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Entrevista: Prevcom completa 9 anos e consolida modelo de administração de planos para entes federativos

Entrevista: Prevcom completa 9 anos e consolida modelo de administração de planos para entes federativos

No dia 22 de dezembro de 2011, a Lei nº 14.653 instituía o regime de previdência complementar do Estado de São Paulo, autorizando, assim, a criação da Prevcom. Surgia a primeira Entidade Fechada de Previdência Complementar (EFPC) para administrar planos de benefícios para servidores públicos no país. Após 9 anos, a Prevcom conta com 36,8 mil participantes e R$ 1,7 bilhão em patrimônio (dados de novembro).

A Prevcom administra planos de servidores públicos de quatro estados – São Paulo, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – e de sete municípios – Birigui, Jales, Osasco, Guarulhos, Louveira, Ribeirão Preto e Santa Fé do Sul –, além da capital paulista. “O modelo implantado pela entidade serve de referência para vários entes federativos e é replicado por diversas administrações”, diz Carlos Henrique Flory, Diretor Presidente da Prevcom, em entrevista ao Blog Abrapp em Foco

No aniversário da entidade, Flory conta a trajetória da Prevcom, os desafios e as perspectivas para o segmento de previdência complementar dos servidores públicos daqui para frente:

Trajetória

Segundo Flory, em 2011, o governo paulista se antecipou no enfrentamento de um dos mais graves desafios da administração pública, que é o déficit previdenciário, com a aprovação da Lei que criou a Prevcom, antes mesmo da obrigatoriedade estabelecida recentemente pelo governo federal através da Emenda Constitucional nº 103. “O estado de São Paulo tem a dimensão de um país e problemas proporcionais. A folha de pagamentos de inativos é a que mais pesa no orçamento da maioria de estados e municípios e diminui drasticamente a capacidade de investimento”. 

Ele destaca que a Prevcom se instalou como o fator de sustentabilidade do sistema e de redução da pressão das despesas previdenciárias sobre o Tesouro Estadual no longo prazo. “Desta forma, ela garante ao servidor a condição de receber salários durante sua aposentadoria, com os ganhos extras da previdência complementar”, diz. 

Crescimento

Flory aponta que o crescimento da Prevcom ocorreu na medida em que os servidores estaduais compreenderam o funcionamento e as vantagens da previdência complementar. Assim, a entidade saiu de 6,7 mil participantes em 2013 para 16,2 mil no ano seguinte com a entrada de diversos órgãos no sistema, principalmente as universidades. “Como ninguém chega ao longo prazo sem superar o curto prazo, criamos tudo em meio à maior crise econômica que o Brasil já teve, com retração de -3,55% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, seguida de queda de -3,31% em 2016 e crescimento de apenas +1,06% em 2017”, lembra Flory. 

Nesse contexto, as adesões receberam um impulso após a sanção da Lei nº 16.391, em 2017, que autorizou os antigos servidores a se inscreverem na previdência complementar estadual, sem a contrapartida do Estado. “Após esta abertura, registramos uma evolução de 21,3 mil para 27 mil já no ano seguinte, chegando até os 36,8 mil participantes atuais. Neste período, foram realizadas transferências de renda aos servidores por meio de cortes sucessivos de taxas de carregamento até sua eliminação, o que favorece os participantes que têm acesso aos planos com este encargo zerado”, destaca. 

O patrimônio da Prevcom também evoluiu com a entrada de novos inscritos, além das contribuições voluntárias, portabilidade, contrapartida estadual e resultados consistentes de rentabilidade. “Estes componentes fizeram com que saltássemos de R$ 29,2 milhões em 2013 para R$ 176,3 milhões em 2014, atingindo mais que o dobro de patrimônio em 2015, que encerrou com R$ 389,7 milhões”, conta Flory.

A marca de R$ 1 bilhão foi alcançada pela Prevcom em setembro de 2018, com expansão permanente até o R$ 1,7 bilhão atingido em novembro deste ano. “O desempenho se deve à gestão eficiente, executada com base nas boas práticas do mercado, e ao retorno positivo das aplicações que atingiram os objetivos ao longo do tempo”, destaca o Diretor Presidente da entidade. 

Convênios com outros estados

Em 2017, a Prevcom recebeu a autorização legal para gerenciar planos de previdência complementar de outros entes federativos. “A experiência da entidade passou a interessar a vários estados e municípios sem capacidade financeira para montar suas próprias fundações. O fator principal era o custo de manutenção”, diz Flory.  

Segundo ele, sem massa suficiente para dar sustentação a uma entidade deste tipo, a adesão de outros entes a uma estrutura consolidada parecia a melhor solução, e assim o primeiro estado a entrar em negociações efetivas com a Prevcom foi Rondônia. “O ex-governador Confúcio Moura foi um dos primeiros mandatários a compreender que a associação a uma estrutura pronta seria o melhor caminho para a administração pública de seu estado. Assim, ele veio a São Paulo conhecer a Prevcom e toda a diretoria”, lembra Flory. 

Rondônia firmou convênio com a Prevcom em 2018 com a criação do plano PREVCOM RO, que conta com 334 participantes e patrimônio acumulado de R$ 1,2 milhão. “O plano rondoniense abriu caminho para expansão da competência da Prevcom e fez com que as negociações ganhassem musculatura em diversas frentes”, destaca o Diretor Presidente da Fundação. 

Atualmente, a Prevcom administra os planos exclusivos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além do município de São Paulo que, por sua complexidade e porte, requisitava um sistema próprio. 

 Prevcom Multi

 A expansão da Prevcom continuou com a administração de planos para municípios. Assim, foi criado o Prevcom Multi, plano multipatrocinado que coloca a entidade como parceira dos prefeitos na missão de implantar o regime de previdência complementar. “Em São Paulo, com seus 645 municípios, pela quantidade e perfil diversificado de prefeituras, vimos que justificaria a montagem de um plano que abrigasse vários entes federativos em uma estrutura única, sem o ônus de criar uma fundação, sistemas informatizados e equipes especializadas. A concepção do Prevcom Multi se baseia nesta equação”, conta Flory. 

A Previc aprovou o regulamento do Prevcom Multi em outubro de 2018 e publicou na mesma Portaria a adesão da cidade de Birigui, primeiro município a integrar o sistema multipatrocinado, seguida por Jales, Osasco, Guarulhos, Louveira, Ribeirão Preto e Santa Fé do Sul. “Em pouco tempo de atividade, o Prevcom Multi atingiu o patamar de viabilidade e conta com 1,2 mil participantes e R$ 6,1 milhões em patrimônio”, diz Flory. 

Novas adesões

Segundo Flory, o potencial de crescimento da Prevcom permanece em alta, com negociações de convênios de adesão cada vez mais sólidas com os governos de estados do Acre, Goiás e Pará, além de uma série de cidades que mantém tratativas com a entidade, como é o caso de Araçatuba, Itapecerica da Serra, Piracicaba, Rubinéia, Santos, Sertãozinho, São João da Boa Vista, São José dos Campos e Lins. 

Ele diz ainda que em contatos recentes com representantes dos municípios de Nova Andradina e Maracaju, de Mato Grosso do Sul, houve manifestação de interesse em conhecer a fundação e seus planos. “Vale lembrar que a partir de 1º de janeiro de 2021, milhares de prefeitos tomam posse em seus cargos e uma das tarefas que os aguarda no primeiro ano de mandato é a implantação da previdência complementar, cujo prazo dado pela reforma da previdência vence em novembro de 2021. Neste caso, o Prevcom Multi se apresenta como uma escolha viável para as administrações municipais”, destaca Flory.  

Harmonização entre abertas e fechadas

A reforma da previdência prevê a possibilidade de entidades abertas de previdência complementar ofertarem planos de previdência para servidores públicos. Para isso, são discutidos dois projetos de lei para a harmonização das diferenças entre as entidades abertas e fechadas de previdência complementar e a regulamentação da entrada das abertas na previdência complementar do servidor público. “As entidades abertas terão de se adaptar a um outro mundo, com regras iguais de concorrência”, diz Flory. 

Para ele, o benefício que a Prevcom carrega nesse sentido é de ter uma história construída na gestão previdenciária do servidor público. “Temos um perfil de governança que permite, inclusive, que os participantes atuem na administração dos planos, além da especialização formada nestes 9 anos”. 

 Rentabilidade 

Em meio a um ano tão difícil e desafiador para todo o setor de previdência complementar, a Prevcom conseguiu se recuperar, obtendo boa rentabilidade em 2020. A carteira de investimentos da entidade fechou o mês de novembro com 6,79% de retorno no acumulado do ano. Os relatórios mensais trazem também cálculos de rendimento desde o início do funcionamento da fundação, mostrando o desempenho no longo prazo. 

Considerando o demonstrativo mais recente, de novembro, o servidor com salário acima do teto constitucional, de R$ 6,1 mil, e que fez sua primeira aplicação em 2013, viu seu aporte dobrar com a contrapartida do governo estadual e render 131,28% até 2020. “Esta performance se explica tanto pelo longo período de alta dos títulos públicos como pelo acerto da diversificação de investimentos, que se tornou mandatória com Selic a 2% ano a ano e inflação em queda”, explica Flory. 

 Ele discorre ainda sobre a estratégia de investimentos adotada durante a crise sanitária de COVID-19, que impactou duramente o mercado em fevereiro e março. “Nossa estratégia deu o retorno esperado. Mantivemos nosso posicionamento confiantes que o mercado de capitais iria devolver, como de fato ocorreu, as perdas do primeiro trimestre. A escolha por nichos rentáveis, como ações de empresas de tecnologia, em ativos no exterior e fundos que surgiram durante a pandemia, com rentabilidade adequada a planos previdenciários de longo prazo, completaram o portfólio”, destaca. Assim, em cinco meses seguidos, de abril a agosto, a Prevcom obteve rentabilidade em alta, com uma leve queda em setembro, retornando à sequência positiva nos dois últimos meses. 

Pandemia

Diante da crise de COVID-19, as tensões globais, a volatilidade dos mercados e a falta de soluções imediatas recomendavam calma e manutenção das posições, principalmente em ativos de venda variável, conforme explica Flory, mas com a vantagem dos planos de previdência serem investimentos de longo prazo, capazes de superar bruscas oscilações conjunturais. “Esses foram os nossos maiores aliados na fase crítica, além da intensa comunicação com os participantes”, diz. 

Segundo ele, a crise também levou à entidade oportunidades de compras de ativos que reverteram bons resultados, como é o caso das empresas de tecnologia, entre as quais se destacam os bancos digitais, e fundos criados por grandes bancos de primeira linha em busca de liquidez. “A confiança na diversificação e a seleção de bons nichos de mercado deram o retorno esperado”, conta Flory. 

Não apenas nos investimentos se concentraram os esforços da Prevcom em meio à pandemia. Nesse período de instabilidade, o cuidado com as pessoas foi fundamental, e a fundação entrou em quarentena no dia 23 de março, adaptando as equipes e os sistemas ao home office com agilidade. “Os resultados apurados até o momento apontam para a possibilidade de manutenção do regime de trabalho remoto, com períodos curtos de operação presencial sempre que necessário”, diz Flory. 

Além disso, a Prevcom seguiu tomando providências para proteger os funcionários com a vacinação contra os vírus Influenza A e Influenza B, recomendada no início da crise sanitária, e realizou duas baterias de testes para COVID-19. “Em 23 de dezembro completamos 9 meses de quarentena com segurança, em pleno funcionamento”, destaca o Diretor Presidente da entidade.

Semana ENEF: Live ressalta importância da previdência complementar para servidores públicos

Semana ENEF: Live ressalta importância da previdência complementar para servidores públicos

Foi realizada na quinta-feira, 26 de novembro, a live “Previdência privada para servidores públicos, entenda porque ela pode ser importante para você”, promovida pela Secretaria de Previdência na Semana ENEF, e com moderação de Elaine Cavalcanti. O bate-papo com Delubio Gomes Silva, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e Marcia Paim Romera, Coordenadora-Geral de Diretrizes e Normas de Previdência Complementar, foi transmitido pelo canal da Abrapp no YouTube e levou ao público conceitos importantes para que os servidores públicos entendam como funciona a aposentadoria, além de ressaltar a importância da previdência privada e complementar para a construção de uma aposentadoria mais confortável.

Atualmente, 13 estados possuem um regime de previdência complementar em funcionamento, sendo que o Mato Grosso teve seu plano autorizado a partir desta quinta-feira, conforme foi anunciado por Marcia Romera durante a live. Há outros estados estudando a implantação e alguns municípios que já fizeram sua implementação. “O ano de 2021 deve ser o ano em que de fato os municípios vão avançar na implantação da previdência complementar”, disse Marcia.

Com a Emenda Constitucional nº 103, a previdência complementar passou a ser uma obrigatória para todos os estados e municípios com Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Além disso, a Reforma da Previdência promoveu outras mudanças que levam o servidor público a se conscientizar mais na formação de uma previdência complementar para garantir uma renda melhor no futuro. “Ao atingir o teto do INSS, os servidores vão ter que pensar seriamente sobre isso, e eu diria que não é alternativa”, explicou Delubio Gomes.

Em sua visão, além de se incentivar a aderir à previdência complementar, todos os entes federativos que criarem seu plano deveriam incluir a inscrição automática. “A maioria das pessoas não tem conhecimento por previdenciária, principalmente previdência complementar”, ressaltou, destacando que a inscrição automática é mais uma forma de incentivar o servidor público a entrar no regime complementar.

Marcia Romera também defendeu a inscrição automática como maneira de estimular a adesão à previdência complementar, por ser um regime extremamente vantajoso, mas que nem todos conhecem os benefícios. Marcia reiterou, principalmente, a questão da contrapartida do patrocinador que ocorre com planos patrocinados, que é o caso da previdência complementar dos servidores públicos.

Diante do histórico da previdência para servidores públicos, Delubio destacou que resiliência para este público é algo novo. “Até 2003, o servidor público tinha a convicção que sua aposentadoria era integral. Uma das premissas é que ele sabia que no momento da sua inatividade, seu último salário estaria garantido. Não estávamos preparados para essa nova mentalidade que ocorreu com as mudanças que culminaram na Reforma da Previdência do ano passado”, disse.

Delubio ressaltou que a previdência não deve ser pensada como uma poupança para ser resgatada, e sim como uma prestação de serviço continuada para que se tenha uma renda adicional no futuro. “A finalidade da previdência complementar é de complemento à previdência do regime geral e regime próprio. Isso terá impacto muito grande”.

Segundo ele, o contexto atual mostra que o servidor público precisa ficar atento ao planejamento futuro para garantir uma renda qualificada na inatividade, e que hoje a previdência de servidores ainda vem de um regime que depende de pessoas trabalhando para garantir a renda de quem se aposentar, e isso não se sustenta. “A redução do Estado dificulta ainda mais a questão da repartição”, complementou.

Como funciona a previdência complementar – Marcia Paim Romera apresentou as características da previdência complementar. “É um regime privado, amadurecido e consolidado no Brasil, administrando R$ 2 trilhões em patrimônio, com 16 milhões de participantes e assistidos, e representando 28% do PIB com cerca de 1.098 planos”, disse, citando número da previdência complementar fechada e aberta.

Ela contou que, no caso de servidores públicos, o plano oferecido é da modalidade de Contribuição Definida (CD), na qual o servidor escolhe o percentual de contribuição, e essa poupança é constituída junto com as contribuições do patrocinador. “É um regime que requer uma atenção maior do participante para fazer simulação e observar se o volume contribuído é o suficiente para o seu objetivo”, disse Marcia.

Ela destacou que o mais importante dentro da previdência complementar é o planejamento financeiro. “A primeira mensagem que a nova previdência trouxe para todos é que, neste momento, precisamos estar mais conscientes sobre nossas regras de aposentadoria e como vamos nos aposentar”, disse. “A previdência complementar é importante para manter a qualidade de vida e renda na velhice; proteger a família, pois permite adesão a vários produtos de risco vantajosos; além de ter a contrapartida do empregador no mesmo montante que o servidor público; diversificar fontes de pagamento; e proporcionar rentabilidade de investimento com maior controle”, explicou Marcia.

O quanto antes melhor – Ela reiterou que os servidores que optarem por ingressar o quanto antes no regime de previdência complementar terão maior tempo de contribuição, sendo descontado um valor não tão alto de seu salário, e formando uma renda maior no para o futuro. No caso de servidores que começaram mais tardiamente, o nível de contribuição é maior para conseguir ter uma complementação de renda. “Previdência complementar é um assunto para o jovem. Mas mesmo para quem postergar, o benefício vale a pena”.

Para o servidor que ganha abaixo do teto do INSS, Marcia avalia que há também uma preocupação com a manutenção da renda. “A previdência complementar passa a ser para todo mundo, pois o nível de aposentadoria no futuro vai ser menor”, reforçou.

Para auxiliar ainda mais no entendimento deste tema, a Secretaria de Previdência criou um plano de educação financeira com diversos projetos e ações para disseminar a conscientização sobre a previdência. O “Previdência Complementar para Todos – Guia para a população brasileira se preparar melhor para a aposentadoria”, lançado na segunda-feira, dia 23 de novembro, é também fruto deste trabalho. Leia mais.

Live: Márcia Paim explica processo de implantação da previdência complementar de servidores públicos

Live: Márcia Paim explica processo de implantação da previdência complementar de servidores públicos

Márcia Paim Romera, Coordenadora-Geral de Diretrizes de Previdência Complementar, participou de live transmitida pelo Instagram da Revista RPPS do Brasil (@revista.rppsdobrasil) nesta quinta-feira, 29 de outubro. Com o tema “Orientações aos municípios para a implantação da previdência complementar”, a live foi mediada pela jornalista e diretora da Revista RPPS do Brasil, Iliane Fonseca.

Na live, Márcia explicou a trajetória da previdência do servidor público até chegar na Reforma da Previdência, passando primeiramente pela Emenda nº 41, que permitia a implementação do regime de previdência complementar em estados, municípios e União partir de Lei Complementar de cada ente. “Tinha uma facultatividade ou seja, o ente decidir pela implantação ou não, e uma restrição, pois para implementar a previdência tinha que ser por meio de entidade fechada de natureza pública. Então, os entes tinham que criar sua entidade própria, e somente em 2017 as entidades começaram a ofertar planos para seus municípios”.

Assim, com a Emenda Constitucional nº 103, os municípios agora devem implantar a previdência complementar em caráter obrigatório. Segundo Márcia, houve flexibilização da norma de implantação autorizando que ela seja feita por intermédio de entidades fechadas ou abertas, mas ainda exigindo uma Lei para implantação. “Já temos 12 entidades administrando planos de servidores públicos, mas agora podemos ter mais de 300 entidades, pois ampliou-se o número de possibilidades”, destacou.

Orientações – Para auxiliar os entes nesse processo, foi criado um grupo de trabalho na Secretaria de Previdência Complementar com o objetivo de estudar resoluções para facilitar a adesão pelos entes. “Foi criado um guia de orientações que traz recomendações e uma minuta de Projeto de Lei”. Ela destacou ainda que a maioria dos RPPS iniciam um debate entendendo que devem criar uma entidade de previdência própria. “Deixamos claro que a criação de entidade é um processo que caro, e por essa razão o próprio Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) estabelece um regramento que para criar uma entidade se estabeleça um número de participantes mínimo”, disse, se referindo à Resolução CNPC nº 35, que diz que para criação de uma entidade, o ente federativo deve ter no mínimo 10 mil servidores. “Isso é uma realidade de poucos estados e municípios. A nossa recomendação é aderir a um plano existente, multipatrocinado”, disse Márcia.

Segundo ela, diante do processo de implantação, o RPPS deve dar o pontapé inicial por ter a vivência na elaboração de normas para previdência e sabe a importância para as finanças públicas. “Com intermédio do próprio RPPS, a gente sugere a formação de um grupo de trabalho para minutar a Lei, que deveria ter a participação de diversos segmentos com representantes dos servidores públicos, com poderes representados no grupo, participantes do RPPS, procuradorias, assessoramento jurídico, pois é um debate construído em conjunto”, disse Márcia.

Márcia recomenda ainda um processo seletivo para fazer contratação da entidade com pré-requisitos estabelecidos. “É uma escolha muito técnica que tem vários pontos a serem pensados, como porte, sistemas, governança, comitês, entre outros. Esses pontos que devem ser observados”, disse, explicado também a diferença entre entidades abertas e fechadas. “Um grupo de trabalho está discutindo a criação de uma Lei Complementar para que as entidades abertas possam atuar nesse segmento. Hoje, os estados e municípios ainda não podem contratar entidades abertas, pois precisa da Lei Complementar”.

Além do processo de seleção das entidades, Márcia recomendou a criação da adesão automática do servidor à previdência complementar, pois isso permite que o próprio servidor entenda como funciona o desconto, no contracheque, e fique protegido em termos de aposentadoria. “Com a inscrição automática, o servidor ainda assim pode pedir para sair do plano a qualquer momento”, destacou.

Importância da previdência complementar – Segundo ela, ainda há uma dificuldade no entendimento da importância de previdência complementar, que muitas vezes é distorcida. “Quando abordamos a complementação importante da previdência, o servidor fica esclarecido, pois ele terá a sua reserva em seu nome, ele sabe quanto já foi aportado, quanto o patrocinador aportou, tem a segurança com benefícios de risco, e é um produto que gera confiança. Você sabe que terá ele para aposentadoria e proteção”, explicou Márcia.

Ela ressalta a importância do RPPS iniciar essa discussão, considerando que haverá sanções para quem não implementar o regime previdenciário complementar no prazo estabelecido, com a consequência da perda da regularidade previdenciária. “Não trabalhamos com adiamento do prazo. Estamos conversando para entender gargalos, quais as dificuldades, mas a alteração de um prazo constitucional não é simples”, complementou.

A live está disponível na íntegra no perfil da Revista RPPS do Brasil no Instagram (@revista.rppsdobrasil).

Vídeo: Luís Ricardo fala sobre janela de oportunidade para previdência do servidor público

Vídeo: Luís Ricardo fala sobre janela de oportunidade para previdência do servidor público

No oitavo vídeo da série Abrapp Direto ao Ponto, o Diretor Presidente Luís Ricardo Martins aborda a Reforma da Previdência e os planos dos entes federativos, destacando a janela de oportunidade que a reforma trouxe com a obrigatoriedade dos mais de 5 mil entes federado instituírem nos seus estados, municípios e distritos, a previdência complementar dos servidor público. “A gente já sabe fazer, isso já deu certo no país”, disse, reforçando que o sistema tem uma grande janela de oportunidade para continuar protegendo o maior número de pessoas e cumprindo com o pagamento de benefícios. “A expectativa é muito grande porque há uma demanda reprimida e uma grande janela”. Assista ao vídeo na íntegra:

Artigo: Educação financeira e previdenciária, sempre é hora de aprender! – Por *Danielle Cristine da Silva

Artigo: Educação financeira e previdenciária, sempre é hora de aprender! – Por *Danielle Cristine da Silva

Com muita frequência escuto frases do tipo: “o meu salário não sobra pra nada”, “vou ter que renegociar a fatura do meu cartão de crédito”, “tô farto de tanto boleto para pagar”, “não sei mais para quem pedir empréstimo”, e por aí vai. São tantas as lamúrias e dificuldades de algumas pessoas, que me obrigo a parar para escrever sobre o assunto.

A primeira reflexão que faço é a seguinte: crianças que vêm de famílias onde educação financeira é um assunto que se conversa em casa, são criadas com um diferencial que vai impactar favoravelmente em suas trajetórias. Comigo foi assim. Desde os meus primeiros anos de vida fui ensinada a olhar para o dinheiro como algo verdadeiramente “importante”. E hoje, agradeço a minha mãe por tão valoroso ensinamento. Ainda na infância, desejosa por uma Barbie, ganhava apenas as bonecas Susi, pois eram de preço inferior à famosa Barbie e, com isso, ia sendo ensinada que com a economia na compra, mais poderia sobrar para quando precisássemos para algo muito mais importante na família. Um pouco mais crescidinha, era orientada a ir ao mercado e procurar sempre o menor preço, pois assim minha mãe ia colocando no meu imaginário que, se eu poupasse, mais perto estaria das minhas tão sonhadas férias na praia, que era o que eu mais almejava naquele momento. A chegada da fada dos dentes, aquela que deixava dinheiro embaixo do travesseiro, era repetidamente usada com o viés de guardarmos aquele montão de cédulas para engordar o cofrinho e, no futuro, quebrá-lo para comprar um brinquedo bacana, ao invés do consumo imediato com picolés e balas. E assim, desde cedo fui aprendendo que o futuro confortável depende sempre de uma renúncia atual.

Outra reflexão: finanças não é matemática, é comportamento! Se você não aprendeu isto de casa, sempre é hora de aprender. Até a chegada da pandemia trazida pelo coronavírus, estávamos todos mergulhados num modelo de sociedade centrada no consumo. Um consumo que, gradativamente, se automatizou em nosso cotidiano e em nossa forma de vivermos juntos, uns com os outros. Por quantas vezes fomos conduzidos para uma compra que nem mesmo precisávamos verdadeiramente fazer? Ou que facilmente poderia ser substituída por algo que já tivéssemos ou que poderia ser reaproveitado? Você já refletiu sobre isto? Já fez as contas para ver financeiramente o quanto já gastou sem a menor necessidade? E o quanto aqueles gastos, desnecessários e dispensáveis, acabaram impedindo você de investir em qualidade de vida, como por exemplo ter um plano de saúde? Sem contar o imprevisto de uma demissão e você não ter nenhuma reserva financeira para fazer frente às necessidades de sua família. Por isso que digo que finanças é comportamento: o comportamento diário de pensar e refletir que aquilo que fazemos hoje é o resultado do amanhã.

E a terceira e última reflexão: Quanto mais cedo você começar a poupar, maior será a sua reserva financeira no futuro! Agora aquela perguntinha básica pra tirar você da sua zona de conforto: Já mudou ou vai mudar os seus hábitos de consumo? A pandemia está forçando você a entender isso? Escolha os legados positivos da crise que estamos vivendo e passe a aplicá-los em sua “nova vida”. É hora de qualificar os seus gastos. Investir em um plano de previdência complementar é uma boa forma de fazer isto. Poupar se tornou uma imposição, faça isso agora. Você muda hoje. E a sua aposentadoria agradece.

*Danielle Cristine da Silva é servidora pública do Estado do RS e Diretora-Presidente da Fundação RS-Prev

(As opiniões e conceitos emitidos no texto acima não refletem, necessariamente, o posicionamento do 
Grupo Abrapp a respeito do tema, sendo seu conteúdo de
 responsabilidade do autor)

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