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EFPC devem comunicar o que têm de melhor, diz Amarildo Vieira 

EFPC devem comunicar o que têm de melhor, diz Amarildo Vieira 

No caminho da harmonização entre entidades abertas e fechadas para fazerem a administração de planos de previdência de servidores públicos, os debates seguem em torno da criação de regras justas para que a competição entre os segmentos não seja desigual. A Emenda Constitucional nº 103, de 2019, determina que os entes federados constituam seus regimes de previdência complementar no prazo de 2 anos, abrindo para todas as entidades, tanto fechadas quanto abertas, a gestão e administração desses planos.

Para isso, estão sendo elaborados Projetos de Lei, com participação da Abrapp, para que essa compatibilização ocorra. “Esse caminho é sem volta no sentido da determinação constitucional, produzindo uma legislação para harmonizar os sistemas. Não temos medo da competição, mas ela não pode ser desigual”, destaca o Diretor-Presidente da Funpresp-Jud, Amarildo Vieira, em entrevista ao Blog Abrapp em Foco. “Temos que ter regras paritárias para poder disputar clientes com as entidades abertas em igualdade de condições. Mas apesar disso tudo, temos grande confiança no nosso sistema no sentido de diferenciais”.

Embora a questão da harmonização de regras, especialmente tributária, esteja em pauta, Amarildo ressalta que o sistema fechado conta com mais 300 entidades, cerca de R$ 1 trilhão em recursos, pagando R$ 70 bilhões em benefícios anualmente, sempre honrando com seus compromissos. “Devemos ter capacidade de comunicação para mostrar o que temos de melhor no nosso sistema, que dificilmente as abertas vão ter”, reitera.

Rentabilidade – Amarildo ressalta entre os diferenciais das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) está a rentabilidade proporcionada pelos investimentos. “Por sermos entidades sem fins lucrativos, tudo o que se consegue além do benchmark é carreado para conta dos participantes. Isso dá certeza que sempre será buscado o melhor, que será revertido integralmente aos participantes. Não temos bônus por desempenho, e quanto mais conseguimos realizar, mais o participante ganha”.

Transparência – “O nosso segmento, e a Funpresp-Jud em particular, se orgulha em ser transparente; o participante sabe onde o dinheiro está sendo colocado”, ressalta Amarildo. Segundo ele, são produzidos inúmeros relatórios que servem como prestação de conta aos participantes sobre como os recursos estão sendo geridos. “Nossa comunicação é bastante ativa, explicando o que fizemos, o que não fizemos, as oportunidade que perdemos, etc. A gente é muito transparente”.

Governança – Amarildo Vieira reforça que o sistema de previdência complementar fechada possui forte regulamentação, com esforço da Previc e da Abrapp, além das próprias entidades, em sempre aprimorar sua governança e a profissionalização dos gestores ao extremo. “O sistema não está mais admitindo pessoas sem nenhum conhecimento, a Previc exige certificação, as normas são aperfeiçoadas, e isso dá tranquilidade ao participante”.

Participação na gestão – A participação na gestão dos recursos é um grande diferencial apontado por Amarildo Vieira dentro das EFPC. “As pessoas ingressam cada vez mais jovens no mercado de trabalho, e por conta das regras de aposentadoria, vão ficar muito tempo em atividade. É importante que elas saibam quem está fazendo a gestão de seus recursos, o que estão fazendo para poder cobrar resultado, desempenho, saber informar quando o desempenho não for adequado, etc.”, diz.

Ele reitera que nesse sentido, o contato entre participantes, equipe, Diretoria e Conselhos das entidades é muito próximo. “Além disso, tendo qualificação, os participantes ainda podem participar da gestão diretamente, como empregado das fundações, ou indiretamente, votando, elegendo Diretores e Conselheiros. Isso legitima a cobrança do desempenho da gestão, dando um voto de confiança, sendo um dever e obrigação do eleito prestar contas”. Ele diz ainda que o próprio participante pode participar dos processos seletivos para Diretor ou nas eleições para os Conselhos.

Produtos – Amarildo ressalta uma preocupação com a distorção do produto, que no caso das EFPC, tem caráter 100% previdenciário. “Nas abertas, é oferecido um produto financeiro, e em qualquer necessidade que o participante tenha, pode sacar o recurso acumulado. Nas entidades fechadas, o recurso é acumulado para, quando o participante perder a capacidade laboral, ter uma condição de ter um benefício adequado e uma velhice digna. Essa reserva vai assegurar uma boa aposentadoria. Esse é o mote das EFPC, e temos que comunicar isso muito bem. Esse é o nosso grande desafio, fazer a educação financeira e previdenciária, comunicar bem e vender nosso produto”, reforça.

Após gangorra, investimentos da Funpresp-Jud encerram 2020 com rentabilidade acima do esperado

Em um ano extremamente desafiador, as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) tiveram que mudar suas dinâmicas internas em 2020 para se adaptar às exigências impostas pelo isolamento social decorrente da pandemia de Covid-19. Em pouco tempo, funcionários foram colocados em trabalho remoto e os gestores dos investimentos observaram as grandes oscilações do mercado. “Fomos, como todo mundo, ‘atropelados’ pela pandemia”, diz o Diretor-Presidente da Funpresp-Jud, Amarildo Vieira.

Ele conta que na fundação, não houve perda da qualidade do trabalho, aumentando a produtividade e sendo vislumbrada a possibilidade de estudar com seriedade o trabalho remoto constante. “Esse foi um passo, mas nos preocupamos e até hoje temos avaliado o retorno ao presencial, que só vai ocorrer quando for seguro para todo mundo”, diz Amarildo. Em relação aos investimentos, mesmo com quedas acentuadas da rentabilidade, houve ganhos de sucesso. “Foi uma verdadeira gangorra”, descreve o dirigente. “Vivemos uma montanha-russa, ora indo muito bem, e de repente muito mal”, diz.

Resultados – A Política de Investimentos da fundação já estava pautada, desde sua criação, em um um posicionamento mais conservador, sem expor os recursos à volatilidade de modo a promover educação financeira e previdenciária aos participantes. Com a queda da taxa de juros e a renda variável dando sinais de ser um grande veículo para investir, em 2020 o planejamento da entidade foi entrar com toda força no segmento. “Em março, contudo, tivemos uma perda expressiva, que foi recuperada em abril. Ficamos nessa gangorra e uma coisa que conseguimos fazer no sentido de manter a calma e tranquilidade nesse ambiente tão conturbado pelo qual passamos foi comunicar os participantes de que estávamos agindo bem no sentido de perseverar a integridade dos recursos”, explica Amarildo.

O Plano de Benefícios JusMP-Prev apresentou retorno de 3,23% em termos nominais e 1,86% em termos reais em dezembro de 2020, ficando acima do benchmark no mês, 1,71% em termos nominais e de 0,36% em termos reais. Segundo a entidade, esse foi o melhor resultado mensal, em termos nominais, desde o início do Plano de Benefícios. No acumulado de 2020, o Plano de Benefícios encerrou com retorno de 8,81% em termos nominais e 4,11% em termos reais, apenas ligeiramente abaixo da meta para o ano  – 8,84% em termos nominais e 4,13% em termos reais. As reservas do Plano de Benefícios encerraram 2020 com retorno de 8,90% em termos nominais e 4,19% em termos reais, superando o benchmark.

“O resultado do ano como um todo foi bom. Fomos resilientes, conseguimos manter a tranquilidade, investindo em título público, privado e no exterior. Mantivemos nossa posição na bolsa, não nos desfizemos de nada, não realizamos prejuízo, e colhemos o resultado. A reação foi bem tranquila, segura nesse período, e temos uma equipe bastante dedicada que conseguiu conduzir o destino da fundação com apoio da Diretoria para que passássemos por este ano de turbulência com bastante aprendizado. Chegar no final do ano com esses números é muito satisfatório”, ressalta.

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