que isso não seja igual em todos os planos. “Vislumbramos que haverá redução em termos de títulos públicos e aumento das demais classes, tendo uma alocação mais diversificada de ativos, o que é bastante positivo para a economia real’’, disse o Superintendente da Previc.

Lucio citou ainda os investimentos e as obrigações das entidades, que são regulados, respectivamente, pela Resolução CMN 4.661 e pela Resolução CNPC 30, destacando que há uma proposta de revisão da Resolução 4.661 para permitir maior diversificação em exterior, e também solucionar questões relacionadas a investimentos em imóveis. 

Supervisão – Em um cenário de maior risco, Lucio destacou que a Previc monitora os riscos de mercado, sendo eles juros, câmbio e preços; o risco de liquidez, ou seja, a capacidade do sistema de honrar os pagamentos; além do risco de crédito e o risco atuarial pelo lado do passivo, olhando os indexadores, a longevidade e as próprias regras de modelagem. A Previc olha ainda para o risco operacional, com passivos contingentes; e os riscos ambientais, sociais e de governança (ASG). 

“Tudo isso está sendo incorporado dentro do nosso processo de supervisão, alterando tanto o monitoramento quanto a supervisão direta, com um sistema de riscos e controles para identificar tudo até chegar no risco de solvência da entidade. Chamamos a atenção para o fato de que a supervisão passa a atuar mais voltada aos riscos inerentes às atividades de previdência de cada plano”, disse Lucio. 

Ele reiterou que a Previc espera uma governança robusta, com dirigentes mais qualificados à frente das EFPC; controles internos eficientes, para que todas as operações sejam acompanhadas com instrumentos adequados; e gestão de risco eficaz nesse momento de redução de taxa de juros. “Esperamos que isso seja internalizado por todas as entidades na gestão de seus planos’’.

Legado – Edécio Ribeiro Brasil, Diretor-Superintendente da Valia, destacou o legado do sistema, reiterando que os planos CD e CV vêm ganhando espaço, mas os planos BD são um legado que precisa ser cuidado. “Esse nosso legado demanda uma atenção especial por todas as características do plano e pelo volume envolvido. Além do mais, é o nosso cartão de visita, o que permitiu avançar e tornar o sistema de previdência complementar uma opção real para o país em termos de previdência. Pela importância histórica e dos milhares de aposentados que merecem maior atenção, esse legado precisa ser cuidado junto aos planos novos”, disse.

Ele ressaltou que os planos previdenciários são produtos de longuíssimo prazo e estão sujeitos a ciclos econômicos e precisam se adaptar e eles. “Os ciclos sempre existiram”, disse, ressaltando que o cenário atual é bastante desafiador, muito em razão da pandemia, mas além disso, já existiam algumas questões macroeconômicas caminhando para um novo ciclo, o que é uma nova realidade para todos que fazem a gestão de recursos de EFPC, disse Edécio, citando a Selic na mínima histórica e a volatilidade da bolsa de valores brasileira.

Para ter maior segurança ao longo dos ciclos é preciso adotar estratégias como estudos de ALM, com planejamento estratégico de longo prazo e com bases sólidas e técnicas de gestão, disse Edécio. “Com essa visão de longo prazo, esses movimentos de curto prazo que sempre vão existir têm um peso menor, já que temos toda capacidade de trabalhar essas estratégias. O curto prazo também é relevante pois temos oportunidades a serem capturadas em momentos agudos de crise”, ressaltou, citando a importância de se construir uma carteira estratégica em renda fixa e renda variável.

Planejamento estratégico – O aperfeiçoamento do arcabouço legal da previdência, o fomento, e o fortalecimento da governança e supervisão foram os três pontos discutidos pelo sistema no início do ano ao traçar o planejamento estratégico para 2020. Paulo Fontoura Valle, Subsecretário de Previdência Complementar da Secretaria de Previdência, destacou que esses pontos foram fruto de debate do planejamento estratégico realizado pela Abrapp, se estendendo depois no âmbito do CNPC.

Na discussão de aprimoramento do arcabouço legal, foi discutida a importância de regulamentar as entidades abertas de previdência para fazerem a administração de plano de previdência de entes federativos; a simplificação da Lei Complementar nº 109; e a discussão da Lei de Responsabilidade Previdenciária. 

Nas discussões sobre fomento, Paulo Valle ressaltou que há uma tendência de crescimento do setor a partir da Emenda Constitucional nº 103, que determina que a partir de novembro deste ano todos os entes públicos que têm RPPS venham a instituir uma entidade de previdência complementar. “Esse é um ponto que vai fomentar o setor. Outro ponto é a ampliação da cobertura com os planos família e a criação de produtos e soluções que incentivem o mercado de renda no Brasil”.

O fortalecimento da governança e supervisão passa por uma maior coordenação entre a políticas de entidades abertas e fechadas, do CNPC e CNSP, e por uma agenda de independência patrimonial das entidades; harmonização das regras entre abertas e fechadas, e garantir uma maior autonomia para a Previc e Susep. 

“Com a pandemia, houve um monitoramento permanente dos principais impactos e riscos dos ativos e nas condições das EFPC, e ao longo do mês de março, abril e maio isso ocorreu através de diversas reuniões do CNPC. Após as medidas adotadas pelo governo, houve recuperação dos ativos, e a partir do segundo semestre entendemos que não seria necessário tomar medidas mais fortes de monitoramento do mercado. Agora, chegando ao final do ano, a agenda do planejamento estratégico andou, principalmente com medidas de suporte aos entes da federação que devem instituir a previdência complementar nos próximos dois anos. A nossa expectativa é que no final do ano, após as eleições municipais, a gente ganhe uma velocidade maior na criação desses regimes”, destacou Paulo Valle.

Educação financeira – A educação financeira é um dos principais pontos que compõe o pilar de fomento da previdência, e nesse sentido o governo avançou bastante, destacou Paulo Valle, criando o Fórum Brasileiro de Educação Financeira, composto pelo Banco Central, CVM, Susep, Secretaria do Tesouro Nacional, Secretaria de Previdência, Previc, Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e Ministério da Educação.

Segundo Valle, o objetivo é incrementar ações de educação financeira que já vinham sendo implementadas, e entre a iniciativas está a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), na qual o governo incentiva o setor privado a fazer eventos de educação financeira, “Essa é uma iniciativa que a gente vem atuando, e este ano o tema será resiliência financeira”.

Além disso, será lançado pela Secretaria de Previdência um guia de preparação para aposentadoria, trazendo um entendimento desde a previdência social até a previdência complementar, atualizando de acordo com a Reforma da Previdência; além da publicação de um guia para aposentado com uma visão dos cuidados que se deve tomar com consignados. “O planejamento estratégico de educação financeira aprovado no CNPC tem uma agenda de cursos à distância, incluindo um risco para servidores públicos especialmente por conta da mudança da legislação”, complementou Paulo Valle.

Inovação – Edécio Brasil reforçou a necessidade das fundações serem inovadoras na busca de produtos sustentáveis, de longo prazo, com solidez nas premissas atuariais e fortalecimento da governança, mas trabalhando em harmonia com o legado, e se refletindo no uso de tecnologia, busca de produtividade e solidez nos processos. Ele citou que a tecnologia e inovação devem ser incorporadas pelas EFPC para continuar atuando. “Os jovens não querem se comunicar como nós fazíamos no passado, eles querem ter aplicativos onde podem resolver tudo, e a tecnologia à disposição tudo isso é absolutamente fundamental”, disse. 

Ele ressaltou que os novos planos voltados para familiares dos participantes são criados com acesso digital, justamente para atender esse novo público. “A inovação deve ocorrer ainda no desenho dos planos, que vem sendo cada vez mais adequados à realidade do mercado. “O mercado de trabalho está mudando enormemente”, destacou.

41º CBPP: Ricardo Amorim ressalta desafios da baixa taxa de juros e importância da educação financeira

41º CBPP: Ricardo Amorim ressalta desafios da baixa taxa de juros e importância da educação financeira

No Eixo Temático 1 – Impacto do Presente no Futuro do 41º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP), que iniciou nesta segunda-feira, 16 de novembro, o economista Ricardo Amorim participou de Insight Session com o tema “O Day After da Crise que Ninguém Esperava”, abordando os impactos da pandemia de COVID-19 no cenário macroeconômico brasileiro e mundial, e os desafios daqui pra frente.

Ricardo Amorim destacou que 2020 tem sido um ano diferente, mas cheio de lições, destacando que o Brasil vive um momento de queda da taxa de juros que foi acelerado pela pandemia, com Selic se aproximando de zero. “Isso torna o Brasil se um país ‘normal’ em tempos anormais, porque a taxa de juros perto do zero ou até negativa tem sido comum em outras países. A gente vinha caminhando nessa direção, mas faltou a pandemia para dar o último passo”. Segundo ele, esse cenário macroeconômico atual muda tudo do ponto de vista de quem aloca recursos, de quem precisa poupar e de quem precisa de crédito. “Isso é uma transformação gigantesca”. 

Amorim citou alguns aspectos relacionados a essa transformação, ressaltando que o cenário requer uma revolução na indústria de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). Ele ressaltou o impacto expressivo que essa redução da taxa Selic tem nos planos de Benefício Definido (BD). “Quando olhamos para a estrutura de equipes da parte de alocação de investimentos no geral, em um país em que a taxa de juros sempre foi elevada, a maior dessas equipes eram especializadas em renda fixa, e essa estrutura não faz mais sentido. Esse talvez seja o desafio estrutural mais importante e complicado”. 

Apetite ao risco – Segundo Amorim, há dois caminhos para resolver esse desafio: um é uma readequação da equipe, com pessoas treinadas para lidar com risco de crédito e passar a entender outros riscos. Ele citou ainda que as equipes devem ser montadas de formas diferentes dentro das instituições, com expertises e níveis distintos de tolerância ao risco, destacando que uma grande transformação que os investidores devem enfrentar é a questão da visão curto prazista, que deve ser mudada a partir de agora, diante desse novo cenário. “No momento, a gente tem investidores experientes moldados em um ambiente que não é mais o visto, e isso pode levar a uma visão de mercado deturpada”, disse, ressaltando que as EFPCs devem olhar para isso mais do que qualquer outra classe dos investidores.

A busca por alfa também se tornou importante, citou o economista, com a questão de apetite a risco relacionada ao prazo de investimento. “O que a gente vê é que quanto mais se amplia o horizonte, melhor a possibilidade de retorno. Para ter apetite a um risco maior, a solução é ter horizontes mais longos”. Segundo Amorim, usar o benchmark com base no CDI leva a decisões erradas e reforçou a importância de diversificar investimentos, inclusive, internacionalmente. “Ainda que eu acredite que hoje, no geral, as oportunidades de investimentos dentro do Brasil são muito melhores do que as que tem fora do país, não acho razoável que tenhamos os atuais limites para investimentos externos, e muito menos que os investidores tenham alocações muito inferiores a esses limites”. 

Ele ressaltou que se essas alocações fossem maiores, os investidores não teriam as dificuldades que tem hoje, pois os investimentos no Brasil ficaram muito aquém dos investimentos fora do país em uma análise de movimentos em horizontes longos. Amorim exemplificou que os investimentos das últimas décadas que tiveram melhor retorno fora país normalmente foram em setores que não estão presentes no Brasil, enquanto a bolsa brasileira não apresenta retornos tão positivos na mesma base comparativa. 

Educação financeira – Por conta das necessidades das pessoas terem que trabalhar de casa por um período longo, com o home office instalada na maior parte da empresas devido à pandemia, há hoje um novo impacto nos formatos de trabalho que até então as pessoas estavam acostumadas. “Com as relações de trabalho mudando, isso vai mudar também as relações com os fundos de pensão. É uma transformação gigantesca que não sabemos se será permanente”, disse Amorim. 

Ele citou que junto a esse fator, há a expansão recente dos planos de previdência complementar para familiares dos atuais participantes, sendo essa é uma das transformações importantes do sistema, que passa a ter um papel maior. Nesse sentido, Amorim ressaltou o papel da educação financeira, enfatizando que o Brasil precisa enfrentar essa questão e que é preciso o incentivo à formação de uma poupança de longo prazo para que se tenha uma qualidade de vida maior. “A própria pandemia talvez tenha acelerado isso”, pontuou, ressaltando que a indústria de previdência tem um papel forte em relação a esse tema. 

Segundo ele, juntar juros mais baixos com uma estrutura de emprego informal e falta de educação financeira pode gerar impactos negativos para a sociedade. “Educação financeira transforma um país em todos os aspectos”, destacou. 

Desafios – Ricardo Amorim disse ainda que daqui pra frente o Brasil enfrenta desafios com a necessidade das reformas para realização de um ajuste fiscal no país. Ele ressaltou também os impactos que a situação da política americana pode ter mundialmente, com um cenário de retorno da batalha comercial entre Estados Unidos e China. 

Para ele, as oportunidades do futuro estão pautadas na capacidade de resposta em momentos muito difíceis. “Acredito que a indústria de previdência complementar está passando, e passará pelos próximos anos, por uma grande transformação que pode vir a ser uma oportunidade dependendo da atitude pró-ativa que o sistema tiver”, complementou Amorim.

Artigo: Análise econômica da pandemia e seu papel na aceleração de processos – Por Andressa Monteiro Durão*

Artigo: Análise econômica da pandemia e seu papel na aceleração de processos – Por Andressa Monteiro Durão*

Autoridades de todo o mundo se depararam com algo inédito e inimaginável no primeiro trimestre deste ano. Sem tempo suficiente para medir os impactos e duração da nova realidade, mas diante da preocupação imediata com as vidas que poderiam e já haviam sido perdidas, a solução foi decretar lockdown. E, agora, oito meses após ter sido declarada a pandemia, nos deparamos com um cenário de retorno do aumento de novos casos da doença em economias importantes, com novas medidas e riscos de restrições, que alimentam a incerteza e a mantêm em nível elevado, onde permanecerá até que se encontre uma vacina.

A doença atingiu os países em momentos e magnitudes diferentes. Porém, o comportamento das economias, sejam desenvolvidas ou emergentes, é, de forma geral, bastante parecido no que diz respeito ao impacto na atividade econômica, timing da recuperação entre diferentes segmentos, movimento da inflação, comportamento dos consumidores, revolução no setor da saúde e políticas econômicas. Todas as mudanças ocorridas até aqui deixarão marcas profundas e nos levarão a um mundo (pouco ou muito) diferente pós-pandemia.

Com as restrições necessárias, parte da economia foi estancada (ou interrompida) e outra parte modificada. Houve mudanças em todos os segmentos da atividade econômica. Mas foram os Serviços os mais atingidos, diferentemente de qualquer outra crise já vivida por nós. O setor de serviços engloba, particularmente, atividades em que há maior contato pessoal e, além disso, atividades consideradas não essenciais. Esse setor, ao mesmo tempo, responde por cerca de 70% do PIB brasileiro. A recuperação também ocorre de forma diferente de outros setores. Consumidores tendem a não repor os serviços que não foram consumidos em determinados períodos. Não há sinais de reversão completa das perdas nesse caso. As preocupações com o mercado de trabalho são enormes por ser o setor que mais emprega no país. A única coisa sabida é que o setor sairá da pandemia com enorme ociosidade.

O chamado “fator medo” é um dos grandes vilões da atividade econômica neste período. Consumidores decidem não gastar, por diversos motivos, em condições de incerteza elevada. Em condições de incerteza estratosfericamente elevada – caso da pandemia –, houve comportamentos jamais vistos. Em diversos países foi observado aumento substancial do nível de poupança, seja pelo impedimento de se gastar, seja pelo receio com o futuro da economia. O lado positivo é que, quando tudo for resolvido, haverá uma demanda reprimida pronta para impulsionar o consumo. Mas nem todos os segmentos foram impactados negativamente. O consumo on-line foi uma das salvações das famílias na pandemia. Pessoas que não tinham o costume de comprar dessa forma foram praticamente obrigadas a adotá-la. Não há chances de esse tipo de comportamento voltar a ser exatamente como antes.

O fato de as famílias serem obrigadas a ficar em casa elevou a demanda por alimentos, principalmente os da cesta básica, e um dos poucos segmentos a ser impactado positivamente foi o de supermercados. A mudança na composição da cesta de consumo, somada aos auxílios do governo à população de mais baixa renda, contribuiu para um aumento considerável da demanda por esses bens, originando um problema de oferta que, junto à depreciação do real, contribuiu para o aumento da inflação do setor. Em praticamente todos os países o movimento da inflação foi o mesmo: inflação de alimentos elevada e inflação de serviços deteriorada.

A fim de conter as mazelas da crise, governos se propuseram a expandir suas políticas fiscais, oferecendo diversas medidas de suporte a empresas e famílias. Medidas de auxílio ao crédito, postergações de impostos, apoio ao mercado de trabalho, antecipações de benefícios, renda extra, entre outras, foram rapidamente implementadas. A ajuda necessária, completamente justificada, por um lado contribuiu para que empresas não fossem quebradas, para que milhares de pessoas não perdessem seus empregos e para que o segmento do varejo se recuperasse prontamente. Por outro lado, aumentou consideravelmente o nível de endividamento público dos países. E aqueles que já enfrentavam problemas fiscais sairão com uma dívida altíssima. É o caso do Brasil, que precisará, mais do que nunca, se apoiar na agenda de reformas estruturantes – aquela que foi interrompida pela crise, transformando o status do governo de austero para um dos que mais disponibilizou recursos à população neste período.

Para dar a liquidez necessária a tamanha destruição, foi necessário também enorme esforço monetário. Países que tinham espaço derrubaram suas taxas de juros a níveis mínimos históricos, enquanto países com juros próximos a zero expandiram seus balanços com patamares elevadíssimos de compras de ativos. O Banco Central do Brasil levou a taxa Selic para 2,0% a.a, nível jamais imaginado. Com a inflação em níveis baixos por conta da enorme ociosidade que o setor de serviços apresentará, que compensará o movimento temporário de alta em alguns preços, os estímulos tendem ser mantidos por um longo período de tempo até que as economias consigam se reerguer. Teremos um Brasil de baixas taxas de juros e inflação.

Não é difícil imaginar que tantas mudanças trouxeram rápidos e fortes impactos nos investimentos. Não só impactos pontuais. Além do recente e forte avanço em tecnologia e digitalização, a pandemia acelerou outros processos já antes iniciados e transformou estratégias de fundos, demandando dinamismo e inovação. A queda da taxa de juros antes da crise já vinha explicando parte da migração da renda fixa para investimentos em bolsa e no exterior, de ativos mais conservadores para os de maior risco e maior diversificação das carteiras. A pandemia contribuiu para a aceleração dessa tomada de risco.

O aumento da preocupação com saúde e previdência neste período reforçam a ideia da necessidade de segurança e busca por soluções sustentáveis para o futuro do país, no sentido de complementação à poupança, ideia já bastante difundida com a Reforma da Previdência. Parte das mudanças que ocorreram com a pandemia será permanente. Saber lidar com a nova estrutura com responsabilidade e visão de longo prazo, mantendo a consistência nos retornos com qualidade, será o diferencial dos investidores.

*Mestre em Economia e economista da Icatu Vanguarda

(As opiniões e conceitos emitidos no artigo acima não refletem, necessariamente, o posicionamento da Abrapp a respeito do tema)

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