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Diversificação em renda variável e vantagens do Pix pautam discussões do primeiro dia de Seminário

Diversificação em renda variável e vantagens do Pix pautam discussões do primeiro dia de Seminário

A parte da tarde do primeiro dia do 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC trouxe uma discussão de extrema relevância diante do momento atual de busca por maior diversificação dos portfólios das fundações. Com 700 participantes, o evento online e ao vivo iniciou nesta quinta-feira 15 de outubro. Confira a palestra de abertura e os primeiros painéis do dia.

Diversificação em Renda Variável

Lucas Ferraz Nóbrega, Diretor Presidente da Fundação Libertas, moderou o painel que tratou Estratégias para Diversificação em Renda Variável, composto por gestores especializados que destacaram diferentes estratégias de alocação de investimentos no segmento. No painel, Alexandre Sabanai, Gestor dos Fundos de Ações da Perfin Asset Management, abordou as as perspectivas para o índice Bovespa, destacando o período de crise devido à pandemia de COVID-19 e já as perspectivas de recuperação. “Passamos meses atípicos este ano, entre março e abril, mas tivemos um retorno surpreendente nessa retomada devido a um processo de injeção de liquidez global e de expansão monetária ao longo da principais economias desenvolvidas”.

No Brasil, Sabanai citou o processo de endividamento para que se pudesse dispor de liquidez e propiciar, tanto às pessoas físicas quanto jurídicas uma espécie de expansão monetária vinda de um lado de maior endividamento do governo. “De certa forma, temos o lado negativo, que é o fiscal, mas tem o lado positivo, que trouxe um colchão de liquidez para que muitas das pequenas e médias empresas não quebrassem. Essa liquidez é um pilar importante”.

A expectativa de normalização da atividade, conforme se tenha a disponibilidade de uma vacina, levou ao mercado um ponto relevante que precifica os ativos, destacou Sabanai. “Além disso, temos as eleições americanas e, passando as eleições, o grande pilar de importância se dará em relação à guerra comercial entre Estados Unidos e China, que deixou de ficar no radar devido à pandemia, mas deve voltar a ser discutido”. Ele destacou que houve uma perspectiva de um cenário mais conservador para a bolsa brasileira nesse período, e esse cenário permanece em torno dos 120 mil pontos, e não mais do que isso. “Vemos dois setores com peso grande no índice Bovespa, com riscos razoáveis: o setor de bancos, que representa praticamente 30% do índice; e o de commodities, que tem um peso de 25% no índice. Os demais setores compõem um bloco mais otimista”, destacou.

Segundo Sabanai, há ainda dois novos fatores de análise de risco na bolsa, incorporados no final de 2018, ligados aos aspectos sociais e ambientais, compondo o índice ASG e se tornando mais explicitados junto à governança. “Passamos a dar notas relacionadas a esses itens”, disse. “Temos um bom processo de screening desses critérios incorporados”. Ele salientou que os aspetos ASG devem ser olhados de forma mais ampla, incluindo iniciativas nas gestoras, destacando as ações que a Perfin realiza dentro desses aspectos. “O ASG deve fugir um pouco do óbvio, olhando as iniciativas que as próprias gestoras estão tomando”.

Fatores – Em seguida, Rodrigo Pereira Maranhão, Sócio e Gestor da Kadima Asset Management, abordou o investimento em fatores, ou factor investing. “Fatores são características que, no longo prazo, explicam, pelo menos parcialmente, a diferença de retornos entre ativos, no caso, ações, de longo prazo. Assim, você pode gerar retornos acima do benchmark no longo prazo. São comuns as evidências que os fatores funcionam no mundo inteiro”, destacou.

Segundo ele, há uma série de fatores tendendo a remunerar o investidor no longo prazo, e no factor investing o papel do gestor é gerar essa exposição de forma sistemática. “É possível dividir as ações em grupos sob a métrica de fatores e medir o resultado no longo prazo. Os quatro grandes tipos de fatores são momento, valor, risco e qualidade”, disse Rodrigo, ressaltando que é importante tomar cuidado com a sobreposição de fatores. “Temos muitas possibilidade de combinar fatores, avaliando qual momento do ciclo econômico se deve entrar, tentando mapear qual fator vai performar melhor no futuro e tentando encontrar uma asset allocation efetiva entre os fatores”.

Em alguns momentos, Rodrigo explicou que um fator que tem o melhor retorno pode ter um risco muito grande. “Quando temos uma exposição alvo, tentamos minimizar os riscos colocando pesos entre fatores. Tendo calculada a exposição de cada fator, podemos otimizar a carteira de forma a minimizar os riscos que no longo prazo não vão gerar retorno extra, mas ao mesmo tempo, ter uma exposição-alvo a riscos que me remuneram no longo prazo”, destacou.

Nova economia – Iniciando uma abordagem sobe nova economia, Pablo Riveroll, Head de Gestão de Renda Variável Brasil e Latam da Schroders, falou sobre a velha e a nova bolsa brasileira dentro de um viés ASG e quantitativo. “Falarei de três pontos são parte dos nossos processos de investimentos e essenciais. O primeiro deles é a nova economia”. Segundo ele, a nova economia gera crescimento, impacto, lucratividade e sustentabilidade, empresas inovadoras estão mudando a forma de consumo no Brasil.

“Dentro desse grupo de nova economia, temos ainda saúde a custos mais acessíveis, acesso a internet a saneamento, e muitas empresas estão retirando barreiras de entrada de novos negócios para diminuir preços. Muitos modelos de negócios no Brasil tem um dinamismo forte, mas é importante saber selecioná-los e investir”, destacou Riveroll. Ele ressaltou que na bolsa brasileira há uma exposição pequena a essa nova economia.

Segundo ele, com o uso big data, ou análise de dados, há maior convicção em relação às teses de investimento. “O acesso a dados é fundamental competitivamente entre os gestores”. No modelo quantitativo de alocação e controle de risco, Riveroll demonstrou como são selecionados países, por exemplo, na composição do portfólio de um fundo de investimento. “Em vez de otimização, é usada uma abordagem de alocação simples, do pior para o melhor”.

Na abordagem ASG em escala global, a visão de Riveroll sobre sustentabilidade está direcionada a retornos. “Buscamos boa gestão e bons fundamentos do negócio usando duas ferramentas principais: a primeira incorpora todos os dados em termos de relatórios e mede controvérsias; e a outra faz uma análise de portfólios que incorpora custos e benefícios gerados para a economia”, complementou.

Pix e Revolução nos Meios de Pagamento

O último painel do dia contou com uma apresentação sobre um tema que está em pauta no momento, diante da avalanche de inovações nos meios de pagamento do Brasil: o Pix. “O processo de pagamentos faz parte do dia a dia das entidades e dos participantes, e isso impacta diretamente nosso sistema”, disse Luiz Paulo Brasizza, Diretor de Investimentos da Volkswagen Previdência Privada e Diretor Vice-Presidente da Abrapp, moderador o painel. “Temos que tratar isso inclusive pensando na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), pois trataremos de dados extremamente importantes”, destacou. “Certamente teremos que adequar nosso sistemas à essa nova realidade”, ressaltou Brasizza.

Angelo J. Mont’alverne Duarte, Chefe do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central, destacou todo o processo de mudança do sistema financeiro até se chegar no Pix, que é um projeto do BC junto ao setor privado. “O Banco Central iniciou, recentemente uma série de projetos que estão ficando maduros nesses últimos anos para se ter um sistema financeiro mais eficiente. O Pix é um dos principais, mas há outros, como open banking, que está em andamento”, disse. “O objetivo é trazer mais eficiência e mais competição também, viabilizando que instituições financeiras consigam competir em escala menor”.

Ele explicou qual é o contexto do novo ecossistema de meios de pagamento. “Apesar da digitalização ser forte, com transferências bancárias e cartões, havia lacunas, e uma delas era o tempo em que as transações se dão. Em vários desses meios de pagamento, com cartões, boletos e transferências, há uma demora para que recursos sejam transferidos do pagador ao recebedor”, citou, falando ainda sobre o desenho mais enxuto do Pix em que instituições se conectam a essa plataforma sem intermediários. “Por fim, o papel moeda, ainda muito utilizado no Brasil, é um meio de pagamento ineficiente e muito caro. Qualquer redução do papel moeda trará um retorno à sociedade muito grande”.

Angelo citou as sete características que tornam o Pix único: velocidade, disponibilidade, segurança, conveniência, multiplicidade de casos de uso, informações agregadas, e ambiente aberto. “No Pix, os recursos transitam de uma conta para outra em poucos segundos”, disse. “Além disso, o Pix é um sistema construído do zero, sem legado, e traz uma série de características de segurança modernas”. Os casos de uso abrangem tanto pagamentos de governo quanto outros tipos de pagamento. O ambiente aberto permite ainda que um leque maior de instituições possam operar nesse novo meio de pagamento. “Já temos 980 instituições em processos de adesão ao Pix”.

O Banco Central vê a questão tecnológica como indutor de inovação, bancarização e competição, sem perder de vista a estabilidade do sistema, gestão prudencial e sigilo bancário, ressaltou Angelo. “A LGPD é mais uma camada que se põe à respeito dos dados pessoais”, complementou. O Pix estará em funcionamento pleno a partir do dia 16 de novembro.

Inovação – Em seguida, dois representantes do Hupp, hub da previdência privada organizado pela Abrapp e Conecta em parceria com a LM Ventures, fizeram apresentações sobre suas soluções em meios de pagamento: Piero Contezini, CEO e Fundador da Asaas, e Lucca Freire, Sócio da Trampolin.

A Asaas atua como instituição financeira com um atendimento que permite o pequeno cliente consiga acessar serviços financeiros que antes não teria acesso. O principal objetivo da Asaas é simplificar a cobrança de empresas por meio de automatização e disponibilização links, além de personalizar faturas de cobrança e oferecer meios de pagamento, que será facilitado com Pix, dando maior acesso a população que não é bancarizada. “O Asaas tem uma visão de tornar o recebimento de dinheiro algo muito fácil, de forma automática”, explicou Piero Contezini.

Já a Trampolin, plataforma de banking que fornece infraestrutura tecnológica para empresas que querem oferecer serviços financeiros aos seus usuários finais, oferece suporte técnico para quem quer construir e escalar experiências financeiras aos seus clientes, de APIs ao regulatório, oferecendo estruturas white label. “O banking é um complemento para a previdência. É uma grande oportunidade de abrir portfólio de produtos e serviços para os clientes da previdência privada”, disse Lucca Freire.

Rodada de Negócios – Com apresentações de cases e produtos, durante uma hora, os participantes do evento tiveram oportunidade de ver pitches de gestores e empresas especializadas em 20 estandes virtuais da área de exposições do centro de eventos online. Os pitches comerciais ocorreram simultaneamente, com duração de 15 minutos cada. Veja o tema de cada pitch:

 

  • XP INVESTIMENTOS » Como proteger capital em um ambiente que exige maior alocação em risco?
  • CAPTALYS ASSET MANAGEMENT » Fundos de Investimento da CAPTALYS em PRIVATE DEBT
  • CA INDOSUEZ WEALTH MANAGEMENT » Crédito Privado e suas oportunidades
  • KADIMA ASSET MANAGEMENT » Conhecendo os pioneiros da gestão quantitativa no Brasil
  • SULAMÉRICA INVESTIMENTOS » ESG e oportunidades que transformam: Fundo Total Impacto
  • VINCI PARTNERS » A Construção de Fofs Utilizando um FIA como Consolidador
  • AVIVA INVESTORS » AVIVA – ESG na Gestão Ativa de Crédito
  • SCHRODERS » ESG na gestão de Investimentos em Ações
  • PERFIN INVESTIMENTOS » A euforia dos IPOs
  • SPARTA INVESTIMENTOS » Renda Fixa pós fixada ou atrelada à Inflação? Na Sparta temos ambas soluções, venha conhecer.
  • CLEARBRIDGE » Como escolher a estratégia de Renda Variável Global mais adequada a entidade de Previdência Complementar
  • J.P. MORGAN ASSET MANAGEMENT » Diversificação global: essencial para seus resultados
  • TAG INVESTIMENTOS » O que você tem feito com a gestão estratégica da sua carteira?
  • BNP PARIBAS ASSET MANAGEMENT » Importando soluções de investimentos ao redor do mundo
  • MAG INVESTIMENTOS » Estratégias Globais Sustentáveis em Ações da Aegon Asset – O Portfólio Sustentável de Alta Convicção!
  • INDIE CAPITAL » Filosofia Indie de Investimentos
  • I9 ADVISORY » Outsourced Chief Investment Officer: gestão de recursos alinhada ao passivo atuarial e objetivos de retorno
  • FRANKLIN TEMPLETON » Investindo em inovação no exterior e em crédito no Brasil
  • MAUA CAPITAL » Geração de Alpha em Mandatos Enquadrados
  • STEP STONE GROUP » Por quê Private Equity?

Ainda dá tempo de participar da Rodada de Negócios que acontecerá nesta sexta-feira, dia 16 de outubro, programada para iniciar a partir das 10h20. Cada pitch tem lotação máxima; se programe com antecedência.

Acompanhe a cobertura do evento no Blog Abrapp em Foco.

O 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. O evento conta com patrocínio Black da XP Investimentos; Ouro da Aditus, Aviva Investors, BNP Paribas Asset Management, Indosuez Wealth Management, Captalys, ClearBridge Investments, Hancock Asset Management Brasil, Indie Capital, J.P. Morgan Asset Management, Kadima Asset Management, MAG Investimentos, Perfin Asset Management, Schroders, Sparta Fundos de Investimento, Sulamérica Investimentos, TAG Investimentos, Vinci Partners; Bronze da Franklin Templeton, i9Advisory Consultoria Financeira, Mauá Capital, StepStone; e apoio da ARX.

Artigo: O ajuste de preços e as oportunidades para renda variável – por *Alexandre Sabanai

Artigo: O ajuste de preços e as oportunidades para renda variável – por *Alexandre Sabanai

Este ano de 2020 trouxe desafios raramente vistos para a sociedade e para a economia. O cenário pré-pandemia estava extremamente calmo e “previsível” com expectativa de aceleração do crescimento do PIB, estabilidade de juros em um patamar baixo de aproximadamente 4%, equacionamento do endividamento público com a aprovação da reforma da previdência e uma forte perspectiva de investimentos em setores como saneamento, concessões logísticas, infraestrutura e privatizações. Ou seja, estávamos vivenciando as condições climáticas ideais para a corrida das ações, principalmente as mais arrojadas.

Desde o final de 2019, a gestora Perfin Asset Management decidiu aumentar o nível de caixa de seus portfólios de renda variável indo na contramão do consenso do mercado. A implementação dessa estratégia mais defensiva se estendeu até início de 2020 combinando também compra de proteções (hedges) baseadas no preço do índice Bovespa. Elevamos o caixa para cerca de 30% do patrimônio dos fundos de ações, o dobro do padrão normal, e ficamos à espera do recuo das cotações. Aproveitamos, também, para realizar hedges de nossas carteiras. A decisão foi baseada em análise fundamentalista através do acompanhamento da projeção da taxa interna de retorno apertada que o time de gestão monitorava à época. Uma decisão nada trivial vis-à-vis o otimismo daquele momento com projeções do índice Bovespa chegando em 150 mil pontos.

O ajuste de preços começou na segunda quinzena de fevereiro e ganhou intensidade nas semanas seguintes, com a crise gerada pela pandemia da Covid-19. Entre a primeira e a segunda semanas de março, investimos 28% das nossas reservas de liquidez em ações. Aproveitamos que os fundos multimercados e os estrangeiros foram obrigados a vender suas posições com prejuízo pelas suas áreas de gerenciamento de risco em um movimento conhecido como stop loss que ocorre quando a volatilidade dos ativos fica muito elevada.

As escolhas recaíram, em sua maioria, sobre ações com as quais a gestora já operava, casos de Natura, Totvs, Cesp, Alupar, B3 e, num segundo movimento, a partir de abril, Hypera Pharma. Uma das investidas mais ousadas foi o reforço da posição na Iguatemi, nome de destaque em um dos segmentos mais afetados pelo surto do novo coronavírus, o de shopping centers. A opção por uma ação que acumulou desvalorização de 31,75% entre 1º de janeiro e 17 de junho foi baseada em critérios fundamentalistas de análise, seguidos à risca pela gestora.

Uma das abordagens utilizada para análise é a comparação do múltiplo obtido através da divisão do valor de mercado da empresa pelo seu lucro líquido (Preço/Lucro ou Price/Earnings). Observamos um processo interessante de expansão deste múltiplo de 2020 por dois motivos bem diferentes: (i) empresas que se beneficiaram por terem um crescimento acelerado do seu canal e-commerce beneficiado pelas medidas de isolamento social como por exemplo a Magalu e (ii) empresas em que o lucro líquido foi muito afetado pela pandemia, mas dado as ótimas perspectivas de normalização do lucro em 2021 tiveram uma forte recuperação do preço de suas ações como por exemplo a Localiza.

Apesar do otimismo em algumas teses específicas ligadas a dinâmica de recuperação da economia local, a gestora acredita que no curto prazo o índice Bovespa não tenha um desempenho tão positivo pois está ancorado por dois setores com peso grande no índice e que não devem apresentar fundamentos positivos nos próximos 12 meses: bancos e commodities.

Para os bancos, a visão é que a recuperação não vai se dar na sua plenitude em 2021 diferente do esperado em vários outros segmentos da economia e empresas. Atualmente os bancos estão com provisões altas para assegurar o cenário de inadimplência. Apesar de enxergar uma melhora da inadimplência para o próximo ano, acredita-se que estas provisões continuarão altas, para suprir o consumo das provisões do ano anterior e manter o índice de cobertura em um nível conservador. Se este cenário se concretizar, os bancos vão ter que manter o nível de Despesa de PDD (Provisões de Devedores Duvidosos) alto, prejudicando assim os resultados de lucros subsequentes.

Para empresas relacionadas às commodities (petróleo, minério, papel e celulose) a visão da gestora é cautelosa, pois independente do vencedor nas eleições presidenciais, devemos ver uma continuação das tensões comerciais entre China x EUA com forte impacto para cadeia industrial chinesa e consequentemente impactando a demanda por commodities em geral.

Ainda, existe um terceiro grupo no índice Bovespa que engloba empresas de diferentes segmentos tais como elétricas, tecnologia, varejo, consumo, infraestrutura entre outros na qual a Perfin acredita encontrar as melhores oportunidades de investimentos.

A gestora está otimista com a sua tese de CESP dado que a empresa segue como uma forte geradora de caixa, apresenta continuidade no processo de turnaround (pós privatização) e tem perspectiva de crescimento e diversificação de ativos de geração aproveitando a expertise e ativos “dentro de casa” da VTRM Energia Participações S.A. (controladora da CESP). Como também sendo potencial consolidadora para ativos quem venham a ficar disponíveis dado aperto de caixa de construtoras e pequenos players.

Nos últimos anos, a gestora vem diversificando o passivo dos seus fundos, através de plataformas, Multi e Single Family Offices, Bancos e espera ampliar a participação dos investidores institucionais, que já respondem por aproximadamente 12,5% do patrimônio líquido da estratégia de ações.

Atualmente, além da estratégia de ações, a Perfin faz gestão de alguns fundos direcionados ao investimento em infraestrutura através de FIPs (Fundos em Participações) no setor de energia (transmissão, eólico e solar). Acreditamos que o apetite dos fundos de pensão por FIPs só tende a crescer em um cenário de juros em patamares muito baixos.

*Sócio e gestor da Perfin Asset Management 

(As opiniões e conceitos emitidos no texto acima não refletem, necessariamente, o posicionamento do 
Grupo Abrapp a respeito do tema, sendo seu conteúdo de
 responsabilidade do autor)

Artigo: Há mais oportunidades no Brasil do que se pode pensar, especialmente na nova economia – Por Pablo Riveroll*

Artigo: Há mais oportunidades no Brasil do que se pode pensar, especialmente na nova economia – Por Pablo Riveroll*

Tem sido um ano desafiador para o Brasil. Além da pandemia, do ponto de vista dos investimentos, a queda acentuada do real agravou a fraqueza do mercado de ações. Mas, em meio a volatilidades e incertezas, a economia brasileira está mudando, e estamos vendo uma nova onda de empresas remodelando o ambiente de negócios.

Primeiramente, vale lembrar que o Brasil é a nona maior economia do mundo, com uma população de mais de 210 milhões de pessoas e uma média de idade de 33 anos. O tamanho do mercado é, portanto, significativo, enquanto a propensão para adotar novas tecnologias e abraçar a digitalização é alta.

Nova economia vs velha economia – Investir no Brasil hoje é muito mais do que os setores financeiro e de commodities da velha economia, que dominam o índice e as percepções dos investidores estrangeiros sobre o país. Os setores de matéria-prima e energia estão expostos a fatores macroeconômicos globais e enfrentam desafios ESG (ambientais, sociais e de governança, na sigla em inglês) importantes, enquanto o desempenho dos bancos está intimamente ligado à economia doméstica brasileira e eles não estão imunes à disrupção.

Existem vários exemplos de empresas disruptivas da nova economia, em uma série de setores. Algumas estão em índices amplamente seguidos, como o MSCI Emerging Markets Latin America, enquanto outras não estão – estes casos são onde a flexibilidade da abordagem de um gestor de recursos ativo pode ser mais importante. Além disso, muitas dessas empresas têm históricos de crescimento secular de longo prazo, ou seja, seus destinos são independentes do crescimento econômico geral. Na verdade, algumas delas estão vendo uma aceleração na demanda devido à pandemia.

Comércio eletrônico e fintechs – O Brasil possui um dos setores de comércio eletrônico e de fintechs mais dinâmicos e promissores em mercados emergentes. O comércio eletrônico representou apenas 7% do total das vendas no varejo no Brasil em 2019. Isso se compara a 27% na China e Coreia do Sul e 15% nos Estados Unidos; mas a participação do comércio eletrônico do Brasil deve dobrar nos próximos cinco anos.

As medidas em resposta à Covid-19 aceleraram a adoção do consumo online. Com lojas fechadas ou aberturas interrompidas por lockdowns, muitos consumidores recorreram aos varejistas online. Achamos que parte dessa mudança nos padrões de consumo será permanente.

Gráfico Schroders

Atualmente, as principais operadoras listadas no segmento de e-commerce são Magazine Luiza, Via Varejo, Lojas Americanas e B2W. Todas as quatro empresas vendem diretamente para compradores online, conhecidos como relacionamentos primários ou 1p. Eles também atuam como vendedores terceirizados – os chamados relacionamentos 3p -, permitindo que outros vendam seus produtos por meio de um marketplace. Com exceção da B2W, todas essas empresas também operam lojas físicas. Além disso, existe o Mercado Livre, marketplace latino-americano e provedor de pagamentos listado na Nasdaq.

Junto com seus pares globais, muitas dessas empresas viram a demanda aumentar durante lockdowns e medidas de distanciamento social. Mas também levou à adaptação dos varejistas. Por exemplo, com as lojas forçadas a fechar durante o bloqueio, a Via Varejo adotou medidas como a ferramenta “Me chama no Zap!”, em que os vendedores das lojas utilizavam as redes sociais para aconselhar e impulsionar as vendas, integrando online e offline de forma eficaz. Suas lojas físicas viram as vendas do primeiro trimestre caírem 7% em comparação com o mesmo trimestre de 2019; as vendas online aumentaram 48,6%.

Uma coisa que vale a pena notar é que, embora esses modelos existam em outras partes do mundo, tende a ser difícil acertar no Brasil. Conhecimento local e gestão talentosa são fundamentais. A Amazon, por exemplo, está no Brasil há anos com uma participação limitada no mercado de e-commerce.

As fintechs também viram uma aceleração durante a crise. Por exemplo, o Mercado Livre relatou que seu negócio de fintech viu o volume total de pagamentos aumentar 155,6% ano a ano no primeiro trimestre de 2020.

Outras fintechs incluem os provedores de soluções de pagamentos Pagseguro Digital e Stone. Mudanças regulatórias no segmento de pagamentos do Brasil removeram as barreiras de entrada e aumentaram a concorrência. Enquanto isso, a participação do dinheiro como forma de transação, que era superior a 40% em 2018, está caindo em meio ao aumento do uso de cartões e pagamentos digitais. Assim, o Pagseguro, que inicialmente se concentrou em micro comerciantes que operavam somente em dinheiro, e a Stone conquistaram participação de mercado em uma indústria em crescimento. A Corretora XP, plataforma de investimentos digital já listada em bolsa, é outro disruptor no setor de fintechs, assim como o BTG Pactual Digital. Historicamente, pessoas físicas e fundos são investidos por meio de bancos. Mas o mercado está se tornando descentralizado e a XP, com sua plataforma de investimento digital, ganhou participação de mercado. Além disso, o próprio setor, com o aumento da oferta digital, também cresce, atraindo novos clientes.

Locaweb e Linx, por sua vez, são facilitadores do e-commerce. A Locaweb oferece hospedagem na web e serviços de marketing online para pequenas e médias empresas. Houve um aumento na demanda durante a pandemia, quando a importância de ter uma presença online foi trazida à tona. A Linx é uma desenvolvedora de software que fornece sistemas integrados de gestão de negócios para varejistas, bem como ferramentas para o setor de e-commerce de forma mais ampla.

Saúde e educação

Saúde e a educação são os dois setores que registraram as maiores taxas de inflação nos últimos 20 anos. O gráfico abaixo usa os EUA para ilustrar esse ponto, mas a tendência tem sido um fenômeno global, impulsionado por ineficiências que resultam de vários conflitos de interesse e pela falta de inovação.

Gráfico 2 Schroders

Empresas como Hapvida e Notre Dame Intermedica Saúde estão revolucionando o setor de saúde no Brasil. Ao integrar seguro e saúde privada, problemas significativos podem ser eliminados, melhorando a eficiência e reduzindo custos. Uma abordagem tem sido oferecer um desconto para clientes de seguros que recebem tratamento nos hospitais das próprias empresas – onde o controle de custos é normalmente melhor e o uso do pronto socorro é mais racional, mas sem perda de qualidade do serviço. O resultado líquido é um produto mais acessível para os clientes, e o mercado de saúde privado está crescendo.

Em relação à pandemia, uma área que viu uma aceleração na adoção foi a telemedicina. Isso está em fase inicial de uso, mas está crescendo rapidamente. A telemedicina permite que o paciente consulte o médico por meio de um link de vídeo, sem a necessidade de contato físico. Além de ser mais seguro em momentos como o atual, é oferecido a um custo muito mais baixo e pode reduzir o número de visitas ao pronto socorro. Há outros benefícios também. Para quem vive em áreas mais isoladas, o acesso é melhorado. Enquanto isso, aqueles que procuram um especialista específico podem ser mais seletivos com quem procuram. Isso também pode ajudar a reduzir a inflação médica.

O setor de educação também tem visto uma falta crônica de inovação. Para muitas pessoas, a evolução na experiência de aprendizagem foi limitada e é semelhante à dos avós: estudar usando livros didáticos na escola sob a direção de um professor e com dever de casa para o dia seguinte.

Diversas empresas, como Arco, Cogna e Santillana (subsidiária da empresa espanhola Prisa) estão promovendo mudanças no setor. As empresas fornecem sistemas de aprendizagem para os níveis K-12 (ensino fundamental e médio), substituindo livros didáticos por uma combinação de material impresso e digital. Os sistemas incluem recursos como exercícios interativos, videoaulas pré-gravadas, aulas ao vivo, ferramentas de revisão e avaliação online. Os exames também são fornecidos pelas empresas e avaliados online, economizando tempo dos professores. Enquanto isso, os alunos, pais e a escola podem ver dados de desempenho comparáveis ​​para focar nas áreas de melhoria, tanto para alunos quanto para professores, em tempo hábil, permitindo planos de aprendizagem mais direcionados.

Uma grande melhoria na forma como o material educacional é consumido está em andamento. Os sistemas de aprendizagem são mais econômicos e o currículo é padronizado em todo o Brasil. Durante a pandemia, as escolas que já estavam acostumadas a usar os sistemas de ensino conseguiram se adaptar muito rapidamente aos estudos em casa.

Nova economia vs. velha economia – As tendências existentes devem se acelerar. Embora a emergência global de saúde possa estar contribuindo para mudanças nos padrões de consumo, muitas dessas tendências disruptivas já estavam em andamento. O que estamos vendo hoje é uma dicotomia da nova economia versus a velha economia. A balança dos índices provavelmente deixará de pender para o lado da velha economia e tenderá para a nova economia nos próximos anos. Notamos desde o início que estes são tempos de teste. E é uma tarefa importante investir com responsabilidade, apoiando negócios sustentáveis ​​e de alta qualidade, que enfrentam as dificuldades em decorrência da pandemia. Como investidores de longo prazo, continuamos a olhar para além da Covid-19 e como a vida irá evoluir. No Brasil, pensamos que entender a nova dinâmica da economia será uma parte fundamental do quebra-cabeça.

*Gestor de Renda Variável da Schroders para Brasil e América Latina

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