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TV Câmara Campinas exibe depoimento de Luís Ricardo Martins sobre recuperação das EFPC durante pandemia

TV Câmara Campinas exibe depoimento de Luís Ricardo Martins sobre recuperação das EFPC durante pandemia

A TV Câmara Campinas exibiu dia 25 de novembro, no programa Câmara Total, depoimento do Diretor Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Martins sobre a carteira consolidada das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), que apresentou significativa recuperação desde o início da pandemia.

Luís Ricardo explica que em março, com os primeiros impactos da crise, as entidades acumulavam um déficit de R$ 74 bilhões. Já em setembro, o resultado negativo foi reduzido para R$ 38 bilhões. “As experiências com outras crises e o perfil de longo prazo ajudaram o segmento a se capacitar para administrar essas oscilações conjunturais. Estamos falando de um sistema maduro, sólido, de 50 anos, que já passou e superou outras tantas crises”, disse em seu depoimento, reiterando que essa vivência trouxe maturidade ao segmento.

“O segmento de previdência fechado segue um conceito de longo prazo, e mesmo que a rentabilidade tenha sido afetada pela crise, na média, o sistema está na meta necessária para pagar as aposentadorias”, reiterou. Luís Ricardo disse ainda que, apesar da crise, o sistema está mostrando sua força e que é parceiro do governo para buscar atuar conjuntamente na solução dos problemas sociais e macroeconômicos. “Temos certeza que vamos chegar ao final do ano batendo nossas metas atuariais e cumprindo nossa missão maior, que é pagar benefícios”.

Assista ao depoimento na íntegra a partir do minuto 50:00:

Presença de Paulo Guedes no encerramento do 41º CBPP destaca Previdência Complementar na prioridade da agenda do governo

Presença de Paulo Guedes no encerramento do 41º CBPP destaca Previdência Complementar na prioridade da agenda do governo

“A Previdência Complementar está na agenda prioritária do Estado e é parceira do governo”, disse o Diretor Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Martins, no final da tarde desta quinta-feira, 19 de novembro, ao receber o Ministro da Economia Paulo Guedes para a Palestra de Encerramento do 41º Congresso Brasileiro de Previdência Complementar (CBPP). 

Luís Ricardo destacou a honra de receber a maior autoridade da economia do país no maior Congresso de Previdência Privada do mundo, destacando ainda a presença de demais representantes do governo durante o evento, que enfatizaram, durante quatro dias de conteúdo, o processo de recuperação da economia. 

O Ministro Paulo Guedes ressaltou que o governo brasileiro trabalhou em altíssima velocidade em relação à crise, lembrando que o senso de compromisso com as reformas continua. “Há muita reforma pela frente. Vamos transformar essa recuperação cíclica numa retomada de crescimento sustentável”. 

O Ministro falou com otimismo sobre a potência do mercado brasilero, de capitais e financeiro, como a grande alavanca para a recuperação do país. “Estamos indo em direção à uma economia de mercado. São milhões de brasileiros espalhados pelo Brasil investindo”, disse, citando o público de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). “São investidores de longo prazo, vão comprar esses investimentos e fazer o choque da infraestrutura brasileira”. 

Para exemplificar as medidas do governo diante da crise e o que ainda está por vir, Paulo Guedes traçou uma linha do tempo abordando, inicialmente, a reflexão do diagnóstico que o governo atual fez no início do mandato, de que o Brasil está em uma transição incompleta, “O país fez sua Glasnost, seu processo de abertura política, saindo de um sistema fechado para uma democracia resiliente”, disse. “Mas o Brasil é uma grande sociedade aberta em construção, está aperfeiçoando seu sistema democrático, e se avançou politicamente em um ritmo mais rápido. Eu diria que a transição do ponto de vista econômica, a nossa Perestroika, andou muito devagar. É uma transição incompleta”, continuou, ressaltando, entre outros pontos, a dificuldade de privatizações que ocorre no país.

Guedes ressaltou que há hoje uma aliança de conservadores nos costumes e de liberais na economia. Em sua visão, o movimento atual da democracia é normal e o “som” que vinha de fora de que a democracia brasileira estava ameaçada e entraria em um risco, que os investimentos iam parar de vir ao Brasil, não se concretizou. “Não foi isso que aconteceu”, disse o Ministro.

Em sua fala, a China foi destacada como uma economia que está penetrando globalmente, aderindo ao mercado capitalista, e assim “tiraram seu povo da miséria”, destacou. “O novo eixo de crescimento está do outro lado do mundo”, disse Guedes, ressaltando que do lado de cá há crises. “Reafirmo minha convicção de que o Brasil é uma grande sociedade aberta, em construção, com economia de mercado”.

Dívida pública – Entre os primeiros grande problemas detectados pelo atual governo, que buscou endereçá-los, Guedes apontou o aumento dos gastos públicos, que ocorrem desde o governo militar, saindo de 18% do PIB, chegando a 45% no auge do governo passado. “Esse descontrole e expansão ininterrupta dos gastos públicos ao longo de 40 anos foi responsável pelas disfunções da economia brasileira”, disse Guedes.

O Ministro destacou ainda o constante aumento da dívida pública e aumento de impostos, mas em paralelo, houve tentativas de se fazer aperfeiçoamentos institucionais, como a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal, ressaltando que é preciso ainda manter a cultura desta Lei, pois estados e municípios “estão todos apertados”. 

Guedes pontuou também a necessidade de se desvincular os fundos e saber onde haverá corte de gastos. “A discussão do orçamento é a essência da atividade política. No Brasil, 96% do orçamento está carimbado, e há uma briga pelos outros 4%”. Segundo o Ministro, o diagnóstico de altos gastos levou o governo atual a atacar as trajetórias futuras, criticando mais uma vez o endividamento e ressaltando a necessidade de se reduzir a relação dívida-PIB.

Reforma da Previdência – A Reforma da Previdência, aprovada no ano passado, foi apontada por Paulo Guedes em seu discurso como a primeira grande quebra dos gastos. Ele destacou que não foi possível aprovar o modelo de uma previdência baseada em regime de capitalização. “Com o regime capitalizado, a previdência fechada teria um papel decisivo na alocação de capital, maior do que nesse sistema que temos hoje, de repartição. Não conseguimos fazer, mas pelo menos removemos os privilégios, e podemos mais pra frente buscar um regime mais eficiente, mas não é mais prioridade desse governo”, disse.

Outra despesa apontada por Guedes é o juros da dívida, que foi trocado pelo controle de gastos do governo, travando despesas e desalavancado os bancos públicos. A terceira grande fonte de despesa pública, segundo Guedes, também endereçada pelo governo, mesmo em meio a pandemia, foram os gastos com funcionalismo público, em cima dos quais foi adotado o congelamento do salário dos servidores.

Pandemia – O Ministro citou ainda programas emergenciais implantados pelo governo em meio à crise decorrente da pandemia do novo coronavírus, o que ajudou a segurar o desemprego em patamares menores do que os observados nos Estados Unidos, por exemplo, ou no Brasil em períodos de recessão anteriores. “Em ano de pandemia, perdemos 550 mil empregos”, disse. “O Brasil está reagindo de uma forma que eu considero bastante razoável, basta comparar com os demais países”, complementou. Ele citou ainda as projeções para o PIB, que no início da crise eram de queda de 10%, sendo revisadas para -4%. Para 2021, a projeção é de alta entre 3,5% e 4%.

Ele ressaltou ações do governo como mudança de preços-chave na economia e a combinação de juros bem mais baixos e câmbio mais alto, o que, segundo Guedes, ajuda no processo de estimular exportações e na proteção de mercados internos. “Essa mudança é importante. Ao mesmo tempo, nós desalavancamos os bancos públicos, expandimos o crédito privado, e o crédito público está sendo democratizado. Milhões de brasileiros estão tendo acesso ao crédito”.

O Ministro disse ainda que há uma dimensão tecnológica nesse crédito, com a agenda digital do Banco Central contemplando Pix, fintechs, open banking, e indo em direção à moeda digital. “Essa é a real competição”, disse. “Mais importante que a competição de milhares de empresas semelhantes é a competição entre alguns poucos que trazem a inovação”, complementou.

41 edições de uma grande história – Luís Ricardo Martins destacou que o 41º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP) chega ao final ressaltando 41 anos de muita história. “Este 41º totalmente online, enfrentamos o grande desafio de uso intensivo de tecnologia. No entanto oferecemos muito conteúdo e apresentações de elevado nível”, disse, colocando o evento com um verdadeiro MBA de previdência privada.

Com o tema central “Oportunidades para Avançar #vamosagir”, o objetivo do 41º CBPP foi mobilizar o setor na reinvenção do seu modelo de negócio e expansão através das inúmeras oportunidades, disse Luís Ricardo, destacando os 5 mil participantes e quase 100% das EFPC presentes durante os 4 dias de evento, que contou com aproximadamente 100 apresentações de conteúdos relevantes e atuais. “A audiência média nessas apresentações foi de 3 mil participantes na programação oficial. No encerramento, mais de 4 mil pessoas presentes”, disse. 

Ele citou ainda a presença de grandes especialistas nacionais e internacionais, estudiosos, além de ações como Previdência É Coisa de Jovem, em parceria UniAbrapp e CIEE que realizou uma live com a presença de mais 2,5 mil jovens e mais de 7,5 mil visualizações. “Através da Conecta, estamos com 17 startups que participam o 1º hub de inovação da previdência privada, o Hupp, e lançamos uma Central de Serviços exclusiva para o setor, reunindo tecnologia e marketing digital”, disse.

“Nesse processo de reinvenção, passamos uma visão do presente e do cumprimento irrestrito da nossa missão de dar proteção social, pagando R$ 70 bilhões por ano a quase 900 mil pessoas”, enfatizou o Diretor Presidente da Abrapp, ressaltando a visão de futuro e de fomento com os Planos Família, PrevSonho e a previdência dos entes federativos.

Citando a cultura previdenciária como tão necessária, Luís Ricardo lembrou que na próxima semana ocorrerá a Semana ENEF – Semana Nacional de Educação Financeira, ressaltando que a previdência deve ser empregada nos bancos escolares, no ensino fundamental. “Em sintonia com esse novo mundo, a Abrapp aceitou os desafios colocados para levar aos senhores muito conteúdo e debate e as inúmeras janelas de oportunidades. Realizamos o maior Congresso de Previdência Privada do mundo, agora digital. Agimos e realizamos esse Congresso com um conteúdo que nunca antes se viu”, disse, parabenizando a equipe da Abrapp pela entrega. “Que venha 2021 e nosso 42º Congresso”.

41º CBPP: Ricardo Amorim ressalta desafios da baixa taxa de juros e importância da educação financeira

41º CBPP: Ricardo Amorim ressalta desafios da baixa taxa de juros e importância da educação financeira

No Eixo Temático 1 – Impacto do Presente no Futuro do 41º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP), que iniciou nesta segunda-feira, 16 de novembro, o economista Ricardo Amorim participou de Insight Session com o tema “O Day After da Crise que Ninguém Esperava”, abordando os impactos da pandemia de COVID-19 no cenário macroeconômico brasileiro e mundial, e os desafios daqui pra frente.

Ricardo Amorim destacou que 2020 tem sido um ano diferente, mas cheio de lições, destacando que o Brasil vive um momento de queda da taxa de juros que foi acelerado pela pandemia, com Selic se aproximando de zero. “Isso torna o Brasil se um país ‘normal’ em tempos anormais, porque a taxa de juros perto do zero ou até negativa tem sido comum em outras países. A gente vinha caminhando nessa direção, mas faltou a pandemia para dar o último passo”. Segundo ele, esse cenário macroeconômico atual muda tudo do ponto de vista de quem aloca recursos, de quem precisa poupar e de quem precisa de crédito. “Isso é uma transformação gigantesca”. 

Amorim citou alguns aspectos relacionados a essa transformação, ressaltando que o cenário requer uma revolução na indústria de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). Ele ressaltou o impacto expressivo que essa redução da taxa Selic tem nos planos de Benefício Definido (BD). “Quando olhamos para a estrutura de equipes da parte de alocação de investimentos no geral, em um país em que a taxa de juros sempre foi elevada, a maior dessas equipes eram especializadas em renda fixa, e essa estrutura não faz mais sentido. Esse talvez seja o desafio estrutural mais importante e complicado”. 

Apetite ao risco – Segundo Amorim, há dois caminhos para resolver esse desafio: um é uma readequação da equipe, com pessoas treinadas para lidar com risco de crédito e passar a entender outros riscos. Ele citou ainda que as equipes devem ser montadas de formas diferentes dentro das instituições, com expertises e níveis distintos de tolerância ao risco, destacando que uma grande transformação que os investidores devem enfrentar é a questão da visão curto prazista, que deve ser mudada a partir de agora, diante desse novo cenário. “No momento, a gente tem investidores experientes moldados em um ambiente que não é mais o visto, e isso pode levar a uma visão de mercado deturpada”, disse, ressaltando que as EFPCs devem olhar para isso mais do que qualquer outra classe dos investidores.

A busca por alfa também se tornou importante, citou o economista, com a questão de apetite a risco relacionada ao prazo de investimento. “O que a gente vê é que quanto mais se amplia o horizonte, melhor a possibilidade de retorno. Para ter apetite a um risco maior, a solução é ter horizontes mais longos”. Segundo Amorim, usar o benchmark com base no CDI leva a decisões erradas e reforçou a importância de diversificar investimentos, inclusive, internacionalmente. “Ainda que eu acredite que hoje, no geral, as oportunidades de investimentos dentro do Brasil são muito melhores do que as que tem fora do país, não acho razoável que tenhamos os atuais limites para investimentos externos, e muito menos que os investidores tenham alocações muito inferiores a esses limites”. 

Ele ressaltou que se essas alocações fossem maiores, os investidores não teriam as dificuldades que tem hoje, pois os investimentos no Brasil ficaram muito aquém dos investimentos fora do país em uma análise de movimentos em horizontes longos. Amorim exemplificou que os investimentos das últimas décadas que tiveram melhor retorno fora país normalmente foram em setores que não estão presentes no Brasil, enquanto a bolsa brasileira não apresenta retornos tão positivos na mesma base comparativa. 

Educação financeira – Por conta das necessidades das pessoas terem que trabalhar de casa por um período longo, com o home office instalada na maior parte da empresas devido à pandemia, há hoje um novo impacto nos formatos de trabalho que até então as pessoas estavam acostumadas. “Com as relações de trabalho mudando, isso vai mudar também as relações com os fundos de pensão. É uma transformação gigantesca que não sabemos se será permanente”, disse Amorim. 

Ele citou que junto a esse fator, há a expansão recente dos planos de previdência complementar para familiares dos atuais participantes, sendo essa é uma das transformações importantes do sistema, que passa a ter um papel maior. Nesse sentido, Amorim ressaltou o papel da educação financeira, enfatizando que o Brasil precisa enfrentar essa questão e que é preciso o incentivo à formação de uma poupança de longo prazo para que se tenha uma qualidade de vida maior. “A própria pandemia talvez tenha acelerado isso”, pontuou, ressaltando que a indústria de previdência tem um papel forte em relação a esse tema. 

Segundo ele, juntar juros mais baixos com uma estrutura de emprego informal e falta de educação financeira pode gerar impactos negativos para a sociedade. “Educação financeira transforma um país em todos os aspectos”, destacou. 

Desafios – Ricardo Amorim disse ainda que daqui pra frente o Brasil enfrenta desafios com a necessidade das reformas para realização de um ajuste fiscal no país. Ele ressaltou também os impactos que a situação da política americana pode ter mundialmente, com um cenário de retorno da batalha comercial entre Estados Unidos e China. 

Para ele, as oportunidades do futuro estão pautadas na capacidade de resposta em momentos muito difíceis. “Acredito que a indústria de previdência complementar está passando, e passará pelos próximos anos, por uma grande transformação que pode vir a ser uma oportunidade dependendo da atitude pró-ativa que o sistema tiver”, complementou Amorim.

Crescimento, recuperação e ações para o 41º CBPP foram foco de coletiva de imprensa da Abrapp

Crescimento, recuperação e ações para o 41º CBPP foram foco de coletiva de imprensa da Abrapp

O crescimento dos planos instituídos, a recuperação sistema de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) após o primeiro impacto da pandemia, e as ações para o 41º Congresso Brasilero da Previdência Privada (CBPP) foram temas abordados em coletiva de imprensa concedida pela Abrapp nesta quinta-feira, 12 de novembro, reunindo cerca de 14 jornalistas de diversos veículos de comunicação. Estiveram presentes o Diretor Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Martins; o Diretor Vice-Presidente da Abrapp e Diretor Presidente da UniAbrapp, Luiz Paulo Brasizza; o Superintendente Geral, Devanir Silva; e o Superintendente Adjunto, Ivan Corrêa Filho.

Na ocasião, foram apresentados números sobre crescimento dos fundos instituídos, que hoje contam com 572,8 mil participantes e R$ 12,9 bilhões em patrimônio, segundo levantamento da Abrapp. “Isso mostra uma evolução, que deve ser ainda maior com planos família. Temos uma prospecção para esses planos voltados aos familiares de que até 2022 tenhamos mais de 500 mil pessoas protegidas e mais de R$ 2 bilhões de reservas acumuladas. Isso mostra o quão acertada foi a nossa ideia de fazer crescer e ampliar esses planos família”, disse Luís Ricardo. Diante disso, esse novo produto levará ao sistema uma mudança de mindset, conforme explicou o Presidente. “As entidades devem pensar fora da caixa para não ficar restritas aos seus atuais participantes, pois isso pode colocar sua sustentabilidade em risco. É uma nova visão de negócio”, disse. “Agora o sistema parte para a venda”.

Os dados mostram ainda a recuperação de todo o sistema após o primeiro impacto da crise decorrente da pandemia de COVID-19. Em março, as entidades acumulavam deficit de R$ 74 bilhões. Em setembro, o resultado negativo foi reduzido para 38,5 bilhões, segundo balanço da Abrapp. No mesmo período, o superávit das entidades evoluiu de 15,5 bilhões para 18,2 bilhões. “Com a força, resiliência e recuperação do sistema, nós superaremos a casa de R$ 1 trilhão em patrimônio ainda este ano”, disse. Em setembro, os ativos das EFPC somaram R$ 974 bilhões, o que representa 13,6% do PIB.

Oportunidades – “O sistema vem há muito falando de disrupção, comunicação, que amenizam os efeitos da pandemia. Diante dos dados de recuperação do sistema, isso mostra resiliência e o quanto o longo prazo é fundamental”, disse Luís Ricardo. Segundo ele, há ainda mais força para que o segmento trabalhe com grandes janelas de oportunidades, como a da Reforma da Previdência. “Poderia ter sido mais avançada se fosse estrutural, mas ela foi paramétrica, profunda e necessária. A pandemia também é uma janela de oportunidades, as pessoas querem proteção para seus familiares, e a gente tem isso no nosso DNA. O sistema fechado nasce do coletivo e temos uma grande solução, podendo ser parceiros do governo brasileiro, e protegendo o maior número de pessoas”.

Outra grande janela de oportunidades citada pelo Presidente é a dos planos de entes federados. “A Emenda Constitucional nº 103 trouxe a obrigatoriedade dos entes federativos implementarem o regime de previdência complementar em 2 anos. Isso já deu certo, o segmento de previdência complementar fechada sabe fazer”, disse, citando as entidades de servidores públicos que já estão consolidadas, sendo que, até setembro, 10 EFPC associadas à Abrapp já fazem a gestão de 20 planos de previdência dessa categoria. “Isso trará um fomento muito grande e apostamos muito nesse segmento nos próximos anos”. Luís Ricardo destacou que haverá uma Lei Complementar para harmonização entre entidades abertas e fechadas para que o segmento aberto de previdência possa fazer também a administração desses planos, conforme prevê a Emenda Constitucional. “Esse arcabouço regulatório e legal trará uma blindagem completa ao sistema”.

Outro tópico abordado por Luís Ricardo ainda com o viés de fomento do sistema foi a proposta de Lei de Proteção ao Poupador Previdenciário (LPPP), elaborada pelo pesquisador e professor do IDP José Roberto Afonso em parceria com a Abrapp. “Hoje existe uma mensagem do governo brasileiro de que o Estado deixará de ser o grande provedor da previdência pública, e o regime de repartição simples não se sustenta. O indivíduo cada vez mais terá que se preocupar em formar sua poupança previdenciária. Queremos trazer essa garantia, ampliar a previdência complementar para toda sociedade brasileira e trazer uma rede de proteção”, disse Luís Ricardo. O projeto de lei foi apresentado em reunião das diretorias e equipes executivas da Abrapp e da Fenaprevi nesta quarta-feira, 11 de novembro (saiba mais).

Para mostrar ainda mais a força do sistema, o Superintendente Geral Devanir Silva destacou que as EFPC possuem os melhores produtos, com pagamento de benefícios, com uma folha de pagamentos de benefícios de R$ 30 bilhões no primeiro semestre deste ano, podendo chegar a R$ 60 bilhões ao final do ano. “Isso é significativo. O sistema é dos trabalhadores, dos participantes”, disse. “Temos produto, temos entrega e qualidade, temos todos os ingredientes para o crescimento”, ressaltou.

Diversificação dos investimentos – Luís Ricardo destacou que a recuperação das EFPC em meio à crise se deu principalmente pelo fato que de que em suas políticas de investimentos as entidades já contemplavam maior risco e diversificação. “A diversificação está no seio do debate do Conselho Monetário Nacional sobre a Resolução nº 4.661. Temos falado em aumento de limites dos investimentos no exterior, sobre a questão imobiliária, temos uma proposta da Previc para investimentos em empresas de capital fechado. A diversificação é o segredo de sucesso, e a profissionalização e os debates que estamos fazendo neste momento pedem investimento com responsabilidade social”.

Devanir ressaltou que para uma visão de longo prazo é preciso investir na economia real, e o sistema está preparado para isso. “Vejo um caminho muito promissor. Hoje temos uma poupança forçada pela adversidade, mas somos fomentadores e nosso trabalho será a realização de sonho das pessoas. Temos oportunidade de fomentar uma massa de jovens trabalhadores. Estamos preparados para isso”.

Luiz Paulo Brasizza destacou ainda a questão da sustentabilidade como um grande ponto de diversificação dos investimentos, sendo um tema relevante no mercado financeiro. “A  Abrapp tem participado de grupo multidisciplinares sobre o assunto. Os investimentos nessa área deverão ser feitos pelos investidores institucionais”, disse, citando que a Abrapp possui um comitê de sustentabilidade e já lançou um guia de melhores práticas em sustentabilidade para todas as entidades; um guia de elaboração do relatório anual de sustentabilidade; uma política de sustentabilidade; um guia prático de integração ASG de gestores, entre outros. “Criaremos ainda o relatório de sustentabilidade das EFPC. Essa nova geração vem buscando um ‘selo verde’ nos investimento como uma aprovação para aplicarem seus recursos. Estamos correndo nessa linha para abrir boas perspectivas para investimentos sustentáveis”.

Destacando que a questão de sustentabilidade deixou de ser um “modismo”, Luís Ricardo reforçou que o participante deve enxergar que seus investimentos estão sendo direcionados para um objetivo maior. “Estamos apostando nisso, esse é um tema que veio para ficar e deixou de ser moda, com exigência muito forte do nosso atual e futuro público”.

Rentabilidade – O levantamento da Abrapp mostrou também que a rentabilidade dos fundos de previdência alcançou 867% nos últimos 17 anos, acima da meta atuarial de 648% para o período. Luís Ricardo destacou que a conjuntura econômica atual já demonstra recuperação do sistema. “As oscilações não são novidade. Nossa relação com o participante é de 50 anos. Esse lado do longo prazo, onde se pode traçar estratégias e ter profissionais do mais alto nível de excelência, permitirá alcançar e bater as metas atuariais”, disse.

41º CBPP – Luís Ricardo ressaltou a programação do 41º Congresso Brasileiro da Previdência Privada, que ocorre de 16 a 19 de novembro. “Esse Congresso vai tratar de temas fundamentais para nós, mas mais do que isso, o que pensam as grandes referências na inovação”, disse. Além da programação das plenárias, o evento contará com palestras técnicas, programação no Espaço UniAbrapp e na Alameda Conecta, além de apresentações na Área de Exposições e no Espaço Institucional. Confira aqui a programação completa.

Buscando atrair ainda mais o público jovem para o tema da previdência privada, Luís Ricardo citou uma das ações que ocorrerão no 41º Congresso, o Previdência é Coisa de Jovem. A iniciativa da UniAbrapp contará com uma live realizada durante o Congresso no dia 17, às 15h30, em parceria com o CIEE, reunindo cerca de mil jovens. “Estamos trazendo a previdência para um novo mindset, para pessoas pensarem que quanto antes elas começarem a poupar, melhor”.

Além dessa iniciativa, a UniAbrapp, que tem um foco na educação financeira e previdenciária, fará o lançamento da primeira turma do MBA em Gestão de Previdência Complementar em formato 100% online durante o 41º CBPP. “Precisamos levar meios para educar esses jovens. Todo esse trabalho de estrutura da UniAbrapp ajuda nesse processos de entendimento e transferência de informações para essa juventude”, disse Brasizza. “O jovem deve entender que precisa começar cedo a sua previdência”.

Dentro desse movimento de inclusão de um público mais jovem, a Abrapp tem investido em tecnologia com projetos como o Hack’A’Prev e o Hupp. Devanir citou o mundo das startups, da tecnologia e da Conecta, empresa controlada pela Abrapp e UniAbrapp para oferecer soluções tecnológicas ao sistema de previdência complementar. “Temos 17 startups trabalhando no nosso hub de soluções previdenciárias e que deverão gerar soluções para o sistema nos próximos meses”. A Conecta também apresentará seus parceiros e os serviços desenvolvidos por eles em uma programação exclusiva em seu estande no 41º CBPP. Saiba mais.

Artigo: Análise econômica da pandemia e seu papel na aceleração de processos – Por Andressa Monteiro Durão*

Artigo: Análise econômica da pandemia e seu papel na aceleração de processos – Por Andressa Monteiro Durão*

Autoridades de todo o mundo se depararam com algo inédito e inimaginável no primeiro trimestre deste ano. Sem tempo suficiente para medir os impactos e duração da nova realidade, mas diante da preocupação imediata com as vidas que poderiam e já haviam sido perdidas, a solução foi decretar lockdown. E, agora, oito meses após ter sido declarada a pandemia, nos deparamos com um cenário de retorno do aumento de novos casos da doença em economias importantes, com novas medidas e riscos de restrições, que alimentam a incerteza e a mantêm em nível elevado, onde permanecerá até que se encontre uma vacina.

A doença atingiu os países em momentos e magnitudes diferentes. Porém, o comportamento das economias, sejam desenvolvidas ou emergentes, é, de forma geral, bastante parecido no que diz respeito ao impacto na atividade econômica, timing da recuperação entre diferentes segmentos, movimento da inflação, comportamento dos consumidores, revolução no setor da saúde e políticas econômicas. Todas as mudanças ocorridas até aqui deixarão marcas profundas e nos levarão a um mundo (pouco ou muito) diferente pós-pandemia.

Com as restrições necessárias, parte da economia foi estancada (ou interrompida) e outra parte modificada. Houve mudanças em todos os segmentos da atividade econômica. Mas foram os Serviços os mais atingidos, diferentemente de qualquer outra crise já vivida por nós. O setor de serviços engloba, particularmente, atividades em que há maior contato pessoal e, além disso, atividades consideradas não essenciais. Esse setor, ao mesmo tempo, responde por cerca de 70% do PIB brasileiro. A recuperação também ocorre de forma diferente de outros setores. Consumidores tendem a não repor os serviços que não foram consumidos em determinados períodos. Não há sinais de reversão completa das perdas nesse caso. As preocupações com o mercado de trabalho são enormes por ser o setor que mais emprega no país. A única coisa sabida é que o setor sairá da pandemia com enorme ociosidade.

O chamado “fator medo” é um dos grandes vilões da atividade econômica neste período. Consumidores decidem não gastar, por diversos motivos, em condições de incerteza elevada. Em condições de incerteza estratosfericamente elevada – caso da pandemia –, houve comportamentos jamais vistos. Em diversos países foi observado aumento substancial do nível de poupança, seja pelo impedimento de se gastar, seja pelo receio com o futuro da economia. O lado positivo é que, quando tudo for resolvido, haverá uma demanda reprimida pronta para impulsionar o consumo. Mas nem todos os segmentos foram impactados negativamente. O consumo on-line foi uma das salvações das famílias na pandemia. Pessoas que não tinham o costume de comprar dessa forma foram praticamente obrigadas a adotá-la. Não há chances de esse tipo de comportamento voltar a ser exatamente como antes.

O fato de as famílias serem obrigadas a ficar em casa elevou a demanda por alimentos, principalmente os da cesta básica, e um dos poucos segmentos a ser impactado positivamente foi o de supermercados. A mudança na composição da cesta de consumo, somada aos auxílios do governo à população de mais baixa renda, contribuiu para um aumento considerável da demanda por esses bens, originando um problema de oferta que, junto à depreciação do real, contribuiu para o aumento da inflação do setor. Em praticamente todos os países o movimento da inflação foi o mesmo: inflação de alimentos elevada e inflação de serviços deteriorada.

A fim de conter as mazelas da crise, governos se propuseram a expandir suas políticas fiscais, oferecendo diversas medidas de suporte a empresas e famílias. Medidas de auxílio ao crédito, postergações de impostos, apoio ao mercado de trabalho, antecipações de benefícios, renda extra, entre outras, foram rapidamente implementadas. A ajuda necessária, completamente justificada, por um lado contribuiu para que empresas não fossem quebradas, para que milhares de pessoas não perdessem seus empregos e para que o segmento do varejo se recuperasse prontamente. Por outro lado, aumentou consideravelmente o nível de endividamento público dos países. E aqueles que já enfrentavam problemas fiscais sairão com uma dívida altíssima. É o caso do Brasil, que precisará, mais do que nunca, se apoiar na agenda de reformas estruturantes – aquela que foi interrompida pela crise, transformando o status do governo de austero para um dos que mais disponibilizou recursos à população neste período.

Para dar a liquidez necessária a tamanha destruição, foi necessário também enorme esforço monetário. Países que tinham espaço derrubaram suas taxas de juros a níveis mínimos históricos, enquanto países com juros próximos a zero expandiram seus balanços com patamares elevadíssimos de compras de ativos. O Banco Central do Brasil levou a taxa Selic para 2,0% a.a, nível jamais imaginado. Com a inflação em níveis baixos por conta da enorme ociosidade que o setor de serviços apresentará, que compensará o movimento temporário de alta em alguns preços, os estímulos tendem ser mantidos por um longo período de tempo até que as economias consigam se reerguer. Teremos um Brasil de baixas taxas de juros e inflação.

Não é difícil imaginar que tantas mudanças trouxeram rápidos e fortes impactos nos investimentos. Não só impactos pontuais. Além do recente e forte avanço em tecnologia e digitalização, a pandemia acelerou outros processos já antes iniciados e transformou estratégias de fundos, demandando dinamismo e inovação. A queda da taxa de juros antes da crise já vinha explicando parte da migração da renda fixa para investimentos em bolsa e no exterior, de ativos mais conservadores para os de maior risco e maior diversificação das carteiras. A pandemia contribuiu para a aceleração dessa tomada de risco.

O aumento da preocupação com saúde e previdência neste período reforçam a ideia da necessidade de segurança e busca por soluções sustentáveis para o futuro do país, no sentido de complementação à poupança, ideia já bastante difundida com a Reforma da Previdência. Parte das mudanças que ocorreram com a pandemia será permanente. Saber lidar com a nova estrutura com responsabilidade e visão de longo prazo, mantendo a consistência nos retornos com qualidade, será o diferencial dos investidores.

*Mestre em Economia e economista da Icatu Vanguarda

(As opiniões e conceitos emitidos no artigo acima não refletem, necessariamente, o posicionamento da Abrapp a respeito do tema)

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