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Webinar discute avanço do tema ASG nos investimentos das EFPC

Webinar discute avanço do tema ASG nos investimentos das EFPC

O webinar “Avanços do ESG na visão dos Investidores Institucionais”, promovido pela gestora Integral Brei, realizado na última quarta-feira, 11 de novembro, contou com a participação de Luiz Paulo Brasizza, Vice-Presidente da Abrapp e Presidente da UniAbrapp, José Carlos Chedeak, Diretor de Normas da Previc, e Vitor Bidetti, CEO da Integral Brei, que abordaram a importância que esse tema vem ganhando diante do segmento de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). O webinar foi moderado por Renato Gama, sócio da Integral Brei, e transmitido pelo canal da gestora no YouTube.

Brasizza destacou que a sigla ESG, ou ASG, foca em questões ambientais, sociais e de governança, acrescentando ainda a questão da integridade, tomando uma vertente muito grande no desenvolvimento no mercado financeiro. “Internacionalmente, já temos percebido a relevância desse tema, com o mercado europeu mais avançado, o americano também, e na América do Sul começando com investimentos em florestas. A gente vê que é uma discussão que está tomando porte grande no país e vai chegar um momento em que não haverá investimentos financeiros que não tenha algum tipo de selo sustentável para o planeta”.

Ele ressaltou a baixa taxa de juros do país, que deve permanecer ao longo dos próximos anos, o que acaba gerando uma pressão sobre os investidores institucionais. “Temos em torno de R$ 1 trilhão na mão dos fundos de pensão no Brasil, e 65%, em média, desse montante são planos de Benefício Definido (BD), que têm metas atuariais. E a gente percebe que as metas atuariais ainda são altas. Não adianta mais ficar em título público, pois isso não paga a necessidade atuarial de um fundo de pensão”.

Diante desse cenário, Brasizza apontou que as entidades, naturalmente, terão que migrar para investimentos mais rentáveis e que tenham um pouco mais de risco, mas diferenciados em sua maioria. Ele ressaltou ainda a importância de se ter um parceiro adequado para dar suporte nesse tipo de investimento. “É uma verdadeira mudança cultural que deve tomar um caminho mais forte em 2021”.

Atuação da Abrapp – Brasizza ressaltou que a Abrapp possui um comitê de sustentabilidade e destaca alguns pontos relevantes de seu trabalho, como o lançamento de um guia de melhores práticas em sustentabilidade para todas as entidades; um guia de elaboração do relatório anual de sustentabilidade; uma política de sustentabilidade; um guia prático de integração ASG de gestores, entre outros. “Quando a gente fala em sustentabilidade, o empreendimento pode ser sustentável, mas ele só fica aderente à entidade de previdência se o patrocinador, a entidade de previdência e seus participantes também tiverem uma ideia de sustentabilidade e um apreço por esse tipo de investimento”.

Ele destacou que o grande projeto da Abrapp para 2021 é a elaboração de o relatório de sustentabilidade das Entidades Fechadas de Previdência Complementar utilizando a metodologia do PRI – Principle of Responsible Investment. “Junto a isso, temos diversos grupos atuando no mercado financeiro, multissetoriais, trabalhando para criar produtos ‘verdes'”.

Brasizza destacou a necessidade de ter na legislação um segmento voltado para a questão de sustentabilidade. “A relevância vai ser muito grande”, disse. “Isso não depende exclusivamente do governo, é cultural”, complementou. “Precisamos de grandes parceiros para também mostrar rentabilidade. Sustentabilidade é crescimento, é pé no chão, e tem muito trabalho ainda pela frente”, enfatizou.

Regulação – José Carlos Chedeak destacou que a Previc já atua com um engajamento ASG há algum tempo, mas em 2018, em conjunto com o Ministério da Economia, trouxe a primeira afirmação da necessidade dos fundos de pensão observarem realmente no processo de investimentos essa análise ASG. “Colocamos sempre que possível, pois o ASG começou a ganhar força de 3 anos pra cá, então no momento era a semente que a gente poderia plantar para que os fundos de pensão já olhassem para esses processos”. Ele disse ainda que a regulação da Previc já incentiva os investimento ASG, dividindo por setor econômico, com transparência.

Em 2019, a própria Previc, entendendo a importância do tema, elaborou uma sessão específica para tratar dessa questão dada a relevância e a importância de orientar as entidades e a população como um todo. “Hoje, para ter uma regulação mais assertiva, podemos criar algumas travas que não precisam existir. Esse processo tem que amadurecer com autorregulação e com iniciativa privada dando mais atenção”. Chedeak destacou que há desafios pela frente, entre eles o de saber como incentivar as emissões de modo geral, títulos, debêntures e fundos com uma questão mais focada para a sustentabilidade ASG. “Precisamos também trabalhar em uma taxonomia. Afinal, o que é uma taxonomia verde, o que é ser sustentável, e como integrar isso aos seus investimentos?”, questionou, ressaltando que esse é um ponto debatido em grupos de trabalho multidisciplinares.

Além disso, Chedeak disse que o que a Previc tenta fazer em ASG não é uma regulação específica, e sim uma indução a essa boa prática. “Se você pensar em termos de boas práticas, temos que induzir esse processo sem limitar a possibilidade dos investidores terem essa iniciativa, sem que isso vire uma obrigatoriedade quase que intransponível. Em alguns casos, nem sempre se consegue achar os produtos necessários sustentáveis para serem adquiridos”, enfatizou, destacando que ainda há poucos produtos ASG no mercado para atender a atual demanda. Ele destacou que a Previc começa a abordar esse assunto para oferecer informações aos investidores. “De modo geral, a regulação está aqui neste momento muito mais como um processo de indução”.

Selo sustentável – Vitor Bidetti, CEO da Integral Brei, deu um contexto sobre o cenário de investimentos ASG no Brasil e no mundo e destacou que para acompanhar a aderência de determinados ativos a um programa inicial há auxílio da certificação que algumas empresas fazem de maneira pontual. “Em relação à análise de determinada emissão, há companhias independentes que fazem um acompanhamento ao longo do tempo sobre a aderência do programa, do fundo, da debênture, do CRI ou CRA, em relação ao relatório inicial”, explicou, citando a Sitawi como uma das empresas que faz esse tipo de acompanhamento. Tanto Chedeak quanto Brasizza destacaram a importância desse tipo de análise mais ampliada para identificar se os pilares de sustentabilidade, de fato, são encontrados dentro do ativo.

Bidetti explicou ainda que 2 anos atrás, a Integral Brei começou a buscar ativos que pudessem ser desenvolvidos através dessa agenda ASG. “Temos dois fundos em fase de estruturação, sendo que um deles é para o desenvolvimento para uma smart city em Brasília”. Segundo ele, a estratégia deve ser voltada para investidores institucionais. “Eles estão em busca de bons projetos, bons ativos. A taxa de juros básica cria essa busca por diversificação e o mercado imobiliário está saindo primeiro”, disse. “A atitude ASG é uma atitude responsável dos investimentos”, complementou.

Oportunidades – Brasizza destacou que as oportunidades são muito amplas ainda, pois há um grande caminho para trabalhar. “O que falta agora é a decisão de seguir nessa linha e dar sequência nesses investimentos”. Chedeak disse que a regulação não pode ser uma barreira, e hoje o que falta é ter produtos de qualidade nessa área e a cobrança dos próprios investidores. “O investidor deve cobrar que o produto seja melhor”.

Vitor ressaltou a questão das baixas taxas de juros e o fato do Brasil ter uma oportunidade histórica de resolver a questão fiscal. “Se isso acontecer, a gente deve ter um ciclo longo de condições macroeconômicas favorecendo investimentos de longo prazo, imobiliários, em infraestrutura. O que não falta é oportunidade. Com a agenda ASG sendo impulsionada, devemos ir para um ciclo positivo”.

Luiz Paulo Brasizza participa de webinar sobre avanços do ESG na visão dos investidores institucionais

Luiz Paulo Brasizza participa de webinar sobre avanços do ESG na visão dos investidores institucionais

O Vice-Presidente da Abrapp e Presidente da UniAbrapp, Luiz Paulo Brasizza, participará nesta quarta-feira, 11 de novembro, às 17h, do webinar “Avanços do ESG na visão dos Investidores Institucionais”, promovido pela Integral Brei. José Carlos Chedeak, Diretor de Normas da Previc, também participará do evento online, comandado por Vitor Bidetti, CEO da Integral Brei. Para assistir, basta acessar este link.

Artigo: Investimento sustentável cresce na crise, com foco migrando para o longo prazo – Por Daniel Celano e Fernando Cortez*

Artigo: Investimento sustentável cresce na crise, com foco migrando para o longo prazo – Por Daniel Celano e Fernando Cortez*

O investimento sustentável vem crescendo nos últimos anos e a crise atual tem impulsionado ainda mais o segmento, com alta no lançamento de fundos de ações especializados em empresas que seguem critérios ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês, que tem sido usada como ASG no Brasil). Muitos poderiam pensar que a sustentabilidade deixaria de ser prioridade em um momento de instabilidade nos mercados, mas o que vem acontecendo é o contrário. Isso porque investir em ações de empresas sustentáveis traz, intrinsecamente, um componente de mitigação de risco, com foco em resultados no longo prazo. E a diversificação internacional pode somar-se aos esforços para o investidor proteger o seu patrimônio contra oscilações momentâneas do mercado e obter retornos acima do mercado.

Segundo a Anbima, a quantia aplicada no Brasil em fundos de ações sustentáveis cresceu 29% nos últimos 12 meses, totalizando R$ 543,4 milhões em junho. Além de modismos ou discussões sobre ética empresarial, do ponto de vista do investidor, companhias com menores passivos ESG apresentam menores chances de serem prejudicadas no futuro, maiores chances de terem os seus resultados catalisados por iniciativas sustentáveis eficazes, e menor custo de capital, em decorrência de serem geridas para o longo prazo, com redução dos “riscos de cauda”. Geridas para o longo prazo, essas empresas levam em consideração o impacto sobre todos os seus stakeholders, conseguindo obter resultados sustentáveis acima da média. Ou seja, essas companhias levam em conta, ao mesmo tempo, os interesses de seus acionistas, clientes, reguladores, meio ambiente, fornecedores, colaboradores e da sociedade como um todo. Como consequência, a performance de estratégias de investimento com gestão ativa e foco em empresas sustentáveis tende a ser superior à do mercado em geral, no longo prazo.

Como referência, o fundo global de ações Schroder Sustainable Growth, que prioriza o investimento em empresas com parâmetros positivos de sustentabilidade, está gerando retornos 5,6 pontos percentuais ao ano acima do mercado global (índice MSCI AC World) nos últimos 36 meses (até 31 de maio de 2020). A estratégia internacional é acessada por meio do fundo local, Schroder Sustentabilidade Ações Globais, e está disponível no Brasil a partir de julho, para aplicações de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).

Fernando Cortez, SchrodersO fundo propõe unir investimento sustentável a diversificação internacional, que é outro fator que contribui para construir um forte histórico de retornos e proporcionar geração de Alpha consistente, e que tem atraído o interesse dos brasileiros em particular, diante da valorização do dólar e da queda da taxa básica de juros no Brasil. Agora, a crise da Covid-19 vem somar-se aos motivos para olhar mais para o exterior: dedicando uma parcela da carteira a ativos globais, é possível ter acesso a setores favorecidos pela crise, mas escassos no Brasil; e resguardar-se contra riscos do mercado local.

De fato, não somente as ações brasileiras são mais voláteis do que as ações globais durante períodos de estresse, mas também há vários períodos em que as ações domésticas experimentaram maior volatilidade e retornos negativos independentemente dos mercados globais. Com base em volatilidades e correlações históricas nos últimos dez anos, a Schroders calcula que um investidor brasileiro que investe 50% em ações e 50% em renda fixa domésticos, elevaria o seu retorno em aproximadamente 1 ponto percentual ao ano ao transferir uma parte das alocações locais para uma alocação de 10% ou 20% em ações internacionais, mantendo ou diminuindo o nível de risco da carteira. Ou seja, destinar parte dos investimentos a ativos no exterior, de forma eficiente, pode melhorar o retorno esperado para o mesmo nível de volatilidade.

A diversificação com foco em ESG pode ser aliada não apenas em momentos de crise no mercado, mas sempre. Como referência, o Ibovespa registra queda de 17% em 2020 (até 25 de junho), e volatilidade de 63,8%. Se o investidor dedicasse 30% do seu portfólio de renda variável ao fundo global de ações no exterior com foco em ESG, sem hedge cambial, o retorno negativo seria limitado em 9,8%, com volatilidade de 48,6%. Em simulação para 36 meses, o retorno da carteira com um percentual de 30% aplicado no fundo internacional ESG seria de 67%, contra 39,4% em uma carteira alocada apenas no mercado de ações locais.

Como se pode ver, hoje existem muitas circunstâncias favoráveis para a diversificação internacional com foco em investimento sustentável, que tem atraído mais interesse no Brasil. Mas ainda há muito o que avançar por todos os investidores, de pessoas físicas a instituições. A Anbima estima que a quantia investida em fundos ESG no país representa 1% do patrimônio da indústria de fundos no Brasil. No mundo, esse percentual é de 36%, segundo o Global Sustainable Investment Alliance. Algo que pode fazer toda a diferença para o mercado explorar mais as oportunidades ESG é contar com ferramentas, escala e o conhecimento técnico de um time especializado de gestão.

Por exemplo, por trás do Schroder Sustentabilidade Ações Globais, há um time dedicado de especialistas integrado internacionalmente: além de mais de 100 analistas de ações distribuídos pelos principais mercados internacionais, há um time global de 20 profissionais especializados em investimentos sustentáveis e mais de 25 cientistas e analistas de dados (Big Data). O time de gestão também utiliza ferramentas proprietárias, como Context e SustainEx, esta, que faz uma avaliação profunda e abrangente da sustentabilidade do modelo de negócio de uma empresa no longo prazo, além do potencial de crescimento, com base na relação com seus stakeholders. A abordagem é qualitativa, em vez de quantitativa, e adota altos critérios para inclusão no grupo elegível, fazendo uma avaliação dinâmica, e não estática da empresa.

Mais do que se preocupar em seguir uma tendência momentânea, os investidores devem olhar para o investimento sustentável no exterior de forma estratégica e estrutural. Quando realizada com a dedicação que exige e de acordo com o perfil de cada investidor, a diversificação internacional com foco em ESG pode ser altamente eficaz para retornos acima do mercado no longo prazo.

*Daniel Celano – CFA e Country Head Brasil da Schroders (foto no topo) e Fernando Cortez – Head of Sales da Schroders (foto no meio)

(As opiniões e conceitos emitidos no artigo acima não refletem, necessariamente, o posicionamento da Abrapp a respeito do tema)

S&P DJI realiza divulgação do Índice Brasil ESG para investidores institucionais

S&P DJI realiza divulgação do Índice Brasil ESG para investidores institucionais

A S&P Dow Jones Indices está realizando ações para a divulgação de seu novo ìndice  S&P/B3 Brasil ESG para o mercado de investidores institucionais e setor de entidades fechadas de Previdência Complementar (EFPC). Lançado no início de setembro passado, o novo índice utiliza critérios de seleção baseados em regras, que têm por base princípios ESG para escolher e ponderar seus componentes do S&P Brazil BMI (índice amplo de mercado) que estão listados localmente na B3.

O objetivo é dar aos investidores uma exposição central ao mercado brasileiro de valores e ao mesmo tempo proporcionar um impulso significativo no desempenho de acordo com pontuações ESG. “O novo índice é um instrumento de gestão passiva que pode ser utilizado pelos investidores, inclusive as entidades fechadas, em suas estratégias de investimento com critérios ESG”, explica Paulo Eduardo Sampaio, Diretor Sênior para a América Latina da S&P Dow Jones Índices. Ele informa que o Índice ESG Brasil é composto atualmente por 96 empresas da Bolsa brasileira.

Das 167 empresas consideradas pelo S&P Brazil BMI, foram excluídas as companhias de tabaco, armamentos e aquelas que utilizam carvão térmico em seus processos produtivos. Além disso, ficam de fora também as empresas com pontuações desqualificadoras segundo o Pacto Global das Nações Unidas (UNGC, pela sigla em inglês). Logo depois, as restantes empresas elegíveis são ponderadas no índice pela metodologia de pontuação ESG resultante da Avaliação de Sustentabilidade Corporativa (CSA).

Paulo Sampaio afirma que o Índice ESG Brasil é o mais amplo da categoria existente no país. O mercado brasileiro mantém outros dois índices de sustentabilidade; o ISE e o ICO2. O Diretor explica ainda que o novo índice foi disponibilizado devido a uma demanda de um dos clientes da S&P DJI, que é a BTG Pactual. A asset solicitou a criação do índice para o desenho e lançamento de seu primeiro ETF (Exchange Traded Fund). O produto foi lançado no último dia 5 de outubro com a denominação de ETF ESGB11.

“Acreditamos que esse índice vá fomentar melhores práticas ESG no mercado de capitais brasileiro e a parceria com S&P e B3 foi natural, dada suas lideranças no mundo de índices e focados em ESG” disse Eduardo Guardia, CEO da BTG Pactual Asset Management, através de comunicado.

Ascensão do ESG no Brasil – Paulo Sampaio explica que a S&P DJI pretende realizar ações de aproximação com a Abrapp e as EFPC com o objetivo de fornecer informações e conhecimentos sobre o funcionamento do índice e dos critérios ESG em geral. “O ESG já é discutido há mais de uma década entre os fundos de previdência no Brasil, mas foi de dois anos para cá que sua importância ganhou maior fôlego”, comenta.

No exterior, a pressão dos investidores institucionais e dos fundos sobre as empresas é uma realidade em diversos mercados. Começou com mais força nos países nórdicos e na Europa, depois passou para a Austrália e Japão. Recentemente, o maior fundo japonês, dos servidores do governo, realizou um grande movimento para investir em ativos que a utilização de índices ESG. Paulo Sampaio cita ainda a movimentação da BalckRock, maior asset global, para a valorização e utilização dos critérios ESG nas estratégias de seus fundos de investimentos.

Clique aqui para mais informações sobre o índice, bem como as 96 empresas, além de acesso a metodologia.

Gestores buscam aspectos ASG ativamente em análises de investimentos

Gestores buscam aspectos ASG ativamente em análises de investimentos

Os investimentos em aspectos ambientais, sociais e de governança (ASG, ou ESG, na sigla em inglês) deixaram de ser uma escolha ou tendência e passaram a ser primordiais para garantir retornos de longo prazo. Esse foi o tema de painel do segundo dia do 9º Seminário Gestão de Investimentos, iniciado ontem e que continuou ao longo desta sexta-feira, 16 de outubro. Com um público de mais de 700 pessoas acompanhando o evento online e ao vivo, os primeiros painéis do dia trouxeram temas relacionados a investimentos no exterior e oportunidades no crédito privado.

Para tratar dos aspectos ASG, Rafael Soares Ribeiro de Castro, Gerente Executivo de Conformidade e Controles Internos da Previ, moderou um painel que mostrou que gestores estão cada vez mais especializados e ativos na busca por investimentos com impactos ambientais, sociais e de governança em suas carteiras. “Temos acompanhando cada vez mais esse tema na mídia, e isso se reflete na análise dos nossos investimentos. Esse tema cresceu bastante nos últimos anos no Brasil, e para engrandecer o debate, traremos uma perspectiva internacional e nacional”. ​

Rick Stathers, Analista & Estrategista de ESG e Climate Change na Aviva investors, atua com uma equipe de mais de 20 especialistas em ESG e traçou um panorama da situação de mudança climática no mundo atualmente, reforçando o Acordo de Paris, um tratado que rege medidas de redução de emissão de gases estufa a partir de 2020, a fim de conter o aquecimento global preferencialmente em 1,5 ºC. “Precisamos tomar as medidas necessárias para isso, pois as consequências para um aumento do aquecimento global serão graves”, disse. “Até o final da próximas década, temos que diminuir as nossas emissões de gás carbônico. Há uma falha de mercado em segurar o aumento de emissões, sobretudo em empresas de petróleo e gás”.

Ele citou motivos que fazem esse tema ser importante aos investidores. “Já estamos tendo um aumento a temperatura, no nível dos oceanos, enchentes e queimadas afetando as economias ao redor do mundo. É importante saber quais são as implicações disso para tomar as decisões de investimento de longo prazo”. Segundo Rick, gestoras e investidores ao redor do mundo já estão pressionando empresas para cobrar atuações nesse sentido. “A resposta precisa ser maciça e aumentar significativamente”, disse. “Há uma mudança na demanda dos clientes, com análises, campanhas de desinvestimentos de empresas responsáveis pelo aquecimento e, recentemente, na Europa houve mudanças nas regulações, com requisitos maiores que se alinhem à exigências do Acordo de Paris”, destacou.

Aspectos ambientais – Nos últimos 4 anos, a Aviva tem feito uma análise sobre as implicações desse cenário de aquecimento, medindo seus impactos. “É muito mais plausível que haja um impacto negativo com qualquer que seja o aumento de temperatura, mas o cenário de 1,5º é o menos negativo. Através dos nossos investimentos, podemos a chegar nesse resultado. Há muitas discussões internamente que devem ser replicadas entre empresas e gestoras para afinarem suas carteiras e fazem com que isso nos leve a esse futuro de aumento de 1,5º”, disse o analista.

Entre as medidas que as gestoras podem tomar, segundo Rick, está incluir o risco no processo de investimentos, identificando empresas com o modelo de negócios voltado para um mundo de baixo carbono, medindo como as empresas fazem a gestão de risco climático. Além disso, ele citou uma abordagem mais ativa, de contato com acionistas das empresas, podendo ser mais ativo nas decisões. “Temos uma abordagem forte de engajamento e oferecemos soluções aos investidores”.

Gestão – Para tomar essas decisões mais práticas, através de um processo de capacitação dos analistas, a Indie Capital conta com a Sitawi para construir políticas responsáveis para os investidores até chegar no próximo passo, que será abrir um fundo 100% ASG. “Temos um problema sério de sustentabilidade no mundo, e o mercado está caminhando para essa direção. Faz parte do desafio das gestores incorporar esses investimentos no seu dia a dia”, disse ​Daniel Reichstul, Fundador da Indie Capital. “Isso vai fazer preço, e a nossa motivação, nosso propósito está calcado na ideia de estar na ponta. Temos uma questão fiduciária, e para dar bons retorno é importante saber analisar aspectos ASG na hora de investir em uma empresa”.

Ele deu ainda uma visão para identificar os principais pontos programáticos, a subjetividade, olhando não somente os indicadores, mas entendendo a atitude da empresa e sua visão holística. “Já olhávamos com profundidade o aspecto de governança, e agora olhamos o score social e ambiental também”, destacou. “A gente tem tido bastante humildade intelectualmente para ir incorporando os temas no nosso dia a dia, melhorando de maneira gradual e cuidadosa para ter bastante certeza de que estamos fazendo algo sólido e novo, com cuidado na incorporação”, disse.

Daniel apresentou ainda algumas variáveis identificadas no processo de análise que pesam para determinados setores, cruzando o score com a atitude da empresa. “As empresas que têm um índice ASG alto são as que a gente quer investir, desde que elas tenham um retorno esperado alto. Em empresas que possuem nota baixa de ASG, mas tem uma atitude boa no sentido de mudanças, precisamos olhar com cuidado, pois é aqui que o engajamento vai fazer diferença e pode ser um turn-around. Se houve atitudes positivas dos executivos, apesar da nota baixa, mas com direção boa, e conseguirmos captar isso, essa empresa deve ter um bom retorno. A questão será, então, acompanhar e ver se a mudança, de fato, ocorre”.

Já no caso de empresas que têm boa nota, mas atitude não boa, Daniel avalia que devem ser evitadas. “Temos uma abordagem mais pragmática. Não necessariamente deixamos de investir, mas colocamos um peso pequeno”, explicou. “Buscamos retorno satisfatório para os nossos clientes, essa é a nossa abordagem”, ressaltou.

Sustentabilidade dentro de casa –​Marcelo Mello, Vice-Presidente de Investimentos, Vida e Previdência da Sulamérica, destacou que esse tema ganhou muita força nos últimos meses, o que serve de alerta para que ninguém deixe-o seguir em uma direção superficial. “Começamos a ver muita demanda por produtos ASG, fundos que tenham essa temática, e o investidor deve cada vez mais se preocupar com esse processo. Muito mais importante que um produto específico que vai impactar determinada demanda, mas como impactamos toda a indústria de fundos em um processo que leva em consideração esses aspectos, sendo isso parte da responsabilidade fiduciária dos gestores de recursos”, disse.

Ele destacou que o início da análise de processos de governança das empresas foi mais fácil dentro da Sulamérica, mas os aspectos sociais e, principalmente, ambientais, para o gestor de portfólio nunca eram a prioridade, por não conseguir gerar valor. “Na época, passamos a quase que forçar a análise desses aspectos, estimulando o gestor de portfólio a considerá-los nas suas análises”. Depois de um tempo, Marcelo Mello destacou que os aspectos sociais começaram a ficar mais palpáveis em termos de impacto dentro das companhias. “Começamos a perceber que isso tinha muito valor. Assim, a obrigação da avaliação diminuiu, e o tempo que o analista se dedicava a essas questões aumentou”.

Já o aspecto do meio-ambiente está vindo agora de maneira mais acelerada, principalmente após a pandemia de COVID-19, destacou Marcelo Mello. “A pandemia é um marco secular, e provavelmente no futuro, os portfolio managers avaliarão como as empresas se comportaram nesse período, quais atitudes foram tomadas. Será uma referência importante”, avaliou, ressaltando que, ainda assim, é preciso avançar nas questões de meio-ambiente. “O liability da empresa que não está em compliance com meio-ambiente é gigantesco. Essa questão não evoluiu ainda no Brasil e requer mais conhecimento e processos”, complementou.

Mello ressaltou a importância de que os próprios gestores incorporem ações sustentáveis dentro de casa. “Nós, como gestores, temos que ter cuidado não só de levar o produto correto e sustentável, com alfa, aos investidores, mas também temos a obrigação de, assim como da porta pra fora mostramos essa preocupação, da porta pra dentro temos que mostrar como isso impacta em nosso patrimônio. Não tem melhor ou pior, tem engajamento”.

Metodologias – Apresentando os métodos utilizados na construção de carteiras na hora de se montar um portfólio considerando aspectos ASG, ​Iain Snedden, Especialista em Investimentos da Aegon Asset Management, parceira da Mongeral e MAG Investimentos, ressaltou quatro grandes critérios: as exclusões, selecionando empresas que não se adequam aos aspectos e excluí-las do portfólio; os melhores do mercado, selecionando as empresas que tenham um rating bom de ASG; empresas com o tema de sustentabilidade, que podem gerar impacto robusto, como energia limpa, causas sociais, etc.; e investimentos de impacto, que podem ter retornos melhores se tiverem impacto tangível nas causas que os investidores querem apoiar.

Iain ressaltou como os investimentos sustentáveis podem gerar alfa às carteiras. “Os fatores ASG melhoram desempenho das empresas tanto em mercado desenvolvidos como em emergentes, incluindo bom desempenho em fatores ambientais e sociais, pois havia uma ideia de que esses fatores não tinham tanto peso quanto o da governança, o que não é verdade”. Segundo ele, apesar de haver poucas soluções perfeitas disponíveis, os investimentos nesses aspectos fazem diferença nos retornos. “Se você é uma empresa e está melhorando esses fatores, faz sentido que isso se traduza em melhorar eficiência, métricas financeiras, e a maneira que a empresa atua, o que reflete em uma valorização superior no mercado acionário”.

O especialista explicou ainda como a Aegon trata essas análises, com um modelo de três dimensões: produto, práticas e melhoria. É a combinação dessas três coisas que nos leva a avaliar uma empresa”. Nesse aspecto, há exclusão de alguns setores dentro dos investimentos, combinando também as práticas, ou seja, comportamento das empresas em relação aos seus funcionários e acionistas, e processo de melhorias. “Assim, classificamos empresas como líderes, melhoradores ou as que estão ficando para trás”. Ele ressaltou que ASG é subjetivo, mas há indícios de que incorporar esses fatores acrescenta valor. “É importante saber o que vai ao encontro da necessidade de cada cliente. No fim, tudo tem a ver com trabalho e encontrar as melhores ideias por meio de uma pesquisas própria, e incorporá-las”.

Tanto Iain quanto Rick, com uma visão internacional, destacaram que a busca por aspectos ASG nas empresas não deve ser específica em um país, e sim cada empresa deve ser avaliada dentro dos desempenhos ASG em todo o mundo, olhando casos individuais. Complementando o tema, Marcelo Mello ressaltou que é importante verificar se as empresas estão sendo autocríticas com suas ações relativas a esses princípios. Já Daniel Reichstul destacou que quanto mais informação a empresa fornecer, mais rico ficará esse debate.

EFPC – Apesar das exigências locais, Rafael de Castro questionou como é possível engajar ainda mais as EFPC nesses processo, e Marcelo Mello ressaltou que os investidores estão cada vez mais engajados, e esse tema já ganhou força. “Esses investidores estão mais atentos ao tema. Estamos tentando construir isso de forma acelerada nas fundações menores, sendo que nas maiores esse processo já é mais consolidado”, disse.

Sob a perspectiva europeia, Iain destacou interesse nos aspectos ASG por parte dos fundos de pensão. “Alguns dos pedidos de informação que eles fazem são quase que exclusivamente ligados a fatores ASG, solicitando para que a gente incorpore esses fatores aos nossos processos de investimento. Estados Unidos também cerca esse tema em termos de demanda”.

A Comissão Técnica de sustentabilidade da Abrapp possui um guia que auxilia as EFPC no processo de seleção de gestores. “Esse é um tema muito palpitante, e no futuro os investimentos responsáveis estarão inseridos nas outras discussões de investimento como uma coisa só. Os fundos de pensão devem inserir esse debate em seus processos em relação a riscos e oportunidades, e cada vez mais veremos evolução desse tema no nosso setor”, complementou Rafael de Castro.

Acompanhe mais notícias do evento no blog Abrapp em Foco.

O 9º Seminário Gestão de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com apoio institucional de Sindapp, ICSS, UniAbrapp e Conecta. O evento conta com patrocínio Black da XP Investimentos; Ouro da Aditus, Aviva Investors, BNP Paribas Asset Management, Indosuez Wealth Management, Captalys, ClearBridge Investments, Hancock Asset Management Brasil, Indie Capital, J.P. Morgan Asset Management, Kadima Asset Management, MAG Investimentos, Perfin Asset Management, Schroders, Sparta Fundos de Investimento, Sulamérica Investimentos, TAG Investimentos, Vinci Partners; Bronze da Franklin Templeton, i9Advisory Consultoria Financeira, Mauá Capital, StepStone; e apoio da ARX.

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