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Petros amplia limite de alocação no exterior para 10% em Políticas de Investimentos

Petros amplia limite de alocação no exterior para 10% em Políticas de Investimentos

Apesar de ainda não contar com investimentos no exterior, a Petros revisou suas políticas de investimentos para os próximos cinco anos e entre as principais alterações realizadas foi a ampliação do limite máximo para alocação em ativos fora do país, passando de 5% para 10%. A partir dessa mudança, a entidade está na fase final do processo due diligence dos gestores para investimentos no exterior, com planos de iniciar as alocações de forma gradual, por meio de um projeto-piloto, ainda no primeiro semestre deste ano.

O Diretor de Investimentos da Petros, Alexandre Mathias, destaca que investir no exterior é uma estratégia fundamental de diversificação de riscos, permitindo maior sofisticação do portfólio na medida em que cria uma proteção para as carteiras dos planos. “Esses investimentos possuem baixa correlação com ativos locais, e a taxa de câmbio tende a subir quando os ativos brasileiros perdem valor. Essas características do investimento no exterior melhoram a distribuição esperada dos retornos da carteira total”, diz.

Além do aumento do limite de alocação no segmento de investimentos no exterior, a Petros realizou uma redução no limite máximo da exposição à renda variável, que passou de 45% para 40%. Aprovadas pelo Conselho Deliberativo, as novas políticas de investimentos darão continuidade ao trabalho de reciclagem e desconcentração das carteiras que vem sendo conduzido pela atual gestão da entidade, em busca de uma maior diversificação na composição do portfólio, em especial em renda variável.

A Petros pretende avançar ainda mais na agenda de gestão ativa de investimentos, com destaque para fundos de gestão própria, com o objetivo de seguir buscando formas de construção das carteiras de investimentos que combinem risco e retorno esperados, com maior diversificação do portfólio de produtos, alinhando os objetivos de gestão aos modelos de otimização de cada plano de benefícios.

Segundo a entidade, a estratégia baseada em fundos ativos, com mandatos específicos e diversificados, foi fator-chave para o desempenho dos investimentos em 2020, revertendo o cenário após os impactos da pandemia. De março a dezembro de 2020, a Petros recuperou 23 pontos percentuais na rentabilidade. Considerando o rendimento acumulado em um prazo maior, desde 2019, quando foi iniciado o novo modelo de gestão ativa, a Petros supera 30% de rentabilidade. “Adotando o modelo dos fundos de investimentos, que marcam todo seu patrimônio a mercado, que é a forma mais fidedigna de retratar o desempenho, atingimos a marca de 34,93% no biênio 2019-2020”, diz a Petros.

Artigo: Diversificação nos investimentos – por José Ricardo Menezes*, da Método Investimentos

Artigo: Diversificação nos investimentos – por José Ricardo Menezes*, da Método Investimentos

A diversificação é uma técnica de gerenciamento de risco que visa distribuir o capital investido em uma certa variedade de investimentos dentro de um portfólio. Assim, o risco do portfólio é consideravelmente reduzido. Essa técnica pressupõe que uma carteira construída de diferentes tipos de investimentos, em média, produzirá maiores retornos e apresentará um risco menor do que investimentos feitos isoladamente e concentrados. Em outras palavras, a ideia central deste conceito é a de que, de maneira geral, as performances positivas de alguns ativos neutralizem as baixas ocorridas provenientes de outras aplicações. Entretanto, há de se destacar que benefícios dessa prática só serão bem observados se a origem dos ativos ali presentes não seja correlacionada entre si. Por isso, o ideal é que esses ativos estejam diversificados entre classes, geografias e setores.

Aumentar a variedade dos ativos de uma carteira de investimentos é uma atitude bastante louvável por parte de um investidor. Afinal, ao fazer isto, o investidor consegue reduzir o risco do seu portfólio e ter uma carteira muito menos volátil. Além da volatilidade, a diversificação em um portfólio de investimentos é fundamental para a preservação do capital dos investidores. Nesse sentido, como bem foi dito por Warren Buffett, um dos maiores investidores da história, a “regra número 1 é a seguinte: nunca perca dinheiro. Regra número 2: não esqueça a regra número 1”. Significa que todo investidor deve se preocupar com a preservação do seu capital investido, de forma a permitir a sua multiplicação, e não sua perda, ao longo do tempo e dos investimentos. Isto irá evitar que o investidor perca dinheiro por conta de uma concentração excessiva em uma empresa, setor ou classe de ativo. Afinal, caso haja uma concentração excessiva e o investidor perca muito dinheiro, o retorno ao longo do tempo de seus investimentos serão extremamente prejudicados.

Vale dizer, que a estratégia de diversificação vale para todos os tipos de investidores, desde os mais arrojados, que concentram investimentos em renda variável, mas também para aqueles mais conservadores. Nesse sentido, como todo investimento possui riscos, é preciso sempre buscar a diversificação como estratégia de não perder dinheiro. Isso porque o risco pode estar no governo, em empresas, em setores ou em diferentes classes de ativos. Portanto, a diversificação se impõe como a melhor estratégia de reduzir esses riscos atrelados aos diferentes tipos de investimentos. Ao utilizá-la na medida certa, será possível reduzir as chances de perda e aumentar as possibilidades de ganhos.

Com o fim das altas taxas de renda fixa no Brasil, o investidor já começou a entender que a chave para obter rendimentos melhores está na diversificação, que pode ser feita em vários níveis. Um deles é o geográfico: alocando parte da carteira em ativos no exterior.

Investir em ativos no exterior é uma estratégia de diversificação que pode reduzir o risco do investidor. Isso porque esses ativos, ao não estarem correlacionados com o Brasil, não sofrem os efeitos de crises causadas por fatores domésticos.

O PIB brasileiro é 3% do PIB mundial. Se você considera apenas esses 3% para alocar seus investimentos, está ignorando os outros 97% por falta de conhecimento ou de produto.

Essa é a principal vantagem de investir no exterior. Alguns fatores que provocam volatilidade no nosso mercado financeiro são globais, como a pandemia do coronavírus; já outros são locais, porque derivam de questões internas, como a instabilidade política ou algum evento surpresa. Ao alocar capital no exterior, essa parte do portfólio deixa de sofrer os abalos vindos do próprio Brasil. Vale lembrar da importância de diversificar estilos de gestão, ou seja, alocar em gestores passivos e ativos.

Outra alternativa de investimento que também oferece ao investidor um meio de diversificação são os Fundos Multimercado. Eles podem investir em ativos de diferentes mercados no Brasil e exterior, como renda fixa, moedas, ações e podem utilizar derivativos tanto para alavancagem quanto para proteção da carteira. Os Fundos Multimercado (segmento estruturado), têm maior liberdade de gestão e em geral buscam rendimento mais elevado.

Assim como é necessário pensar na diversificação de modo global, também é possível encontrar meios de diversificar os investimentos no mercado nacional. Fundos de Crédito Estruturado e Fundos Imobiliários também são ótimas alternativas para quem busca investir de forma mais abrangente e aproveitar as oportunidades que o mercado oferece. Mesmo sendo produtos com riscos específicos, investir nestes mercados exige maior cautela na seleção, clareza nas informações, detalhamento do tipo de crédito e riscos atrelados aos ativos presentes nas carteiras. Cabe ao gestor dos ativos demonstrar transparência tanto na seleção dos melhores ativos para compor o produto, quanto no método de avaliação e mapeamento dos riscos.

Nos deparamos com diversas classes de ativos disponíveis no mercado e cada vez mais a seleção do gestor é importante. A avaliação de histórico dos profissionais envolvidos na gestão, formação, perfil da equipe, gestão de risco e Compliance se faz necessária para buscar maior segurança no investimento e parcerias de longo prazo. Uma gestão transparente, levando em consideração além da rentabilidade, outros temas importantes como: investimento em tecnologia, equipe, ESG, Risco, Compliance, elevarão a avaliação do produto, da gestora e da sua equipe.

Como distribuidores de fundos de investimento, acreditamos que a diversificação é fundamental, por isso buscamos excelentes gestores parceiros, nas diferentes classes de ativos, que apresentem consistência de retorno no longo prazo, transparência na gestão e que tenham um robusto processo de investimento aliado às melhores ferramentas de tecnologia para melhoria do seu processo de tomada de decisão. Estar atento aos riscos existentes no mercado e buscar sempre a preservação do capital são características marcantes dos nossos parceiros. Aliado a todas essas qualidades, é muito desejável que o gestor tenha clareza nas informações, faça abertura de suas posições e tenha disponibilidade para conversas com os investidores. Este é o acordo que temos com nossas gestoras parceiras, a Navi, a Geo Capital e a MZK Investimentos.

*Sócio Diretor Comercial na Método Investimentos

Cenário macroeconômico e diversificação no exterior são destaques de webinar sobre investimentos

Cenário macroeconômico e diversificação no exterior são destaques de webinar sobre investimentos

As perspectivas do cenário macroeconômico externo e doméstico e a importância da diversificação no exterior foram temas abordados em live realizada pelo BNP Paribas Asset Management e o Daycoval Asset Management nesta quarta-feira, 24 de fevereiro, com apoio da Abrapp. A live permanece disponível no canal da Abrapp no YouTube.

Na abertura do evento online, o Diretor Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Martins, lembrou que a gestão de ativos e de investimentos tem sido um grande desafio dos profissionais e estrategistas do segmento, em especial no momento que o mundo vem atravessando, de pandemia. “No final de 2019, tivemos um excelente momento com a reforma da previdência, e estávamos colhendo os frutos em uma grande janela de oportunidades para o nosso segmento. Tivemos uma melhora fiscal e vínhamos de uma recuperação econômica. Era um momento ímpar, e o sistema também vivia um grande momento, superavitário, com solvência de mais de 100%, e de repente veio a pandemia”, disse.

Segundo ele, com resiliência, solidez e muito profissionalismo, as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) conseguiram fechar o ano de 2020 batendo metas, apesar das dificuldades e incertezas. “As entidades fizeram sua lição de casa e tiveram essa recuperação, que podemos chamar de rápida, retornando a números de um momento pré-crise. E agora, daqui pra frente? Eu entendo que o segmento vem em um ciclo virtuoso e estamos conseguindo cumprir a missão de fazer a previdência complementar proteger o maior número de pessoas e chegar ao maior número de trabalhadores”.

Luís Ricardo citou planos família, fundos instituídos e previdência complementar de servidores públicos como cases de sucesso e que abrem ainda mais as possibilidade de crescimento do segmento. O Diretor Presidente da Abrapp destacou ainda que o segmento está preparado para alavancar a macroeconomia e financiar projetos de infraestrutura, fomentando a poupança de longo prazo. “Nesse momento, precisamos de políticas públicas para incrementar essa poupança de longo prazo”.


Diversificação –
Luís Ricardo reiterou que mesmo diante dos desafios do segmento, as estratégias traçadas nas políticas de investimento das EFPC, sempre adequadas e prestigiando o longo prazo, continuam indicando os melhores caminhos para o sistema. “As entidades terão que correr mais risco”, destacou, salientando que diversificação e alternativas de investimento continuam sendo palavras de ordem. “Temos que buscar a revisão da Resolução CMN nº 4.661”, disse, citando a necessidade de buscar, na norma, a ampliação do limite de investimentos no exterior, entre outras mudanças que estão em pauta.

Diante do comportamento da inflação e, consequentemente, das taxas de juros no Brasil, os investimentos no exterior estão cada vez mais em evidência dentro das fundações, conforme destacou o Diretor responsável pela área de Investimentos da Abrapp, Sergio Wilson Ferraz Fontes, que também é Diretor Presidente da Fundação Real Grandeza. “O grande motor para interesse maior de investidores, especialmente as EFPC, para investimentos no exterior foi esse cenário de juros, que estão muito baixos, até negativos”, disse, lembrando que quando as taxas de juros estavam altas, as entidades conseguiam cumprir com suas metas com mais facilidade sem necessidade de correr risco, mas esse cenário já não é mais o mesmo. Segundo ele, o investimento no exterior veio para ficar justamente para que as entidades possam fazer portfólios mais diversificados, melhorando o grau de risco em suas carteiras.

Exterior – Para o Head de Fundos de Fundo do BNP Paribas, Tiago Bellodi Costa Cesar, o investimento no exterior é importante, precisa ser feito, e a discussão agora é como deve ser executado. “É necessário equilibrar o portfólio para uma gestão de risco”. Ele explicou o processo de investimentos realizado pela gestora, que coloca a diligência como essencial para mitigar riscos. “Para que a gente olhe o investimento no exterior da mesma forma que olhamos os investimentos domésticos, precisamos de apoio”, disse, destacando que a gestora conta uma empresa dedicada à análise do risco internacional.

Segundo ele, há 10 anos, quando se iniciou a discussão de investimentos no exterior, havia poucas opções disponíveis no mercado. “Nos últimos 2 anos, houve um crescimento exponencial da oferta de fundos”, reiterou, sendo que estão mapeados dentro do escopo de fundos de fundos do BNP Paribas 47 fundos renda fixa e multimercado global, somando um patrimônio de R$ 5,8 bilhões; 55 fundos de renda variável sem hedge cambial, com patrimônio de R$ 12,6 bilhões; e 40 fundos de renda variável internacional com hedge cambial, totalizando R$ 7,3 bilhões em patrimônio.

Tiago Bellodi explicou ainda que o BNP Paribas Asset Management cobre todo o espectro de renda fixa e renda variável no mundo todo, além de ativos como ETFs, multiativos, entre outros. “Selecionamos e escolhemos os gestores com rigor e disciplina para começar a montar o portfólio de acordo com o perfil do cliente”, ressaltou, destacando que a macroalocação é o ponto de partida, e por isso é importante saber qual o panorama macroeconômico local e externo.

Para ele, o câmbio é um ponto importante na leitura do cenário, montando, assim, o portfólio de ativos com ou sem proteção cambial, dependendo do objetivo do investidor. “Quando falamos em fundos com perfil de renda fixa ou multimercados, costumamos trabalhar com hedge cambial por conta da volatilidade”, disse. Já na parte de ações, depende do portfólio do cliente, que pode adotar o dólar como amortecedor em uma carteira que tem zero exposição em dólar. “Já em portfólios maduros, compramos um fundo de bolsa global com câmbio travado, pois estamos olhando o retorno absoluto em reais no fator de risco da renda variável”, explicou, reforçando que essa é uma discussão feita cliente a cliente, sem ter uma solução única para todos.

Bellodi apresentou ainda exemplos de alocação em comparação com o benchmark de uma EFPC, calibrando a visão para cada classe de ativos. “A decisão do câmbio é tratada como parte do benchmark”. Ele reiterou que, em geral, as vantagens imediatas de aplicar em fundos no exterior são o custo mais competitivo, a parte operacional simplificada, e maior liquidez à carteira.

Cenário macro – Levando ao público um panorama do cenário macroeconômico tanto externo quanto doméstico, o Economista do Banco Daycoval, Rafael Gonçalves Cardoso, destacou o processos de imunização da Covid-19 pelo mundo, levando uma visão sobre países que estão mais avançados, e o impacto disso na recuperação da crise e retomada de confiança dos consumidores.

Outro ponto determinante na recuperação da economia global, segundo Rafael, é o estímulo fiscal dos Estados Unidos, que está discutindo a aprovação de um pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão, fazendo com que o PIB do país possa crescer cerca de 5% até 2022.

Já no cenário brasileiro, pela dificuldade do avanço no processo de imunização, o ritmo de recuperação deve ser mais lento. Rafael destacou que o cenário externo favorável e em recuperação cíclica é um contraponto em relação ao cenário doméstico, implicando em fatores limitadores do ritmo de crescimento do PIB do país. Com isso, a expectativa do Daycoval é que o crescimento da economia brasileira para 2021 seja de 3,1%.

Outros fatores que impactam a recuperação do Brasil são a taxa de câmbio; o encaminhamento de reformas pelo governo; o impacto fiscal; e a inflação, que tende a caminhar próximo à meta, podendo ser um problema relevante, a menos que não haja o andamento das reformas. O cenário base do Daycoval contempla uma normalização da taxa de juros, com um início de alta gradual pelo Banco Central em março, levando a taxa Selic a 3,75% no final de 2021, condicionando, assim, os juros baixos à continuidade das reformas.

Entrevista: Liquidez global deve continuar alta e os juros seguirão baixos em 2021

Entrevista: Liquidez global deve continuar alta e os juros seguirão baixos em 2021

As opções e vantagens da diversificação de carteiras em direção aos ativos dos mercados internacionais é o tema da entrevista das especialistas da J.P. Morgan Asset Management, Gabriela Santos, estrategista de mercados globais, Isabella Nunes e Maria Rossi, ambas da área de relacionamento com investidores institucionais. “Além de seu tamanho, os mercados fora do Brasil oferecem aos investidores acesso a temas diferentes dos que temos localmente. Os mercados desenvolvidos e o mercado chinês oferecem aos investidores o acesso a dois grandes temas da próxima década: saúde e tecnologia”, diz Gabriela em trecho da entrevista.

A estrategista da asset fala sobre as políticas dos principais bancos centrais globais que tendem a manter a liquidez em alta com a continuidade do apoio monetário às economias. Com a perspectiva de recuperação econômica lenta, em virtude da pandemia e outros fatores, os juros devem continuar baixos no próximo ano. Confira a entrevista na íntegra a seguir:

Poderia comparar o tamanho do mercado brasileiro com outros mercados como EUA e Europa e o acesso às oportunidades nestes países?

Gabriela Santos (foto acima) – Existem muitas oportunidades de investimento fora do Brasil. O Brasil representa somente 2,4% do crescimento global, 1,6% do mercado de renda fixa global, e 0,8% do mercado de renda variável global. Ou seja, 97% do crescimento global e 98-99% do universo de investimento global estão fora das nossas fronteiras. A maior economia e mercado é os Estados Unidos, que representa 16% do PIB global, 37% do mercado de renda fixa e 40% do mercado acionário. Depois dos Estados Unidos já vem a China, representando 17% do PIB global (baseado na paridade do poder de compra), 13% do mercado de renda fixa e 16% do mercado acionário. Como um bloco, a União Europeia tem uma representação expressiva também de 15% do PIB global, 19% do mercado de renda fixa e 11% do mercado acionário. O gráfico abaixo ilustra esses pontos.

Adicionalmente às oportunidades de crescimento, o investimento global ajuda a diversificar as carteiras. Por exemplo, o tema fiscal brasileiro é crucial para os ativos brasileiros mas não afeta em nada o crédito americano ou a bolsa chinesa. Por fim, quando surgem temas globais que mexem todos os ativos juntos, os ativos desenvolvidos sempre mexem menos do que os brasileiros, ajudando a segurar um pouco as carteiras.

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Quais os setores e tipos de empresas em que é possível se investir lá fora e que não têm representatividade na Bolsa brasileira? Comente as vantagens. 

Gabriela Santos – Além de seu tamanho, os mercados fora do Brasil oferecem aos investidores acesso a temas diferentes dos que temos localmente. Os mercados desenvolvidos e o mercado chinês oferecem aos investidores o acesso a dois grandes temas da próxima década: saúde e tecnologia. Esses dois setores representam somente 3% da bolsa brasileira, enquanto que representam 36% das bolsas desenvolvidas e 19% da bolsa chinesa. [O gráfico abaixo ilustra esses pontos.]

O setor de saúde continuará a se beneficiar do envelhecimento da população global (o que levará mais e mais gastos a serem destinados a esse setor) e a inovação de novos tratamentos. O setor de tecnologia continuará a se beneficiar de toda a incorporação da tecnologia em todos os aspectos de nossas vidas, o que continuará depois da pandemia também. Nesse amplo setor se encontram todas as indústrias do futuro, incluindo: inteligência artificial, 5G, software, cloud computing, pagamentos digitais, e muito mais.

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Poderia comentar a situação dos mercados globais em termos de excesso de liquidez dos investidores? Como a política monetária do FED poderia influenciar na mudança de cenários para o próximo ano?

Gabriela Santos – A liquidez dos banco centrais não tem sido somente um açúcar – e sim uma proteína muito importante para a economia e os mercados globais. No mundo todo esse ano, os bancos centrais (incluindo o Federal Reserve) têm mantido suas políticas monetárias extremamente acomodativas, incluindo cortes de juros e compras de títulos. Essa ajuda tem sido extremamente importante para a economia global, pois diminuiu muito o custo de crédito para as famílias, as companhias e os governos. Esse apoio também tem sido muito importante para os mercados, ajudando com o funcionamento dos mercados de títulos e de câmbio, que estavam muito estressados em março. Por fim, os juros baixos estimulam os investidores a buscar retorno em ativos de mais risco, beneficiando o crédito e o mercado acionário global.

Não esperamos a redução desse apoio monetário tão cedo, pois os bancos centrais globais ainda vem uma recuperação econômica lenta e a inflação baixa. Com isso esperamos juros muito baixos ainda em 2021. O Federal Reserve, por sua parte, está se comprometendo a manter os juros de curto prazo perto de zero até o final de 2023. Esse deve continuar a ser um apoio muito importante para a economia e os mercados globais no ano que vem – apoiando os investimentos em ativos de risco globais.

Poderia comentar a correlação ou descorrelação dos investimentos no exterior e dos investimentos domésticos? 

Isabella Nunes (foto ao lado) e Maria Rossi – Historicamente, vemos que o investimento no exterior é descorrelacionado com o mercado doméstico, ou seja, o mercado internacional se move de maneira independente aos fatores econômicos locais. No geral, a descorrelação dos mercados globais com o mercado local tende a ser neutra ou negativa. Quando se considera um investimento com exposição ao dólar, essa correlação é menor ainda.

Em momentos de crise local é possível observar essa descorrelação de maneira mais clara, pois o mercado global se comporta de maneira totalmente independente. Na turbulência causada pela delação da JBS em maio de 2017, enquanto a bolsa local caia 4% no mês, o índice MSCI World, que representa as bolsas globais, subia aproximadamente 2%. Outro evento importante que impactou fortemente o mercado local foi a greve dos caminhoneiros em maio de 2018. Neste mês, a bolsa local fechou em queda de 11%, enquanto o dólar apresentava retorno positivo de 7% e a bolsa americana, medida pelo S&P 500, subia 2,8%.

É importante mencionar que no curto prazo e, principalmente em momentos de alta volatilidade, como o qual estamos passando, a correlação entre os ativos tende a ser mais alta. Porém, no longo prazo existe uma descorrelação entre os ativos globais e locais.

O que acha da proposta de aumentar o limite de alocação da Resolução 4.661 dos investimentos no exterior para até 20% do total do patrimônio dos fundos de pensão?

Isabella Nunes e Maria Rossi (foto ao lado) – Por muitos anos, os juros altos no Brasil levaram investidores a argumentar que oportunidades globais não valiam a pena, uma vez que era possível obter retornos atrativos e com baixo risco no mercado doméstico. Entretanto, frente ao cenário atual no Brasil, em que as taxas de juros se encontram na mínima histórica, as fundações enfrentam um grande desafio para buscar novas fontes de retorno e, ainda, terão que adicionar risco às carteiras. Se lembrarmos que o Brasil representa uma parcela muito pequena da economia global, o investimento no exterior tende a se tornar cada vez mais atrativo.

Acompanhando este movimento, a alteração do limite de investimento no exterior será cada vez mais necessária para auxiliar as entidades a atingir seus objetivos de retorno no longo prazo. Independente do percentual, é fundamental que as fundações iniciem, ou incrementem, a alocação internacional ao longo dos anos.

Qual a melhor opção, o investimento no exterior com hedge ou sem hedge cambial? Por que? Como lidar com o custo da proteção cambial? 

Isabella Nunes e Maria Rossi – A melhor opção de investimento é uma decisão individual, com base na realidade atual e objetivos para o longo prazo. Ao investir globalmente sem hedge cambial, por exemplo, os fundos de pensão precisam avaliar dois pontos: o desempenho dos ativos internacionais, e a direção da moeda. É bastante difícil prever as movimentações das moedas, mas elas tendem a se recuperar rapidamente dos extremos.

O gráfico a seguir mostra que se você decidir assumir o risco da flutuação na moeda (investindo sem hedge cambial) ou se preferir isolar o impacto da moeda, o retorno médio anual de 10 anos é praticamente o mesmo. A diferença está na experiência: investimentos sem hedge são mais turbulentos, com uma volatilidade muito maior no mesmo período.

Ainda, se o investidor decidir ter exposição sem hedge cambial é muito importante estar ciente de que market timing para moedas pode ser um hábito perigoso. Como vimos este ano, os movimentos de depreciação e de apreciação podem ocorrer rapidamente e mudar de direção muito rápido também. O melhor é decidir se quer ter exposição em dólar, e adicionar essa exposição gradualmente.

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41º CBPP: Recuperação do sistema e agenda de fomento são destaques de Plenária 2 com representantes do governo

41º CBPP: Recuperação do sistema e agenda de fomento são destaques de Plenária 2 com representantes do governo

O desempenho economia brasileira e do sistema de previdência complementar está retornando aos patamares pré-crise, e isso se deve principalmente às medidas que foram rapidamente implementadas para mitigar os impactos da pandemia no setor. O tema foi debatido na Plenária 2 “Medidas Anticíclicas Para Segurança do Legado: Panorama Atual” do 41º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP) ocorrida na parte da tarde desta terça-feira, 17 de novembro, e mediada pela jornalista Mara Luquet.

Para exemplificar a boa recuperação do sistema, Lucio Rodrigues Capelletto, Diretor-Superintendente da Previc, apresentou o panorama atual das 288 Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), que hoje somam 1.099 planos e R$ 969 bilhões em ativos. “Ao final do ano passado, estávamos próximos de R$ 1 trilhão em ativos, mas em virtude da crise, com deterioração dos ativos, houve uma redução”. 

Olhando a evolução dentro do sistema, 2016 foi um período em que foram registrados altos déficits, o que veio a declinar posteriormente, com aumento dos superávits, que chegaram ao final de 2019 em R$ 400 milhões. Com a crise, o déficit voltou a se elevar, mas agora já está declinando novamente, apontou Lucio. Ele ressaltou a importância de olhar a estrutura do segmento, com três tipos de modalidades de planos: Benefício Definido (BD), Contribuição Variável (CV) e Contribuição Definida (CD).

A recuperação do sistema foi reflexo das medidas adotadas pelo governo para que a economia mantivesse o ciclo de crescimento antes da crise. Adolfo Sachsida, Secretário de Política Econômica, destacou que com a chegada da crise de 2020 devido à pandemia, foram adotadas medidas econômicas que resultaram em uma retomada em V em diversos setores, com retorno de muitos indicadores aos patamares pré-crise. Houve, assim, uma melhora nas expectativa de mercado, e a projeção é que a queda do PIB para este ano seja de 4%, percentual bem menor perto do que se projetava no início da crise.

Adolfo apontou que é fundamental que o país consolide seu lado fiscal para continuar protegendo a população brasileira. “O processo de consolidação fiscal é um sólido combustível para o crescimento econômico de longo prazo e o aumento de produtividade é um motor para esse crescimento”, complementou Adolfo, reforçando que na agenda do governo está a discussão de reformas e privatizações.

Metas atuariais e tábuas de mortalidade – Lúcio ressaltou que o panorama de recuperação das EFPC é importante no que diz respeito à questão dos ativos e passivos. Ele explicou que os planos BD têm a meta atuarial a ser perseguida, na média 4,7%, com determinadas bandas, e para o Superintendente da atuarial, o dever de casa das EFPC é reduzir as metas para que as entidades tenham em seus planos uma meta atuarial mais condizente com as atuais taxas de juros. “Não basta simplesmente pegar a meta atuarial sem observar o indexador, esse é um risco que deve ser observado”. 

Ele citou ainda as tábuas de mortalidade, que devem ser atualizadas, pois se há uma longevidade aquém da real, a entidade terá um passivo menor, e isso, no futuro, impactará no pagamento de benefícios. “A Instrução Normativa nº 33 veio para tentar solucionar esse problema”, disse Lúcio citando a IN que foi editada pela Previc no último dia 23 de outubro e que trouxe avanços para a modernização das regras atuariais para os planos de benefícios, como a proposta de utilização de tábuas de mortalidade de referência, no lugar das tábuas mínimas obrigatórias, da Instrução anterior – IN Previc nº 10/2018.

Diversificação – Lúcio destacou a evolução dos indicadores Selic, Dólar e Ibovespa, com a taxa de juros caindo desde 2016 de 14,25% e chegando em 4,5% em dezembro de 2019. “Com a crise, houve uma queda abrupta da bolsa e um aumento no dólar, mas a recuperação em V demonstra que a queda da taxa de juros continua, mas novamente há um crescimento da bolsa como aconteceu no período pré-crise. Há uma recuperação, e isso vem fortalecer a economia real”.

Ao olhar os ativos das EFPC, contudo, a distribuição dos investimentos está altamente concentrada em títulos públicos, mesmo que isso não seja igual em todos os planos. “Vislumbramos que haverá redução em termos de títulos públicos e aumento das demais classes, tendo uma alocação mais diversificada de ativos, o que é bastante positivo para a economia real’’, disse o Superintendente da Previc.

Lucio citou ainda os investimentos e as obrigações das entidades, que são regulados, respectivamente, pela Resolução CMN 4.661 e pela Resolução CNPC 30, destacando que há uma proposta de revisão da Resolução 4.661 para permitir maior diversificação em exterior, e também solucionar questões relacionadas a investimentos em imóveis. 

Supervisão – Em um cenário de maior risco, Lucio destacou que a Previc monitora os riscos de mercado, sendo eles juros, câmbio e preços; o risco de liquidez, ou seja, a capacidade do sistema de honrar os pagamentos; além do risco de crédito e o risco atuarial pelo lado do passivo, olhando os indexadores, a longevidade e as próprias regras de modelagem. A Previc olha ainda para o risco operacional, com passivos contingentes; e os riscos ambientais, sociais e de governança (ASG). 

“Tudo isso está sendo incorporado dentro do nosso processo de supervisão, alterando tanto o monitoramento quanto a supervisão direta, com um sistema de riscos e controles para identificar tudo até chegar no risco de solvência da entidade. Chamamos a atenção para o fato de que a supervisão passa a atuar mais voltada aos riscos inerentes às atividades de previdência de cada plano”, disse Lucio. 

Ele reiterou que a Previc espera uma governança robusta, com dirigentes mais qualificados à frente das EFPC; controles internos eficientes, para que todas as operações sejam acompanhadas com instrumentos adequados; e gestão de risco eficaz nesse momento de redução de taxa de juros. “Esperamos que isso seja internalizado por todas as entidades na gestão de seus planos’’.

Legado – Edécio Ribeiro Brasil, Diretor-Superintendente da Valia, destacou o legado do sistema, reiterando que os planos CD e CV vêm ganhando espaço, mas os planos BD são um legado que precisa ser cuidado. “Esse nosso legado demanda uma atenção especial por todas as características do plano e pelo volume envolvido. Além do mais, é o nosso cartão de visita, o que permitiu avançar e tornar o sistema de previdência complementar uma opção real para o país em termos de previdência. Pela importância histórica e dos milhares de aposentados que merecem maior atenção, esse legado precisa ser cuidado junto aos planos novos”, disse.

Ele ressaltou que os planos previdenciários são produtos de longuíssimo prazo e estão sujeitos a ciclos econômicos e precisam se adaptar e eles. “Os ciclos sempre existiram”, disse, ressaltando que o cenário atual é bastante desafiador, muito em razão da pandemia, mas além disso, já existiam algumas questões macroeconômicas caminhando para um novo ciclo, o que é uma nova realidade para todos que fazem a gestão de recursos de EFPC, disse Edécio, citando a Selic na mínima histórica e a volatilidade da bolsa de valores brasileira.

Para ter maior segurança ao longo dos ciclos é preciso adotar estratégias como estudos de ALM, com planejamento estratégico de longo prazo e com bases sólidas e técnicas de gestão, disse Edécio. “Com essa visão de longo prazo, esses movimentos de curto prazo que sempre vão existir têm um peso menor, já que temos toda capacidade de trabalhar essas estratégias. O curto prazo também é relevante pois temos oportunidades a serem capturadas em momentos agudos de crise”, ressaltou, citando a importância de se construir uma carteira estratégica em renda fixa e renda variável.

Planejamento estratégico – O aperfeiçoamento do arcabouço legal da previdência, o fomento, e o fortalecimento da governança e supervisão foram os três pontos discutidos pelo sistema no início do ano ao traçar o planejamento estratégico para 2020. Paulo Fontoura Valle, Subsecretário de Previdência Complementar da Secretaria de Previdência, destacou que esses pontos foram fruto de debate do planejamento estratégico realizado pela Abrapp, se estendendo depois no âmbito do CNPC.

Na discussão de aprimoramento do arcabouço legal, foi discutida a importância de regulamentar as entidades abertas de previdência para fazerem a administração de plano de previdência de entes federativos; a simplificação da Lei Complementar nº 109; e a discussão da Lei de Responsabilidade Previdenciária. 

Nas discussões sobre fomento, Paulo Valle ressaltou que há uma tendência de crescimento do setor a partir da Emenda Constitucional nº 103, que determina que a partir de novembro deste ano todos os entes públicos que têm RPPS venham a instituir uma entidade de previdência complementar. “Esse é um ponto que vai fomentar o setor. Outro ponto é a ampliação da cobertura com os planos família e a criação de produtos e soluções que incentivem o mercado de renda no Brasil”.

O fortalecimento da governança e supervisão passa por uma maior coordenação entre a políticas de entidades abertas e fechadas, do CNPC e CNSP, e por uma agenda de independência patrimonial das entidades; harmonização das regras entre abertas e fechadas, e garantir uma maior autonomia para a Previc e Susep. 

“Com a pandemia, houve um monitoramento permanente dos principais impactos e riscos dos ativos e nas condições das EFPC, e ao longo do mês de março, abril e maio isso ocorreu através de diversas reuniões do CNPC. Após as medidas adotadas pelo governo, houve recuperação dos ativos, e a partir do segundo semestre entendemos que não seria necessário tomar medidas mais fortes de monitoramento do mercado. Agora, chegando ao final do ano, a agenda do planejamento estratégico andou, principalmente com medidas de suporte aos entes da federação que devem instituir a previdência complementar nos próximos dois anos. A nossa expectativa é que no final do ano, após as eleições municipais, a gente ganhe uma velocidade maior na criação desses regimes”, destacou Paulo Valle.

Educação financeira – A educação financeira é um dos principais pontos que compõe o pilar de fomento da previdência, e nesse sentido o governo avançou bastante, destacou Paulo Valle, criando o Fórum Brasileiro de Educação Financeira, composto pelo Banco Central, CVM, Susep, Secretaria do Tesouro Nacional, Secretaria de Previdência, Previc, Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e Ministério da Educação.

Segundo Valle, o objetivo é incrementar ações de educação financeira que já vinham sendo implementadas, e entre a iniciativas está a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), na qual o governo incentiva o setor privado a fazer eventos de educação financeira, “Essa é uma iniciativa que a gente vem atuando, e este ano o tema será resiliência financeira”.

Além disso, será lançado pela Secretaria de Previdência um guia de preparação para aposentadoria, trazendo um entendimento desde a previdência social até a previdência complementar, atualizando de acordo com a Reforma da Previdência; além da publicação de um guia para aposentado com uma visão dos cuidados que se deve tomar com consignados. “O planejamento estratégico de educação financeira aprovado no CNPC tem uma agenda de cursos à distância, incluindo um risco para servidores públicos especialmente por conta da mudança da legislação”, complementou Paulo Valle.

Inovação – Edécio Brasil reforçou a necessidade das fundações serem inovadoras na busca de produtos sustentáveis, de longo prazo, com solidez nas premissas atuariais e fortalecimento da governança, mas trabalhando em harmonia com o legado, e se refletindo no uso de tecnologia, busca de produtividade e solidez nos processos. Ele citou que a tecnologia e inovação devem ser incorporadas pelas EFPC para continuar atuando. “Os jovens não querem se comunicar como nós fazíamos no passado, eles querem ter aplicativos onde podem resolver tudo, e a tecnologia à disposição tudo isso é absolutamente fundamental”, disse. 

Ele ressaltou que os novos planos voltados para familiares dos participantes são criados com acesso digital, justamente para atender esse novo público. “A inovação deve ocorrer ainda no desenho dos planos, que vem sendo cada vez mais adequados à realidade do mercado. “O mercado de trabalho está mudando enormemente”, destacou.

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