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Disparada do IGP-M reforça discussão sobre troca de indexador dos planos de benefícios

A alta do Índice Geral de Preços (IGP), que encerrou 2020 com aumento de 23,14%, retomou no mercado de previdência complementar a discussão sobre a necessidade de troca deste indexador dos planos de benefícios. Diferente do IPCA, que ficou em 4,52%, a disparada do IGP-M dificulta que o plano consiga cobrir o reajuste de 23%, resultando, possivelmente, em déficit.

Situações como esta de “explosões” no reajuste do índice podem acarretar dificuldades ao fundo de previdência, principalmente se for recorrente, levando a um problema de solvência e situações deficitárias. “Do lado técnico e atuarial, há um consenso entre interlocutores do mercado de que o ideal é que haja um tipo de alinhamento entre indexadores dos planos e indexação dos ativos”, explica Evandro Oliveira, líder da área de Previdência da Willis Towers Watson.

Segundo ele, quando o IGP-M foi adotado como indexador de algumas entidades, existiam papéis que poderiam fazer alguma proteção para essa operação. “As NTN-C tinham o IGP-M como indexador, com condições de oferecer reajuste aos participantes e ter o patrimônio com um tipo de investimentos cujo indexador rastreasse esse compromisso. Ao longo dos anos, não houve mais emissão de papéis vinculados ao IGP”, destaca.

Ele ressalta que as entidades que ainda mantêm o IGP-M como indexador não têm como fazer uma proteção do lado financeiro. “Olhando historicamente, o IGP-M perdeu do INPC e do IPCA por vários anos. No longo prazo, esses indexadores tendem a convergir. O problema é que esse horizonte de tempo não necessariamente é o mesmo da duration do plano. No longo prazo, isso pode trazer problemas para as entidades”, reforça Evandro.

Déficit – O atuário e Diretor Superintendente MercerPrev – Fundo de Pensão Multipatrocinado, Antônio Fernando Gazzoni, alerta para o fato de que se houver déficit, os participantes ativos, que não receberam reajuste do indexador, pois não estão em gozo do benefício, e o patrocinador, que a priori já havia feito a sua parte contribuindo normalmente ao plano, terão que solidarizar-se com os assistidos para pagar a insuficiência de cobertura por meio de contribuições extraordinárias.

Ele explica que, independente de qualquer crítica em relação à utilização do índice, há um objetivo na escolha para o reajuste dos benefícios. “O índice deve atender principalmente à finalidade de garantir o poder aquisitivo do benefício, além de possibilitar aos investimentos que atinjam seu patamar em um grau de risco aceitável”, destaca Gazzoni.

Algumas entidades alegam que a manutenção do IGP-M como indexador do plano de benefícios trata-se de um problema estrutural, e que poderá inviabilizar, no médio e longo prazo, o plano de benefícios. A Vivest, por exemplo, registrou déficit em 2020 mesmo após ter atingido uma rentabilidade acumulada de 14,34%. Segundo a própria entidade, o desempenho ficou muito abaixo do necessário para atingir a meta atuarial do ano, que chegou ao patamar histórico de 30,81%.

“A disparada do IGP-DI, indexador dos nossos planos de benefício, tornou a meta atuarial de 2020 um desafio sem precedentes, porque causou um forte descasamento entre nossos investimentos e o pagamento dos planos de benefício”, explica o Diretor de Investimentos da Vivest, Jorge Simino Júnior. “É uma meta impossível de alcance”, reforça.

Nesta entrevista, Simino fornece mais informações sobre as estratégias de investimento adotadas pela Vivest no ano passado, que proporcionaram uma rápida recuperação da entidade em relação à crise decorrente da pandemia de Covid-19, e como a fundação, ainda assim, teve dificuldades em bater a meta atuarial por conta do indexador.

Troca de indexador – A discussão sobre a necessidade de troca do indexador é puxada pela Vivest já há alguns anos. Para a entidade, o resultado deficitário, mesmo diante da rentabilidade nominal diferenciada, reforça ainda mais a necessidade da troca do IGP para o IPCA. A Vivest alerta ainda que em abril de 2021, vencem R$ 9,4 bilhões em títulos públicos da entidade indexados ao IGP-DI, que terão que ser reinvestidos em títulos atrelados ao IPCA, já que o Tesouro Nacional não emite mais títulos indexados aos IGP.

Segundo Simino, em 2009 foi apresentado pela governança da fundação a necessidade da troca do indexador. “Na época, o Tesouro Nacional disse que não emitiria mais as notas série C, atreladas ao IGPM. Alertamos à governança que teríamos um problema de descasamento, pois não haveria mais ativos atrelados ao IGPM”, explica.

Após várias discussões internas, a Vivest retomou a conversa entre 2018 e 2019, apresentando novamente à governança da entidade o projeto de troca do indexador, e no começo de 2020 dois planos o aprovaram. “A governança individual dos planos aceitou a decisão, que foi ratificada pelo Conselho Deliberativo, enviando à Previc para aprovação”. Simino explica que a Vivest ainda está no aguardo da validação da proposta pela autarquia.

Segundo Evandro Oliveira, esse é um item que precisa ser endereçado para garantir a sustentabilidade dos planos, mas o consenso não é tão simples. “O timing dessa discussão aumenta ainda mais a dicotomia de percepção. Ele traz a necessidade, para o gestor, por conta do déficit, de buscar um plano que tenha equilíbrio e sustentabilidade. Mas o participante pode alegar que a escolha do indexador está no contrato”, explica.

Guilherme Benites, sócio da Aditus, reforça que o principal impacto da mudança, para os participantes, é mexer em uma premissa que, em tese, está contratada. “O participante está olhando para o passivo e vendo a correção que vai ter. Uma solução seria mudar daqui pra frente e não o que for adquirido lá atrás, mas para a entidade, na prática, o efeito disso é muito pequeno. O problema de descasamento continuaria igual”, diz.

Ele ressalta, contudo, que para a estrutura de investimentos, a mudança tenderia a ser muito positiva. “Para o plano, o pleito é que seria muito melhor ter um indexador do passivo alinhado com títulos que possam ser comprados no mercado. E o ideal seria mudar para o IPCA. O que poderíamos esperar é uma regulação sobre essa possibilidade de mudança. É um tema que, se não for resolvido, vai trazer muitos problemas às entidades”.

Economus atinge retorno de 19,93% em seu maior plano de benefícios em 2020

Economus atinge retorno de 19,93% em seu maior plano de benefícios em 2020

Mesmo em um ano atípico, marcado por uma pandemia global que provocou grande impacto na economia, 2020 finalizou com resultados positivos na gestão de investimentos do Economus. Todos os quatro planos de benefícios administrados pela entidade superaram as metas atuariais. O destaque ficou com o plano denominado Regulamento Geral, que é o maior em termos de patrimônio (R$2,3 bilhões) e que obteve rentabilidade de 19,93% contra 11,25% da meta (INPC + 5,5% a.a.).

O segundo maior plano da entidade, o Prev Mais, que possui patrimônio de R$2 bilhões, registrou retorno de 5,45% ante um índice de referência de 4,74%. O Prev Mais segue a modalidade de contribuição variável. Os outros dois planos do Economus, o Grupo A e o Grupo B, tiveram retorno de 10,39% e 10,37%, respectivamente, também acima de suas metas. Estes dois planos somados têm patrimônio de cerca de R$ 500 milhões.

O Diretor Financeiro do Economus, Júlio Cezar Tozzo, lembra que em 2020, ocorreu uma das maiores crises econômicas da história, reflexo da pandemia da Covid-19, que gerou queda no valor dos ativos de todos os segmentos da economia. Ativos de renda fixa, renda variável, estruturados, imobiliários chegaram a sofrer desvalorização acentuada durante o primeiro semestre de 2020, com o Ibovespa tendo registrado desvalorização de 40%.

Durante esse momento delicado, a gestão de investimentos do Economus manteve sua atuação pautada pelos objetivos de longo prazo declarados na Política de Investimentos, mas sempre atenta a oportunidades atrativas e alinhadas com esses objetivos. Pensando nisso, realizou investimentos de cerca de R$500 milhões, principalmente em títulos públicos federais e renda variável, que contribuiram para garantir desempenho positivo dos planos.

“Nossa política de investimentos procura manter o olhar no longo prazo, com horizonte de 5, 10 ou 15 anos. Esse olhar mais longo nos ajudou a manter a calma nos momentos mais adversos, ao mesmo tempo que procuramos aproveitar as oportunidades”, diz o Júlio Cezar. Ele revela que o ano de 2020 foi um período que a entidade até promoveu maior movimentação nas alocações do que em anos anteriores.

“Aproveitamos oportunidades com os títulos públicos e na renda variável. Fizemos uma gestão mais ativa na carteira de renda variável, com troca mais constante de fundos e gestores”, comenta o Diretor. A abertura das taxas de juros em alguns momento do ano levaram a entidade a ampliar a alocação em títulos públicos e privados. A presença de títulos do tipo NTN-C no estoque também contribuiu para o bom resultado, pois são papéis que se beneficiaram da alta do IGP-M.

Redução da meta – O resultado da rentabilidade do Regulamento Geral foi o melhor dos últimos oito anos. O resultado expressivo gerou superávit de R$ 350 milhões para o plano no exercício de 2020 e foi destinado para a redução da meta atuarial para INPC + 5% a.a. “Ainda queremos reduzir a meta um pouco mais. Achamos que o ideial é chegar a 4,5% ou 4% ao ano”, conta Júlio Cezar.

Além do retorno satisfatório dos investimentos, o Economus comemora também a superação dos desafios para manter o funcionamento da entidade no ano passado e início de 2021. O processo de migração para a estrutura para a nuvem facilitou a adoção do regime de trabalho em home office a partir de março do ano passado. O maior desafio foi manter a operação de saúde, pois a entidade administra um plano de autogestão. “Conseguimos nos adaptar rapidamente para manter o atendimento normalizado”, diz Júlio Cezar.

Os comitês, conselhos e diretoria se reuniram através da plataforma Teams. Uma inovação que ocorreu no meio da pandemia foi a doção do sistema de assinatura digital. “Foi um ano desafiador, de muito aprendizado. Podemos dizer que a principal lição foi aprender a liderar as equipes com a utilização das ferramentas virtuais”, comenta o Diretor.

Investimentos no exterior são destaque de rentabilidade na carteira da Vivest em 2020

Investimentos no exterior são destaque de rentabilidade na carteira da Vivest em 2020

Em um ano conturbado como o de 2020, em que as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) tiveram que ser cautelosas em relação às estratégias de investimentos, a Vivest alcançou bons resultados puxados pelos investimentos no exterior, que tiveram rentabilidade e de 32,3% no acumulado do ano. A entidade encerrou o período com rentabilidade nominal acumulada de 14,34%, resultado que supera a rentabilidade anual média de 5,51% atingida pelos fundos multimercados medidos pelo índice IHFA (índice de Hedge Funds da Anbima).

O resultado ocorreu, contudo, depois de vários períodos de incertezas decorrentes dos efeitos da pandemia de Covid-19 no mercado financeiro e no mundo todo. “O epicentro da crise foi no mês de março, quando todos ativos financeiros sofreram queda. No início daquele mês, vendemos R$ 1,2 bilhão em renda variável e resgatamos R$ 800 milhões aproximadamente de aplicações em fundos multimercados. Essa foi a movimentação mais significativa que fizemos”, diz o Diretor de Investimentos da Vivest, Jorge Simino, em entrevista ao Blog Abrapp em Foco.

Segundo Simino, esse foi um movimento de defesa feito pela equipe de investimentos da entidade no início da crise. “Ninguém sabia o que ia acontecer, as dúvidas eram gigantes do ponto de vista da pandemia e economia. No começo de abril, todos os governos fizeram movimentos de prover liquidez para o mercado como um todo, seja via política monetária ou fiscal”, lembra. “Com isso, retomamos o risco a partir da segunda quinzena de abril”.

Na primeira retomada de investimento em ativos de risco, a Vivest aplicou R$ 400 milhões em renda variável doméstica. “Esperamos mais um pouco para ter mais clareza, e entre junho e julho, investimos R$ 850 milhões em renda variável no exterior, quando tivemos uma convicção maior de um momento de recuperação em função da liquidez dada pelas políticas adotadas pelo governo”, explica Simino.

Investimento no exterior – A performance de abril para frente, segundo Simino, foi decorrente de uma recuperação do mercado, sendo que a entidade saiu de um resultado consolidado negativo de 4,7% no primeiro trimestre para uma rentabilidade de 20,6% no o plano BSPS; de 18,9% no BD, e de 16,45% no CV entre abril e dezembro. “Tivemos uma boa recuperação dado o tamanho do risco tomado”.

Já no início de 2021, Simino explica que as estratégias adotadas serão mantidas, sem nenhum movimento muito significativo. A expectativa, contudo, é que haja um incremento do limite para investimentos no exterior via regulamentação. A Resolução CMN nº 4.661/2018 estabelece um limite máximo de 10% de alocações do total de investimentos das EFPC em ativos no exterior. “Do ponto de vista de análise e fundamento, eu gostaria de ter mais dinheiro em renda variável no exterior. Hoje temos pouco menos de um R$ 1 bilhão e gostaria de ter até R$ 2,5 bilhões”, diz.

A fundação se aproxima do limite de 10% investidos no exterior em seus planos de Contribuição Variável. “Lembrando que as EFPC têm gestão profissional, seja uma parte terceirizada ou uma parte interna, e o pessoal está devidamente capacitado a fazer esse tipo de decisão”, reitera o Diretor de Investimentos da Vivest.

Meta atuarial – Apesar de ter alcançado o resultado de 14,34% em 2020, o desempenho ficou abaixo do necessário para atingir a meta atuarial do ano, que chegou ao patamar histórico de 30,81%. Isso ocorreu por conta da disparada do IGP-DI, indexador dos planos de benefício da Vivest, tornando a meta atuarial de 2020 um desafio sem precedentes, na visão de Simino. “É uma meta de impossível alcance”, destaca.

Simino ressalta que há uma discussão para troca do índice da meta atuarial na fundação há 12 anos. “Apresentamos, em 2009, para a governança da entidade essa necessidade. Na época, o Tesouro Nacional disse que não emitiria mais as notas série C, atreladas ao IGPM. Alertamos à governança que teríamos um problema de descasamento, pois não haveria mais ativos atrelados ao IGPM”, explica.

Após várias discussões, a Vivest retomou a conversa entre 2018 e 2019, apresentando novamente à governança da entidade o projeto de troca do indexador, e no começo de 2020 dois planos o aprovaram. “A governança individual dos planos aceitou a decisão, que foi ratificada pelo Conselho Deliberativo, enviando à Previc para aprovação”. Simino explica que a Vivest ainda está no aguardo da validação da proposta pela autarquia.

Fusesc supera metas atuariais de seus três planos de benefícios em 2020

Fusesc supera metas atuariais de seus três planos de benefícios em 2020

Os retornos dos investimentos dos três planos de benefícios da Fusesc superaram as metas atuariais no ano passado. No Plano Benefícios I, a rentabilidade acumulada foi de 10,86%, acima da meta de 9,90%. No Multifuturo I, a rentabilidade foi de 10,06%; e no Multifuturo II, o retorno foi de 9,83%. Nestes dois últimos, a meta atuarial foi de 9,67%.

“Seguimos uma política de investimentos conservadora. Mantivemos um volume de recursos líquidos antes da pandemia e procuramos aproveitar oportunidades do mercado que apareceram com a queda da Bolsa em março do ano passado”, explica Vânio Boing, Diretor Superintendente da Fusesc.

A equipe de investimentos da Fusesc e os gestores externos passaram a realizar alocações táticas, procurando boas oportunidades entre os meses de maio a setembro. Com a alta da Bolsa em novembro e dezembro, foi possível superar as metas do ano. Também ajudou muito o desempenho da carteira de títulos públicos com marcação na curva (a vencimento). A fundação detém um grande volume de títulos públicos do tipo NTN-C que tiveram excelente desempenho devido ao indexador, o IGP-M, que marcou 23,14% em 2020.

Funcionamento e atendimento – A Fusesc tinha realizado uma série de mudanças em 2019 no sentido de levar sua operação para a nuvem. “Fizemos um investimento em TI no ano anterior à pandemia e isso foi fundamental para enfrentar os desafios do ano passado”, comenta Vânio. Por isso, foi possível oferecer a possibilidade que toda a equipe adotasse o trabalho remoto.

O maior desafio da pandemia foi adaptar o atendimento para o novo cenário. Foi necessário realizar uma série de adaptações no sistema digital e de telefonia da fundação. “Nosso público de Florianópolis, que representa cerca de metade dos participantes, estava mais acostumado ao atendimento presencial. Tivemos de realizar uma série de mudanças e orientações para migrar para o digital e central de atendimento”, lembra o Diretor Superintendente.

A equipe da fundação até hoje continua com a opção do trabalho remoto (home office). Aqueles que optarem, podem trabalhar no escritório, desde que não façam parte do grupo de risco. “Temos uma equipe enxuta, com 22 colaboradores e mais dois diretores. Cerca de 90% da equipe continua em home office”, explica.

Como a entidade já entrou em um acordo coletivo da categoria que aprovou o teletrabalho, a direção da Fusesc decidiu mudar de sede para um escritório menor. “Estamos mudando de sede visando a redução de custos. Vamos adotar um sistema misto, presencial e teletrabalho”, conta Vânio. Ele diz que os investimentos em TI (tecnologia da informação) continuam como prioridade para a entidade.

Desafios 2021 – O cenário de investimentos continua desafiador para 2021. Com os juros em patamares muito baixos neste início de ano, a Fusesc decidiu reduzir as metas atuariais. A entidade cortou a taxa atuarial de 4,25% para 3,87% mais o INPC. “Tínhamos reservas técnicas suficientes para promover a redução da meta. Mesmo assim, o ano será desafiador”, comenta Vânio.

O dirigente prevê que a Selic deve terminar o ano entre 3% e 3,5%. A previsão é que a rentabilidade global da entidade atinja algo em torno de 8% em 2021, favorecida pelo desempenho do estoque de títulos públicos, que apresenta média de prêmios de 6% além da inflação.

A entidade estuda também a criação de um plano família. A possibilidade de oferecer planos aos familiares de participantes está no radar, ainda que dependa do resultado de um plano de viabilidade. A Fusesc está realizando um estudo técnico sobre o assunto que será finalizado no próximo mês de março.

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