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Artigo: Um novo ano na China – por Gabriela Santos*, do J.P. Morgan Asset Management

Artigo: Um novo ano na China – por Gabriela Santos*, do J.P. Morgan Asset Management

Dia 12 de fevereiro marcou o começo do Ano-Novo Chinês. A China, como muitos países, certamente estava muito ansiosa para dar um fim ao ano da pandemia. Nesse novo ano, a economia chinesa continuará sua recuperação dos efeitos da pandemia, com alguns desafios ao longo do caminho. Enquanto que a China foi a única economia principal a registrar uma recuperação em formato de “V” no ano passado, os componentes de seu crescimento ainda estão desequilibrados, com espaço para uma transição da indústria e do setor público ao consumo e ao setor privado nesse ano.

A China também terá como objetivo uma normalização de sua política monetária e fiscal, dadas suas preocupações com bolhas de ativos. Por fim, a China terá que navegar em uma nova administração nos Estados Unidos, que deverá ser mais previsível em comparação com a anterior, mas que continuará a competir ativamente com o país.

Pensando mais além do próximo ano, a China continuará sua jornada de desenvolvimento. Em 2010, a China passou o Japão para se tornar a segunda maior economia do mundo. Estimamos que em 2027 ela ultrapassará os Estados Unidos para se tornar a maior economia mundial. Mais interessante do que o tamanho de sua economia em si, é o potencial da China para dobrar o seu PIB per capita durante esse periodo: de $10,000 por pessoa hoje (similar ao Brasil) para $20,000 por pessoa, o que a qualificará como um país de alta renda. Essa é uma transição que poucos países emergentes conseguiram fazer com sucesso.

Para escapar da “armadilha da renda média”, a China está focando sua economia em novos motores de crescimento, como: inovação tecnológica, serviços, e demanda interna. Ao invés da fábrica do mundo, devemos pensar na China como os consumidores e inovadores globais. Se a China for bem sucedida nesse esforço (como esperamos que seja), meio bilhão de chineses entrarão na classe média na próxima década. O crescimento de suas despesas discricionárias será uma fonte potente de crescimento de lucro para empresas de consumo, tecnologia, saúde, e serviços financeiros, entre outros.

Crucialmente para investidores, a China tem aberto os seus mercados financeiros para investidores estrangeiros, que agora podem acessar os segundos maiores mercados de renda variável e renda fixa no mundo. Ações chinesas oferecem a investidores um potencial de retorno maior do que o disponível em países desenvolvidos, dado um potencial de crescimento de receita superior, especialmente nos setores relacionados ao crescimento da classe média chinesa e da digitalização de sua economia.

Além disso, a renda fixa chinesa oferece juros mais altos do que se pode encontrar em outros países de grau de investimento. Por fim, como seus mercados ainda têm uma participação baixa de investidores estrangeiros, a correlação de seus mercados com outros mercados globais é muito baixa, ajudando a diversificação das carteiras. Os benefícios dos mercados chineses são muitos – mas os riscos também são. Por isso, uma gestão ativa com presença local é crítica.

A história do crescimento chinês está longe de ter terminado. A China é grande, mas se tornará ainda maior, mais rica e mais acessível para investidores globais. Nesse mundo de baixo crescimento e retorno, a China é uma peça chave nas carteiras de investidores.

*Estrategista de Mercados Globais do J.P. Morgan Asset Management.

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