Escolha uma Página
Vídeo: Ajustes na Resolução 4.661 são discutidos pelo sistema

Vídeo: Ajustes na Resolução 4.661 são discutidos pelo sistema

Devido à necessária diversificação de ativos, o sistema de previdência complementar voltou a discutir ajustes na Resolução nº 4.661. No sexto vídeo da série Abrapp Direto ao Ponto, o Diretor Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Martins, destaca que a queda abrupta na taxa de juros e o mês de março precificado com maior cautela devido à pandemia de COVID-19 retomaram essas discussões. “Temos temas importantes sendo tratados e debatidos no Conselho Monetário Nacional visando a revisão da Resolução nº 4.661”, diz.

Entre os temas estão investimento no exterior, investimentos imobiliários, investimentos em empresas de capital fechado, entre outros. Assista ao vídeo na íntegra:

Diversificação em renda variável e vantagens do Pix pautam discussões do primeiro dia de Seminário

Diversificação em renda variável e vantagens do Pix pautam discussões do primeiro dia de Seminário

A parte da tarde do primeiro dia do 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC trouxe uma discussão de extrema relevância diante do momento atual de busca por maior diversificação dos portfólios das fundações. Com 700 participantes, o evento online e ao vivo iniciou nesta quinta-feira 15 de outubro. Confira a palestra de abertura e os primeiros painéis do dia.

Diversificação em Renda Variável

Lucas Ferraz Nóbrega, Diretor Presidente da Fundação Libertas, moderou o painel que tratou Estratégias para Diversificação em Renda Variável, composto por gestores especializados que destacaram diferentes estratégias de alocação de investimentos no segmento. No painel, Alexandre Sabanai, Gestor dos Fundos de Ações da Perfin Asset Management, abordou as as perspectivas para o índice Bovespa, destacando o período de crise devido à pandemia de COVID-19 e já as perspectivas de recuperação. “Passamos meses atípicos este ano, entre março e abril, mas tivemos um retorno surpreendente nessa retomada devido a um processo de injeção de liquidez global e de expansão monetária ao longo da principais economias desenvolvidas”.

No Brasil, Sabanai citou o processo de endividamento para que se pudesse dispor de liquidez e propiciar, tanto às pessoas físicas quanto jurídicas uma espécie de expansão monetária vinda de um lado de maior endividamento do governo. “De certa forma, temos o lado negativo, que é o fiscal, mas tem o lado positivo, que trouxe um colchão de liquidez para que muitas das pequenas e médias empresas não quebrassem. Essa liquidez é um pilar importante”.

A expectativa de normalização da atividade, conforme se tenha a disponibilidade de uma vacina, levou ao mercado um ponto relevante que precifica os ativos, destacou Sabanai. “Além disso, temos as eleições americanas e, passando as eleições, o grande pilar de importância se dará em relação à guerra comercial entre Estados Unidos e China, que deixou de ficar no radar devido à pandemia, mas deve voltar a ser discutido”. Ele destacou que houve uma perspectiva de um cenário mais conservador para a bolsa brasileira nesse período, e esse cenário permanece em torno dos 120 mil pontos, e não mais do que isso. “Vemos dois setores com peso grande no índice Bovespa, com riscos razoáveis: o setor de bancos, que representa praticamente 30% do índice; e o de commodities, que tem um peso de 25% no índice. Os demais setores compõem um bloco mais otimista”, destacou.

Segundo Sabanai, há ainda dois novos fatores de análise de risco na bolsa, incorporados no final de 2018, ligados aos aspectos sociais e ambientais, compondo o índice ASG e se tornando mais explicitados junto à governança. “Passamos a dar notas relacionadas a esses itens”, disse. “Temos um bom processo de screening desses critérios incorporados”. Ele salientou que os aspetos ASG devem ser olhados de forma mais ampla, incluindo iniciativas nas gestoras, destacando as ações que a Perfin realiza dentro desses aspectos. “O ASG deve fugir um pouco do óbvio, olhando as iniciativas que as próprias gestoras estão tomando”.

Fatores – Em seguida, Rodrigo Pereira Maranhão, Sócio e Gestor da Kadima Asset Management, abordou o investimento em fatores, ou factor investing. “Fatores são características que, no longo prazo, explicam, pelo menos parcialmente, a diferença de retornos entre ativos, no caso, ações, de longo prazo. Assim, você pode gerar retornos acima do benchmark no longo prazo. São comuns as evidências que os fatores funcionam no mundo inteiro”, destacou.

Segundo ele, há uma série de fatores tendendo a remunerar o investidor no longo prazo, e no factor investing o papel do gestor é gerar essa exposição de forma sistemática. “É possível dividir as ações em grupos sob a métrica de fatores e medir o resultado no longo prazo. Os quatro grandes tipos de fatores são momento, valor, risco e qualidade”, disse Rodrigo, ressaltando que é importante tomar cuidado com a sobreposição de fatores. “Temos muitas possibilidade de combinar fatores, avaliando qual momento do ciclo econômico se deve entrar, tentando mapear qual fator vai performar melhor no futuro e tentando encontrar uma asset allocation efetiva entre os fatores”.

Em alguns momentos, Rodrigo explicou que um fator que tem o melhor retorno pode ter um risco muito grande. “Quando temos uma exposição alvo, tentamos minimizar os riscos colocando pesos entre fatores. Tendo calculada a exposição de cada fator, podemos otimizar a carteira de forma a minimizar os riscos que no longo prazo não vão gerar retorno extra, mas ao mesmo tempo, ter uma exposição-alvo a riscos que me remuneram no longo prazo”, destacou.

Nova economia – Iniciando uma abordagem sobe nova economia, Pablo Riveroll, Head de Gestão de Renda Variável Brasil e Latam da Schroders, falou sobre a velha e a nova bolsa brasileira dentro de um viés ASG e quantitativo. “Falarei de três pontos são parte dos nossos processos de investimentos e essenciais. O primeiro deles é a nova economia”. Segundo ele, a nova economia gera crescimento, impacto, lucratividade e sustentabilidade, empresas inovadoras estão mudando a forma de consumo no Brasil.

“Dentro desse grupo de nova economia, temos ainda saúde a custos mais acessíveis, acesso a internet a saneamento, e muitas empresas estão retirando barreiras de entrada de novos negócios para diminuir preços. Muitos modelos de negócios no Brasil tem um dinamismo forte, mas é importante saber selecioná-los e investir”, destacou Riveroll. Ele ressaltou que na bolsa brasileira há uma exposição pequena a essa nova economia.

Segundo ele, com o uso big data, ou análise de dados, há maior convicção em relação às teses de investimento. “O acesso a dados é fundamental competitivamente entre os gestores”. No modelo quantitativo de alocação e controle de risco, Riveroll demonstrou como são selecionados países, por exemplo, na composição do portfólio de um fundo de investimento. “Em vez de otimização, é usada uma abordagem de alocação simples, do pior para o melhor”.

Na abordagem ASG em escala global, a visão de Riveroll sobre sustentabilidade está direcionada a retornos. “Buscamos boa gestão e bons fundamentos do negócio usando duas ferramentas principais: a primeira incorpora todos os dados em termos de relatórios e mede controvérsias; e a outra faz uma análise de portfólios que incorpora custos e benefícios gerados para a economia”, complementou.

Pix e Revolução nos Meios de Pagamento

O último painel do dia contou com uma apresentação sobre um tema que está em pauta no momento, diante da avalanche de inovações nos meios de pagamento do Brasil: o Pix. “O processo de pagamentos faz parte do dia a dia das entidades e dos participantes, e isso impacta diretamente nosso sistema”, disse Luiz Paulo Brasizza, Diretor de Investimentos da Volkswagen Previdência Privada e Diretor Vice-Presidente da Abrapp, moderador o painel. “Temos que tratar isso inclusive pensando na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), pois trataremos de dados extremamente importantes”, destacou. “Certamente teremos que adequar nosso sistemas à essa nova realidade”, ressaltou Brasizza.

Angelo J. Mont’alverne Duarte, Chefe do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central, destacou todo o processo de mudança do sistema financeiro até se chegar no Pix, que é um projeto do BC junto ao setor privado. “O Banco Central iniciou, recentemente uma série de projetos que estão ficando maduros nesses últimos anos para se ter um sistema financeiro mais eficiente. O Pix é um dos principais, mas há outros, como open banking, que está em andamento”, disse. “O objetivo é trazer mais eficiência e mais competição também, viabilizando que instituições financeiras consigam competir em escala menor”.

Ele explicou qual é o contexto do novo ecossistema de meios de pagamento. “Apesar da digitalização ser forte, com transferências bancárias e cartões, havia lacunas, e uma delas era o tempo em que as transações se dão. Em vários desses meios de pagamento, com cartões, boletos e transferências, há uma demora para que recursos sejam transferidos do pagador ao recebedor”, citou, falando ainda sobre o desenho mais enxuto do Pix em que instituições se conectam a essa plataforma sem intermediários. “Por fim, o papel moeda, ainda muito utilizado no Brasil, é um meio de pagamento ineficiente e muito caro. Qualquer redução do papel moeda trará um retorno à sociedade muito grande”.

Angelo citou as sete características que tornam o Pix único: velocidade, disponibilidade, segurança, conveniência, multiplicidade de casos de uso, informações agregadas, e ambiente aberto. “No Pix, os recursos transitam de uma conta para outra em poucos segundos”, disse. “Além disso, o Pix é um sistema construído do zero, sem legado, e traz uma série de características de segurança modernas”. Os casos de uso abrangem tanto pagamentos de governo quanto outros tipos de pagamento. O ambiente aberto permite ainda que um leque maior de instituições possam operar nesse novo meio de pagamento. “Já temos 980 instituições em processos de adesão ao Pix”.

O Banco Central vê a questão tecnológica como indutor de inovação, bancarização e competição, sem perder de vista a estabilidade do sistema, gestão prudencial e sigilo bancário, ressaltou Angelo. “A LGPD é mais uma camada que se põe à respeito dos dados pessoais”, complementou. O Pix estará em funcionamento pleno a partir do dia 16 de novembro.

Inovação – Em seguida, dois representantes do Hupp, hub da previdência privada organizado pela Abrapp e Conecta em parceria com a LM Ventures, fizeram apresentações sobre suas soluções em meios de pagamento: Piero Contezini, CEO e Fundador da Asaas, e Lucca Freire, Sócio da Trampolin.

A Asaas atua como instituição financeira com um atendimento que permite o pequeno cliente consiga acessar serviços financeiros que antes não teria acesso. O principal objetivo da Asaas é simplificar a cobrança de empresas por meio de automatização e disponibilização links, além de personalizar faturas de cobrança e oferecer meios de pagamento, que será facilitado com Pix, dando maior acesso a população que não é bancarizada. “O Asaas tem uma visão de tornar o recebimento de dinheiro algo muito fácil, de forma automática”, explicou Piero Contezini.

Já a Trampolin, plataforma de banking que fornece infraestrutura tecnológica para empresas que querem oferecer serviços financeiros aos seus usuários finais, oferece suporte técnico para quem quer construir e escalar experiências financeiras aos seus clientes, de APIs ao regulatório, oferecendo estruturas white label. “O banking é um complemento para a previdência. É uma grande oportunidade de abrir portfólio de produtos e serviços para os clientes da previdência privada”, disse Lucca Freire.

Rodada de Negócios – Com apresentações de cases e produtos, durante uma hora, os participantes do evento tiveram oportunidade de ver pitches de gestores e empresas especializadas em 20 estandes virtuais da área de exposições do centro de eventos online. Os pitches comerciais ocorreram simultaneamente, com duração de 15 minutos cada. Veja o tema de cada pitch:

 

  • XP INVESTIMENTOS » Como proteger capital em um ambiente que exige maior alocação em risco?
  • CAPTALYS ASSET MANAGEMENT » Fundos de Investimento da CAPTALYS em PRIVATE DEBT
  • CA INDOSUEZ WEALTH MANAGEMENT » Crédito Privado e suas oportunidades
  • KADIMA ASSET MANAGEMENT » Conhecendo os pioneiros da gestão quantitativa no Brasil
  • SULAMÉRICA INVESTIMENTOS » ESG e oportunidades que transformam: Fundo Total Impacto
  • VINCI PARTNERS » A Construção de Fofs Utilizando um FIA como Consolidador
  • AVIVA INVESTORS » AVIVA – ESG na Gestão Ativa de Crédito
  • SCHRODERS » ESG na gestão de Investimentos em Ações
  • PERFIN INVESTIMENTOS » A euforia dos IPOs
  • SPARTA INVESTIMENTOS » Renda Fixa pós fixada ou atrelada à Inflação? Na Sparta temos ambas soluções, venha conhecer.
  • CLEARBRIDGE » Como escolher a estratégia de Renda Variável Global mais adequada a entidade de Previdência Complementar
  • J.P. MORGAN ASSET MANAGEMENT » Diversificação global: essencial para seus resultados
  • TAG INVESTIMENTOS » O que você tem feito com a gestão estratégica da sua carteira?
  • BNP PARIBAS ASSET MANAGEMENT » Importando soluções de investimentos ao redor do mundo
  • MAG INVESTIMENTOS » Estratégias Globais Sustentáveis em Ações da Aegon Asset – O Portfólio Sustentável de Alta Convicção!
  • INDIE CAPITAL » Filosofia Indie de Investimentos
  • I9 ADVISORY » Outsourced Chief Investment Officer: gestão de recursos alinhada ao passivo atuarial e objetivos de retorno
  • FRANKLIN TEMPLETON » Investindo em inovação no exterior e em crédito no Brasil
  • MAUA CAPITAL » Geração de Alpha em Mandatos Enquadrados
  • STEP STONE GROUP » Por quê Private Equity?

Ainda dá tempo de participar da Rodada de Negócios que acontecerá nesta sexta-feira, dia 16 de outubro, programada para iniciar a partir das 10h20. Cada pitch tem lotação máxima; se programe com antecedência.

Acompanhe a cobertura do evento no Blog Abrapp em Foco.

O 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. O evento conta com patrocínio Black da XP Investimentos; Ouro da Aditus, Aviva Investors, BNP Paribas Asset Management, Indosuez Wealth Management, Captalys, ClearBridge Investments, Hancock Asset Management Brasil, Indie Capital, J.P. Morgan Asset Management, Kadima Asset Management, MAG Investimentos, Perfin Asset Management, Schroders, Sparta Fundos de Investimento, Sulamérica Investimentos, TAG Investimentos, Vinci Partners; Bronze da Franklin Templeton, i9Advisory Consultoria Financeira, Mauá Capital, StepStone; e apoio da ARX.

Cenário de recuperação abre oportunidades para diversificação global e local

Cenário de recuperação abre oportunidades para diversificação global e local

A importância da diversificação dos portfólios diante de uma taxa de juros próxima a zero, bem como a necessidade de conhecer e entender os cenários global e local de investimentos se fazem fundamentais para as estratégias de alocação com vistas ao compromisso previdenciário das entidades. Para debater o tema, foi realizado, nesta sexta-feira, 18 de setembro, pela Abrapp, o webinar Cenários Global e Local de Investimentos, que contou com um público on-line de 600 pessoas.

O Diretor Presidente da Abrapp, Luis Ricardo Marcondes Martins, destacou na abertura do evento a notabilidade do tema e registrou a resiliência, solidez e profissionalismo com que o sistema encara o momento atual de pandemia. “À luz do amadurecimento e da antecipação dos efeitos da pandemia, o sistema se superou”. Ele destacou que o mercado financeiro já se recuperou do impacto mais forte da crise, e isso reflete também nos planos de previdência. “Com o profissionalismo que integra o sistema, temos que aproveitar esse ciclo virtuoso que se abre na nossa frente.”

Diante disso está a importância da diversificação de risco e de olhar o mundo fora do Brasil. “A estratégia de longo prazo nos permite buscar alternativas para rentabilizar e cuidar dos recursos de terceiros. Vamos precisar, portanto, revisitar a Resolução CMN 4.661 para dar mais flexibilidade e ter mais produtos para o perfil de longo prazo. A questão imobiliária precisa ser resolvida, bem como a ampliação de investimentos no exterior”, disse Luís Ricardo. A finalidade de proteger pessoas se dá devido à gestão profissional do segmento, e o Diretor Presidente da Abrapp ressalta que os dirigentes são fundamentais para que estratégias corretas e seguras sejam implementadas.

Ainda na abertura, o Diretor de Investimentos da Previ e Secretário do Colégio da Comissão Técnica de investimentos da Abrapp, Marcelo Wagner, destacou os compromissos previdenciários das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) assumidos ao longo de décadas com planos de Benefício Definido (BD), além da responsabilidade de dar rentabilidade para quem está constituindo reservas em período laboral. “Em um país com baixas taxas de juros, é desafiante”, pontuou, enfatizando que as apresentações do webinar visam responder como é possível fazer a montagem de um portfólio adequado ao novo cenário que se apresenta.

Cenário Macro e Diversificação Internacional – A Estrategista de Mercados Globais da J.P. Morgan Asset Management, Gabriela Santos, destacou que os investimentos internacionais têm um papel muito importante na diversificação, especialmente em planos de Contribuição Definida (CD) ou nos BD deficitários. “O cenário internacional ajuda no retorno e também a diversificar os ativos locais. Para isso, é preciso entender ou ter um parceiro que entende muito bem o que está acontecendo no mundo, não só na economia global, mas nas companhias globais”, disse Gabriela.

Ela iniciou a apresentação contextualizando sobre o impacto mundial da pandemia do novo coronavírus (COVID-19). “Todos tiveram que lidar com esse problema, e infelizmente será algo que continuará nos afetando e sendo uma preocupação para a economia global, pois ainda não temos a vacina”, disse. Gabriela pontuou, porém, que já é possível lidar melhor com a crise, com tratamentos melhores e sistemas de saúde menos esgotados e maior precaução, o que reduz o número das fatalidades mundialmente. “Com isso, começamos a reabrir as atividades e saímos da recessão causada pelo choque inicial, iniciando uma recuperação econômica”.

Outro ponto destacado é que o choque de COVID-19 foi grande, mas há situações diferentes em regiões diferentes em termos de quando o vírus chegou e as medidas foram apresentadas, o que afeta o ritmo da recuperação econômica e os diferentes mercados. Ela detalhou o nível de retomada das atividades em diferentes países. “Começamos uma recuperação econômica, um novo ciclo, devagar e um pouco incerto, mas o importante é o fato que estamos caminhando em uma melhor direção”, destacou.

Em termos de investimento, a renda fixa tem dado bons retornos, com preços interessantes, mas é preciso focar não somente em maximizar retornos, como também avaliar o nível de risco. “Quanto mais a gente olha a renda fixa, os ativos que têm os ganhos mais altos têm também maior risco”, disse Gabriela. Já em renda variável, há recuperação diferenciada dependendo da região, com a bolsa americana e da Ásia tendo uma recuperação maior frente a América Latina e Europa. “Há ainda uma grande diferenciação baseada no tipo de companhia e setor. Energia, indústria, algumas companhias de consumo discricionário e bancos foram muito afetados pela pandemia, enquanto tecnologia e saúde tem se amplificado, ajudando na recuperação das bolsas americanas e asiáticas. Isso ajuda a explicar a diferença de recuperação regional da bolsa, que se dá não apenas pela economia, mas pelas companhias”, pontuou.

Longo prazo – Gabriela destacou que a alocação em renda variável é sempre uma estratégia de longo prazo, baseada em fundamentos e no crescimento de lucro das companhias, pensando no sucesso em anos, não em meses. “Além disso, é uma alocação estratégica, e não tentando acertar a entrada e saída”, pontuou. Segundo ela, isso explica o porquê de fatores como as eleições americanas não afetarem o retorno de longo prazo da bolsa. “É diferente do Brasil, onde as eleições mudam as coisas na margem, causando volatilidade. Nos Estados Unidos, esse não é um fator que muda as decisões de investimentos, e por isso comprar ações lá é uma parte estratégica da carteira”, disse, reiterando que a renda variável global tem um comportamento muito diferente do mercado local, o que ajuda muito a diversificar portfólios.

Estratégias defensivas – Ainda pensando na crise de COVID-19, a Associate Director, Global Research & Design na S&P Dow Jones Indices, Maria Sanchez, destacou quais as estratégias defensivas baseadas em índices podem ser usadas para minimizar esse tipo de impacto nas carteiras das entidades. “Nos últimos anos, vimos Bancos Centrais e globais reduzirem suas taxas de referências, em especial no Brasil, que há poucos anos estava em dois dígitos. Entre as estratégias defensivas que podem ser usadas para atenuar esse tipo de situação está a de renda variável, que procura selecionar ou alocar nas companhias percebidas como de menor risco”.

Além disso, Maria apontou estratégias de baixa volatilidade, dividendo, e qualidade que também são conhecidas. “Elas são definidas por empresas lucrativas, com balanço sólido. Há também estratégias de índices com altos dividendos e índices fatoriais”. Ela citou a estratégias multiativos, com índices baseados em regras com ajuste dinâmico ou com carteiras diversificadas. “Na primeira, há controle de risco, e o objetivo principal é obter uma exposição a um mercado, tema ou estratégia específicos enquanto se procura um nível de risco objetivo. Há ainda dois tipos de controle de risco, um que aloca dinamicamente entre capital e dinheiro e outro em capital, dinheiro e dívida”, disse.

Com foco na diversificação, há ainda uma estratégia baseada em futuros, títulos e ações. “Os futuros de renda variável têm controle de risco, enquanto os futuros de títulos de dívida não”. Além das estratégias defensivas, uma questão em destaque no Brasil e outros países do mundo são as estratégias ASGI. Maria destacou, nesse sentido, o índice S&P Brasil ESG, que exclui ações com base no engajamento das companhias em atividades comerciais específicas, e de acordo com princípios globais ou de empresas sem ações ESG. “Há uma variedade de estratégias defensivas com diferentes níveis de eficácia utilizados. A incorporação de princípios ASGI nos processos de investimento é cada vez mais relevante”, complementou.

Retomada – O Head da Gestão de Multimercados, Ações e Offshore da BB DTVM, Marcelo Arnosti, apresentou uma visão sobre o que é visualizado para os próximos anos. “Na nossa interpretação, a economia global está passando por um período recessivo, iniciando uma retomada apoiada pelo impulso fiscal e monetário dos governos, além da possível disponibilidade de vacinas no ano que vem, formando-se um contexto positivo do ponto de vista de ciclos de negócios”, disse.

Para ele, há perspectivas favoráveis para a retomada do ciclo de crescimento para a economia mundial com a previsão favorável para a vacina, taxas de juros próximas de 0%, e alta liquidez de ativos. Segundo Arnosti, as eleições americanas não parecem oferecer maior risco para o processo de recuperação econômica. “O que mais pode preocupar neste contexto é o aumento das tensões comerciais e políticas entre EUA e China, mas maior risco para a retomada do crescimento global é a hipótese de falha nas vacinas”, pontuou.

No cenário doméstico, o cenário é mais complexo e apresenta maior risco que a tendência global. Mesmo assim, o gestor classificou as perspectivas como relativamente positivas para a economia brasileira. “Em 2020, está ocorrendo uma retomada com um ritmo interessante. A pandemia está cedendo, ainda que lentamente, e a recuperação está ocorrendo em diversos setores, ainda que de maneira desigual”. Arnosti pontuou que o terceiro trimestre registrou uma taxa de expansão interessante, e o quarto trimestre deve desacelerar. “Porém o resultado do PIB será melhor que o esperado no início da pandemia”. A BB DTVM está prevendo uma queda de 5% para o PIB em 2020. Arnosti reiterou que o pior já passou e foi superado com a ajuda das políticas monetárias e de auxílio emergencial.

A incerteza, porém, aumenta para os cenários de 2021 e dos próximos anos em decorrência do ajuste fiscal. Segundo Arnosti, os gastos públicos tiveram elevado incremento neste ano, e a relação dívida e PIB veio se deteriorando. Neste sentido, o principal debate que está tomando os mercados gira em torno da manutenção do teto de gastos. Com base em análises e projeções de consultorias políticas, o gestor da BB DTVM acredita que haverá uma solução negociada entre governo e Congresso Nacional para a manutenção do teto. “Isso será possível com a proposta e aprovação de uma minirreforma fiscal com a utilização de alguns gatilhos para manter os gastos obrigatórios. A solução deve ser capaz de segurar o teto para o próximo ano e para os seguintes”.

Prêmios de risco– Se a previsão for acertada, os prêmios de risco dos ativos do mercado brasileiro devem ceder, pois haverá retomada do crescimento mais consistente para os próximos anos. A previsão da BB DTVM é de crescimento de 3% do PIB para 2021. “A perspectiva mais favorável para a economia doméstica será ajudada também pelo crescimento global mais positivo, e a pressão inflacionária deve continuar sem gerar maiores preocupações”, disse Arnosti. Apesar da pressão dos preços do atacado, o especialista acredita que ela não será repassada para o varejo. “Com isso, o Banco Central terá condições de manter a Selic nos atuais 2% por bastante tempo”, analisou.

Neste contexto, há oportunidades interessantes nos ativos de crédito privado, que estão pagando prêmios elevados neste momento. Arnosti citou ainda as oportunidades em bolsa,  também interessantes para os investidores neste momento. “A previsão é que o Ibovespa alcance o patamar de 120 mil pontos no segundo semestre do ano que vem. Em direção contrária, o dólar deve se desvalorizar ante o real e fechar em R$ 5 no final de 2020, e deve ceder ainda mais ao longo do ano que vem”. O gestor apontou boas oportunidades em setores como imobiliário e bancos, entre outros.

A melhoria dos indicadores deve vir com o alívio das tensões sobre a questão fiscal, mas Arnosti avaliou que os prêmios dos ativos refletem a preocupação com a manutenção do teto de gastos. “Se isso for endereçado pelo governo e Congresso, as perspectivas irão melhorar mais sensivelmente. Em todo caso, por conta dessas tensões, há oportunidades diversas nas alocações de risco neste momento”, complementou.

Perspectiva positiva – Ao comentar as apresentações anteriores, Marcelo Otávio Wagner disse que concorda que existe uma trajetória de forte recuperação da economia global, mas ponderou que esse movimento não ocorre de maneira uniforme. “É uma recuperação bastante desigual em termos de geografia e de setores. Por isso, é necessário tomar cuidado na montagem de portfólios globais”. Ele destacou a importância da escolha das classes de ativos na alocação estratégica.

O Diretor da Previ demonstrou interesse pela utilização de índices de gestão, que podem ser combinados entre si, como se fossem peças de um lego, e ressaltou a importância da estratégia ASG, que podem ser acessadas através de índices de gestão passiva. Wagner analisou ainda que as curvas das taxas de juros mais longas estão muito abertas e prevê que ocorrerá um fechamento das curvas ao mesmo tempo em que haverá uma apreciação do real ante o dólar. “A questão cambial é importante na hora de definir a alocação em ativos no exterior”, pontuou.

Newsletter Abrapp em Foco

Cadastre-se e fique por dentro de tudo que acontece no Grupo Abrapp e em sintonia com os fatos mais relevantes do setor.